O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

Comunie

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domingo, 10 de abril de 2011

O SÁBADO DEVE SER GUARDADO?

A Bíblia ensina que o sábado, como dia fixo de repouso, foi tão somente para o povo de Israel, fazendo parte da cultura judaica. No Novo Testamento não existe mandamento para a observância do sábado como dia fixo de repouso, a ser observado pela igreja. Antes fica clara a idéia de que o sábado foi abolido em Cristo e por isso a igreja, que está em Cristo, não está obrigada a guardá-lo. No entanto, os adventistas do 7º dia afirmam que a igreja do Novo Testamento está obrigada a guardar o sábado, pois o mesmo faria parte dos oráculos de Deus anunciados pelos apóstolos. Baseados nesta linha de pensamento, os sabatistas citam algumas passagens em apoio ao ensino que pregam. Veremos alguns dos argumentos usados pelos adventistas para tentar provar a guarda do sábado, e refutaremos um a um mediante a Palavra de Deus.

“Então voltaram e prepararam especiarias e ungüentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento (Lucas 23:56).”A passagem em questão nos diz que José de Arimatéia e as mulheres que tinham vindo com ele da Galiléia para pedir a Pilatos o corpo de Jesus guardaram o sábado. Então concluem os adventistas: “Lucas diz que as mulheres seguidoras de Jesus repousaram no sábado conforme o mandamento, o que deixa claro a guarda do sábado no Novo Testamento, pois o evangelho de Lucas faz parte do cânon.” Este argumento adventista, por bem arranjado que pareça, não é suficiente para provar a guarda do sábado no Novo Testamento. É bem verdade que Lucas diz que as mulheres guardaram o sábado. No entanto, elas ainda estavam na era do Velho Testamento, razão pela qual repousaram conforme o mandamento. O Novo Testamento passou a vigorar com a ressurreição de Jesus, e na passagem em questão relata-se um fato que se deu ainda no Antigo Testamento. Aliás, no capítulo 23, a partir do verso 50, Lucas está apenas relatando fatos, e bem sabemos que relatos não estabelecem doutrinas. Relato similar fez Lucas ao narrar a circuncisão de Jesus: “Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para apresentarem ao Senhor...”(Lucas 2:22,23). Tanto na passagem citada acima como em Lucas 23:56, relata-se apenas fatos e nada mais. Para serem coerentes, os adventistas deveriam praticar a circuncisão também, pois Lucas citou a circuncisão de Jesus nos mesmos termos que citou a guarda do sábado por parte da mulheres, ou seja, usou os termos “segundo o mandamento” e “segundo a lei do Senhor”.

“Chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.” (Lucas 4:16). Dizem os adventistas que era costume de Jesus guardar o sábado, e da mesma forma somos também obrigados a guardar. Na passagem em questão, o costume de Jesus não era guardar o sábado, mas ir à sinagoga aos sábados. No evangelho de Marcos esta verdade é comprovada: “Outra vez entrou numa sinagoga... (Marcos: 3:1)”. Note o leitor que nesta passagem é usado o termo “outra vez”, o qual indica um ato costumeiro de alguém. Jesus fazia isso porque no sábado os judeus se reuniam, e ele aproveitava para pregar-lhes o evangelho na sinagoga. Ele pregava (Lucas 4:18,19,20) e curava (Lucas: 6:6). Desta forma cumpria-se o que Ele mesmo havia dito: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 15:24).”

