O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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terça-feira, 3 de setembro de 2024

Grupo de Estudos - GEPMOR

Há muito desejávamos um grupo de estudos que aprofundasse a discussão sobre a História da Igreja cristã, principalmente, focando aqueles movimentos denominados reacionários cujas ações criaram cismas na Igreja. Não entenda, entretanto, reacionário do ponto de vista ideológico, político ou revolucionário, mas como pensamento de restauração pelo qual comunidades sentiram a urgente necessidade de retornar aos padrões da Igreja Primitiva em contraponto aos desvios e às severas mudanças pelas quais passava a Igreja majoritária de seu tempo.



O movimento reacionário no contexto cristão por parte de comunidades menores e caracterizou-se pela sua reação de não aceitação às invencionices religiosas praticadas e ensinadas por agentes superiores hierarquicamente da Igreja geral. Muito embora sua argumentação partisse das Escrituras, não eram reputados como seus intérpretes legítimos porque estavam no estrato da laicidade. Contudo, o sentido intelectual e prático desse reacionarismo de determinados grupos visava apenas a conservação dos valores neotestamentários porque estavam sob forte ataque da Igreja em franco caminho de institucionalização ou já institucionalizada. É, portanto, uma abordagem centrada na contrariedade ante os processos de inovação de uma Igreja cristã que não percebia seus erros, mas que era inquietada por aqueles que percebiam a mudança dos seus rumos e como tentativa de solucionar o problema procuraram colocar freios na situação “ladeira a baixo”.



Esses reacionários receberam designações diversas. Às vezes, ganhavam uma nomenclatura associada aos líderes; outras, em referência aos lugares onde estavam; semelhantemente, pelas práticas batismais e, talvez, a razão mais consistente seria pela abordagem pura das doutrinas, gerando convicções pautadas nas Escrituras Sagradas, mas não entendida desta forma pelos seus opositores que em tom de ironia os designavam.

            Consiste, deste modo, num grande desafio tomar documentos históricos, analisá-los e propor um conhecimento que esteja de acordo com as perspectivas daqueles cristãos que muitas vezes foram/são chamados de hereges, amiúde, equivocadamente. O simples fato de assim nomeá-los criou um grande obstáculo ou uma densa bruma para alguns pesquisadores, estudiosos ou leigos que queiram saber mais sobre o assunto porque já são introduzidos no contexto de forma enviesada e eivada pela falsa interpretação. Outrossim, os títulos pejorativos dados pelos muitos religiosos incomodados com as pregações e ensinos dos reacionários cristãos revelaram também um desgosto pela crítica indireta à sua hipocrisia religiosa recheada de pomposidade e deleites mundanos por parte de homens e mulheres comuns não institucionalizados nem hierarquizados. Por certo, um tema bastante interessante para dialogarmos com a História.



            Não obstante, um pequeno grupo da Igreja Batista Renovada Moriá, Fortaleza (CE), vem reunindo-se mensalmente com sede de conhecer mais da História da Igreja para poder transmitir informações honestas sobre cada movimento. Não será, no entanto, um trabalho rápido e ágil, pois uma pesquisa desta envergadura dura anos e perpetuasse. O trabalho tem consistido em análises pontuais e progressivas dos anais históricos e de autores nacionais e estrangeiros, bem como na tradução dos tratados originais em latim, outros em inglês, espanhol e francês e sua contextualização. A pretensão para a entrega de resultados está programada para os eventos da Igreja cujos temas tenha igual abordagem, assim como a produção textual para publicação a partir do próximo ano.







segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Epifânio de Salamina e os Montanistas - Conferências Anabatistas 2019



Como as Conferências Anabatistas abordam a História da Igreja através dos séculos em programação específica, a Escola Dominical da Igreja Batista Renovada Moriá, neste último domingo (01/12), teve caráter especial. Não somente pelo prisma da novidade, mas principalmente pela exposição do tema inédito: “A oposição epifaniana aos Montanistas na obra Panarion”.
Epifânio de Salamina foi bispo na ilha de Chipre no final do século IV. Após sua fase monástica, consentiu em ser bispo da igreja, ficando conhecido pela ortodoxia. Compôs o tratado “Panarion” ou o tratado contra todas as heresias no qual afirmava que sua obra era o remédio para curar do veneno das heresias pré-cristãs e pós-cristãs. Por assim dizer, elencou os Montanistas como vertente herética discorrendo sobre eles, dando ênfase aos aspectos pelos quais o movimento ficou conhecido. Na verdade, uma denunciação bem afrontadora a Montano, Maximilla e Priscila.
Contudo, na exposição, algumas coisas ficaram evidentes na questão dos por quês de sua indignação. Percorrendo o caminho da análise comparativa, da hermenêutica e de fundamentos históricos a exposição conseguiu demonstrar a pureza montanista tanto em seu comportamento como nos seus carismas. Segundo um participante anônimo que enviou uma mensagem: “a aula de hoje foi muito boa. Obrigado”, transmitindo a mesma impressão dos que se manifestaram publicamente.
Graças a Deus por mais uma programação maravilhosa!





terça-feira, 8 de outubro de 2019

Novacianos



"Está fora de dúvida que os novacianos conservavam as velhas tradições (apostólicas), e a ideia da igreja como sendo a comunhão dos santos (crentes de vida pura) corresponde exatamente a ideia prevalecente nos primeiros dias do cristianismo!"
Adolf von Harnack

