O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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segunda-feira, 20 de julho de 2026

A Emenda da Verdade e Unidade: entenda a recente decisão das Igrejas nos EUA

 


A Truth and Unity Amendment (Emenda da Verdade e Unidade) é uma moção  proposta nos Estados Unidos com o objetivo de proteger a clareza doutrinária e a coesão histórica das igrejas filiadas à Convenção Batista do Sul (SBC), a maior denominação protestante do país.

A decisão recente estabeleceu diretrizes claras para definir o que caracteriza uma igreja em comunhão (cooperação amigável) com a Convenção. Em essência, a emenda determina que uma igreja cooperante não deve afirmar, nomear ou endossar mulheres para servirem no ofício ou na função de pastora, anciã ou supervisora, incluindo a responsabilidade de pregar para a congregação reunida.

Durante a Reunião Anual da Convenção Batista do Sul, ocorrida na cidade de Orlando, os delegados (messengers) aprovaram a emenda por uma expressiva maioria de cerca de 75% dos votos. No entanto, pelas regras da denominação, qualquer alteração na Constituição exige que a aprovação ocorra por uma maioria de dois terços em duas convenções anuais consecutivas. Esta aprovação recente representa a primeira etapa, e a ratificação final deverá ser votada no próximo encontro anual.

A decisão busca banir de forma definitiva e institucional igrejas que possuem mulheres no pastorado ou no ministério de pregação, encerrando debates recorrentes e estabelecendo uma base constitucional uniforme para a comunhão das igrejas.

Para os defensores da moção, a decisão transcende uma simples questão administrativa ou burocrática. Ela é vista como um ato de coragem e fidelidade bíblica, servindo como um farol de firmeza na fé diante das pressões da cultura contemporânea.

Em um cenário global onde muitas instituições religiosas têm cedido a agendas progressistas para se adequarem aos padrões seculares, a postura da Convenção Batista do Sul é celebrada por líderes conservadores como uma demonstração de amor à Palavra de Deus. A convicção é de que uma igreja que não consegue definir seus limites bíblicos perde sua própria identidade.

Para as igrejas do Brasil, essa decisão norte-americana serve como um exemplo de zelo doutrinário. As denominações brasileiras enfrentam desafios semelhantes de secularização e relativização das escrituras. Ao manter a coerência entre sua declaração de fé (Baptist Faith & Message) e sua constituição, a igreja nos EUA testemunha que a liderança pastoral é um ofício com qualificações bíblicas inegociáveis.

Essa firmeza encoraja as igrejas no Brasil a preservarem sua identidade. Afinal, defender as bases teológicas sem o receio de parecer antiquado diante do mundo é o papel de quem guarda uma doutrina sublime e sagrada. Além de promover a coesão, essa postura estabelece diretrizes claras nos documentos oficiais, blindando a comunidade contra debates internos infrutíferos. Por fim, protege a estrutura familiar da igreja e honra os princípios de liderança ordenados por Deus, mantendo a integridade da ordem eclesiástica.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Interpretação bíblica



O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Oséias 4:6)

