O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Zygmunt Bauman


Zygmunt Bauman, pensador lúcido cuja obra revela a essência da realidade contemporânea — ou, como ele próprio definia, a 'modernidade líquida' —, deixa uma lacuna imensa na intelectualidade dedicada aos aspectos sociais emergentes. Consolidado como um dos pilares das ciências humanas, seu legado, construído ao longo de uma vida de dedicação à sociologia e à filosofia, analisa com maestria a tríade modernidade, consumo e indivíduo. Suas teorias constituem-se como ferramentas autênticas para descortinar o 'espetáculo da vida', enfrentando dilemas sob uma perspectiva sociológica abrangente e articulada.

Aprecio Bauman pela forma como suas teorias dialogam com a sociologia da religião, campo no qual baseio minhas reflexões e onde sinto a forte influência de seu pensamento. Suas análises sobre a efemeridade alinham-se à riqueza do pensamento cristão a respeito da transitoriedade da vida, ainda que o autor não atestasse fé em Cristo. Seu suposto 'pessimismo' é, em verdade, uma contribuição valiosa para identificar conceitos cristãos: ao tratar do esgarçamento das relações sociais, detectamos o esfacelamento do amor ao próximo, crises de identidade, a avareza e o desencanto — temas já asseverados por Jesus. Embora esse não fosse o objetivo teórico de Bauman, tal paralelo enriquece nossa compreensão do hoje. Minha homenagem a este mestre, que me ajuda a vislumbrar as transformações de uma sociedade em constante fluxo, encerra-se com suas próprias e célebres palavras:


“O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”.

“Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”.


“Esquecemos o amor, a amizade, os sentimentos, o trabalho bem feito. O que se consome, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos”.


Heládio Santos
Sociólogo e pesquisador

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