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Uma reflexão sobre o estudo da História da Igreja


Por Heberth Ventura

Há pessoas que desvalorizam o estudo da história da igreja por aceitarem, consciente ou inconscientemente, o equivocado pensamento de que o conhecimento histórico não é importante para sua vida cristã. É para esse grupo em específico que queremos nos dirigir.
Há razões para se dedicar pelo menos em um momento da nossa existência ao estudo das nossas raízes, registradas no passado. Mas alguém dirá, afinal por que estudar história da Igreja?
É oportuno nesse primeiro momento informar que há muitas razões que demonstram o alto valor de conhecer a história em seu sentido amplo, incluindo claro a do cristianismo. Uma das primeiras razões mais citadas é de que o cristianismo é essencialmente uma fé histórica.
Conforme afirmou Carlos Astorga: “A fé cristã repousa em fatos históricos específicos que possuem valor e transcendência eternos.”
No entanto, objeções a essa visão foram levantadas. Astorga nos transmite a razão para tais questões: “Ao longo dos séculos, os críticos do cristianismo têm procurado atacar, refutar e negar a realidade histórica (a ‘historicidade’) de eventos como a criação, o chamado de Abrão, o reino de Davi e o nascimento, a morte e a ressurreição de Jesus. Por que é tão importante para os não-cristãos negar esses eventos? O motivo é simples. Se esses eventos são historicamente falsos, o cristianismo também é falso.”
Fica claro que o que foi dito é sim importante. Abaixo gostaria de compartilhar um texto na íntegra sobre esse assunto. Que essa reflexão possa inspirá-lo a buscar conhecer, compreender e vivenciar o cristianismo tal como nos apresentou os apóstolos e o nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, estudemos a história da igreja.



terça-feira, 3 de setembro de 2019

Os Montanistas segundo John Driver



“Tinham (os Montanistas) em alta estima os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (em maior estima do que a igreja em geral a julgar por sua ética séria), mas não viam contradição em o Espírito Santo continuar falando à Igreja por meio de profetas. Sua seriedade ética foi o que trouxe Tertuliano ao movimento. Ele insistiu que o Espírito Santo (o Paracleto) vinha estabelecer uma nova disciplina (ou uma renovação da disciplina) e não uma nova doutrina. Ele chamava os Montanistas de ‘os homens do Espírito’.”  
John Driver

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A ousadia de Policarpo de Esmirna frente ao martírio

