O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Tristezas de cristão


A tristeza do cristão tem sido interpretada como virtude ao longo de qualquer boa meditação, principalmente, das epístolas paulinas. De fato, ao refletirmos sobre a razão deste sentimento alcançaremos o entendimento de que seu propósito revela em grande medida um alto grau de piedade. Podemos, assim, elencar a tristeza segundo Deus que gera arrependimento (II Co 7:13), a tristeza pela dureza de coração de outros para que eles se arrependam (Rm 9:2) e a tristeza em sofrimento pelo bem dos outros (Fl 2:28). De forma que todas convergem para um fim espiritual no qual se encontra salvação, compaixão e altruísmo.
A tristeza de Paulo, referenciada, pelos judeus e pela Igreja é algo bastante recorrente em suas comunicações públicas que chegaram até nós por providência de Deus. Revelam a inquietação e a paciência para que a Igreja assumisse um padrão de maior maturidade mesmo tendo ele que sofrer e pagar o preço desta conquista.
            Voluntariamente o apóstolo demonstrou como estava intencionado em ver a Igreja aperfeiçoada na doutrina e no bom senso. Não só pelas admoestações rigorosas, antes, revestido do nobre sentimento de respeito e honra pelos irmãos, tentava persuadi-los à compreensão do sentido primeiro de saber como ser Igreja: a unidade perfeita do corpo de Cristo. Assim fez ao ilustrar a Igreja de Roma como corpo místico de Cristo (Rm 12) para expor quão integrada a Igreja deve ser através de seus membros. Que Cristo reine em nossos corações para vislumbrarmos tão glorioso feito!

Pr. Heládio Santos

terça-feira, 21 de maio de 2019

Enquanto o Espírito esteve orientando a Igreja


Os grandes avivamentos espirituais da Igreja Cristã foram marcados pela presença do Espírito Santo agindo efetivamente na comunidade. Através de pregadores abnegados e cheios do seu poder, as pregações continham um vigor sobre-humano, influenciando muitos pecadores ao arrependimento, principalmente, pela operação de convencimento majestoso do Espírito. Ao constatar essa realidade, a Igreja temia e se colocava à mercê da fluência do Consolador prometido, sujeitando-se a Ele e triunfando através da vida de santidade.
Como o passar do tempo, o esfriamento, a apatia, a falta de memória dos feitos anteriores, alteraram o quadro, deslocando-se a Igreja “do vinho para a água”. Parece que a chama de uma geração não era recepcionada pela outra seguinte, fazendo com que o despertamento tão eficiente de outrora fosse substituído pelo desprezo humano. Mas, não se restringe apenas a tais situações. A partir do momento que cristãos passaram a observar o conhecimento das Escrituras pelas vias seculares, a chama espiritual também foi afetada, visto o suposto estudioso ter se encontrado como fonte da diretriz espiritual, reorientando, inclusive, doutrinas fundamentais há muito defendidas para propor uma visão mais achegada à contemporaneidade. Quando o conhecimento assume o papel da experiência bíblica, qualquer movimento se coloca no caminho da apostasia.
Por isso, quanto mais formos estimulados pelas Sãs Palavras em seu relato e doutrinamento da experiência pentecostal sigamos em busca de um novo avivamento. A Igreja que se preza não deixa para trás os marcos fincados, antes, traz sempre à memória e procura vivenciá-los como no passado, pois jamais se tornará obsoleto.    

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Deus e a música


O cristão deverá sempre está vigilante para todos seus atos, principalmente, para os públicos. Para tanto, precisamos exercitar algumas virtudes espirituais como a sensibilidade, a percepção e o entendimento a fim de sabermos como proceder. Entenda-se como sensibilidade a percepção do toque divino para um aprofundamento espiritual de nossa carreira e não um sentimento emotivo. Fazem-se necessários quando manifestamos nossas convicções, pois refletirão ou não a presença de Deus em nós.
No contexto atual, a música cristã está chamando grande atenção do público em decorrência das muitas inovações pelas quais reprocessaram seu formato tradicional. Devemos entender, entretanto, que a música é algo maravilhoso e criado por Deus (Jó 38:4-7), portanto tem algumas exigências e não poderiam sair do prumo original. Quando o cristão se consagra piedosamente ao canto (isto não se refere à claustro, mas é prática cotidiana), deverá elevar um canto inspirado dentro do paradigma idealizado pelo Criador. Toda manifestação musical que foge a este princípio, creio, não é recepcionado. O Senhor criou a música para exaltar a si e nenhum outro. Na criação, recebia a glória pelos feitos manifestos dos astros celestes e dos anjos com observada constância, de modo que qualquer alteração macula os feitos, transformando o sagrado em profano.
Tubal, em Gênesis 4:21, foi o primeiro a ousar depreciar esta dádiva divina criando instrumentos e, consequentemente, tocando e emitindo sons musicais para seu próprio deleite. Nas sociedades antigas, a prática assumiu contornos ainda mais desviados: na Mesopotâmia utilizavam-na para cultos a falsos deuses; no Egito, para entrar em transe e êxtase, além de terem criado as primeiras composições de teor profano; na Grécia, estimulava a sensualidade e todas as formas de prazer sexual ao fazerem uso da mesma para entronizarem o deus Dionísio (posteriormente chamado de baco, palavra que originou o termo “bacanal”); em Roma, era usada para o culto à personalidade, à virtuosidade e à vaidade devido às grandes conquistas. Ou seja, a música passou por uma série de processos que a misturam com muitas ações pecaminosas do homem, tornando o sentido musical primeiro algo muito distante.
Mas, a música tem um objetivo concreto: ser oferecida como aroma suave a Deus. Todos os homens deveriam invocar a Deus e cantar ao seu louvor, visto ser Deus o único que pode exigir o ato de adoração para si. A Igreja, por exemplo, serve a Deus através de muitas manifestações e ações, sendo uma delas a entoação musical com reverência e pudor. Na música, podemos assumir uma face da adoração, já que podemos adorar a Deus sem música. Com a música, nosso ser é despertado, elevado e consegue atingir uma comunhão maior com nosso Deus, principalmente, ao sentirmos a harmonia entre a santidade divina com o canto reverente. Não podemos apresentar a Ele qualquer letra com uma melodia de acompanhamento. É necessária consagração.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Sentindo Deus

