segunda-feira, 30 de março de 2026
Manifestação de repúdio
sexta-feira, 27 de março de 2026
O apolítico
É possível ser apolítico — no sentido
de não se envolver em partidos ou disputas de poder — por convicções religiosas
e, ao mesmo tempo, criticar a política e a corrupção de autoridades?
A postura apolítica frequentemente se
refere à recusa em participar da política partidária ou da
"disputa de poder". No entanto, isso não impede um indivíduo de
ter consciência social e ética, baseada em valores religiosos, que
o leva a repudiar a corrupção e a injustiça.
Muitas pessoas que se dizem
apolíticas não desgostam da política em si, mas da corrupção e da desonestidade
que observam no sistema. A crítica à corrupção pode ser vista como um ato
de justiça e moralidade, e não de envolvimento partidário.
A convicção religiosa muitas vezes
exige um alto padrão de conduta ética, o que naturalmente gera aversão a
práticas corruptas que prejudicam a coletividade, como o abuso de poder e o
desvio de verbas. No entanto, o ser apolítico não se restringe à convicção
religiosa. É também uma escolha filosófica: a postura política de John Locke,
considerado o "pai do liberalismo", defendia que os indivíduos
possuem direitos naturais inalienáveis (vida, liberdade e propriedade). A
liberdade de poder opinar e criticar estão no conjunto da liberdade. Além
disso, a função do Estado, criado através de um contrato social, é proteger
esses direitos, justificando o direito de discordar das autoridades e ser
contra governos tiranos.
A crítica feita com base em
princípios sólidos (verdade, justiça) é um compromisso com o "Reino"
ou com valores morais, independentemente de quem esteja no poder. Portanto, a
postura de "apolítico" por motivação religiosa geralmente significa a
recusa em instrumentalizar a fé para fins de poder (ou seja, não se envolver na
"salvação política"), sem que isso signifique aceitar ou silenciar
diante da corrupção institucional.
A desumanização do adversário político
A desumanização do adversário
político é uma prática que ultrapassa os limites do debate de ideias e se
configura como uma ação sem ética, desrespeitosa e perigosa para a democracia.
Esse fenômeno ocorre quando, em vez de discordar das propostas de um oponente,
o discurso político passa a atacar a sua humanidade, tratando-o como inferior,
mau, "lixo" ou subumano.
Charlie Kirk, por exemplo, ativista
conservador americano e fundador da organização Turning Point USA,
tornou-se um tema central de debate após seu assassinato em setembro de
2025. Após Kirk ser baleado fatalmente enquanto palestrava na Utah Valley
University, observou-se uma onda de comentários em redes sociais que
relativizavam ou justificavam o crime com base em suas ideias políticas. Analistas
apontam que a "lógica de guerra" na política moderna transforma o
oponente em um "inimigo absoluto", o que apaga a empatia básica. No
caso de Kirk, sua identidade como homem branco, cristão e conservador foi usada
por grupos radicais para enquadrá-lo como um alvo legítimo dentro de uma
estratégia de combate a opressões sistêmicas. O podcast O Assunto
(G1) e colunas na Gazeta do Povo destacaram que essa desumanização
sinaliza uma crise democrática profunda, onde o debate de ideias é substituído
pela eliminação física do discordante. O consumo de conteúdo extremista na
internet é citado como um agravante, criando ambientes onde a morte de um
adversário é vista "como um videogame", perdendo-se a noção das
consequências reais fora do mundo digital.
A desumanização transforma
adversários políticos em inimigos morais ou ameaças existenciais. É um
ataque ad hominem que evita o debate lógico sobre propostas,
utilizando termos caricaturais para desacreditar o outro. Ao reduzir o oponente
a um "não-humano", essa retórica retira as barreiras morais contra a
violência. A história demonstra que a desumanização é frequentemente um
precursor de atos de violência física e segregação. A desumanização é uma
tática de manipulação da linguagem que associa grupos políticos a conceitos
históricos negativos (como fascistas ou ditadores), muitas vezes usando ofensas
("petralhas", "bolsominions") que visam o silenciamento e a
destruição da reputação do outro.
