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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Como Provérbios desqualifica a mentira político-eleitoral

 


A mentira e o falso testemunho tornaram-se expedientes institucionalizados no debate político. No cenário das eleições brasileiras de 2026, dados de institutos independentes como a Agência Lupa e o Aos Fatos revelam um ecossistema complexo: cerca de seis em cada dez declarações de agentes políticos carregam algum nível de distorção ou falsidade factual. Diante de discursos desenhados para ocultar realidades e manipular a percepção pública, os milenares princípios de Provérbios funcionam como um critério ético de desqualificação para lideranças que apelam para discursos mentirosos.

A desinformação eleitoral contemporânea refinou-se. Campanhas presidenciais e seus representantes raramente dependem apenas de mentiras rudimentares; operam por meio de narrativas manipuladas, omissões estratégicas e simulações com ferramentas digitais e inteligência artificial.

Essa busca por construir realidades paralelas ecoa a advertência bíblica sobre a falsidade disfarçada. Há uma crença ilusória por parte de candidatos e militantes de que aquilo que está em oculto — acordos de bastidores, dados econômicos maquiados e promessas sabidamente inexequíveis — permanecerá na sombra. O livro de Provérbios 21:28 aponta para a obsolescência desse método: “A testemunha mentirosa perecerá, mas o homem que ouve falará com sucesso”. No contexto contemporâneo, o “homem que ouve” traduz-se no jornalismo documental, nos mecanismos de checagem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na capacidade crítica do eleitor que investiga fontes oficiais. Contudo, para que essa validação seja plena, é imperativo que os órgãos de controle e mediação operem imunes à polarização partidária. Sob uma perspectiva realista, o atual cenário brasileiro revela que parcelas expressivas da grande mídia e do Judiciário cederam à hiperpolitização. Essa simbiose institucional deteriorou as fronteiras técnicas, tornando nebulosa a linha divisória entre o ativismo político e a estrita legalidade jurídica.            

A estratégia do assassinato de reputações, impulsionada por cortes intencionais de vídeos e falsificações profundas (deepfakes), é o correspondente moderno do falso testemunho jurídico do antigo Israel. Em Provérbios 25:18, lemos: “Como porrete, espada ou flecha aguda é a testemunha falsa contra o seu próximo”. Em um cenário eleitoral cada vez mais tecnológico, as deepfakes operam como a expressão máxima da mentira sofisticada, distorcendo a realidade honesta e subvertendo o princípio bíblico da integridade. Diante dessa ameaça à democracia, a busca pela realidade honesta deixa de ser apenas uma escolha política e passa a ser um imperativo ético; afinal, como ensina Provérbios, a verdade baseada em fatos é a única estrutura capaz de permanecer ao longo do tempo, enquanto a fraude tecnológica, por mais convincente que pareça, está condenada a desmoronar diante da realidade documental e institucional.

A violência verbal e a distorção factual desferidas em debates presidenciais e propagandas de rádio e TV possuem o mesmo caráter destrutivo. Quando um representante político acusa seu oponente com base em dados inflados ou mentiras completas, ele perpetra o crime ético de lesar o processo democrático e ferir o direito do cidadão de formular seu voto de forma livre e consciente.

As Escrituras são categóricas ao afirmar que a sustentação de um projeto com base na fraude destrói a própria legitimidade de quem a pratica. O texto repete, como um eco de alerta estrito, em Provérbios 19:5 e Provérbios 19:9: “A testemunha falsa não ficará impune, e o que profere mentiras não escapará”, e “A testemunha falsa não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá”.

A insistência de Salomão no mesmo provérbio sublinha uma lei de causa e efeito. Na política nacional, a impunidade pode parecer a regra no curto prazo, mas o colapso de governos sustentados puramente por propaganda enganosa demonstra que a realidade econômica, social e institucional sempre cobra o seu preço. A mentira desqualifica o governante porque corrompe a confiança, base elementar de qualquer contrato social. Como decreta Provérbios 12:22, “Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite”.

Se a falsidade é intrinsecamente abominável, um governante que se estabelece sobre ela governa sob o signo da desonestidade, tornando-se inapto para zelar pelo bem comum, pela justiça e pela aplicação transparente dos recursos do Estado.

Campanhas eleitorais são marcadas pelo imediatismo da vitória a qualquer custo. Candidatos aceitam o risco de mentir hoje para colher os votos de amanhã, acreditando que as correções institucionais serão lentas demais para detê-los. A mentalidade sábia de Provérbios desmonta essa ilusão temporal em Provérbios 12:19: “O lábio veraz permanece para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um momento”.

O mandato obtido pela mentira revela-se efêmero na história. Líderes cujas gestões se ancoraram no falseamento de indicadores econômicos, sociais e morais desmoronam sob o peso dos fatos. O justo, aquele comprometido com a governabilidade transparente e com a verdade dos dados, prefere o prejuízo momentâneo da honestidade à glória temporária da fraude, pois, como afirma Provérbios 13:5: “O justo odeia a palavra de mentira, mas o ímpio se faz abominável e se confunde”.

A sabedoria de Provérbios oferece mais do que uma cartilha religiosa; apresenta um tratado de integridade pública aplicável a qualquer regime democrático. Quando examinamos os postulados sobre a abominação divina listada em Provérbios 6:16-19 — que coloca no mesmo patamar de repúdio a “língua mentirosa” e a “testemunha falsa que profere mentiras” —, fica evidente que o uso da falsidade desqualifica moralmente qualquer pretenso líder, independentemente de sua vertente partidária ou ideológica.

O eleitor que almeja a justiça social e a integridade de uma nação deve usar o prumo da verdade e os fatos validados pelas instâncias de checagem para rejeitar representantes que mascaram suas propostas nas sombras do engano. Afinal, um poder que se constrói e se sustenta sob o império da mentira carece de autoridade moral e está, inevitavelmente, pavimentando o caminho de sua própria ruína.

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