O livro de Oséias narra a relação entre Deus e Israel expondo as “angústias” do Senhor em decorrência do sofrimento causado pela infidelidade do povo, pela sua idolatria (adultério espiritual) e, principalmente, pelo motivador destas ardilosas condutas, a falta de conhecimento. Israel rejeitou a premissa veterotestamentário de Salomão que dizia: “inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento” (Provérbios 22:17), por isso, foi acometido pela apatia e frieza, gerando enormes prejuízos espirituais porque não se deixou influenciar pelos estatutos divinos. Provocados pela instrução bíblica, podemos reconhecer a necessidade do conhecimento de Deus e de sua Palavra, mas também de como será nossa relação com Ela e como deveremos tratar a interpretação do outro.
O relato da revelação bíblica pretende alertar a Igreja para rejeitar conduta semelhante à de Israel, ou seja, desprezar o conhecimento. É prerrogativa da Ecclesia tanto o conhecimento como o aperfeiçoamento na doutrina de Cristo, conforme o próprio Senhor mencionou: “Examinais as Escrituras...” (João 5:39). Pela exposição apostólica é explicitado a outra pretensão: “querendo o aperfeiçoamento dos santos” (Efésios 4:12). Por assim dizer, o exame das Escrituras é muito diferente de sua leitura. A leitura remete para algo mais leve e descompromissado, sem demonstração plena de interesse, de modo que Jesus assevera o modo pelo qual deveremos tratar o conhecimento bíblico: examinando-o. Isto estabelece uma relação de tratamento mais minucioso com o texto, a fim de que nos comportemos com a expectativa de o conhecermos em sua essência. Para tanto, a investigação bíblica deverá ser o objetivo do crente. Não obstante, essa investigação não é uma crítica ao texto em si, segundo uma racionalidade contemporânea, antes a forma de desvendar pela luz e pela orientação do Santo Espírito a expressa verdade para nós oportunizada. Com virtuosa ação, alcançamos a boa consciência da verdade: “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” (Efésios 6:14).
O autoexame é uma bênção para o crente, pois poder examinar a Escritura, extraindo dela sua verdade, nos coloca no ápice da possibilidade para conhecermos efetivamente a Palavra. A ponte para a verdade da Palavra foi estabelecida por Cristo. Nele, há um elogio à pequenez desvendando o mistério para o esclarecimento e nos elevando à estatura que torna possível o conhecimento de sua vontade. Foi em breve oração, robustecida pelo sincero agradecimento ao Pai, que assim demonstrou: “... graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mateus 11:25). A pequenez dos discípulos expressou a submissão diante da grandeza de Deus e a humildade encontrada entre os virtuosos fiéis a Cristo que anelavam o conhecimento de Deus. Portanto, pequenez simboliza a sujeição a Deus pela qual se alcança o seguro entendimento da Palavra.  
Causa-nos estranheza, no entanto, as divergências teológicas de interpretação que mais afastam do que agregam e criam um ufanismo denominacional. Dentre outros fatores, muitos não sentem desprazer na conduta da sobreposição, antes, procuram refinar seus argumentos para sempre imporem suas concepções em decorrência da ânsia de verem o outro superado. O autoexame de fato possibilitou certa independência aos interpretes, de modo que inúmeras concepções teológicas têm surgido ao longo dos tempos. É plausível dizermos que a maioria está errada na arte interpretativa, causando determinados percalços para o Evangelho, para a Igreja e para os descrentes. O remédio, entretanto, para todas elas é a univocidade da Escritura e a uniformidade doutrinária (não entenda isso como uma forma de ecumenismo, não o é, mas simplesmente a guarda do fiel depósito pela Igreja de Cristo). Não há várias interpretações para a doutrina de Cristo, somente uma. Reprovados os altaneiros de vaidosos espíritos, estão tendentes à perfeita interpretação os símplices de coração que com alento tratam a doutrina não como sua, mas como de Deus, para si e para o outro. Na verdade, a Igreja deveria compreender que somos o resultado da operação de Cristo e de sua Palavra, não seus proprietários. Essa mentalidade nos aperfeiçoa para saber lhe dar com as tantas circunstâncias onde a Palavra é colocada em questão para assim podermos redarguir através da Verdade. Daí Paulo nos orientar: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9).
Nossa conduta como cristãos anabatistas é interpretarmos as Escrituras com a receita que nos foi dada: com simplicidade de coração e de espírito, permitindo sermos levados pela precisa orientação do Santo Consolador, a fim de agirmos com a mansidão e paz, virtudes que assistem ao que está revestido do perfeito conhecimento. Esse conhecimento é partilhado e multiplicado com gratuidade e simpatia, visando o crescimento de cada parte, inclusive, de alguns que se acham despreparados para internalizarem o ensino. Por isso, busquemos com afinco conhecer a Deus e sua Palavra sempre com humildade e sujeição, não nos achando os melhores, mas os menores.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Nunca é tarde para estudar