A sensibilidade cristã é muito importante em nossa caminhada, tanto para sentir os efeitos do pecado quanto para sentir à vontade de Deus. Na desobediência, um peso e desânimo assola o cristão, enquanto na obediência, a paz e a comunhão fluem como um rio sempre cheio cuja corrente não cessa, sendo referencial de vida para si, bem como para outros.
As muitas experiências pelas quais podemos passar servem para nos tornar mais habilitados a compreender a profundidade do amor e da graça divinos. De modo que não podemos menosprezar nenhuma das circunstâncias nas quais fomos inseridos. Se temos que passar por vales ou montanhas, façamos com igual desprendimento porque aquele que nos guia estará conosco em todos os lugares e em todos os momentos. Madame Guyon nos eleva a essa dimensão e entendimento ao comentar:

Receba pela fé o fato de que qualquer coisa que lhe aconteça é o desejo Dele para você, nesse momento. Quando for ao Senhor dessa maneira, verá que seu espírito estará em paz, não importando qual seja a sua condição. Os tempos de sequidão serão a mesma coisa que os tempos de abundância, porque você terá aprendido a amar a Deus somente porque você o Ama, não por causa de suas dádivas, nem mesmo por sentir sua presença.
        
Segundo Madame Guyon, essas circunstâncias da vida tentem a nos levar à “morte espiritual”, mas não aquela da qual estão condenados os infiéis. Seu sinônimo, na verdade, é despojamento, ou seja, tirar de sobre nós tudo aquilo que interfere na ação de Deus em nossa vida. É desprezando as obras carnais com um coração “mortificado” que superaremos as insinuações tentadoras para podermos continuar com a alegria da salvação. Trazendo para as palavras da ilustre senhora:    

A vida do devoto é como uma torrente que abre seu caminho descendo das altas montanhas aos vales e fendas da vida, passando por várias experiências, até finalmente chegar a experiência espiritual da morte. A partir daí a torrente experimenta a ressurreição e uma vida de acordo com a vontade de Deus, enquanto ainda passa por vários estágios de refinamento. Por fim, a torrente encontra seu caminho em direção ao vasto, ilimitado oceano. Mesmo aí, a torrente não se torna totalmente unificada com o vasto oceano, até que mais uma vez, passe pelas relações finais com Deus.


A maioria dos cristãos não percebem, mas há um chamado da parte de Deus sempre ecoando em nossos corações para tornarmos essa relação com Ele mais profunda, mais constante, mais efetiva e sem os embaraços da vida. Há uma vida profunda em Cristo aguardando ser descoberta, porquanto é mais valiosa que tesouros reluzentes deste mundo. Estejamos certos desta verdade para não deixarmos essa oportunidade passar.

domingo, 14 de abril de 2019

E quando o irmão pecar?


Quando agimos como cristãos podemos, no percurso, pecar, muito embora seja por "certa ignorância" e sem perceber a semente do inimigo. Por ocasião, sempre deveremos colocar-nos à mercê da vontade de Deus para recebermos alguma palavra de instrução para considerarmos nossos feitos e redirecionarmos nosso caminho. Esta palavra de correção, claro, vem de outros que no mesmo caminho seguem em busca de paz e justiça ou da própria conclusão após exame bíblico.
Acima de tudo, precisamos saber olhar o erro do outro, reconhecermos que também podemos errar e com um coração solidário procurar repreender nosso(a) irmão(ã) com a simpatia que o hino do cantor cristão nos induz a ter, quando menciona “olhar com simpatia os erros dos irmãos” (HC 381). A repreensão é algo sério e espiritual, nem todos tem a habilidade de saber repreender, apesar de achar que todos deveriam exercitar-se nesta arte sublime que deverá servir para intensificar nossa comunhão e nunca a separação.
Existe uma orientação bíblica em Levítico que nos remete a essas situações: “... não deixarás de repreender o teu próximo...” (Lv 19:17). O texto nos permite estar em vigilância quanto ao pecar do que está próximo a nós, por consequência, nosso irmão. Este sentimento deverá expressar uma preocupação individualizada com o bem estar espiritual dele, e jamais deverá ser norteado por qualquer outro sentimento. Repreender o outro com arrogância, com menosprezo, com altivez de espírito ou ironia não corresponde a um procedimento cristão, nem muito menos com a intenção de conservação dos vínculos da paz e da comunhão.
Jesus nos ensinou que quando tivermos que repreender um irmão, façamos isso separadamente, em secreto, para que ganhemos nosso irmão, ou seja, para que se estabeleça uma relação de confiança. Tornar público o fato do pecado alheio antes deste diálogo poderá tornar impossível e irreparável o objetivo da admoestação, principalmente quando existe um comportamento louvável e fiel por parte de quem pecou. Agora, caso não seja observado os princípios bíblicos de arrependimento, outros, em fases posteriores poderão ser requeridos para tentar solucionar o problema, conforme está escrito em Mateus 18:15-17.
Assim, procuremos conservar nossos corações com o zelo doutrinário, mas jamais esquecer que tanto o outro como nós podemos pecar e precisamos de um sentimento de humildade (tanto do que admoesta como do que é admoestado) que nos envolvam para reconhecermos nossos delitos espirituais. O que nos faz diferentes em relação aos erros é o fato de crermos na restauração do caído e de ajustes em determinadas práticas para o bem do Evangelho.
Louvado seja Deus!