Vejamos agora uma prova clara de que a guarda do sábado estava ligada à estrutura cerimonial da lei, sendo por isso mesmo abolida: “Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas e a comer (Mateus 12:1)”. O que os discípulos fizeram, conforme está mencionado na passagem, constitui trabalho, ou seja, colheram espigas e as debulharam (Lucas 6:1). Vale salientar que a lei proibia os judeus até mesmo de acender fogo no sábado (Êxodo 35:3), quanto mais debulhar e colher espigas. Os fariseus, vendo aquilo, reprovaram a atitude dos discípulos (Mateus 12:2). Em resposta Jesus disse: “... acaso não lestes o que fez Davi quando teve fome, Ele e seus companheiros?...ou não lestes na lei que, aos sábados os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? (Mateus 12:3,5).” Ora, para justificar a atitude dos discípulos, Jesus cita dois casos nos quais as circunstâncias prevaleceram sobre o mandamento. O caso de Davi, no tocante aos pães da proposição (I Samuel 21:6 e Êxodo 25:30) e dos sacerdotes que, quando era preciso, sacrificavam no dia de sábado (Números 28:9). Desse modo, Jesus não reprovou os discípulos por terem eles, por força das circunstâncias, violado o Sábado. Pelo contrário, justificou a atitude deles. Teria Jesus agido assim, se seus discípulos naquela ocasião tivessem quebrado um mandamento moral? De modo nenhum, pois circunstância nenhuma prevalece sobre mandamento moral. O mesmo não se dá quando se trara de mandamento cerimonial. Poderia alguém perguntar: “Guardou Jesus o sábado?” Se ele guardou o sábado, foi pelo mesmo motivo que guardou toda a lei, ou seja, para cumpri-la (Mateus 5:17). Inclusive observou até ritos cerimoniais, pois foi circuncidado (Lucas 2:21-24). Aos leprosos purificados ordenou que cumprissem o rito cerimonial da purificação (Mat. 8:4). Guardou à páscoa (Mat. 26:17) e a festa dos tabernáculos (Jo. 7:10). Deveriam os adventistas guardar estas coisas, pois dizem: “Devemos guardar o sábado porque Jesus o guardou.” Deveriam, também dizer: “devemos guardar a páscoa, a circuncisão, a festa dos tabernáculos, pois Jesus a tudo isto guardou!

Dizem ainda os sabatistas que devemos guardar o sábado porque o apóstolo Paulo o guardou, apelando para algumas passagens do livro de Atos, nas quais menciona-se Paulo indo à sinagoga dos judeus nos sábados (At. 17:2 e 18:4). Outra vez afirmam o que não podem provar, pois nas passagens citadas, não se diz que Paulo guardava o sábado, mas que o seu costume era ir aos sábados na sinagoga dos judeus pregar-lhes o Cristo. Deixemos que as passagens falem por si mesmas: “Ora, Paulo, segundo o seu costume, foi ter com eles; e por três sábados discutiu com eles sobre as escrituras”(At. 17:2) “Ele discutia todos os sábados na sinagoga, e persuadia a judeus e gregos (At. 18:4).” Paulo ia à sinagoga no sábado porque era o dia em que os judeus se reuniam, então ele aproveitava para reunir-se com eles. Não para guardar o sábado, mas para persuadí-los a se converterem ao cristianismo. “Paulo, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, discutindo e persuadindo acerca do Reino de Deus(At. 19:8).” (Ver ainda At. 9:20 e 14:1)

Os sabatistas contra-argumentam citando a seguinte passagem: “No sábado saímos portas afora para a beira do rio, onde julgávamos haver um lugar de oração e, sentados, falávamos às mulheres ali reunidas.”(At. 16:13) Dizem os sabatistas que Paulo e Silas, quando estavam em Filipos, resolveram no sábado sair para orar, exatamente por serem observadores do sábado. A verdade é que Paulo e Silas passaram alguns dias em Filipos (At. 16:12), e por coincidência saíram portas afora no sábado, não para guardá-lo, mas por julgarem que havia ali na beira do rio uma reunião de oração, e foram ter com as mulheres que já estavam ali reunidas. Se é certa a argumentação adventista, então quem guardou o sábado foram as mulheres. A passagem não diz que Paulo e Silas guardou o Sábado. O texto é apenas uma narrativa de fatos, e portanto não estabelece doutrina.

Mas suponhamos que Paulo tenha guardado o sábado. Se devemos guardá-lo porque Paulo o guardou, então temos que praticar a circuncisão, pois Paulo à praticou: “Chegou também a Derbe e Listra. E eis que estava ali certo discípulo por nome Timóteo...Paulo quis que este fosse com ele e tomando-o, o circuncidou...(At. 16:1,3).” Respondem os sabatistas, dizendo que a circuncisão foi abolida, pois era cerimonial. Pois bem, se é assim, então não estamos obrigados a guardar o sábado, pois este também é cerimonial.