Em todo o mundo, trezentos e vinte e dois de cristãos morrem por sua fé todos os meses, segundo o grupo Portas Abertas. Sua coragem espelha o testemunho cheio de fé dos primeiros mártires cristãos, como Policarpo.
Recusando-se a se curvar aos deuses de Roma, os cristãos do segundo século na cidade grega de Esmirna (atual Izmir, Turquia) foram considerados "ateus". Em um surto de perseguição em 155 dC, funcionários arrastaram cristãos para a arena e brutalmente os executaram para entretenimento público. Embora muitos tenham sido espancados até que “a anatomia do corpo fosse visível, até mesmo veias e artérias”, então dilacerados por animais selvagens ou queimados vivos, eles enfrentaram essas provações com tal “força de alma que nenhum deles proferiu um grito” ou gemido.
Decepcionada, a multidão de espectadores convocou descontroladamente o sangue de um velho venerável chamado Policarpo, bispo da igreja na Ásia Menor. A idade exata de Policarpo na época é debatida, mas em relatos dizem que ele era cristão há oitenta e seis anos quando ouviu a notícia de sua prisão iminente.
Quando jovem, Policarpo havia sido discípulo do apóstolo João e foi um dos poucos que aprenderam em primeira mão daqueles que andaram com Jesus. João o nomeou para a liderança e, em sua velhice, Policarpo era muito estimado. Quando o cristianismo entrou em sua segunda geração, Policarpo desafiou agressivamente heresias que ameaçavam poluir a integridade de sua mensagem original. Sua instrução simples sempre refletiu a clareza de Cristo e dos apóstolos.
Quando os soldados chegaram a sua casa, Policarpo os recebeu e preparou uma refeição, pedindo apenas uma hora para orar. Seus captores observaram uma hora se estendendo para duas, não querendo interromper suas fervorosas intercessões pela igreja global. Então Policarpo foi colocado num jumento e levado embora.
Em Esmirna, ele foi apresentado para o capitão das forças locais, um homem chamado Herodes. Convidando Policarpo em sua carruagem, Herodes ofereceu-lhe uma chance de sobreviver: “Que mal há em dizer: 'César é Senhor' e oferecer incenso?”. Quando Policarpo permaneceu imóvel em sua fé, Herodes lançou-o furioso da carruagem.
Sem olhar para trás, Policarpo se levantou e marchou para a arena. Sobre o estrondo ensurdecedor dentro, ele ouviu uma voz falar com ele: "Seja forte, Policarpo, e interprete o homem". Este relato, baseado na fala de testemunhas oculares, nos fornece mais algumas informações.
Quando ele foi levado para a frente, o procônsul perguntou se ele era Policarpo. Isso ele afirmou. O procônsul queria persuadi-lo a negar sua fé, pedindo-lhe: "Considere sua grande idade" e todas as outras coisas que costumam dizer em tais casos. Jura pela genialidade de César; mude sua mente. Diga "Fora com os ateus".
Policarpo, no entanto, olhou com expressão séria para toda a turba reunida na arena. Ele acenou com a mão sobre eles, suspirou profundamente, olhou para o céu e disse: "Fora com os ateus".
Mas o procônsul o pressionou ainda mais, e disse a ele: “Jure e eu soltarei você! Maldito seja Cristo!”
Policarpo respondeu: “Oitenta e seis anos eu servi a ele e ele nunca me fez mal algum. Como eu poderia blasfemar de meu Rei e Salvador? ”
Quando o procônsul ainda o pressionava, dizendo: “Jure pelo gênio de César”, ele respondeu: “Se você deseja o triunfo vazio de me fazer jurar pelo gênio de César de acordo com a sua intenção, e se fingir que não sei quem sou, ouço minha franca confissão: sou cristão. Se você estiver disposto a aprender o que é o cristianismo, estabeleça um tempo em que possa me ouvir”.
O procônsul respondeu: "Tente persuadir o povo". Policarpo respondeu-lhe: "Considero digno que eu deva dar uma explicação, pois fomos ensinados a respeitar os governos e autoridades designados por Deus, contanto que não façamos prejuízo. Mas quanto a essa multidão, não os considero dignos de minha defesa”.
Então o procônsul declarou: “Eu tenho feras selvagens. Eu vou jogar você diante deles, se você não mudar de ideia”.
"Deixe-os vir", respondeu ele. “Está fora de questão mudarmos do melhor para o pior, mas o oposto é digno de honra: mudar do mal para a justiça”.
O procônsul continuou: "Se você menosprezar os animais e não mudar de ideia, eu o lançarei no fogo". Policarpo respondeu: "Você me ameaça com um fogo que queima durante alguns momentos, já que não conhece o fogo do juízo vindouro e do castigo eterno para os ímpios. Por que você espera? Traga o que você quiser.
Como Policarpo falou estas e outras palavras semelhantes, ele estava cheio de coragem e alegria. Seu rosto brilhou com luz interior. Ele não ficou nem um pouco desconcertado com todas essas ameaças. O procônsul ficou surpreso. Três vezes ele enviou seu arauto para anunciar no meio da arena: "Policarpo confessou que é um cristão!"
Assim que foi anunciado pelo arauto, toda a multidão, pagãos e judeus, toda a população de Esmirna, gritou com raiva descontrolada no topo de suas vozes: “Ele é o mestre da Ásia! O pai dos cristãos! O destruidor dos nossos deuses! Ele persuadiu muitos a não sacrificar e não a adorar”. Surgiu um grito unânime de que Policarpo deveria ser queimado vivo.
Agora tudo aconteceu muito mais rápido do que se pode dizer. A turba apressou-se a recolher toras e mato das oficinas e dos banhos públicos. Quando a pilha de lenha ficou pronta, Policarpo tirou a roupa, tirou o cinto e tentou desfazer os sapatos...
O combustível para a pira foi muito rapidamente empilhado em torno dele. Quando eles queriam prendê-lo com as unhas, ele recusou. "Deixe-me, pois aquele que me dá forças para suportar o fogo também me dará a força para permanecer firme na estaca, sem a segurança de suas unhas”.
Enquanto o fogo ardia em torno dele, ele orou pela última vez: “Que eu seja aceito entre as suas fileiras hoje à tua vista como um rico sacrifício te dando alegria, como um sacrifício que tu preparaste e revelaste de antemão e agora cumpriste! Tu és o verdadeiro Deus em quem não há falsidade! Por tudo, portanto, eu te louvo. Eu te louvo; Eu te glorifico, através do eterno e celestial sumo sacerdote, Jesus Cristo, teu amado servo. Através dele, a honra é devida a ti e a ele e ao Espírito Santo, agora e em todas as eras vindouras".

terça-feira, 28 de maio de 2019

Uma noite Metodista



Poderia ter sido mais uma segunda-feira apática. Poderia... Em meio a esse contexto no qual ninguém, ou pelo menos muita gente, não gosta de alguma programação extralar, os que foram à Igreja Batista Renovada Moriá para celebrar mais um ano de História do movimento metodista, iniciado pelo famoso ministro John Wesley, puderam sentir um pouco daquele calor do avivamento consistente que marcou o século XVIII na Inglaterra.
Com cânticos provenientes da hinologia wesleyana, Fabiano Santiago e seu grupo de louvor, composto por Daniel, Ivanilson e Eduardo, elevaram em altíssimo nível o encontro. Os hinos entoados foram de autoria de Charles Wesley, contagiando nossos corações para nos colocar em sintonia com o espírito daquela época tão marcados pela piedade, devoção e reverência. Um bálsamo precioso para quem aprecia belas canções cristãs inspiradas, resultantes de horas de oração e leituras das Escrituras.
 Com uma fala muito primorosa, o pastor e pesquisador do metodismo Eduardo Vasconcellos (diretor da editora Sal Cultural) conduziu os ouvintes pelos caminhos que culminaram no Metodismo. Sua palestra muito objetiva apresentou aspectos desconhecidos por muitos da história de vida de John Wesley e sua família, bem como outros já conhecidos, mas que tiveram uma conotação de novo em meio a tantas informações valiosas. Os que encheram o templo de Moriá se viram enriquecidos pelo privilégio de terem ouvido conteúdos profundos e estimulantes para ousarem uma busca mais vibrante pela causa do Evangelho, inspirados na história de John Wesley, um marco inegável para os ingleses.
Os livros da Editora Sal Cultural (http://www.salcultural.com.br) foram vendidos com descontos e os leitores cristãos não perderam tempo para adquirir os seus.