Você nunca fará nada neste mundo sem coragem.
É a melhor qualidade da mente ao lado da honra.
Aristóteles

O sonho era antigo. Talvez remonte a juventude quando por influência da irmã Helena (formada em Letras e professora de línguas antigas na Assembleia de Deus) foi instigada a prestar vestibular para ingressar na faculdade e ter uma profissão. Algo um tanto quanto inusitado na época para muitos evangélicos cujas igrejas não consideravam o estudo acadêmico importante. Era o final da década de 80, instante no qual essas mesmas Igrejas ainda usufruíam de espiritualidade intensa e devotada para o fiel cumprimento da vocação inspirada pelo bom Salvador. Por isso, o sonho não se realizou naquele momento, na verdade, foi substituído por um “chamado” de Deus para ajudar o pai (José Silva Tôrres) numa ousada investida: abrir um trabalho missionário em lugar avesso à pregação do puro Evangelho, rebelde e tantas vezes perseguidor.
Passaram-se anos e através de sua ajuda incansável o trabalho prosperou, ganhando aquela obra considerada referência na região; passando a ser, então, uma Igreja e não mais um ponto de pregação, apesar da existência de um templo desde o começo. Durante aqueles anos, também serviu nos negócios da família, tendo dores de cabeça e alegrias como frutos do labor secular, mas sempre prestando o melhor trabalho possível. Foi de fato um grande apoio para o pai. Uma década passou laborando na região de Beberibe, aproveitando também as belezas naturais das ensolaradas praias ali existentes, ainda puras e não tocadas pela exploração turística e imobiliária. Um bálsamo para quem lutava desde o raiar do dia (literalmente falando) até à noite, no apagar da luz do quarto quando era vencida pelo cansaço já na madrugada.
Este tempo só cessou quando retornou para a capital devido seu enlace matrimonial. A labuta passou a ser a da sua própria casa, mas como sempre se mostrou uma pessoa com muita resiliência queria algo mais. Retornou ao SENAC para aprender a trabalhar com o pacote OFFICE da Microsoft. Recebeu seu certificado após a conclusão de seu curso. Vieram as filhas para as quais dedicou cada momento, aproveitando o vínculo e exercendo o papel de mãe com esmero. Em nenhum momento pestanejou ou relutou pelas dádivas que o Senhor Deus havia lhe confiado. Quando as meninas cresceram, tornando-se um pouco mais independentes, resolveu buscar cursos de formação de nível médio para, quem sabe, cursar uma graduação. Foi em busca do CEJA (Centro de Educação de Jovens e Adultos) em Messejana, local no qual recebeu grandes estímulos para realizar seu antigo sonho. Nesse ínterim, sentiu-se na responsabilidade de fazer um curso de secretariado (CETREDE) para que no final pudesse buscar um emprego e ajudar em casa, uma vez que naquele momento seu marido não gozava de vínculo empregatício. Foi resoluta em seu curso. Aproveitou oportunidades como secretária na PRF (Polícia Rodoviária Federal) tirando a folga de uma amiga de curso para ganhar algum