Escrevendo aos gálatas, Paulo mostrou que não era guardador do Sábado. Em Gálatas 4:10,11 diz ele: “Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Temo o vosso respeito não haja eu trabalhado em vão entre vós.” Aos colossenses Paulo consola, dizendo que não devem ser julgados por causa de sábados que, juntamente com outras cerimônias, são chamados de sombras das coisas vindouras (Col. 2:17). Estes sábados mencionados em Colossenses 2:16, não são os sábados festivos, pois estes já estavam inclusos nas festas. No verso citado Paulo os distinguiu das festas, pois fala em “dias de festas” e “sábados”, mostrando que está se referido aos sábados semanais, ou seja, aqueles do decálogo. Os adventistas contra-argumentam, dizendo que sábados no plural referem-se aos cerimoniais e festivos, ou seja, aos sábados anuais, cinqüentenário, etc... e seriam estes à que Paulo refere-se em Col. 2:16. Esta afirmativa adventista é falsa. Aliás, não existem dois sábados, só existe um, o do decálogo. O que acontecia é que o sábado semanal tornava-se festivo por ocasião das festas do Senhor que, quando realizadas no sábado, tornavam-o dia festivo. Neste caso, o sábado festivo é o mesmo semanal, que também é dia de festa (ver Oséias 2:11).

A afirmativa de que “sábados” refere-se só aos cerimoniais não é sustentável, pois o sábado semanal está também no plural: “falarás também aos filhos de Israel, dizendo: certamente guardareis os meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós pelas vossas gerações; ... (Êxodo 31:13).” Portanto, a passagem refere-se aos sábados de Êxodo 31:13, visto que os festivos já estavam inclusos nas festas.

Em Atos 20:27, diz o apóstolo Paulo que não se esquivou de anunciar nenhum dos oráculos de Deus. Não encontramos nas epístolas paulinas, nem naquelas direcionadas à gentios, como a epístola aos Romanos, ele ensinando a guarda do sábado na dispensação atual. Pelo contrário, fez justamente o oposto, como ficou provado acima. Uma outra observação é que Paulo realizava a ceia não no sábado, mas no Domingo (Atos 20:7). “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.”(Mat. 5:17,18) O texto acima citado tem sido a coluna do adventismo. Na tentativa de achar apoio escriturístico para a guarda do sábado nos dias de hoje, baseados nesta passagem afirmam que a lei moral não foi abolida, pois Jesus não veio destruí-la, e que da lei moral, ou seja, do decálogo, não iria cair nem um só til. Logo, como o sábado está nesta lei, não pode ter sido abolido. Aqui os sabatistas distorcem as palavras de Jesus, dando a elas uma interpretação forçada, fora do contexto. Em Mateus 5:17, Jesus não está referindo-se só ao decálogo, quando fala em lei, pois lei no Novo Testamento refere-se a todo o Pentateuco. Não há divisão de lei, em lei moral e lei cerimonial, a lei é uma só(João 1:17). Neste caso, quando Jesus disse que não veio destruir a lei, mas cumpri-la, ele está se referindo a toda a lei, inclusive ao livro de Moisés. No desenrolar do texto, Jesus mistura em um só contexto mandamentos do decálogo, mostrando que ambos formavam uma única lei (Mat. 5:21,33,38, etc.). Neste caso, os adventistas ficam sem saída, pois se em Mat.5:17 a lei é todo o Pentateuco, como de fato o é, então temos que guardar não só o sábado, mas a todos os outros mandamentos cerimoniais, isto se a lei continua como ministério. Ora, Jesus não veio abolir a lei destruindo-a, mas cumprindo-a. Ao cumprir a lei, ele aboliu o velho regime da lei, fazendo-a passar como ministério, e estabelecendo um ministério muito mais excelente (II Cor. 3:7,8). Sim, Jesus não destruiu a lei, ele a cumpriu, e ao cumpri-la, ele a aboliu como ministério. Ele mesmo disse: “Não passará, sem que seja tudo cumprido.” A lei como ministério se foi, e o sábado foi junto.