Refrigério e Deleite para a alma piedosa - Devocional III

quarta-feira, 27 de março de 2019

Breve meditação sobre as intenções do nosso coração


Por Antonio Welderlan da Silva Sales


                                      “Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?” (Mt 18:1)

Qual discípulo era mais amado por Jesus? Qual, dentre eles, seria coroado com maior honra em seu reino? Qual seria suas recompensas diante de tal esforço? Muito além de uma dúvida, a pergunta dos discípulos mostra-nos uma disposição de seus corações.

Lúcifer, motivado por um sentimento de inveja e superioridade em relação aos seus pares, chegou a ponto de dizer ao próprio coração: “Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte” (Is 14:13); O desejo de ser superior aos demais anjos criados por Deus era enorme. Lúcifer não só não aceitou sua condição de criatura, como quis assemelhar-se ao criador em grandeza e poder, como diz-nos a continuação do texto aludido: “subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo(Is 14:14).

O homem, por sua vez, quando enganado pela serpente (Gn 3:6) abriu-se-lhe os olhos e o pecado passou a reinar sobre o mesmo, de tal modo que tornou-se ambicioso e ávido pelo poder. Gênesis 11:1-4 revela-nos que o homem, assim como Lúcifer, quis diferenciar-se dos demais e, podemos inferir, assemelhar-se ao Senhor em grandeza:

“Ora, toda a terra tinha uma só língua e um só idioma. E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e ali habitaram. Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa. Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.”

Algumas lições podemos extrair desse texto: 1) Porque uma torre que chegasse ao céu? Podemos conjecturar que a ideia que os homens tinham de Deus era de um ser impessoal, que vivia no céu, distante dos problemas e dilemas enfrentados por eles. Talvez, a percepção que eles tinham era que, ao chegarem lá (no céu), seriam semelhantes a Deus; 2) O sentimento que os levava a agir de tal forma era, antes de tudo, a ambição, pois queriam “fazer um nome” (v.v. 4) e ser reconhecidos como povo forte e destemido. Mais uma vez, portanto, vemos a história se repetindo e a criatura buscando ser semelhante ao criador.

A bíblia sagrada, entretanto, mostra-nos que um dos atributos divinos do nosso Senhor é a onipotência; Ele próprio ratifica tal atributo quando se revela a Moisés como o “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3:14) demonstrando não se limitar a moldes e rótulos humanos; Jó, em outro momento, se refere a Ele como aquele “que tudo podes” (Jó 42:2) e o anjo que apareceu a Maria, ao relatar a concepção de Isabel, que era estéril e já avançada em idade, disse que “para Deus nada será impossível” (Lc 1:37). Tal atributo divino o coloca acima de tudo e de todos, a ponto de o próprio Deus, em um período no qual Israel estava tão envolto no pecado da idolatria, declarar a Isaías: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não a darei...” (Is 42:8).

Tudo o que falei até agora, entretanto, serviu-me apenas por introdução ao texto de Mateus 18:1 que revela-nos muito mais que uma simples pergunta. O texto fala-nos que “chegaram-se a Jesus os discípulos”, ou seja, a dúvida era comum a todos e houve um diálogo entre eles, levando-os a um consenso. O Dr. Lucas, ao relatar esse mesmo episódio, revela-nos o sentimento que havia em seus corações. Vejamos: “E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, percebendo o pensamento de seus corações, tomou uma criança, pô-la junto de si, e disse-lhes...” (Lc 9:46-48a). estava havendo uma discussão ali, mas Jesus, que vê muito além, atentou-se para aquilo que era mais profundo, para “o pensamento de seus corações”. Aquela discussão revelava muito mais sobre eles do que eles imaginavam, pois mostrava vossas intenções mais profundas e obscuras, enraizadas nos seus corações.

Quando questionado pelos fariseus por seus discípulos não lavarem as mãos antes de se alimentarem (Mt 15:2), Jesus responde de forma clara e concisa: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que contamina… o que sai da boca procede do coração..” (Mt 15:11,18). Nosso coração é enganoso (Jr 17:9), dele procede nossos tesouros (Lc 6:45a) e falamos daquilo que ele está cheio (Lc 6:45b).