dinheiro e assim poder ajudar nas despesas do lar. Mas, não esquecia de seu sonho. Prestou vestibular na UECE. Não foi aprovada. Fez suas primeiras tentativas no ENEM, mas sem uma boa preparação também não logrou êxito. Conciliou a ida para deixar as filhas na escola, na época no Centro, para fazer um cursinho de preparação para o ENEM. Conseguiu um curso acessível para as condições financeiras da família: APESC (Associação dos Professores do Ensino Superior do Ceará). Recebeu muito apoio dos professores. Cumpriu novamente seu papel de estudante 30 (trinta) anos após concluir o ensino médio. Dedicou-se. Estudou. Fez inúmeras redações, ora com notas não tão boas, ora com algumas que motivaram esperanças. Desejou caminhar pelo meio ambiente, tendo a primeira aprovação no IFCE, no curso de Técnico em Meio Ambiente, mas algo mais forte lhe chamava para outro caminho. Enfrentou novamente a fera do ENEM com bravura a fim de derrubar aquele bicho papão que já lhe tinha derrubado em momentos passados, mas não a tinha desanimado... Enfim, a fera não resistiu sua força interior e entregou o prêmio pela sua determinação: a aprovação no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará, um dos cursos cujas notas de corte têm sido muito altas desde que o ENEM foi adotado como forma de ingresso.
Hoje, Maria Luísa (carinhosamente conhecida como Maninha) conclui sua graduação, defendendo seu aprendizado ao longo dos anos na academia. Seu olhar voltou-se para aqueles que como ela tiveram muita dificuldade para ingressar na Universidade. Estudou, para realizar sua monografia e concluir seu curso, “o ensino cooperativo entre surdos”, entendendo seus anseios, suas paixões, seus desafios e suas esperanças. Identificou-se com eles. Adora se comunicar conosco através de sinais. Não gosto porque nada entendo (preciso fazer mais algum curso de libras), mas percebo sua sensibilidade e seu envolvimento com seu objeto de estudo. Nada mais louvável.
A fé, portanto, tem o poder de transportar montes como bem disse Jesus e cumprir nosso papel enquanto cristãos, pois somos instigados a buscar conhecimentos salutares para o desenvolvimento humano para também podermos exercer nossa influência ética, moral, disciplinada e compromissada com valores que exaltam o ser humano enquanto piedosos em Cristo. Como membro da Igreja Batista Renovada Moriá, Maninha passa a ser referência e estimula os congregados que desejam chegar mais longe a sonharem. Aos 50 (cinquenta) anos, começa uma nova fase de sua vida. Agora, com a certeza do dever cumprido e com uma profissão em mãos, alcançada pela pura determinação de um nobre coração; daqui há alguns dias, após o reitor lhe conferir o título, será graduada.
Ao longo de sua caminhada na Universidade fez muitas amizades, certamente pelo jeito simples e cativante de ser. Criou vínculos. Amparou muitas colegas de turma. Aconselhou. Soube caminhar por cada situação confirmando e nunca deixando de ser esta pequena grande mulher cristã.