Contra-argumentam os adventistas, dizendo que se a lei foi abolida, então podemos pecar à vontade, pois onde não há lei, não há pecado. Ora, o que foi abolido foi o ministério da lei com suas simbologias, por isso não guardamos o sábado, o qual é simbólico. Os mandamentos morais somos obrigados a guardar, não por causa da lei, mas porque são morais. A própria Bíblia responde aos sabatistas: “De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?”(Rom. 6:2)

“Abriu-se o santuário de Deus que está no céu, e no seu santuário foi vista a arca do seu pacto; e houve relâmpagos, vozes e trovões, e terremotos e grande saraivada.” Dizem eles: João viu a arca no céu, e na arca foi posto as tábuas da lei, e o sábado é o quarto mandamento. Logo, é eterno. E a guarda do sábado na dispensação atual prevalece. Verdade é que as tábuas que continham os dez mandamentos foram colocadas dentro da arca, para servir de testemunho do pacto de Deus com os judeus feito do monte. Por isso, foram chamadas de tábuas do testemunho (Êxodo 31:18). A arca também serviu como testemunha do pacto, razão pelo qual foi chamada de arca do testemunho (Êx. 40:5). Sabemos que Israel, por causa de sua incredulidade, fora rejeitado por Deus como nação (Mt.21:43). Porém, no período da grande tribulação, Israel voltará a ser nação exclusiva de Deus, pois a rejeição de Israel é temporária e não eterna (Rom. 11:1). Na dispensação atual, o povo de Deus é a igreja, o corpo místico de Jesus (I Cor. 12:13). Quando a igreja for arrebatada Deus voltará a sua atenção para Israel, que voltará a Deus como nação na pessoa dos 144 mil (Apoc. 7:4). E o pacto que Deus fizera com Israel, para o qual serviram de testemunho as tábuas de pedra e a arca, será restaurado. É por isso que em Apocalipse 11:19 encontramos o termo “seu pacto” referindo-se a um pacto exclusivo de Deus com alguém. É uma referência ao pacto outrora estabelecido. Ora, o pacto de Deus, para o qual a arca serviu de testemunho, foi feito com Israel. Por isso, ao avistar a arca, João escreve-nos que ouviu: “relâmpagos, trovões e terremoto”, justamente as mesmas coisas que ouviram os judeus quando o pacto foi feito (Êx. 19:16), não deixando dúvidas que o motivo que pelo qual a arca foi vista foi mostrar que o pacto de Deus com Israel será restaurado, e nunca indicando que o sábado deve ser guardado hoje pela igreja.

Henrique Pereira Ventura

4 comentários:

  1. Está Escrito:

    "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus." Mateus 5:17-20

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    Deus os abençoe.

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  2. a questao do sábado realmente é o que mais se falam em todas as visitacoes que tenho feito a igreja adventista,parece que o sábado é mais importante do que eu entendi que Deus requer de nós...o AMOR...amor verdadeiro mesmo,porque tbm nós falamos de amor, mas na hora de viver este amor,agente muitas vezes quer levar alguma vantagem seja numa venda de um carro quer empurrar algo que nao tá muito bom pra cima de uma pessoa simples ou outra vantagem qualquer,agente nunca quer sair perdendo...entao nosso amor é falso...ai penso eu... e o amor ,cadê este amor de Deus? isso tenho certeza que Deus se alegrará em nós...justiça e estamos muito longe disso. obrigada.

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  3. eo Sabado de Genesis cap.2 ??? Nõa haviam 'Judeus' nem tão pouco Adventistas do Setimo Dia... O Sabado é o Memorial da Criação.Alguns cristão (a maioria) verdadeiros e espirituais e muito bem intencionados dizem serem iguais todos os dias...eu concordo que para Deus são iguais todos os dias e que Devemos ter um relacionamento intimo com o Creador.No entanto,eu pergunto porque os principais cultos das igrejas são feitos no domingo??? se são todos os dias iguais porque não fazelos na segunda-feira? na terça ou outro dia??? porque ha uma luta espiritual.uma institução imposta pelo sistema do mundo..e a benção do criador é uma promessa para o Sabado e não para qualquer outro dia.Não se trata de uma Religião ou denominação religiosa mas de um Principio Biblico Hay que Pensar!!! A paz de Cristo. (Marcelo Bertolo)

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