Jesus responde aos seus discípulos de forma inusitada e sábia: “Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse-lhes: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizeres como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mt 18:2,3). Crianças são puras, não desejam mal, não invejam, não são orgulhosas nem fazem acepção.

Que Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, faça-nos como crianças com o coração disposto a perdoar, a amar e a obedecer ao nosso Senhor em amor.



segunda-feira, 18 de março de 2019

Uma Breve Meditação Sobre a Oração


A Oração deve sempre anteceder ao ofício da pregação, pois a oração abre os portais da graça divina para capacitar o pregador a ministrar com eficácia aos corações dos homens. A verdadeira oração toca a Eternidade. Ela transcende ao mundo natural dos homens, e entra em contato com Aquele de quem foi dito “Deus é Espírito”.
A oração faz parte da vida do pregador, e deve nortear todas as suas atividades. A genuína oração é um fator de peso no ministério do pregador, de sorte que, se o pregador não mistura a oração com seus estudos, seu intelecto, seu caráter e sua vida tem fracassado em todos os demais esforços.
A oração não pode ser trivial, mas tem que ser uma atividade para o pregador que demande tempo e persistência. Antes do pregador entrar em contato com os homens, ele deve entrar em contato com Deus. Como afirmou E. M Bounds “Os pregadores que obtêm resultados poderosos para Deus são os homens que prevaleceram em seus apelos para Deus antes de se aventurarem em fazer apelos aos homens. Os pregadores mais poderosos com Deus em seus aposentos reclusos são os mais poderosos em seus púlpitos com os homens”.[1]
O ato de orar requer em primeiro lugar TEMPO, deve-se dedicar muito tempo à oração para que, de fato, a oração alcance o seu objetivo. Em segundo lugar requer PREPARO. A preparação põe nossa alma em um maravilhoso retiro, apartar-se de toda atividade que diminua nosso interesse pelas coisas de Deus e principalmente das mídias sociais para poder dedicar mais atenção a oração é fundamental. A perseverança é um fator importante, pois aquele que sucumbi na primeira instância demonstra que não está apto para receber a benção que procura.
A importunação é irmã da perseverança, pois o que insiste em BATER à porta ela se abre, o que PEDE, recebe e o que BUSCA, encontra. São essas as palavras de Jesus para todos nós. O coração é o depositário das graças que emana do trono de Deus, o receptáculo dos tesouros divinos.
Obterá estas bênçãos aquele que conseguir guardar o coração de toda toxina do pecado, pois é do coração que procede as fontes da vida. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” é o que está escrito no livro de Provérbios 4.23. O coração que anseia por Deus estará repleto de bênçãos para compartilhar, pois Deus vem ao nosso coração e enche-o das alegrias celestiais.

Em Cristo,
Ivanildo Mendes


[1] BOUNDS, E. M. Poder pela Oração / E. M. Bounds; tradução [Marson Guedes] – São Paulo: Editora Vida, 2010, pág. 27.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O que fazer irmão?


Tenho uma pergunta para você: o que o povo cristão pode fazer em períodos de julgamento iminente da parte de Deus, para mover o coração do Senhor?

Estamos vendo calamidades naturais numa escala como nunca houve antes: ondas marítimas gigantescas, furacões, incêndios, inundações, secas. Penso nas devastações que abalaram todo o mundo, perpetradas pelo tsunami, pelo furacão Katrina, por terremotos na Índia e no Paquistão.
Penso também no medo e no desespero causados por calamidades produzidas pelo homem: os eventos de 11 de setembro de 2001, o conflito entre Israel e o Líbano, armas nucleares nas mãos de homens insanos. Até os comentaristas mais céticos dizem que já estamos vendo os inícios da 3ª guerra mundial.
Agora mesmo, muçulmanos em inúmeros países ameaçam destruir o cristianismo. Quando estive em Londres há pouco, ouvi dois jovens muçulmanos dizendo numa entrevista no rádio: "A nossa religião não é como o cristianismo. Não viramos a outra face. Decapitamos a cabeça do outro".
Eu lhe pergunto: em tempos difíceis como esse, a igreja estaria sem poder para fazer algo? Devemos ficar sentados e esperar que Cristo volte? Ou, somos chamados a tomar ação drástica de algum tipo? Quando em torno de nós o mundo inteiro treme, e o coração dos homens entra em falência por causa do medo, somos chamados para erguer armas espirituais e guerrearmos o adversário?
Por todo o globo, há uma sensação de que é inútil tentar resolver os problemas que se acumulam. Muitos sentem que o mundo atingiu o zênite da desesperança. O alcoolismo aumenta no mundo todo, e mais jovens do que nunca entram em bebedeiras. Vejo uma tendência igualmente perturbadora na igreja, à medida que cristãos se voltam para o materialismo. A mensagem que suas vidas pregam é: "Acabou a esperança. Deus desistiu".
Diga-me, seria esse o papel do povo de Deus em tempos negros? Será que os seguidores de Cristo devem cair um após o outro com o resto do mundo, e pegar à força uma fatia do bolo? Não, nunca!
David Wilkerson
Fonte: http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts061023.html