Agradecimentos à prof(a). Dra. e Diretora (Faculdade de Educação) Maria Isabel Filgueiras Lima Ciasca, ao Prof. Doutorando Hermany Vieira, à Prof(a) e Doutoranda Nágila Rabelo e à Pedagoga Amanda Rodrigues pelo apoio na construção do conhecimento e desenvolvimento da monografia.

Essa matéria é uma singela homenagem de seu marido e de suas filhas (Heládio, Hévila e Lívia)

Glórias, honras e louvor sejam sempre ao nosso grande e amoroso Deus cujo Filho, Jesus, através do Santo Espírito, nos faz triunfar!






































segunda-feira, 18 de março de 2019

Uma Breve Meditação Sobre a Oração


A Oração deve sempre anteceder ao ofício da pregação, pois a oração abre os portais da graça divina para capacitar o pregador a ministrar com eficácia aos corações dos homens. A verdadeira oração toca a Eternidade. Ela transcende ao mundo natural dos homens, e entra em contato com Aquele de quem foi dito “Deus é Espírito”.
A oração faz parte da vida do pregador, e deve nortear todas as suas atividades. A genuína oração é um fator de peso no ministério do pregador, de sorte que, se o pregador não mistura a oração com seus estudos, seu intelecto, seu caráter e sua vida tem fracassado em todos os demais esforços.
A oração não pode ser trivial, mas tem que ser uma atividade para o pregador que demande tempo e persistência. Antes do pregador entrar em contato com os homens, ele deve entrar em contato com Deus. Como afirmou E. M Bounds “Os pregadores que obtêm resultados poderosos para Deus são os homens que prevaleceram em seus apelos para Deus antes de se aventurarem em fazer apelos aos homens. Os pregadores mais poderosos com Deus em seus aposentos reclusos são os mais poderosos em seus púlpitos com os homens”.[1]
O ato de orar requer em primeiro lugar TEMPO, deve-se dedicar muito tempo à oração para que, de fato, a oração alcance o seu objetivo. Em segundo lugar requer PREPARO. A preparação põe nossa alma em um maravilhoso retiro, apartar-se de toda atividade que diminua nosso interesse pelas coisas de Deus e principalmente das mídias sociais para poder dedicar mais atenção a oração é fundamental. A perseverança é um fator importante, pois aquele que sucumbi na primeira instância demonstra que não está apto para receber a benção que procura.
A importunação é irmã da perseverança, pois o que insiste em BATER à porta ela se abre, o que PEDE, recebe e o que BUSCA, encontra. São essas as palavras de Jesus para todos nós. O coração é o depositário das graças que emana do trono de Deus, o receptáculo dos tesouros divinos.
Obterá estas bênçãos aquele que conseguir guardar o coração de toda toxina do pecado, pois é do coração que procede as fontes da vida. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” é o que está escrito no livro de Provérbios 4.23. O coração que anseia por Deus estará repleto de bênçãos para compartilhar, pois Deus vem ao nosso coração e enche-o das alegrias celestiais.

Em Cristo,
Ivanildo Mendes


[1] BOUNDS, E. M. Poder pela Oração / E. M. Bounds; tradução [Marson Guedes] – São Paulo: Editora Vida, 2010, pág. 27.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Uma vida de oração

Por JANDERSON JAIR


Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.

Precisamos compreender a importância da oração para nós cristãos, pois infelizmente pouco ou nada compreendemos sobre o assunto e, lamentavelmente, temos negligenciamos a prática em nossa vida diária. Que sua alma, após essa leitura, venha a anelar mais e mais por nosso Deus e que este anelo lhe conduza a doce oração diária.

Definição de Oração

A oração é um diálogo da alma com Deus e desta maneira nós pecadores mantemos comunhão com o Deus Santo. É através deste dialogo diário que a nossa vida espiritual irá se desenvolver para o seu louvor. Oração é o oxigênio que mantém viva a nossa comunhão com Criador. A oração nos aproxima de Deus e a sua ausência nos sujeita à queda diante do Diabo e de suas astucias.

Jesus Tinha uma Vida de Oração

O salvador de nossa alma, Jesus Cristo, ele mesmo sendo Deus, esvaziou-se de si mesmo fazendo-se homem (Fp 2. 6-7) e como homem ele vivia em constante oração para alcançar favor divino para cumprir sua missão, deixando-nos o exemplo de uma vida de oração a fim de que seus discípulos seguissem seu exemplo. Os evangelhos nos fornecem muitos relatos da vida de oração de Jesus: quando batizado nas águas, por intermédio de João Batista, estava orando quando o Espírito Santo desceu sobre ele (Lc 3. 21-22); passou uma noite em oração antes de convocar doze pessoas para serem seus apóstolos (Lc 6. 12-16); estava orando junto a três discípulos seus quando transfigurou-se ( Lc 9. 28-29) e ele foi ao lugar chamado Getsêmani orar junto aos seus discípulos quando sua alma estava angustiada pelo peso que sofreria na cruz (Mc 32-41). Podemos concluir, com base nos relatos dos evangelhos que Jesus tinha uma vida de oração ativa e constante. Se Jesus considerava importante a oração e a sua pratica diária, por quais motivos então não fazemos o mesmo? Porventura um discípulo de Cristo não deve ser parecido com o seu mestre vivendo uma vida de oração? Não estaria alguma coisa de errado com um cristão por não gostar e praticar a oração? Se você não ama e nem desfruta do diálogo com Deus por intermédio da oração, certamente você tem um nome que vive, mas estás morto (Ap 3.1).

