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sábado, 9 de abril de 2011

O ANJO DO SENHOR ERA UM ANJO COMUM OU CRISTO PRÉ-ENCARNADO?

No Antigo Testamento existem várias passagens em que é mencionado um ser denominado de Anjo do Senhor. Deus falava muitas vezes através dele, e este ser manifestava a vontade de Deus, a qual era por sua vez transmitida de maneira direta às pessoas.

Mas a questão é: Era este ser um anjo qualquer ou era o Deus Filho manifestando-se em teofania? Muitos são os que entendem que se tratava de um anjo comum, um ser angelical, e não Cristo pré-encarnado. Os que defendem tal ensino afirmam que quando este anjo do Senhor falava como Deus, não era porque ele fosse Deus, mas sim porque falava em nome de Deus, representando-o. Todavia, tal ensino não é a verdade das Escrituras. O Anjo do Senhor não era apenas um ser angelical, apenas um anjo comum, tal ser era Deus, de modo que quando apresentava-se como Deus, não era porque Jeová lhe dava autoridade para representá-lo, mas porque era Deus mesmo, ou melhor, o Deus Filho manifestando-se em teofania.

Jesus é chamado de o “Verbo de Deus” (Jo 1:1). Isto porque é através dele que Deus nos fala (Hb 1:1). O Anjo do Senhor era o Verbo, ou seja, era o mensageiro de Jeová, através de quem Deus manifestava-se. O Anjo do Senhor era o Logos pré-encarnado. Vejamos agora provas nas Escrituras de tão gloriosa verdade.

Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do dia. Disse o Homem: Deixa-me ir, porque já vem rompendo o dia. Jacó, porém, respondeu: Não te deixarei ir, se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? E ele respondeu a Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com Deus . . . Perguntou-lhe Jacó: Diz-me, peço-te, o teu nome. Respondeu o Homem: Por que perguntas pelo meu nome? E ali o abençoou. Pelo que Jacó chamou ao lugar Peniel, dizendo: Porque tenho visto Deus face a face . . . ( Gn 32:24, 26 – 29 )

O texto mencionado acima é uma prova contundente da teofania de Cristo. Gênesis 32:24 menciona que Jacó ficou só na presença de um Homem. Isto mostra que aquele ser estava materializado. E este ser se autodenomina de Deus (Gn 32:28). E diz que tem um nome ( Gn 32:29 ), e ainda abençoou a Jacó. O que seria uma blasfêmia, se o tal fosse apenas um anjo comum. No versículo 28, Jacó teve seu nome mudado para Israel, pelo ser que com ele lutara, e isto prova ainda mais que Jacó lutara não com um anjo representante de Deus, mas com o Deus Filho, pois só Deus pode mudar o nome de alguém (Gn 17:5). Cristo mudou o nome de vários, inclusive o de Pedro ( Jo 1:42 ). Exatamente por ser Deus. Sim, quem mudou o nome de Jacó para Israel foi Deus, o Deus Filho pré-encarnado.

Em Gênesis 28:30, Jacó chamou o lugar onde se deu aquele acontecimento de Peniel, ou seja, face de Deus, isto porque era o Deus Filho que estava diante de Jacó. E isto está em perfeita harmônia com João 1:18 que diz: Ninguém jamais viu a Deus ( o Pai ) o Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer. Sim, no AT Cristo já dava a conhecer Deus Pai, em teofania.

Em Gênesis 48:15,16 Jacó diz o seguinte: E abençoou a José dizendo: O Deus em cuja presença andaram meus pais Abrãao e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia, o anjo que tem livrado de todo mal, abençoe estes mancebos.

É impossível que o anjo mencionado aqui, conjuntamente com o nome de Deus duas vezes, se refira ao um anjo comum. Certamente Jacó está se referindo ao ser com quem se encontrou em Gn. 32:22-30. É importante notar que o verbo abençoar usado por Jacó está no singular, quando deveria está no plural se referisse a mais de uma pessoa, como seria no caso de referir-se a Deus e a um anjo. Está no singular porque refere-se ao Deus triuno, e o anjo ali mencionado compõe a triunidade, pois não é outro, senão o Deus Filho.

