O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Presidente da Nicarágua chama Igreja de ditadura e bispos 'assassinos'

 




CIDADE DO MÉXICO (CNS) - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, criticou os líderes católicos como uma "gangue de assassinos", em comentários ampliando a perseguição à Igreja e desprezando o apelo do Papa Francisco ao diálogo no país da América Central.

Em um discurso inflamado, Ortega mirou os bispos católicos da Nicarágua por promoverem a democracia como uma saída para a crise política do país, alegando sem provas que eles pediram aos manifestantes que o matassem durante os protestos de 2018 – que seu regime reprimiu violentamente.

Ele chamou os bispos e o Papa Francisco de “a ditadura perfeita”, então perguntou, acusatoriamente: “Quem elegeu os bispos, o papa, os cardeais?”

Ele continuou no discurso de 28 de setembro que marcava o 43º aniversário da Polícia Nacional: “Com que autoridade moral eles falam de democracia? Que comecem pelo voto católico. … Tudo é imposto. É uma ditadura, a ditadura perfeita. É uma tirania, a tirania perfeita.”

O clero católico na Nicarágua permaneceu em silêncio enquanto Ortega – que venceu as eleições em 2021 depois de desqualificar e prender candidatos da oposição – perseguiu padres e bispos falando sobre questões de direitos humanos e deterioração democrática. O governo também fechou iniciativas de caridade e educação administradas pela igreja, juntamente com estações de rádio católicas, e expulsou padres e freiras, incluindo as Missionárias da Caridade.

Ortega afirmou em seus comentários que era católico, mas não se sentiu “representado”, em parte porque “ouvimos falar de democracia e eles não praticam a democracia”.

Os comentários são feitos no momento em que o bispo Rolando Álvarez, de Matagalpa, permanece em prisão domiciliar após ser levado à força da cúria diocesana em 19 de agosto. regime mantém seus presos políticos.

“Que ignorância! Tantas mentiras e tanto cinismo. Um ditador dando lições de democracia”, tuitou o bispo auxiliar Silvio José Baez, de Manágua, que deixou o país por motivos de segurança em 2019. “Alguém exercendo o poder de maneira ilegítima, criticando a autoridade que Jesus concedeu à sua igreja; alguém que é ateu, lamentando não se sentir representado pela igreja”.

O Papa Francisco quebrou seu silêncio sobre a Nicarágua em 21 de agosto, pedindo um diálogo “aberto e sincero”.

Ele disse a repórteres em 15 de setembro: “Há diálogo. Isso não significa que aprovamos tudo o que o governo está fazendo ou desaprovamos”.

O papa também instou o governo da Nicarágua a permitir o retorno das Missionárias da Caridade e defendeu o ex-núncio apostólico, o arcebispo Waldemar Stanislaw Sommertag, que foi expulso da Nicarágua.

Ortega foi o primeiro presidente entre 1979 e 1990, depois que o movimento sandinista derrubou o então ditador Anastasio Somoza. Mais tarde, ele venceu a eleição de 2006 e ganhou várias reeleições – embora a votação de 2021 tenha sido condenada como uma farsa por observadores internacionais e não reconhecida por países como os Estados Unidos.

Em seu discurso - que incluiu denúncias de outros críticos internacionais e uma defesa dos testes nucleares da Coreia do Norte - Ortega menosprezou o secretário assistente dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Brian Nichols, chamando-o de um insulto racial começando com N e zombando de sua aparência.

Observadores dizem que a relação entre Ortega e a Igreja Católica foi complicada durante as duas presidências de Ortega – especialmente com o falecido cardeal Miguel Obando Bravo. Ortega prometeu visitar a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe se voltasse ao poder e, em 2007, dirigiu-se diretamente ao santuário mariano após desembarcar no aeroporto da Cidade do México.

O jornalista Carlos F. Chamorro, diretor do jornal nicaraguense Confidencial, diz que a Igreja entrou em confronto com Ortega depois que alguns padres e bispos mostraram apoio aos manifestantes que pediram a saída de Ortega em 2018, abrindo suas paróquias para pessoas feridas ou fugindo de padres e paramilitares.

Chamorro disse ao Catholic News Service que Ortega “tem o objetivo de fechar o último espaço cívico que resta no país, que é o espaço da liberdade de consciência, liberdade de pregação e liberdade religiosa”.