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Leveza e espiritualidade



Há quem diga existir um grande abismo entre o Antigo Testamento e o Novo no que diz respeito às virtudes espirituais. Mas, ao lermos alguns textos somos levados a entender algo bem diferente. O porquê disso pode ser respondido simplesmente pelo fato de Deus ser o mesmo tanto naquele como nesse tempo; desta forma, invariável nesse quesito.
Quando Moisés elevou ao Senhor seu último cântico, um sentimento profundo de valorização da realidade espiritual veio à tona: “Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva” (Deuteronômio 32:2). O grande profeta do Antigo Pacto demonstrou haver a possibilidade de sensibilidade para tudo quanto tinha proclamado para os Israelitas. Mesmo o Decálogo, com seu aparente rigor, deveria ser bem recepcionado em busca da perfeita interpretação.
Por tudo que foi revelado, vemos um Moisés muito bem-disposto à obediência ao Senhor. Sua trajetória e experiência de vida permitiu que a revelação fosse internalizada com efeitos duradouros, ao ponto de revelar a vontade de Deus com muita temperança. Seu anseio, demonstrado no texto de seu último livro, associa dois elementos da natureza que expressam uma beleza natural sem precedentes, por mais simples que pareça: gotas d’água sobre a relva.
Imaginemos uma terra árida, completamente devastada pela severa seca. Uma imagem assim não nos motiva a contemplar o cenário com aquele suspiro de enlevo, mas com um sentimento de pesar e lamentação cujos efeitos impõe uma tristeza e um desânimo sem igual. O contrário, segundo o texto mosaico, permiti-nos vê a beleza da natureza e sua grandeza se manifestar glorificando ao Deus criador. Por assim dizer, qual relva não espera ansiosa o orvalho e a chuva? Sabe ela que só poderá revelar seu verde viçoso com o banho do alto, emanado da boa vontade divina. A força do verde da relva nos campos e nas planícies encorajam o prazer pelos caprichos da vida e nos traz uma sensação de conforto e alento, criando um desejo de permanência onde aquele bendito milagre impera.
Pois bem! Assim foi com todos aqueles que almejaram a doutrina que vem do Senhor. Transformaram suas vidas em instrumentos para a glória do Nosso Deus, pelo prazer de cumprir seus preceitos entenderam todo o bem de sua vontade e pelos seus frutos demonstraram o toque do Todo-Poderoso sobre vidas de homens pequenos que se tornaram grandes. Moisés foi apenas um dos primeiros. Samuel, Elias, Davi... Simeão, João Batista também aprenderam o santo caminho. Ora, se eles aprenderam, quanto mais aprenderão os que estão na dispensação da graça e da plena comunhão!        

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Uma vida de oração

Por JANDERSON JAIR


Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.

Precisamos compreender a importância da oração para nós cristãos, pois infelizmente pouco ou nada compreendemos sobre o assunto e, lamentavelmente, temos negligenciamos a prática em nossa vida diária. Que sua alma, após essa leitura, venha a anelar mais e mais por nosso Deus e que este anelo lhe conduza a doce oração diária.

Definição de Oração

A oração é um diálogo da alma com Deus e desta maneira nós pecadores mantemos comunhão com o Deus Santo. É através deste dialogo diário que a nossa vida espiritual irá se desenvolver para o seu louvor. Oração é o oxigênio que mantém viva a nossa comunhão com Criador. A oração nos aproxima de Deus e a sua ausência nos sujeita à queda diante do Diabo e de suas astucias.

Jesus Tinha uma Vida de Oração

O salvador de nossa alma, Jesus Cristo, ele mesmo sendo Deus, esvaziou-se de si mesmo fazendo-se homem (Fp 2. 6-7) e como homem ele vivia em constante oração para alcançar favor divino para cumprir sua missão, deixando-nos o exemplo de uma vida de oração a fim de que seus discípulos seguissem seu exemplo. Os evangelhos nos fornecem muitos relatos da vida de oração de Jesus: quando batizado nas águas, por intermédio de João Batista, estava orando quando o Espírito Santo desceu sobre ele (Lc 3. 21-22); passou uma noite em oração antes de convocar doze pessoas para serem seus apóstolos (Lc 6. 12-16); estava orando junto a três discípulos seus quando transfigurou-se ( Lc 9. 28-29) e ele foi ao lugar chamado Getsêmani orar junto aos seus discípulos quando sua alma estava angustiada pelo peso que sofreria na cruz (Mc 32-41). Podemos concluir, com base nos relatos dos evangelhos que Jesus tinha uma vida de oração ativa e constante. Se Jesus considerava importante a oração e a sua pratica diária, por quais motivos então não fazemos o mesmo? Porventura um discípulo de Cristo não deve ser parecido com o seu mestre vivendo uma vida de oração? Não estaria alguma coisa de errado com um cristão por não gostar e praticar a oração? Se você não ama e nem desfruta do diálogo com Deus por intermédio da oração, certamente você tem um nome que vive, mas estás morto (Ap 3.1).

