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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O que a Bíblia diz sobre a existência de Deus


Por Henrique Ventura
Um dos temas mais controversos da contemporaneidade é o que trata da existência de Deus. Os ateus, por um lado, sejam militantes ou não, com seus pressupostos filosóficos ou científicos afirmando não existir um ser pessoal criador de todas as coisas denominado de Deus; e do outro, os religiosos que apelando para o pensamento cristão ou para o ramo do cristianismo científico (criacionismo) tentam convencer os contradizentes da real existência do Criador.
Resolvemos entrar neste debate, todavia, não com argumentos ontológicos ou científicos, mas buscando fundamentos na principal fonte que nos fala acerca de Deus: a Bíblia.  O raciocínio é simples. Se a Bíblia é apenas mais um livro de teor mítico ou de lendas e ficções como afirmam alguns não encontraremos nela nada mais do que afirmações vagas ou imprecisas sobre Deus ou relatos similares aos encontrados em religiões antigas mitológicas, como a dos sumérios e astecas sobre a existência de divindades. No entanto, se ela nos fornece argumentos claros, coesos e lógicos sobre a existência de Deus, então, teremos indícios dos quais a Bíblia merece credibilidade como fonte reveladora do Criador para a humanidade e, por conseguinte, a existência desse criador ficará evidenciada. Convidamos o leitor para uma análise sincera, desprovida de preconceitos e acima de tudo com honestidade intelectual acerca do que diz a Bíblia sobre a existência de Deus. Ao final da leitura, de modo inteligente e honesto, tire suas próprias conclusões. Comecemos pelo relato da criação.  
No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, um vento de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: 'Haja luz' e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou a luz 'dia' e as trevas 'noite'. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia. (...) Deus disse: 'Fervilhem as águas, um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, diante do firmamento do céu' e assim se fez. (...) Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. (Gênesis 1:1–27)
A afirmativa bíblica é clara, direta e objetiva. Por isso, original. Quando comparada com outras narrativas, percebe-se que o relato da Bíblia sobre a origem da terra e do universo não encontra relação direta com outros relatos míticos, como por exemplo o dos egípcios. Vejamos uma parte do relato mítico da origem do cosmos de acordo com a mitologia do Egito Antigo, datado de 310 a.C., embora os críticos reconheçam que se conserva intencionalmente uma linguagem que o antecede em mais de dois milênios.
O senhor-de-tudo disse, após ter vindo à existência: Eu sou o que veio à existência como Kepri. Quando vim à existência, foi o próprio existir que veio à existência, e todos os seres existiram depois de mim.
Muitos são os seres que saíram da minha boca antes de o céu, a terra, o campo e os répteis serem criados no seu lugar. Eu pus em conjunto alguns deles em Nun como seres incómodos, antes de eu poder encontrar um lugar onde pudesse estar. Parecia vantajoso para mim, cá no meu íntimo; eu planeei com a minha face; e concebi (fiz em conceito) cada forma, quando eu estava só, antes de eu ter desovado aquilo que foi Shu, antes de eu ter cuspido aquilo que foi Tefnut, e antes de qualquer outro ter vindo à existência e que pudesse actuar comigo.
Eu planeei no meu próprio coração e veio então à existência uma multidão de formas de seres, as formas das crianças e as formas dos seus filhos. Eu fui o único que pratiquei cópula com a minha mão fechada, masturbei-me com a minha mão. Depois vomitei com a minha boca. Eu desovei aquilo que foi Shu e cuspi aquilo que foi Tefnut. Foi meu pai Nun que os criou, e o meu olho seguiu-os desde as idades em que estavam distantes de mim. (O livro das criações de Re e de Apófis destruidor)
         Não precisamos de muito esforço para concluirmos que esses são relatos completamente diferentes quanto a origem de tudo a partir de um ato criador de um ser transcendente que a tudo ordenou. O relato bíblico aponta para existência de um ser que é do cosmos sua causa eficiente e necessária. Além de soberano e único. Já o relato mítico apresenta várias divindades e não possui lógica.
         Ora, se o relato bíblico se afasta do mito aos moldes de civilizações antigas e se apresenta uma lógica plausível, então, é possível através da origem de tudo se demonstrar a existência de Deus. Neste caso, a narrativa bíblica merece toda credibilidade. Ainda nesse sentido, vejamos outras passagens nas quais a lógica da criação aponta para existência de Deus.
Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus. (Hebreus 3: 4) 
         A lógica bíblica nesta passagem é perfeita no sentido de demostrar a existência de Deus como Supremo Criador. Se uma casa pressupõe um construtor, pois não poderia surgir do nada, então, toda criação em sua ordem não poderia também surgir do nada; como obra inteligente e planejada precisaria ter o edificador que neste caso é o ser Todo-Poderoso e eficiente: Deus.  O texto de Hebreus encontra relação direta com a narrativa bíblica acerca da edificação do cosmos a partir de um ato criativo de Deus no princípio e confronta a limitação do homem perante a magnitude de Deus.
Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.
Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.
Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre; Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa? Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos, E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas? Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar.
(Jó 38:3-12)
         Outra observação importante é que quando se edifica uma casa é necessária a participação de um arquiteto ou mestre de obras, o que torna a casa edificada como tendo um motor que a faz surgir e que é sua causa. A Bíblia diz que quando Deus edificou todas as coisas, seu filho estava com ele como co-edificador e arquiteto, reforçando que tal afirmativa bíblica rompe com as narrativas míticas nas quais os deuses são rivais e que cada um seria responsável por dar origem a cada parte que compõe o cosmos.        
O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras. Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra. Quando ainda não havia abismos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas de águas. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo (Provérbios 8:22-30).
         Interessante que há uma sintonia entre a narrativa de Provérbios, escrito por Salomão, aproximadamente entre 450 e 180 a.C., e a narrativa citada acima do livro de Jó, escrito por Moisés, por volta de 1440 a.C. Portanto, não se “conheciam” para poder combinar o que escrever acerca da existência de Deus como criador de tudo. Outra observação pertinente acerca da passagem de Hebreus 3:4 está na expressão “... que edificou todas as coisas é Deus”. Note que não diz “foi Deus” mas sim, “é Deus”, ou seja, a Bíblia está falando em um linguajar ontológico que aponta Deus como aquele que é, ao mesmo tempo, criador e sustentador do universo. Tal afirmativa possui bases filosóficas fortes. Foi por esta razão que Paulo ao falar acerca da existência de Deus para os filósofos gregos disse:
Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. (Atos 17:28)
         Portanto, a Bíblia usa uma lógica para demonstrar a existência de Deus a partir do cosmos e não uma lógica empírica, mas racional capaz de ser comprovada por meio do exercício de dedução ou intuição, pois as coisas criadas racionalmente apontam para um criador que não é ela própria, mas sua causa e sustentáculo:
Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis. (Romanos 1:20)
         Tomando ainda a questão da criação como prova demonstrativa da existência de Deus, é de suma importância a explicação que nos dá Paulo sobre a ordem natural, em que cada ser existe conforme a sua espécie. Tal conclusão seria impossível sendo a Bíblia apenas um livro lendário e o Deus nela revelado apenas mais um dentre tantos? Vejamos o que diz Paulo:
Nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animais, e outra a dos peixes e outra a das aves. (1 Coríntios 15:39) 
         A passagem acima bem poderia ser equiparada a qualquer citação científica sobre as diferenças entre as espécies dada a sua impressionante precisão. Outra coisa que salta aos olhos é a perfeita harmonia entre o texto supracitado e o relato de Gênesis sobre a origem da vida na terra.
E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. (Gênesis 1:24,25)
         Diante do exposto é possível, por meio da Bíblia, encontrar demonstrações plausíveis, lógicas, coesas e claras sobre a existência de Deus de modo original, podendo a argumentação se manter de pé ante qualquer objeção de cunho racional ou científico. A Bíblia é suficiente em si mesma para demonstrar a existência de Deus. Por isso, ela pode categoricamente afirmar: 
Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem. (Salmos 53:1)
         Termino esse trabalho lançando a seguinte problemática: suponhamos que Deus não existe e os ateus estão certos. Nesse caso, tanto os ateus como os religiosos que acreditam na existência de um ser que só existe em sua cabeça estão em total pé de igualdade, pois ambos com a morte simplesmente deixariam de existir. A morte seria apenas o sono eterno desprovida de qualquer aspecto moral que exigisse responsabilidade. Suponhamos agora o contrário, ou seja, que existe Deus. Nesta situação, o ateu teria com que se preocupar, pois a morte não seria apenas o sono eterno desprovida de qualquer aspecto moral, pois exige uma responsabilidade ante um Deus real e justo. Você já pensou nisso? Vai pagar pra ver?


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