Fonte: https://catholicnews.com/nicaragua-president-calls-church-a-dictatorship-bishops-murderers/


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Tiago, o anabatista de Voltaire



Cândido é um conto do filósofo Voltaire, publicado em 1759, no qual nos é apresentado Cândido, o protagonista, como alguém “privilegiado”: índole suave, juízo assaz reto e espírito muito simples, porém que passa por agruras e severas adversidades em determinada fase de sua vida após ser inserido num contexto sombrio, apesar de seu otimismo.
Morava num castelo considerado o maior de todos, onde residia também sua paixão, a senhorita Cunegundes. Recebera instrução em metafísico-teólogo-cosmolonigologia, como queira Voltaire, junto ao mestre Pangloss (o cerne desta doutrina seria provar que não existia efeito sem causa). Devido ao lapso de flertar com a senhorita Cunegundes foi expulso daquele que “era o mais belo dos castelos”. Caminhou sem rumo até encontrar os recrutadores prussianos. Foi para o exército e também para a batalha. Foi quando testemunhou muitas desgraças, mas principalmente o desamor do gênero humano. Do “paraíso” foi ao “inferno”. Vivenciou as superfluidades da vida no encanto das aparências até chegar aos dissabores das muitas mortes presenciadas. Ele que fora instruído na doutrina das causas e efeitos procurava uma razão para sua situação. Buscava ele a verdade ou a ilusão?
Cândido consiste numa negação ao sistema leibniziano, ou seja, é oposto ao otimismo na vida. Uma negação das palavras de Pangloss: “...que as coisas não podem ser diferentes; pois, tudo sendo feito para um fim, tudo é necessariamente para o melhor fim” (p. 4). E qual a mensagem central da filosofia de Voltaire? O que está ruim pode ficar ainda pior? Voltaire duvidava de Leibniz neste ponto, porque enquanto Leibniz acreditava na justiça divina para regular a vida em sociedade, por exemplo, Voltaire, após duras experiências e dissabores com as condutas impróprias dos homens, não queria aceitar a possibilidade de as situações melhorarem. Via a realidade sem expectativa de mudanças benéficas, muito pelo contrário, por mais que se tentasse sair de situações degenerativas mais ocorrências apareciam para que o indivíduo não pudesse se sobressair. E o anabatista do conto, o que representa?
Por entre seus dilemas surge Tiago, o anabatista. Um indivíduo de caráter, de honestidade e disposto a ajudar. Não sei se Voltaire falava em tom de ironia ou de respeito sobre Tiago, o anabatista, mas de uma forma ou de outra, destaca-se o valor moral daquela figura que em meio ao enredo da história ajuda o desprezado e humilhado Cândido. Como ele mesmo narra. Pelos vistos, Tiago, o anabatista, é um personagem de boa índole. Apresentado como o diferente de todos os sujeitos participantes do enredo, principalmente dos religiosos. Ao contrário dos outros que negaram ajuda ao desalentado Cândido, Tiago foi o único que estendeu sua mão para ajudá-lo, e posteriormente recebeu Pangloss com o mesmo propósito.
A ação do anabatista é citada a semelhança do bom samaritano, descrita em Lucas 10:30-37. Sobre o ato abnegado de Tiago, contrário ao religioso católico, Cândido afirmou: “Bem que mestre Pangloss me dizia que tudo está o melhor possível neste mundo, pois sinto-me infinitamente mais tocado por vossa extrema generosidade do que pela dureza daquele senhor de casaco preto, e da senhora sua esposa”(p.14). Para aumentar o respeito pelo anabatista, após ter encontrado seu mestre (Pangloss) mendigando devido à invasão e destruição do castelo onde residia, pelos búlgaros, viu-se obrigado a pedir novamente amparo a Tiago. Tiago vendo a necessidade imediata de Pangloss não hesitou em também ajudá-lo. Pangloss era, naquele momento, um maltrapilho sujo e imundo, desprezado à própria sorte, faminto e portador de uma DST (sífilis). Foi tratado a expensas de Tiago; foi curado parcialmente, pois a doença lhe assaltou um olho e um ouvido, mas mesmo assim recebeu trabalho do anabatista. No entanto, segundo Voltaire, não podemos ser otimistas ao ponto de acreditarmos na beleza da vida sem a devida reflexão. Tiago foi obrigado a ir à Lisboa com fins comerciais. Na viagem de navio sobreveio uma grande tempestade na qual ceifou a vida daquele cristão fiel e lançou Cândido e Pangloss novamente à própria sorte. Tiago numa ação altruísta salvou um dos marinheiros da morte, porém a sua própria não conseguiu salvar: foi lançado no mar bravio que o engoliu sem piedade. Cândido viu a cena e ficou chocado, olhando seu benfeitor desaparecer para sempre.
Diante do exposto, qual a reflexão que podemos extrair deste conto sobre o anabatista? Primeiro, terá Voltaire percebido que o anabatismo demonstrava o perfil do cristão cuja vida estava orientada pelas Escrituras? O apóstolo Paulo exorta os romanos à prática da caridade (Rm 13:8-10) e a epístola de Tiago assevera à prática para confirmação da fé (Tg 2:1-20). Segundo, nos momentos de angústia e aflição, Cândido teve contato com pastores suíços dos quais não recebeu favor algum, antes, desprezo e apatia; seria isto uma intenção de apontar a má conduta de algumas vertentes religiosas cujo discurso enfatizavam as Escrituras, mas que o cumprimento das mesmas fora esquecido? Terceiro, Voltaire quis compará-lo à descrição do verdadeiro seguidor de Cristo contida na epístola a Tiago, tornando isso evidente devido a utilização do mesmo nome? Quarto, seria sua intenção desabonar a Deus, porquanto apesar dos homens provocarem autoflagelo à raça existe sempre alguém bem orientado disposto a ajudar? Quinto, seria por ironia que o fazia tentando associá-lo ao pensamento leibniziano, julgando-o “o melhor de todos os cristãos” e como consequência “o melhor de todos os homens”?
Essas são algumas questões que podem fermentar nova discussão sobre o texto, mas retorno com uma das primeiras afirmações, Tiago foi um personagem diferente de todos os demais contidos no enredo. Enquanto a ira, a apatia, a discórdia, a avareza, a ambição, a discriminação, a inveja, o perjúrio, a falsidade, entre outras, são encontradas nos personagens do conto, Tiago é o único que carrega a pureza do Evangelho em toda sua plenitude. Ao tratarmos do anabatista neste artigo, fazemos referência ao movimento cujo fim era o retorno ao Primitivismo Cristão, àqueles que não queriam viver nos ditames desta vida, mas segundo os propósitos do Cristo bendito. Voltaire apresentou Tiago, o anabatista, devido à hegemonia católica que impregnava nos seus seguidores a marca de únicos servos de Deus. No entanto, pela crítica de Voltaire, o catolicismo não poderia reivindicar esse título, mas pessoas simples que viviam quase que despercebidas na sua fé religiosa despontavam com maior ímpeto para os valores do autêntico Cristianismo. Tiago é representando como o verdadeiro cristão e nos ensina a viver o pleno Cristianismo, ou seja, o Cristianismo prático.