Os Discípulos de Cristo Tinham uma Vida de Oração

Os discípulos de Cristo, após presenciarem seu mestre orar, desejaram também aprenderem a orar, pois desejavam obter uma maior comunhão com Deus: “E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”(Lucas 11:1).
Os discípulos não só aprenderam a orar com Jesus, mas aprenderam a importância de terem uma vida de oração. Eles seguiram o exemplo do Salvador Jesus, vivendo uma vida de oração.
Jesus pediu para seus discípulos, antes de sua ascensão ao céu, que eles não se ausentassem de Jerusalém, pois receberiam a promessa do Pai, o batismo no Espírito Santo ( Atos 1.4-9). O livro de Atos 1:12-14 narra que os discípulos aguardaram essa experiência do batismo no Espírito Santo em oração:

Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmào de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Os discípulos passaram dez dias em constante oração aguardado a promessa até que ela se cumpriu (At 2:1-4).
Os novos convertidos, apesar de se converterem a pouco tempo, eram perseverantes em oração: E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (Atos 2:42). Quando sofriam perseguições, buscavam refúgio em oração e Deus os consolavam, concedendo ousadia para continuarem a pregar o evangelho (At 4. 23-31); em oração, Estêvão declarou suas últimas palavras antes de sofrer o martírio por amor a Jesus (At 7. 54-60) e foi orando e jejuando que escutavam a voz do Espírito Santo, convocando-os para uma missão (At13:1-3). A igreja primitiva era uma igreja que ganhou muitas almas, que operou muitos milagres, que marcaram a história da humanidade e tudo isso eles obtiveram por que tinham uma vida de constante oração.
George Müller foi um homem que se dedicou ao cuidado com órfãos. Ele fundou o Orfanato de Ashley Dwon onde sustentava milhares de garotos. Müller era um homem que aprendeu com o exemplo de oração de Jesus, pois ele sempre estava em constante oração e através dela obteve auxilio divino ao seu favor. Müller, quando estava sendo entrevistado, falou sobre o tempo que ele se dedicava a oração:

“Horas, todos os dias – respondeu ele. – Mas vivo em espírito de oração. Oro enquanto ando, quando me levanto. E as respostas estão sempre vindo” (George Müller: homem a quem Deus deu milhões, 2014, pg13).

George Müller sempre tinha sua alma molhada pelo o orvalho do Espírito Santo, já que desfrutava de uma vida de oração.

Você ama a oração? Se ama, por que não ora? Se amarmos a oração semelhante aos primeiros discípulos, poderemos ver novamente o Senhor operando grandes coisas em nossos dias, veremos curas, transformações de vida e um mundo impactado pelo o poder de Deus. A oração é a arma mais eficaz para o ganho de almas. Se a igreja atual compreendesse isso, ela não usaria seus métodos carnais para atraírem pessoas para Cristo. Talvez você não tenha seguido o exemplo de uma vida de oração que Jesus nos deu, talvez você não ame a oração e nem a pratique, certamente você não poderá voltar no seu passado para buscar ter uma vida de oração, mas poderá ser em seu presente e futuro uma pessoa que desfrute de mais e mais comunhão com Deus por meio da oração. Volte a orar. Volte a vencer os gigantes em oração.

O avivalista Leonard Ravenhill assim declarou sobre a oração:

A estatura espiritual de um crente é determinada pelas suas orações. O pastor ou crente que não ora está se desviando. O púlpito pode ser uma vitrine onde o pregador exibe seus talentos. Mas no aposento da oração não temos como dar um jeito de aparecer.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Jovens cristãos e a sedução das vaidades