Fabiano Santiago entoando louvores metodistas a Deus


Violinista Eduardo


pastor Glauco em oração

pastor Eduardo Vasconcellos








segunda-feira, 6 de maio de 2019

Biografia de John Wesley publicada pela Editora Sal Cultural


Líder Religioso, Teólogo. Ele é reconhecido como o fundador do movimento evangélico como Metodismo. Seu trabalho e escritos também desempenharam um papel de liderança no desenvolvimento posterior do movimento de santidade e pentecostalismo. Filho do reitor anglicano Samuel Wesley, recebeu sua educação inicial em casa, dada por sua mãe, Susanna Wesley.
Ele costumava viajar a cavalo, pregando duas ou três vezes por dia. Formou sociedades, abriu capelas, examinou e comissionou pregadores, administrou instituições de caridade, prescreveu para os doentes, ajudou a ser pioneiro no uso de choque elétrico para o tratamento de doenças, escolas e orfanatos superintendidos, absteve-se de carne e vinho e recebeu pelo menos 20.000 libras esterlinas pelas suas publicações, mas pouco usou para si. Ele morreu com a idade de 87 anos.
Neste volume, Bonamy Dobrée interpreta pontos controversos de acordo com as conjecturas mais gerais, identificando, por exemplo, “um amigo religioso” que se encontrou em 1725 com Varanese e evitou histórias apócrifas, exceto a que foi contada por Wesley na Charter House School; para esta lenda, se não foi fiel ao fato, foi tão fiel ao espírito, que o autor considerou justo incluí-la. A maior parte deste livro é dedicada aos seus primeiros anos de vida, para o homem em processo em vez da figura acabada.

Este livro estará disponível no templo da Igreja Batista Renovada Moriá para compra por ocasião da palestra do ministro e teólogo Eduardo Vasconcelos, editor chefe da Editora Sal Cultural no dia 27/05/2019.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Uma visão antropológica sobre a concepção de liberdade no anabatismo do século XVI


No início da Idade Moderna emergiu um movimento cujo título parece inspirar violência e intolerância, mas não era essa sua finalidade. A Reforma Radical (irmãos suíços) trouxe uma mensagem de retorno ao padrão neotestamentário, manifestando-se contra a hegemonia católica e contra as pretensas reformas no catolicismo alardeadas pelos reformadores mais expoentes. Apesar da oposição à dogmática da época, os anabatistas não incitavam nem promoviam uma revolução à semelhança de Thomas Munzer, antes sua prédica não se limitava apenas ao conceito teórico da doutrina cristã do primeiro século, mas ganhava forma através das práticas devotadas através das quais transmitiam um viver consolidado na vida de Jesus. As bem-aventuranças ensinadas nos Evangelhos, por exemplo, serviram de base para sua conduta e fé, podendo, a partir delas, fazermos uma reflexão serena sob o olhar de um atento observador para chegarmos a uma conclusão sob este prisma e não de quem forçosamente estigmatizou o movimento como intransigente.
Clifford Geertz nos faz compreender alguns aspectos do caráter religioso de um determinado grupo quando explicitou que:

A religião nunca é apenas metafísica. Em todos os povos as formas, os veículos e os objetos de culto são rodeados por uma aura de profunda seriedade moral. Em todo lugar, o sagrado contém em si mesmo um sentido de obrigação intrínseca: ele não apenas encoraja a devoção como a exige; não apenas induz a aceitação intelectual como reforça o compromisso emocional... Concebe-se que a fonte de sua vitalidade moral repousa na fidelidade com que ela expressa a natureza fundamental da realidade.

A transcendência anabatista, desta forma, revela-se quando houve a tentativa de superar os vícios religiosos, bem como de reincorporar a identidade primitiva através das mesmas práticas de Atos. Esse elo com o sagrado revela o caráter estritamente cristão na busca pela pureza e essência de sua natureza. Mesmo após séculos de distância, a proximidade e o alinhamento com o que “foi” e o que eles “queriam ser”, baseados nos mesmos princípios neotestamentários, identifica a certeza de suas convicções. Outrossim, a rejeição àquilo considerado profano, em vistas da manipulação das forças existentes no canon bíblico, qualificava-os como guardiões de seu tempo dos preceitos sagrados. Sua firmeza era tão intensa que apesar dos julgamentos inquisitoriais, seus algozes não conseguiram fazer com que negassem sua fé, dando provas mais do que convincentes do vínculo que guardavam.
Essa conduta pacífica, mesmo diante das piores agruras, fez surgir o espírito anabatista da tolerância e da liberdade religiosa. Suas ações sinalizavam clamores profundos sobre o ideal de poder professarem sua fé sem objeções e sem as imposições papistas ou imperiais. Esse “ethos” (maneira de ser e pensar) próprio do grupo faz com que o martírio, ocorrido em muitos casos, fosse o ponto central para compreendermos até que ponto estavam dispostos a ir para testemunharem a prevalência de sua fé. Assim, a dimensão espiritual de suas convicções estava situada no mais auto grau da espiritualidade, pois não havia noutros grupos igual sentimento de padecer para ver prevalecer o bom senso e a boa mensagem predita nas Escrituras. As vidas segadas serviram de referencial da liberdade, visto que alguém não poder professar livremente sua fé e atestar suas convicções passou a ser observado com nova perspectiva a partir destes eventos.
A consciência anabatista refletiu em toda sua plenitude o Cristianismo autêntico. De modo que podemos pensar que apesar de possíveis discórdias entre sujeitos das mais distintas convicções religiosas, os anabatistas sempre seriam e foram respeitosos pela fé dos outros. Certamente, não fugiram do debate e suas nobres pretensões serviram para encaminhar para a verdade através de uma pregação pacífica, tanto em palavras como em obras.    