Vejamos mais provas da teofania de Jesus Cristo no AT: no capítulo 13 do livro de Juízes nos é relatado que o anjo do Senhor apareceu para Manoá, bem como para sua esposa. E nos é dito no verso 17 do capítulo 13 que Manoá fez a seguinte pergunta para o Anjo do Senhor: Ainda perguntou Manoá ao Anjo do Senhor: Qual é o teu nome? . . . e a resposta seguinte foi: ao que o Anjo do Senhor lhe respondeu: por que perguntas pelo meu nome, visto que é MARAVILHOSO? ( Jz 13:18 ). Ora, Jesus Cristo é quem tem o nome maravilhoso ( Is 9:6 ). Não se tratava de um anjo comum, mas sim de Cristo pré-encarnado. Por isso, bem disse Manoá: Disse Manoá à sua mulher: certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus.( Jz 13:22 )

Ainda no livro de Juízes no capítulo 6 verso 12, nos diz a Bíblia que o Anjo do Senhor apareceu a Gideão, e com ele dialogava acerca do livramento que Deus daria a Israel por intermédio de Gideão. Estava pois Gideão na presença do Anjo do Senhor. No verso 15 Gideão argumentava dizendo para o Anjo do Senhor que não poderia livrar Israel, porquanto era o menor da casa de seu Pai.

E a resposta do Anjo do Senhor foi: “Tornou-lhe o Senhor: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como a um só homem” (Jz 6:16). Note você, leitor, que a Bíblia chama ao ser que aparecera para Gideão de Senhor. O que seria um absurdo se se tratasse apenas de um anjo comum (veja Jz 6:14). Além do mais, o Anjo do Senhor aceitou holocausto (Jz 6:17-19), e ainda o confirmou (Jz 6:21), o que seria uma blasfêmia se fosse um anjo comum. Era, outra vez, Cristo pré-encarnado.

Deus disse a Moisés que o seu anjo guiaria o povo e o introduziria na terra prometida (Ex 22:23). Não se tratava de um simples anjo, pois este anjo que seguiu o povo por toda jornada era Cristo pré-encarnado. Por isso Paulo diz que o povo de Israel bebeu de uma pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo (I Co 10:4).

Alguns argumentam dizendo que não se pode afirmar que o Anjo do Senhor seja Cristo pré-encarnado, porque Estevão em sua pregação, ao citar que Moisés viu o Anjo de Deus no meio da sarça, não diz que era Cristo (At 7:30). Ora, este argumento é tolo, pois Estevão também não diz que não o era. É interessante notar que Moisés viu o Anjo do Senhor no meio da sarça (Ex 3:2), e a Bíblia diz que Deus falou com Moisés do meio da sarça (Ex 3:4) vemos que Deus e o Anjo do Senhor se fundem numa só pessoa. Logo, este Anjo do Senhor só pode ser Cristo pré-encarnado.

É importante observar que Deus manda Moisés tirar as sandálias dos pés porque o lugar era terra santa (Ex 3:5). Ora, se o Anjo do Senhor fosse um anjo comum e não Cristo pré-encarnado, teríamos que admitir que Deus glorificou juntamente com ele a um anjo, e ainda, que devemos reverenciar os anjos na mesma altura em que reverenciamos a Deus, e ainda teremos que ensinar que o lugar onde chega um anjo torna-se um local santo.

Alguns dizem que o lugar onde Moisés estava tornou-se terra santa, naquela ocasião, porque Deus estava ali. No entanto, quando o Anjo do Senhor estava sozinho com Josué, ele mandou Josué tirar as sandálias dos pés, porque Josué estava em terra santa (Js 5:15) mostrando que se tratava não de um simples anjo, mas de um ser à altura de Deus, e que merecia reverência como tal. Aliás, o ser que aparecera a Josué aceitou adoração, o que seria uma blasfêmia se fosse um anjo qualquer, pois só Deus deve ser adorado, e Cristo é Deus Filho, e foi a ele que Josué naquela ocasião adorou. . . . então Josué, prostando-se com o rosto em terra, o adorou . . . (Js 5:14). A mesma coisa fez Abrãao para com Deus Pai (Ex 17:5).