Por Heládio Santos
Bacharel em Ciências Sociais
Especialista em Teorias da Comunicação e em Teologia Histórica e Dogmática

Referências
Voltaire. Cândido. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Retrotopia de Bauman


A obra póstuma de Zigmund Bauman traz uma visão muito profunda da realidade social na qual estamos inseridos. Muito embora seu conteúdo seja filosófico e sociológico é uma ótima opção para leitores evangélicos que apreciam uma boa leitura acadêmica. Para os acadêmicos, um manancial de discernimento e sobriedade cujo conteúdo enriquece ainda mais o saber sociológico.

O Diário do Nordeste publicou ótima matéria sobre o lançamento. Acesse:
  
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/o-anjo-da-historia-em-pleno-voo-1.1858653

quarta-feira, 8 de março de 2017

Entrevista com Jorge Scala (realizada pelo site Zenit)

O livro “Ideologia de Gênero: neototalitarismo e a morte da família”, cuja versão em português esteve aos cuidados da editora Katechesis, é um livro do advogado pró-vida, argentino, Jorge Scala, lançado no Brasil em Outubro do ano passado. Zenit entrevistou o autor, que nos explicou brevemente o significado do seu livro e os perigos desta ideologia nas nossas sociedades.
Por que um livro sobre a ideologia de gênero?
A razão é simples: a ONU criou uma Agência do Gênero. Essa agência se dedica a controlar que todos os organismos e programas da ONU incluam o gênero. Por sua vez, a União Européia e o Banco Mundial condicionam os empréstimos para o desenvolvimento dos países pobres, por cláusulas da difusão de Gênero. Finalmente, se incorporou o gênero no sistema educacional dos nossos países. Dado tudo isto, é necessário investigar o que é o gênero.
Jorge Scala
O que significa dizer que a ideologia de gênero é uma ideologia e não uma teoria ou uma descoberta científica?
Uma teoria é uma hipótese verificada experimentalmente. Uma ideologia é um corpo fechado de idéias, que parte de um pressuposto básico falso – que por isto deve impor-se evitando toda análise racional -, e então vão surgindo as conseqüências lógicas desse princípio falso. As ideologias se impõem utilizando o sistema educacional formal (escola e universidade) e não formal (meios de propaganda), como fizeram os nazistas e os marxistas.
O que é, então, a ideologia do gênero? Como você a descreveria para nossos leitores?
Seu fundamento principal e falso é este: o sexo seria o aspecto biológico do ser humano, e o gênero seria a construção social ou cultural do sexo. Ou seja, que cada um seria absolutamente livre, sem condicionamento algum, nem sequer o biológico -, para determinar seu próprio gênero, dando-lhe o conteúdo que quiser e mudando de gênero quantas vezes quiser.
Agora, se isso fosse verdade, não haveria diferenças entre homem e mulher – exceto as biológicas -; qualquer tipo de união entre os sexos seria social e moralmente boas, e todas seriam matrimônio; cada  tipo de matrimônio levaria a um novo tipo de família; o aborto seria um direito humano inalienável da mulher, já que somente ela é que fica grávida; etc. Tudo isso é tão absurdo, que só pode ser imposto com uma espécie de “lavagem cerebral” global.
Você, em seu livro, a chama de “ideologia totalitária”. Há alguma relação com as ideologias totalitárias que a humanidade tem experimentado na história? Ou é um passo para chegar a estas situações de políticas totalitárias?
O gênero destrói a estrutura antropológica íntima do ser humano, por tanto quem fique à mercê dessa ideologia o fará “voluntariamente”. Não é mais do que uma ferramenta de poder global que, se imposta, levará a um regime totalitário – ainda quando haja eleições e partidos políticos como na Alemanha nazista -. Em contraste, nas outras ideologias conhecidas, o Estado dominava – ou domina como na Coréia do Norte ou em Cuba – pela força bruta.
Parece uma ideologia que entra nos países pelo aspecto legal e jurisdicional. Não será a falta de reconhecer uma lei natural, e a adoção do positivismo, os alicerces deste totalitarismo?