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

John Wesley e o metodismo


O Rev. John Wesley nasceu 17 de junho de 1703, sendo o décimo quinto filhos dos dezenove filhos do Rev. Samuel e Susanna Wesley. Samuel foi controverso por causa de suas inclinações políticas. Moradores zombavam de seus filhos, queimaram as plantações da família e danificaram a reitoria da paróquia anglicana de Epworth em Lincolnshire, Inglaterra.
John Wesley se formou em Oxford Universidade e tornou-se sacerdote na Igreja da Inglaterra em 1728.   Começando em 1729, ele participou do Clube Santo, um grupo de estudos religiosos organizado por seu irmão Charles (1707-1788).   Os críticos ridicularizaram os "metodistas" por seu estudo e devoção metódica. Presos por convênio, eles adoraram, oraram e estudaram - e visitaram prisioneiros e cuidaram dos pobres, órfãos e doentes, enfatizando tanto a santidade pessoal quanto a social.
Um ponto decisivo na vida de Wesley seguiu-se a uma viagem missionária de dois anos (1735-1737) a Savana. Em 24 de maio de 1738, Wesley, então com 34 anos, compareceu a um serviço da Morávia em Rua Aldersgate em Londres. Ouvindo a leitura do prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos, ele ouviu uma explicação da fé e da doutrina da justificação pela fé. "Senti meu coração estranhamente aquecido", escreveu ele. “Senti que confiava em Cristo, somente em Cristo, para a salvação; e uma garantia me foi dada que Ele tinha levado meus pecados”. Em 1739, Wesley aceitou um convite de seu amigo George Whitefield para pregar ao ar livre para mineiros perto de Bristol. Ele disse que "até muito recentemente" considerava a pregação fora do púlpito como "quase um pecado". A resposta dos mineiros levou-o a pregar fora da igreja com frequência a pessoas da classe trabalhadora que não eram bem-vindas nas igrejas estabelecidas. O clero anglicano recusou-se a seguir seu exemplo, então Wesley permitiu que leigos pregassem e ensinassem.
Alguns eruditos creditam ao movimento wesleyano a prevenção da guerra civil na Inglaterra especialmente quando cruzou as linhas de aula e permitiu que as mulheres compartilhassem liderança.
Em 1743, quando o número de sociedades cresceu, Wesley preparou “Regras Gerais” para as sociedades. Eles se tornaram o núcleo da Disciplina Metodista. A brecha entre Wesley e a Igreja da Inglaterra gradualmente se ampliou, mas ele nunca considerou suas sociedades fora da Igreja Anglicana. Depois que o clérigo anglicano fugiu para a América, durante a Revolução, Wesley foi confrontado com o cuidado de cerca de 15.000 seguidores no lugar. O Bispo de Londres recusou-se a ordenar qualquer clérigo para ele, então Wesley ordenou ministros por sua própria autoridade, um passo importante na criação do metodista da Igreja na América.
Acredita-se que Wesley tenha viajado mais de 250.000 milhas e tenha pregado mais de 40.000 vezes.   Ele morreu em 1791. Ele afirmou a Trindade, a Ressurreição, a Ascensão e a “suficiência das Escrituras para a salvação”. Ele não acreditava no Purgatório e se opunha à prática do clérigo falando em latim ou em qualquer outra língua não compreendida pelos paroquianos. Ele aceitou apenas o batismo e a comunhão como sacramentos. Ele usou a razão, tradição e experiência como ferramentas para derivar a verdade contida nas Escrituras. Ele considerou as doutrinas da justificação e do novo nascimento como fundamentais. "No momento em que somos justificados pela graça de Deus, através da redenção que está em Jesus, somos como "nascidos do Espírito", escreveu Wesley.
As igrejas cresceram e se expandiram rapidamente durante os anos de 1800 e 1900, espalhando-se pelo continente à medida que a nação se expandia para o oeste. Infelizmente, houve várias divisões sobre as questões da escravidão e da governança da igreja. Essas igrejas também incorporaram programas de extensão social em seus ministérios, incentivando e promovendo educação, missões, hospitais, grupos de jovens, trabalho de mulheres, capelanias institucionais e outros trabalhos benevolentes. O circuito do pregador itinerante viajando a cavalo para ministrar aos colonos na fronteira é uma parte da saga americana. A partir desses primórdios, a igreja americana cresceu para cerca de 8,7 milhões de membros. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Origem da Igreja de Deus do Sétimo Dia

