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quarta-feira, 10 de junho de 2026

A verdadeira dignidade da mulher: o olhar de Jesus além das ideologias

 


Em uma sociedade marcada pela incredulidade e falta de sensibilidade às necessidades do próximo, Jesus Cristo estabeleceu um padrão revolucionário de respeito, valorização e proteção ao sexo feminino. No entanto, esse cuidado inerente ao Evangelho difere substancialmente das agendas ideológicas contemporâneas, demonstrando que a doutrina cristã possui poder transformador próprio e não necessita de rótulos seculares ou tendenciosos para honrar as mulheres.

Um dos relatos bíblicos mais emblemáticos sobre essa postura encontra-se no Evangelho de João, capítulo 8. Escribas e fariseus trouxeram a Jesus uma mulher pega em flagrante ato de adultério, exigindo seu apedrejamento com base na Lei de Moisés. A intenção daqueles líderes religiosos não era fazer justiça, mas sim criar uma armadilha para tentar acusar Jesus.

Ao agir em defesa daquela mulher, Jesus não estava invalidando ou relativizando a gravidade moral do pecado do adultério. O cerne de Sua atitude era propor uma transformação interior, dando prioridade à salvação e ao perdão, em vez de simplesmente condená-la ao apedrejamento. A clássica indagação de Cristo — “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” — desarmou a hipocrisia de seus acusadores, que se retiraram um a um, começando pelos mais velhos.

Um detalhe frequentemente ignorado nessa narrativa evidencia a profunda seletividade e a má-fé dos fariseus: eles não trouxeram o homem que também estava envolvido no ato do adultério. A Lei estendia o preço do pecado a ambos os envolvidos. A ausência do homem levanta a suspeita de que ele poderia fazer parte do próprio grupo dos fariseus ou gozar de privilégios em uma sociedade que tratava as mulheres de maneira desigual e injusta. Ao proteger a mulher da sanha daqueles homens hipócritas e focar no seu arrependimento (dizendo “Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais”), Jesus elevou a condição feminina acima da manipulação religiosa da época.

Diante de exemplos tão claros de amor e justiça, torna-se evidente que a doutrina cristã não converge para o feminismo, uma vez que o Evangelho tem poder, raiz e validade em si mesmo. O cristianismo não precisa de movimentos ideológicos modernos — muitos deles com matrizes incompatíveis com a fé cristã — para garantir a dignidade plena, a liberdade e o respeito mútuo entre homens e mulheres.

Mas, a apropriação oportunista da fé por conveniência política espelha, com precisão, a mesma hipocrisia farisaica que Cristo tanto combateu: a instrumentalização do sagrado para ocultar interesses de poder e manutenção de privilégios. Assim como os doutores da lei usavam a moralidade de forma seletiva para condenar os outros enquanto protegiam seus pares, o uso cínico do discurso cristão por quem não professa genuinamente seus valores tenta subjugar a verdade evangélica ao pragmatismo eleitoral. Devemos, portanto, blindar e poupar nossos corações dessa falsidade ideológica, discernindo que a verdadeira fé não se dobra ao teatro das aparências, e que a justiça de Deus se manifesta na transformação interior e na coerência de vida, e não na retórica manipuladora que busca apenas a aprovação dos homens.

Por assim dizer, a mesma seletividade hipócrita que operava na Judeia antiga manifesta-se, de forma alarmante, nas estruturas contemporâneas de poder, onde a corrupção política e o ativismo do aparato judiciário criaram um ambiente de blindagem mútua. Escândalos de grande magnitude nos tribunais superiores são frequentemente ignorados pelo debate público convencional, alimentados pelo medo generalizado de represálias legais ou institucionais. Esse arbítrio não apenas corrói a segurança jurídica, mas interfere diretamente na vida de milhões de cidadãos, asfixiando a liberdade de expressão e cassando o direito legítimo daqueles que recusam a submissão ao pensamento hegemônico.

Essa engenharia de controle atinge o seu ápice nos ambientes acadêmicos, outrora templos do livre debate, agora dominados por patrulhas ideológicas intolerantes. A contradição desse discurso torna-se brutalmente visível em episódios de violência real e física registrados em Universidades gerais, onde divergências e tensões alimentadas pela intolerância militante culminam em ameaças de agressões físicas graves. Esse fato explicita que, para o dogmatismo ideológico, a defesa de minorias e a dignidade humana são apenas retóricas descartáveis: se um indivíduo decide pensar por conta própria e discordar da cartilha imposta, seus traços de vulnerabilidade são ignorados e ele passa a ser alvo de perseguição e violência. Assim como os fariseus do passado, o atual monopólio da virtude pune os opositores para proteger seus próprios privilégios, provando que o Evangelho puro e autêntico continua sendo a única salvaguarda contra a tirania da falsa moralidade.

Podemos citar o caso público de hostilidade, perseguição e violência política e institucional na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) envolvendo a estudante de Relações Públicas Bianca Laranjeiras, uma jovem, que também atua como liderança jovem conservadora no Estado. Ela denunciou ter sofrido forte linchamento moral, ameaças à sua integridade física (como mensagens prometendo dezenas de disparos contra ela) e tentativas de desumanização dentro do ambiente acadêmico. Em suas declarações públicas e entrevistas a veículos de imprensa, ela relatou como a própria estrutura universitária e grupos militantes passaram a rotulá-la pejorativamente como um “germe de extrema-direita” para justificar o isolamento e as agressões psicológicas que sofreu por divergir abertamente da cartilha ideológica dominante.

Esse episódio dá nome e rosto à seletividade criticada na discussão: demonstra na prática como o aparato que discursa sobre a defesa de minorias e a proteção das mulheres frequentemente ignora a dignidade e a segurança de uma estudante quando ela decide exercer sua liberdade de expressão e pensar fora do espectro político da esquerda.

Por fim, é profundamente lastimável e contraditório quando personalidades públicas que ganham destaque por força do prestígio ou posição política de seus cônjuges, apropriam-se do discurso do Evangelho sem demonstrarem vivência ou alinhamento com os valores cristãos. Quando figuras públicas usam o Evangelho apenas como instrumento de autopromoção, na expectativa de angariar simpatias e votos, prestam um desserviço social à comunidade, expondo uma falsidade ideológica. O verdadeiro Evangelho é fundamentado na verdade, na transformação de vidas e no amor genuíno, muito distante do mero oportunismo político.

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