Muito se fala sobre pudor para jovens e adolescentes nas Igrejas evangélicas que ousam não se moldarem às infames tendências e plataformas do mundanismo. No mundo, o apelo pelos caprichos da vaidade e da licenciosidade está estampado nas vitrines das ambições carnais, visto que refletem tão bem a prática da geração de impenitentes, para ser tropeço, queda e destituição da formosura da nossa juventude cristã. Não obstante, os ensinos cristãos críticos da realidade mundana parecem não alcançar seus efeitos em alguns jovens aspirantes da fé, mas que já estão inseridos nas Igrejas. A rebeldia, a intransigência com a doutrina pura, o descontentamento para se adequarem ao paradigma bíblico e outros conflitos existenciais assolam a mente deles a tal ponto que os faz insensíveis ao prazer da vida piedosa em Cristo como reflexo da transformação operada pelo Espírito.
Muito embora a Bíblia nos chame a atenção quanto ao peso negativo que a sedução e as vaidades têm, esses cristãos não conseguem enxergar que suas atitudes e indumentárias, por exemplo, transgridem os obstáculos da fé para a boa prática da comunidade diante das trevas mundanas. Para remediar uma situação como esta é necessário apenas uma coisa: “sentir” o sentimento de Deus de repulsa aos objetos que atraem a cobiça através de um bom esclarecimento das Escrituras. Para isso, a admoestação de Pedro parece bastante oportuna neste denso momento: “ ... Temei a Deus...” (I Pedro 2:17).
Se a juventude cristã a qual me refiro deseja servir a Deus, não custa nada observar o preceito do Salmo: “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua Palavra” (Salmos 119:9). Vejamos, se o jovem deseja ter uma vida pura, correta e agradável a Deus, é imprescindível que busque amparo nas Escrituras para trilhar seu caminho; do contrário não poderá se ajustar aos padrões benéficos de Deus para sua vida. A observância dos preceitos das Escrituras é a chave para termos vida feliz e próspera do ponto de vista espiritual. Por isso, após ser regenerado, encontre o prazer de servir a Deus sem sentir o encanto pelo mundo. Isso é possível quando se entende a vida de Deus em nós. Percebe-se o favor e a graça abundante trabalhando em nossos corações para vislumbrarmos os dissabores desta vida e de sua efemeridade, porém gerando uma completa satisfação e contentamento pela vida singela proposta no Evangelho. Esse nível de espiritualidade procede de um coração faminto por Deus e cumpridor dos seus preceitos. Saiba que não há vida superior e tão forte que seja capaz de preencher todos os anelos da alma.
O reflexo dessa vida interior apresentar-se-á naquilo que somos em nosso exterior: nas ações, nas falas, em nosso comportamento. Portanto, se temos essa sensibilidade de Deus, entenderemos ser indispensável abdicar de todo instrumento de sedução e vaidade. A Bíblia nos ensina a pretensão do apóstolo Paulo no que diz respeito aos homens e mulheres cristãos: “Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contendas” (I Timóteo 2:8). Vejamos que Paulo chama a atenção dos homens para a questão das “mãos santas”, já que significam santidade, sem culpa, não transgressor, homem afeiçoado e formado autêntico discípulo de Cristo. Essa assertiva coloca o homem cristão dentro do padrão espiritual do Novo Testamento, de modo que podemos fazer algumas ponderações sobre o mesmo, tocando especificamente naquilo que encanta o jovem homem cristão.
O jovem moderno é “imprensado” na parede pelas ações coercitivas do mundo para reproduzir a moda da última hora. Com isso, seguem-se diversos rituais pelos quais tem que passar para alcançar o status de inserido no contexto almejado. Muitos jovens cristãos sofrem por causa dessa opressão e, muito embora não saiam para uma vida mundana, querem alcançar este formato dentro da Igreja. Um equívoco. Uma das premissas dessa moda é a arte da conquista a partir das reinvenções produzidas no indivíduo, por isso vemos muitos com ânsia demasiada para conseguirem namoradas, fazendo verdadeiros malabarismos para conquistar a jovem desejada. Procuram academias para se exercitarem e alcançarem músculos preponderantes como se isso fosse primaz para chamar a atenção das donzelas (termo bem ridicularizado no mundo). Até chama a atenção das mais desavisadas e menos espirituais. Na verdade, não podemos ser contra os exercícios físicos quando os mesmos são necessários para uma boa saúde, mas deveremos refletir se as circunstâncias para o caso apresentado são essas ou se são outras razões impensadas e imprudentes. O fisiculturismo apresentado hoje é mera vaidade. Homens e mulheres apenas querem externar seus corpos como unidade de valor para outros. É marketing para a cultura da preocupação demasiada com o corpo. O corpo exige um cuidado de fato, mas nem tanto. Infelizmente, muitos de nossos jovens são seduzidos por esse capricho mundano. Isso tem causado prejuízo espiritual para eles já que vão fazer exposição dos seus corpos com roupas coladas, delineando suas formas e criando um objeto de cobiça, quando a Bíblia diz que nada devemos cobiçar. Graças a Deus pela orientação bíblica quanto a esse problema: “Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir” (I Timóteo 4:8). Se o varão deseja chamar a atenção, deverá fazer pelo brilho da glória de Deus na sua vida, cheio de unção e consagrado a Deus.
Para as jovens, o apóstolo ainda nos alerta: “Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras” (I Timóteo 2:9-10). Percebam que há a possibilidade de a mulher se ataviar, entretanto, não com bugigangas de vaidades. Seus atavios são espirituais, provém de um espírito contrito e submisso a Deus, sendo a honestidade, o pudor e a modéstia os elementos de brilho para sua vida. Esse último termo indica com maestria o propósito do santo apóstolo, pois modéstia significa ausência de vaidade. Saibam que a restrição a qualquer forma de vaidade é condizente com as Escrituras porque representam uma censura a algo vão e vazio de significado, indicando apenas que aparência natural da mulher está sendo substituída por uma concepção ilusória que não condiz com a realidade. Por isso, quando uma jovem se adorna com elementos de joalheria ou pintura ela produz para si mesma uma tremenda contradição e cai em desilusão, já que as joias, as sombrar e os batons refletem um esteriótipo artificial que não é da pessoa, mas do objeto, levando-nos a compreender que a pessoa nessa relação é inferior ao que o próprio homem produziu. O mundo não olha sob esse prisma porque está cego e pretende lucrar com a venda de tais objetos, mas o Espírito de Deus a tudo perscruta. Outro cuidado que a jovem cristã deverá ter diz respeito às roupas que usa. Muitas roupas femininas são produzidas com a finalidade de as mulheres provocarem sedução. Lembrando que a sedução proclamada hoje como forma de persuasão se encontra no patamar da perversão moral. A jovem cristã tem que ficar atenta para aquilo que veste a fim de que suas indumentárias não sejam coladas ao corpo, nem curtas, nem transparentes. Tal preocupação faz-se necessária porque faz parte de nossas convicções valorizarmos a naturalidade da mulher cristã que abraçando essa conduta estará também se valorizando e valorizando a modéstia. Além disso, ela estará rejeitando toda forma de vestuário contrário a sua fé, desenhada pelos caprichosos designs da moda mundana. Para isso, a valorização da mulher cristã tem que ser renovada sempre desde a juventude, pois a renovação, no sentido bíblico, traz a forma e o modelo da Escritura com o espírito alegre e contente, não com fingimento, mas com profunda convicção de geração em geração.
Jovens, tendo em vista o que foi dito, valorizem seus papéis na presença de Deus, uma vez que o Senhor vos tem chamado para cumprir seus propósitos, valorizando quem vocês são e procedendo em conformidade com sua Palavra. Desejem ardentemente viver a vida piedosa em Cristo, reconhecendo que a vida prometida aos fiéis transmite muito mais valores do que as vidas dos jovens do mundo. Não se sinta desprestigiado se lhe assola um anseio de algo que não possuis; seja resoluto em receber as dádivas espirituais já que elas permanecem, enquanto as outras que te incomodam perecerão. Busque a Deus de todo o seu coração e encontre tudo quanto precisas no Trono da Graça, lugar em que temos paz e alegria indizíveis, onde jamais seremos desprestigiados ou excluídos. Vivam a fé com ousadia!
Que Deus em Cristo te abençoe!
Pr. Heládio Santos