Introdução
A origem histórica da Igreja de Deus do Sétimo Dia (IDSD) possui duas vertentes. A primeira vertente é narrada por alguns estudiosos[1] como tendo sido fundada por algumas pessoas que estavam entre os peregrinos separatistas[2] que vieram para a Nova Inglaterra à bordo do navio Mayflower[3], em 1620.
Estes peregrinos eram chamados principalmente de Puritanos e vieram para o Novo Mundo em busca de liberdade religiosa, pois tanto na Inglaterra quanto na Holanda estavam sendo perseguidos e massacrados por sua fé. Desembarcando na América, esse grupo teria introduzido a doutrina da guarda do sábado e a observância da Lei de Deus como ensinamentos fundamentais.
A outra vertente, mais coerente e comumente aceita, aponta a origem da Igreja de Deus do Sétimo Dia com a divisão ocasionada pelas visões e predições de Ellen Gould White (1827 – 1915) e um grupo liderado por Gilbert Cranmer (1814 - 1903), que discordava dessas visões junto com outros grupos, pois Cranmer percebia inconsistências em tais visões.
O desenvolvimento histórico da Igreja de Deus do Sétimo Dia teve início na América  a partir do século XIX, e como o próprio nome faz referência, é uma das seitas religiosas guardadora do sábado cujos princípios se misturam com outros movimentos que afirmavam a crença de que o sétimo dia da criação no qual Deus descansou de toda a sua obra (Cf. Primeiro Livro de Moisés chamado Gênesis 2.2), isto é, o sábado era um dia a ser guardado e praticado pelos cristãos, e que o descanso sabático era um sinal da igreja verdadeira.  
Os grupos que defendiam a guarda do Sábado foram chamados de sabatistas, Igreja de Deus, Igreja de Cristo, Igreja dos Primogênitos, Batistas do Sétimo Dia e Independentes. Eles diferiam em outros aspectos da doutrina cristã, mas mantinham a crença unanimemente no ensino acerca da Parousia[4], ou seja, na Segunda Vinda de Cristo (daí surge o nome Adventista, os que creem no Segundo Advento de Cristo) e na doutrina do Sábado, entre outras crenças.
Muitos desses grupos rejeitavam as doutrinas ortodoxas do Cristianismo, considerando-as de origem pagãs, como por exemplo: A Imortalidade da Alma, Doutrina da Trindade, o Batismo Trinitariano, a morada no céu, o Domingo como dia de descanso e o Natal. Não criam no inferno eterno, acreditavam na inconsciência da alma e eram unicistas.
Existiam outros grupos sabatistas, mas os de maior expressão eram os da Igreja Batista de Cristo do Sétimo Dia (em 1800, esse grupo tirou o nome ‘Cristo’), a Igreja de Deus do Sétimo Dia (anteriormente, chamavam apenas de ‘Igreja de Deus’, mas em 1899 foi acrescentada, entre parênteses, a expressão “7º Dia”), e posteriormente, a Igreja Adventista do Sétimo Dia (era apenas uma associação formada na cidade de Battle Creek, Michigan, em 1861. Depois se tornou uma denominação organizada em 1863). Esta última teve grande repercussão e crescimento devido as pretensas visões e profecias de Ellen Harmon[5].
Os líderes desse novo movimento tiveram um grande impulso, mesmo depois das decepções experimentadas devido as profecias de William Miller sobre o retorno de Cristo em 1844. Essa decepção ficou conhecida entre os adventistas como o Grande Desapontamento de 1844, onde muitos dos membros das igrejas sabatistas ficaram desapontados quanto aos equívocos nos cálculos proféticos de William Miller, que pregava o retorno de Cristo naquele ano com base no livro do profeta Daniel.
A passagem bíblica do livro do profeta Daniel que chamou a atenção de Willian Miller está contida no capítulo 8 e os versículos 13 e 14, que diz:

Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados? E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado. (Daniel 8.13-14)


O historiador adventista John Norton Loughborough (1832 - 1924), que presenciou muitos dos acontecimentos envolvendo as profecias de William Miller e o surgimento do movimento Adventista, indica qual era a interpretação que se tinha dessa passagem do livro de Daniel. Ele cita o depoimento de 21 testemunhas em 1888 que fizeram um abaixo assinado, afirmavam que

Esses crentes acreditavam, em harmonia com Apocalipse 3:7, 8, e outras passagens, que ao final dos 2.300 dias de Daniel 8:14, Cristo encerrou sua obra no primeiro compartimento do santuário celestial, e transferiu Seu ministério para o santíssimo, adentrando na obra do juízo, e assumindo, então, uma nova relação para com o plano de salvação. (LOUGHBOROUGH , 2014, pg. 186)[6]


Wiliam Miller e o Grande Desapontamento de 1844
Em 1840, houve na América grande efervescência devido as profecias do “Fim do Mundo” que estavam sendo anunciadas por um jovem estudante de profecias. William Miller (1782 – 1849) se interessou pelos estudos das profecias, o que lhe chamou a atenção foram as predições acerca das 2.300 tardes e manhãs ligadas à crença da purificação do santuário terrestre. Miller chegou à conclusão de que Jesus retornaria em 1843, como a profecia falhou, ele remarcou para o ano seguinte, que de novo veio a frustração.
Alguns dos que estavam na expectativa pelo Segundo Advento de Jesus Cristo abandonaram a crença, retomando as suas vidas comuns. Outro grupo veio a dar novas interpretações às profecias de William Miller. No intuito de amenizar as decepções, este último grupo, liderado por Ellen Gould White, deram início e formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia, em 1863.
Entre os que, naquela época, esperavam o Advento de Cristo estava Gilbert Cranmer (1814 – 1903), que em 1843 havia recebido esclarecimento sobre a questão do sábado através de um artigo no Midnight Cry, uma publicação milerita, escrito por JC Day de Ashburhan, Massachusetts.