Quando a política é vista como uma
guerra entre "bem e mal" e não como uma divergência de opiniões, o
diálogo é substituído pelo ódio, pondo em risco a convivência democrática. Essa
retórica explora medos profundos, criando estereótipos que levam seguidores a
tratar o grupo oposto como ameaças perigosas, o que inibe a empatia e aumenta a
polarização. O combate a essa prática exige o resgate da civilidade,
reconhecendo a humanidade e a dignidade do oponente, mesmo quando se discorda
firmemente de suas posições. A divergência política é saudável, mas a sua
desumanização é um sinal de caráter malformado e uma ameaça à sociedade.
STF: vergonha nacional?
A decisão do Supremo Tribunal Federal
(STF) de rejeitar a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
(CPMI) do INSS, ocorrida em 26 de março de 2026, gerou severas críticas sobre a
postura da Corte em relação ao combate à corrupção e à proteção dos aposentados
e pensionistas. Por 8 votos a 2, o plenário do STF derrubou a liminar que
estendia a comissão, encerrando de forma prematura as apurações sobre esquemas
de descontos indevidos que somam cerca de R$ 6,3 bilhões e afetaram milhões de
beneficiários.
A medida foi criticada por reverter o
entendimento de que a prorrogação é uma ferramenta de fiscalização parlamentar,
mesmo que a maioria da comissão desejasse continuar. Ao derrubar a liminar do
ministro André Mendonça que permitia a continuidade dos trabalhos, o plenário
do STF foi acusado de ferir o direito constitucional das minorias parlamentares
de investigar. O STF, em especial através de decisões monocraticamente
criticadas (como de Gilmar Mendes, ao conceder habeas corpus a
investigados, e o isolamento de André Mendonça, que tentou manter a
prorrogação), foi acusado de interferir no Poder Legislativo para paralisar as
investigações que chegavam a figuras influentes (políticos, juízes e parentes)
e ao Banco Master, suspeito de irregularidades.
A rejeição da prorrogação alimenta a
percepção pública de que a cúpula do Judiciário age para proteger um sistema
corrompido, em vez de punir os fraudadores que se aproveitam de aposentados e
pensionistas. A maioria dos ministros, seguindo o voto de Nunes Marques, alegou
que a prorrogação é uma questão interna do Congresso. Críticos, porém, veem
nisso uma manobra para ajudar a cúpula do Congresso (como Davi Alcolumbre) a
enterrar a investigação. A CPMI, contudo, aprovou a quebra dos sigilos bancário
e fiscal de "Lulinha", filho do presidente Lula, após suspeitas de
que ele teria movimentado R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026[1].
O ministro Flávio Dino chegou a suspender a quebra de sigilo requisitada pela
CPMI[2].
A defesa de Lulinha acionou o STF diversas vezes para limitar o acesso da
comissão aos seus dados. Relatos indicam que ex-dirigentes do INSS teriam
citado Lulinha em acordos de delação premiada, ligando-o a operadores do
esquema de descontos abusivos[3].
Parlamentares da comissão, como o
relator Alfredo Gaspar, reagiram duramente, sugerindo que o fim da CPMI atende
a interesses escusos e desmoraliza as instituições ao blindar os responsáveis
pelas fraudes. A crítica popular enfatiza que, enquanto o STF impede a
continuidade da CPMI, milhões de aposentados continuam sofrendo pela humilhação.
A percepção é de que a Corte[4]
prioriza a estabilidade política e a proteção de aliados em detrimento da
justiça para as vítimas das fraudes previdenciárias.
[1] https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/05/cpmi-do-inss-lulinha-movimentou-r-195-milhoes-entre-2022-e-2026-defesa-diz-que-fontes-de-renda-sao-legais-e-legitimas.ghtml
[2] https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-03/dino-suspende-decisao-da-cpmi-do-inss-que-quebrou-sigilos-de-lulinha
[3] https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/ex-dirigentes-do-inss-fecham-delacao-e-entregam-lulinha-e-politicos
[4] Pesquisas recentes indicam que o
Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu níveis recordes de desconfiança entre os
brasileiros, com levantamentos de março de 2026 apontando que 60% da
população desconfia da Corte. A percepção de parcialidade e a influência de
fatores políticos em julgamentos são apontadas como causas centrais do
desgaste. A pesquisa AtlasIntel/Estadão indicou 60% de desconfiança, a
maior da série histórica. Outros estudos, como o Genial/Quaest, também
apontaram recordes de impopularidade. Cerca de 77% dos brasileiros acreditam
que fatores externos, como interesses políticos ou grupos poderosos,
influenciam as decisões do STF. A repercussão do "caso Master" e os
inquéritos relacionados ao 8 de janeiro aumentaram o desgaste. Mais da metade
dos entrevistados (59,5%) considera que a maioria dos ministros não age com
competência e imparcialidade. Cerca de 70% discordam que o STF trate todos os
investigados da mesma forma. A pesquisa também aponta que, em contraste
com a desconfiança generalizada, o ministro André Mendonça foi o único a
registrar saldo positivo de imagem.