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Noite do Musical: Dá-nos a religião dos velhos tempos


O manto de luz que cobria o público, ouvinte atento e despertado para a introspecção em cada hino entoado pelo conjunto de devotados crentes posicionados na sóbria tribuna, emanava das arandelas e lustres, sustentados pelas paredes e teto cujos locais devidamente pensados assim o foram para que sua irradiação branco-amarela remetesse ao contexto medieval de reverência e contemplação. Esse elemento tornou o objetivo do evento ainda mais venerável, de modo que sob aquela iluminação incandescente fomos remetidos ao cenário contemplativo, aquele de ver somente a Jesus. Nesse ambiente, “espíritos” foram tocados pela beleza musical das melodias, enquanto suas almas se achavam imersas nas letras de pura expressão do verdadeiro canto a Deus. Percebendo o valor dos conceitos apresentados, esclarecidos pela iluminação e pela elucidação de quem fazia uso da oratória, a grande plateia vivenciou um misto de humilhação e grandeza, visto que assumiu sua pequenez diante da majestade do Todo-Poderoso, o Deus supremo presente na reunião entre “pecadores”. Esse era um dos sentidos do evento, pois além de focar o quesito música cristã reverente para a perfeita adoração a Deus a pronunciação de cada estrofe e refrão fazia arrepiar os corpos tocados pelo esclarecimento advindo da poesia fundamentada nas verdades bíblicas, uma pregação musicada, inspirada na verdade absoluta e inalterável das Escrituras, fonte de vida espiritual para nossa comunhão com o Senhor, ou seja, a proposta para o resgate dos hinos tradicionais.

Quantos rostos vistos entre a multidão expressavam essa experiência? Foram muitos, para não dizer todos, já que não havia clima para distração e entretenimento, mas somente uma ânsia para adorar a Deus em espírito e em verdade. Jovens, adultos e velhos, nós todos fomos envolvidos e elevados a um patamar altíssimo no qual se encontrava de fato Deus. Foi uma noite em que os céus se abriram e fizeram jorrar dádivas pelas quais, nós cristãos, devemos nos apropriar delas para conservar o paradigma bíblico da reverência a Deus quando nos reunimos em nossos cultos.
Fabiano Santiago (organizador) estava ansioso para ver os resultados do trabalho de sua equipe de músicos (Lívia, Ivanilson, Karla, Daniel, Paulo e Alysson), porquanto foram meses de dedicação e preparação para apenas um fim: a glória de Deus. Muito embora não estivesse preocupado com a repercussão positiva para si e para os demais componentes, lembrou com insistência que somos meros instrumentos que refletem as virtudes cristãs, de modo que cabe a nós sabermos distinguir entre o adorador e o adorado, cabendo a honra àquele que realmente é digno de louvor: o nosso Deus. O trabalho esmerado de toda equipe é a prova de que se pode resgatar os valores esquecidos com pessoas jovens que amam esses mesmos valores. Essa mentalidade faz com que a hinódia tradicional seja considerada necessária para a Igreja, não sendo subestimada como obsoleta, mas como algo consistente e de uma representação superior a qualquer single cantado hoje em dia. Os hinos tradicionais têm maior profundidade, espiritualidade, consistência, melodia e são mais eloquentes. Reivindicam para si uma atenção maior em razão de serem mais aptos para os lábios daqueles que temem a Deus nos cultos.   
A COMUNIE – Comunhão Evangélica, pensando nesse fato, tem o privilégio de promover encontros como esse para esclarecer sobre os problemas modernos que afetam o movimento evangélico. A causa de tantos males? O liberalismo teológico que tenta incutir nas massas outro cristianismo, enquanto a iniciativa da COMUNIE é criar um espírito mais crítico com respeito a tais inovações. Não é só o problema do ceticismo acadêmico que vem atingindo os jovens cristãos universitários, mas também o fato de muitas igrejas estarem saindo do prumo, de modo que o Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho (organizador geral) vem despertando essa comunidade para um retorno aos valores genuinamente cristãos a fim de que possam ser apresentados ao universo que isso remete e remediá-lo pela Palavra de Cristo.