Gilbert Cranmer e os Adventistas do Sétimo Dia

Gilbert Cranmer nasceu em Newfield, Condado de Timpkins, Nova York em 18 de Janeiro de 1814, e faleceu em 17 de Dezembro de 1903. Gilbert perdeu seu pai quando tinha onze anos. Quando completou 17 anos de idade, ele se juntou aos metodistas e foi convidado por eles para pregar. Dois anos depois, Cranmer deixou a comunidade dos metodistas porque achava que eles estavam errados sobre a questão da Divindade, ele discordava da doutrina da Trindade. Possivelmente, Cranmer teve posicionamentos teológicos unitaristas. 
Ele então se juntou à Igreja Cristã, recebeu uma licença para pregar e durante três anos foi um pregador itinerante, principalmente a pé, em Nova York, Pensilvânia, Ohio, Kentucky, no sul de Indiana e no Canadá. Quando se mudou para St. Joseph, Michigan, em 1840, recebia dessa igreja certa quantia em dinheiro, no final acabou tendo decepções com essa organização, pois recebeu bem menos do que havia acertado, o que levou Cranmer a desprezar qualquer tipo de salário e passou a pregar de forma independente.
Nesse período, em Michigan, as profecias de Wiliam Miller vieram à tona e isso chamou a atenção de Gilbert Cranmer, conferindo-as e afirmando a sua veracidade, em 1842. Por volta de 1843, tomou consciência da guarda do Sábado, através de uma publicação milerita, mas foi a partir de 1845 que passou a professar publicamente a crença na doutrina da guarda do sábado através de Joseph Bates (1792 – 1872), influente pregador do movimento adventista, em Battle Creek. Nesse período, Cranmer estava morando em Comstock, no condado de Kalamazoo, Michigan.
Em 1846, o ensinamento da guarda do sábado estava sendo disseminado por vários lugares da América. Joseph Bates havia sido influenciado a guardar o sábado da Lei (Quarto Mandamento) através de um grupo de pessoas em Washington, New Hampshire que também observavam a guarda do sábado como lei vigente. Joseph Bates começou então a difundir em vários locais a mesma doutrina. Influenciou na guarda do sábado à Tiago White, que era esposa de Ellen G. White, e que por sua vez influenciou a sua esposa a, também, observar essa doutrina, estes se tornaram os pioneiros do Adventismo do Sétimo Dia no século XIX.
Embora Gilbert Cranmer tenha sido influenciado por Joseph Bates na questão do sábado, e tenha se tornado cooperador no início, na obra do Advento, todavia, logo teve divergências com alguns do grupo que, então, passaram a dar mais ênfase nas visões posteriores de Ellen G. White. Ele questionou a validade dessas visões e por isso apartou-se do grupo.