O problema parece mais profundo e complexo. O ethos é aquilo que um povo estima o que está bem e o que está mal, desde as profundezas do seu coração, não importando o que digam as leis e até mesmo o que cada um faça na própria vida. O problema é que o Ocidente perdeu o seu ethos comum, até 30 ou 40 anos atrás, era o cristianismo. O liberalismo fez que muitas pessoas acreditassem que a moral fosse um assunto privado de cada pessoa. Então, para alguns, é bom mentir, roubar, matar e fornicar – em certas circunstâncias -; e como todas as opiniões são iguais, a única maneira de viver em sociedade é que as leis “imponham” um certo ethos, que deve ser aceito por todos, sob certas penalidades. Por isso, nos nossos parlamentos promove-se todos os tipos de leis de gênero. Busca-se com elas que – junto com a educação -, formem o novo ethos dos nossos povos. E se o gênero se converte em ethos, o sistema totalitário funcionará plenamente.
A teoria do gênero é totalitária, mas não vemos ninguém perdendo as suas vidas. Então, por que ter medo de algo que não passa de leis e de idéias? Não é melhor respeitar a opinião de cada um?
Em 2010 a Espanha reformou a sua lei do aborto conforme a ideologia do gênero, considerando-o “direito humano” essencial da mulher. Naquele ano houve 113.031 abortos na Espanha. Essa “lei” e essa “idéia” mataram – só na Espanha e só nesse ano -, muitas pessoas. Não é pra ter medo da ideologia do gênero, mas é necessário enfrentá-la no campo das idéias, que é onde ela pode ser vencida mais facilmente.
Sempre é necessário respeitar as pessoas – independentemente dos seus pensamentos-. No entanto, as opiniões não se respeitam: se discernem. O livro ajudará o leitor a fazer seu próprio discernimento sobre o gênero.
Qual é, então, as conseqüências para nossos filhos, para a próxima geração?
Eu respondo com um fato real. Dei uma palestra sobre esta ideologia, a todos os professores de uma cidade de 7.000 habitantes, numa área rural da minha província. Gente simples e trabalhadora. Ao concluí-la, uma professora comentou em voz alta: ‘Agora eu entendo porque há alguns dias atrás meu filho de 7 anos me perguntou: mamãe eu sou menino ou menina …? As pessoas formadas e maduras estão imunes dessa ideologia, mas se a permitirmos penetrar nas crianças desde tenra idade – cinema, rádio, TV, escola, revistas -, em muitos casos, teremos que lamentar com o tempo tragédias de todo tipo.
“Onde haja um homem – mulher ou varão – , sua inteligência buscará a verdade, sua vontade tentará amar e autodirigir-se para o bem “, é o que você afirma no seu livro. Qual seria a melhor maneira de combater esta e outras ideologias semelhantes que tendem a penetrar nas Constituições e leis dos países? É a formação de homens e mulheres verdadeiros? O que significa um homem ou uma mulher verdadeiros?
Ante todas as idéias insalubres ou absurdas que giram pelo mundo atual, o mais importante não são outras idéias que as combatam; Mas sim, testemunhas da verdade. Mulheres e homens sinceros, de carne e osso. A mulher é a mãe, ou seja: o amor incondicional e que sempre está presente. O varão é o pai, ou seja: a autoridade, o amor que põe limites e condições, para tirar o melhor de si de cada um. Ambos amores são necessários para chegar à maturidade humana. Conhecer um homem e uma mulher assim, é a melhor “vacina” contra a ideologia do gênero.
Todo o dinheiro da venda desse livro no Brasil é revertido para o movimento Pró-vida do Brasil. O livro é distribuído no Brasil pelo Prof Felipe Nery (proffnery@hotmail.com)
Jorge Scala – Argentino. Advogado. Professor de Bioética na Universidad Libre Internacional de las Américas. Professor honorário da Universidad Ricardo Palma. Prêmio Thomas More do Instituto Tomas Moro. Prêmio João Paulo II à defesa da vida da Universidad Fasta. Autor e co-autor de vários livros. Deu mais de 600 palestras em 17 países.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Zygmunt Bauman