Ministros do STF mostraram de que lado estão!
quinta-feira, 31 de julho de 2025
Primeiro eles mataram meu pai
O filme “First They Killed My Father”[1],
baseado em um livro de memórias, relata as experiências de uma criança-soldado
no governo do Khmer Vermelho no Camboja. A produção cinematográfica foi
dirigida pela atriz Angelina Jolie.
A história de Loung Ung,
uma menina de 5 anos, se passa em meio a “revolução” do Khmer Vermelho quando este assume o poder no
Camboja em 1975. Logo, inicia-se um governo de terror e genocídio de quatro
anos, no qual quase 2 milhões de cambojanos morrem, cerca de um quarto da
população. Expulsa da casa de sua família em Phnom Penh, Ung é treinada como
criança-soldado, enquanto seus irmãos são enviados para campos de trabalho
forçado.
Na verdade, um filme muito dramático
cuja história revela a loucura de uma revolução chamada KHMER VERMELHO dos membros
do partido comunista do Kampuchea[2]
- CPK usurpando o poder no Camboja. O regime do Khmer Vermelho assassinou
centenas de milhares de seus supostos oponentes políticos, e sua ênfase racista na
pureza nacional resultou no genocídio das minorias cambojanas. Seus revolucionários
executaram e torturaram sumariamente elementos considerados subversivos,
ou os mataram durante expurgos genocidas de suas próprias fileiras entre
1975 e 1978.
Na década de 1970, o Khmer Vermelho
foi amplamente apoiado e financiado pelo Partido Comunista Chinês, recebendo
aprovação de Mao Zedong; estima-se que pelo menos 90% da ajuda externa
fornecida ao Khmer Vermelho veio da China. O regime foi removido do poder
em 1979, quando o Vietnã invadiu o Camboja e rapidamente destruiu a
maioria de suas forças. O Khmer Vermelho, então, fugiu para a Tailândia. O
Khmer Vermelho continuou a lutar contra os vietnamitas e o governo da nova
República Popular do Kampuchea até o fim da guerra em 1989. Os governos
cambojanos no exílio (incluindo o Khmer Vermelho) mantiveram a cadeira do
Camboja nas Nações Unidades (com considerável apoio internacional) até
1993, quando a monarquia foi restaurada e o nome do estado cambojano foi
alterado para Reino do Camboja. Um ano depois, milhares de guerrilheiros do
Khmer Vermelho se renderam em uma anistia do governo.
O filme é recomendado, sobretudo,
para quem critica ditaduras. Quem gostou de “Ainda estou aqui”, ganhador do
Oscar, não pestanejará ao constatar que “First they killed my Father” é muito
melhor e deveria ter ganhado muitos prêmios. Serve-nos para refletir sobre a ideologia comunista cujas manifestações políticas e
revolucionárias ao longo da História sempre demonstraram ser tiranas e
opressivas. No filme, fica evidente seu lema da crueldade no qual é
"melhor condenar um inocente do que livrar um inimigo", sendo tal insulto uma inversão do princípio jurídico e moral que prioriza a proteção do inocente,
mesmo que isso signifique deixar um culpado impune, pois segundo a máxima
original, frequentemente atribuída a Voltaire, e parafraseando a Constituição
Federal e o Código Penal brasileiros: "é melhor correr o risco de salvar
um homem culpado do que condenar um inocente". Por isso, impor
um regime por força e violência em qualquer lugar, seja através da luta armada
seja pelo incremento das instituições em favor do nefasto regime, sempre
será uma forma de opressão ditatorial sem qualquer humanidade ou respeito à
Democracia.
[1]
Primeiro eles mataram meu pai
[2]
foi o nome oficial do estado cambojano de 1976 a 1979, sob o governo de
Pol Pot e do Partido Comunista do Kampuchea (CPK), comumente conhecido
como Khmer Vermelho. A captura da capital Phnom Penh pelo Khmer Vermelho
em 1975 efetivamente pôs fim à República Khmer de Lon Nol (governador
nacionalista de Direita), apoiada pelos Estados Unidos.