Os Discípulos de Cristo Tinham uma Vida de Oração

Os discípulos de Cristo, após presenciarem seu mestre orar, desejaram também aprenderem a orar, pois desejavam obter uma maior comunhão com Deus: “E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”(Lucas 11:1).
Os discípulos não só aprenderam a orar com Jesus, mas aprenderam a importância de terem uma vida de oração. Eles seguiram o exemplo do Salvador Jesus, vivendo uma vida de oração.
Jesus pediu para seus discípulos, antes de sua ascensão ao céu, que eles não se ausentassem de Jerusalém, pois receberiam a promessa do Pai, o batismo no Espírito Santo ( Atos 1.4-9). O livro de Atos 1:12-14 narra que os discípulos aguardaram essa experiência do batismo no Espírito Santo em oração:

Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmào de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Os discípulos passaram dez dias em constante oração aguardado a promessa até que ela se cumpriu (At 2:1-4).
Os novos convertidos, apesar de se converterem a pouco tempo, eram perseverantes em oração: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (Atos 2:42). Quando sofriam perseguições, buscavam refúgio em oração e Deus os consolavam, concedendo ousadia para continuarem a pregar o evangelho (At 4. 23-31); em oração, Estêvão declarou suas últimas palavras antes de sofrer o martírio por amor a Jesus (At 7. 54-60) e foi orando e jejuando que escutavam a voz do Espírito Santo, convocando-os para uma missão (At13:1-3). A igreja primitiva era uma igreja que ganhou muitas almas, que operou muitos milagres, que marcaram a história da humanidade e tudo isso eles obtiveram por que tinham uma vida de constante oração.
George Müller foi um homem que se dedicou ao cuidado com órfãos. Ele fundou o Orfanato de Ashley Dwon onde sustentava milhares de garotos. Müller era um homem que aprendeu com o exemplo de oração de Jesus, pois ele sempre estava em constante oração e através dela obteve auxilio divino ao seu favor. Müller, quando estava sendo entrevistado, falou sobre o tempo que ele se dedicava a oração:

“Horas, todos os dias – respondeu ele. – Mas vivo em espírito de oração. Oro enquanto ando, quando me levanto. E as respostas estão sempre vindo” (George Müller: homem a quem Deus deu milhões, 2014, pg13).

George Müller sempre tinha sua alma molhada pelo o orvalho do Espírito Santo, já que desfrutava de uma vida de oração.

Você ama a oração? Se ama, por que não ora? Se amarmos a oração semelhante aos primeiros discípulos, poderemos ver novamente o Senhor operando grandes coisas em nossos dias, veremos curas, transformações de vida e um mundo impactado pelo o poder de Deus. A oração é a arma mais eficaz para o ganho de almas. Se a igreja atual compreendesse isso, ela não usaria seus métodos carnais para atraírem pessoas para Cristo. Talvez você não tenha seguido o exemplo de uma vida de oração que Jesus nos deu, talvez você não ame a oração e nem a pratique, certamente você não poderá voltar no seu passado para buscar ter uma vida de oração, mas poderá ser em seu presente e futuro uma pessoa que desfrute de mais e mais comunhão com Deus por meio da oração. Volte a orar. Volte a vencer os gigantes em oração.

O avivalista Leonard Ravenhill assim declarou sobre a oração:

A estatura espiritual de um crente é determinada pelas suas orações. O pastor ou crente que não ora está se desviando. O púlpito pode ser uma vitrine onde o pregador exibe seus talentos. Mas no aposento da oração não temos como dar um jeito de aparecer.