A Igreja de Deus do Sétimo Dia

A partir de 1860, o trabalho realizado por Gilbert Cranmer em Michigan se expandiu e passou a contar com novos adeptos de sua mensagem. Ele fundou várias comunidades em Waverly, Alamo, Gobles, Bloomingdale, Hartford, Casco, Kirby, Hamilton, Olive Ocidental e em outros lugares.
Em 1863, foi criado pelos membros da Igreja de Deus do Sétimo Dia um jornal chamado A Esperança de Israel, tornando-se o principal veículo de disseminação dessa denominação. Através dessa literatura esse movimento se expandiu tanto para o Missouri quanto para Nebraska e Canadá.
Em 1869, Gilbert Cranmer realizou uma viagem ao norte de Michigan, passando por Denver e Newaygo County, nesse lugar fez novos adeptos de sua doutrina. No Condado de Ottowa, Cranmer pregou entre os adventistas do sétimo dia, mostrando as imperfeições e os erros das visões da Sra. White, e "seu modo antibíblico de governo da igreja". 
Em 1879, Cranmer contraiu um novo matrimônio com Sophia Branch, sua quarta esposa (as anteriores vieram a falecer), essa união formou fortes laços com a famosa família Branch. Gilbert Cranmer morreu em 17 de dezembro de 1903, no White Cloud Sanatorium.
A Igreja de Deus do Sétimo Dia está sediada em Denver, no condado do Colorado nos Estados Unidos, de acordo com os dados estatísticos do Arquivo Histórico do Conselho Nacional de Igrejas e de edições recentes do Anuário das Igrejas Americanas e Canadenses, a Igreja de Deus do Sétimo Dia até o ano de 2010 possuía em torno de 14.000 membros oficialmente integrados e o total de 233 igrejas.[7]
                No Brasil, a Igreja de Deus do Sétimo Dia foi fundada em 1979, na cidade de Campinas (SP), por representantes vindo dos Estados Unidos e México. Dois missionários de nome Carl Palmer e Carlos Garcia Bacerril se comunicaram com representantes da Igreja dos Primogênitos, movimento de origem adventista. Na década de 80, conforme informações no site da própria Igreja de Deus do Sétimo Dia no Brasil[8], um grupo de obreiros foram batizados e ordenados pelos ministros da Igreja de Deus do exterior, iniciando, portanto, na cidade de Campinas-SP com sistema congregacional.
         Em 1995, houve o primeiro cisma dentro dessa denominação por questões relacionadas à administração e doutrinas. Alguns ministros não aceitaram as orientações da Igreja de Deus vindas do exterior, e fundaram uma nova organização chamada de Organização Geral das Igrejas de Deus – OGID, sediada em Cachoeira Paulista – SP.
         Em 2001, novamente surgem controvérsias doutrinárias no seio desta denominação, desta vez sobre a questão do Dízimo e Sistema Eclesiástico Congregacional ou Autônomo. Um grupo se aparta e forma a Igreja de Deus Congregacional ou Autônomas.
         Em 2004, outra divisão ocorre na Igreja de Deus do Sétimo Dia no Brasil, dando origem a outro grupo que foram identificados com o nome de Congregação Israelita da Nova Aliança – CINA, com sede em Curitiba – PR, passaram a professar o Judaísmo Messiânico. Por sua vez, dentro da Congregação Israelita se instaura uma nova divisão em 2005, dando origem a um novo segmento conhecido como União Nacional das Igrejas de Deus do Sétimo Dia – UNID com sede em Laranjeiras do Sul – PR.
         Apesar das muitas divisões, a Igreja de Deus do Sétimo Dia no Brasil afirma permanecer vinculada ao tronco original da Igreja de Deus do Sétimo Dia trazida pelos missionários Carl Palmer e Carlos Garcia Bacerril. Doutrinariamente, essa denominação acredita no retorno iminente de Jesus Cristo (Parousia), rejeita a doutrina da imortalidade da alma e afirmam que não haverá morada eterna no céu. São guardadores do sábado e se opõem a Doutrina Bíblica da Trindade.
 
Ivanildo Mendes Farias
Bacharel em Teologia pela UMESP
Professor de História Eclesiástica do Instituto Pietista de Cultura – IPC 
Professor do Instituto Bíblico da Graça
Pesquisador do Instituto de Estudos Independentes – INTESI
 
 



[1] Alguns pesquisadores que defendem esse ponto de vista são John Kiesz, Richard C. Nickels, Dugger e C.O. Dodd. Em seus escritos procuram traçar uma linha sucessória da história da denominação.
[2] Ver Um Esboço da História Americana. Departamento de Estado dos Estados Unidos. Escritório de Assuntos Públicos. 2012. Revisado e Atualizado por Alonzo L. Hamby. P. 13. “Durante o período de turbulência religiosa do século XVI, um grupo de homens e mulheres, denominados Puritanos, tentou atuar dentro da Igreja Estabelecida da Inglaterra para promover sua reforma. Exigiam, em essência, que os rituais e as estruturas associadas ao catolicismo romano fossem substituídos por formas mais simples de fé e adoração, conforme a linha protestante. Essas ideias reformistas, ao destruírem a unidade da igreja estatal, ameaçavam dividir o povo e minar a autoridade do monarca. ”
[3] Op. Cit. P. 14 “Em 1620, um grupo de Puritanos de Leyden, constituído de 101 homens, mulheres e crianças, tendo em mãos uma patente de terra da Companhia da Virgínia, viajou para a Virgínia a bordo do Mayflower. Uma tempestade os desviou para o norte e eles aportaram em Cape Cod, na Nova Inglaterra. Acreditando-se fora da jurisdição de qualquer governo organizado, os homens aprovaram um acordo formal que estabelecia que todos obedeceriam às “leis justas e imparciais” a serem redigidas por líderes escolhidos por eles mesmo. Este foi o Pacto do Mayflower. ”
[4] Ver BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Editora Cultura Cristã. Rio de Janeiro: 1949, p. 346: “O termo parousia (...). Em primeiro lugar, significa simplesmente “presença”, mas também serve para designar uma vinda precedendo uma presença. Este é o sentido comum do termo quando empregado com relação à volta de Jesus Cristo, Mt 24.3, 27, 37, 39; 1 Co 15.23; 1 Ts 2.19; 3.13; 15; 5.23; 2 Ts 2.1; Tg 5.7, 8; 2 Pe 3.4.
[5] Ellen se casou aos vinte anos com Tiago White. Herdou o sobrenome Gould de sua mãe e o sobrenome White de seu esposo. Para um estudo biográfico de Ellen, ver “Observador da Verdade”, Ano 75, nº 2, Abril-Junho de 2015.
[6] LOUGHBOROUGH, John Norton. O Grande Movimento Adventista. Série: Legado dos Pioneiros Adventistas. Ed. Review and Herold Publishing Association. 3ª edição. 2014, p. 186.
[7] Dados estatísticos consultados no site da Association of Religion Data Archives – ARDA. Disponível em < http://www.thearda.com/Denoms/D_1232.asp>. Acesso em: 27 de abril de 2018.
[8] Informações extraídas do site: <https://www.igrejadedeus.biz/historia-da-igreja-de-deus/>. Acesso em: 09 de Maio de 2018.