Jesus Cristo não é anjo no sentido restrito da palavra, ou seja, ele não tem a natureza de anjo(Hb 1:4). Exatamente por não ser anjo (Hb 1:5). A palavra anjo quer dizer Mensageiro, de modo que o termo Anjo do Senhor aplicado a Cristo no AT, quando este manifestava-se em teofania, é porque Cristo é o verbo de Deus, o seu mensageiro, era através dele que falava. Só o sentido da palavra anjo se atribui a Cristo, pois anjo na essência ele não é, pois Cristo tem a natureza de Deus (Jo 5:18). Portanto, é maior que os anjos.

Portanto, vimos muitas provas de que o Anjo do Senhor mencionado muitas vezes no AT era Cristo pré-encarnado. Muitos dizem que não. Alguns até apelam para os escritos de Agostinho, o qual nunca afirmou ser o anjo do Senhor Cristo pré-encarnado. Eu, porém, me agarro à Bíblia. Esta, sim, é infalível. E são muitas as provas fornecidas pela Bíblia que o Anjo do Senhor era Cristo pré-encarnado.

Um comentário:

  1. Tudo muito bom, mas Deus nunca havia sido visto por alguém até que o Filho O revelasse.
    Conforme Ap 19:13, Jesus Cristo sempre foi a eterna Palavra de Deus, ou seja, o Espirito que saiu da boca de Deus (Sl 33:6) e que criou todas as coisas (Cl 1:16-17). Mas, se Deus é Espirito (Jo 4:24 e 2 Co 3:17), podemos entender, então, que a Palavra de Deus é o Espirito Santo de Deus, que saiu da boca de Deus, um vez que o Espirito Santo de Deus e o Espirito de Cristo são os mesmos (1 Pe 1:11). Assim sendo, não existem três pessoas, mas um único Deus, o qual, pelo Seu Espirito, gerou a Sua Palavra no ventre de uma virgem (chamando-A de "Filho"). Apos o nascimento, a Palavra de Deus feita carne (Jo 1:14) cresceu e se fortaleceu em espirito, enchendo-se de sabedoria e graça para com Deus e os homens (Lc 2:40,52). Aos 30 anos, Ela foi ungida pelo Espirito Santo (Mt 3:16), a fim de receber virtude e poder para cumprir o ministério para o qual havia se tornado carne, de forma a operar sinais, prodígios e maravilhas (At 10:38 e Jo 14:10). Para tanto, foi necessário que a Palavra de Deus se esvaziasse da Sua gloria (Fp 2:7), e, como homem, se limitasse no tempo e no espaço, fazendo-se um pouco menor do que os anjos (Hb 2:9). Dessa forma, foi possível que o imortal (1 Tm 6:16) se revestisse da mortalidade, a fim de que a Palavra pudesse morrer pelos pecadores, pagando suas dividas no duro madeiro da cruz (Cl 2:14). Na morte, a Palavra feita carne foi à sepultura (Mt 12:40), mas, pelo atributo da onipresença (Sl 139:8), Ela continuou viva na boca e no coração de Deus, nas pregações feitas no Templo em Jerusalém e no coração daqueles que creram n'Ela. Ao vencer o inferno e a morte, a Palavra de Deus voltou para o seio de Deus (Jo 1:18), donde nunca saíra (Jo 3:13), sendo colocada em posição de honra (Sl 110:1), acima do próprio nome de Deus (Sl 138:2). Ou seja, com a vitoria real e concreta, a Palavra de Deus tornou-se o bem mais precioso para Deus, uma vez que Ela havia sido ultrajada e tida como mentirosa (Gn 3:4). Por isso podemos compreender que a doutrina da trindade é uma heresia sem tamanho, pela qual muitos desagradam a Deus e, sem perceber, fazem da eterna Palavra de Deus uma especie de deus-menor (o tal deus-filho, antibíblico).
    Saúde!!!

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