Zygmunt Bauman, pensador lúcido cuja obra revela a essência da realidade contemporânea — ou, como ele próprio definia, a 'modernidade líquida' —, deixa uma lacuna imensa na intelectualidade dedicada aos aspectos sociais emergentes. Consolidado como um dos pilares das ciências humanas, seu legado, construído ao longo de uma vida de dedicação à sociologia e à filosofia, analisa com maestria a tríade modernidade, consumo e indivíduo. Suas teorias constituem-se como ferramentas autênticas para descortinar o 'espetáculo da vida', enfrentando dilemas sob uma perspectiva sociológica abrangente e articulada.

Aprecio Bauman pela forma como suas teorias dialogam com a sociologia da religião, campo no qual baseio minhas reflexões e onde sinto a forte influência de seu pensamento. Suas análises sobre a efemeridade alinham-se à riqueza do pensamento cristão a respeito da transitoriedade da vida, ainda que o autor não atestasse fé em Cristo. Seu suposto 'pessimismo' é, em verdade, uma contribuição valiosa para identificar conceitos cristãos: ao tratar do esgarçamento das relações sociais, detectamos o esfacelamento do amor ao próximo, crises de identidade, a avareza e o desencanto — temas já asseverados por Jesus. Embora esse não fosse o objetivo teórico de Bauman, tal paralelo enriquece nossa compreensão do hoje. Minha homenagem a este mestre, que me ajuda a vislumbrar as transformações de uma sociedade em constante fluxo, encerra-se com suas próprias e célebres palavras:


“O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”.

“Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”.


“Esquecemos o amor, a amizade, os sentimentos, o trabalho bem feito. O que se consome, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos”.


Heládio Santos
Sociólogo e pesquisador