O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Os Montanistas segundo John Driver



“Tinham (os Montanistas) em alta estima os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (em maior estima do que a igreja em geral a julgar por sua ética séria), mas não viam contradição em o Espírito Santo continuar falando à Igreja por meio de profetas. Sua seriedade ética foi o que trouxe Tertuliano ao movimento. Ele insistiu que o Espírito Santo (o Paracleto) vinha estabelecer uma nova disciplina (ou uma renovação da disciplina) e não uma nova doutrina. Ele chamava os Montanistas de ‘os homens do Espírito’.”  
John Driver

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Nova Teologia do Domínio


É patente que a religião nos Estados Unidos desempenha um importante papel nos desdobramentos políticos. Até mesmo crentes em Cristo que crêem na Bíblia mergulharam nessa onda da Nova Teologia do Domínio. O que vem a ser essa Nova Teologia do Domínio? Em poucas palavras, é uma vertente teológica defensora da crença de que recebemos um mandato para mudar o mundo, principalmente nosso país. Os adeptos da Nova Teologia do Domínio propõem que a paz, a justiça e a equidade serão estabelecidas na sociedade quando um governo cristão for instituído. Muitos cristãos bem-intencionados acreditam que se o governo estiver repleto de crentes em Cristo, isso propiciaria a aprovação de leis favoráveis ao cristianismo. Eles, obviamente, desconsideram o fato de que qualquer lei motivada por religião, seja de que espécie for, será aproveitada por outros. Esquecem que a Igreja não pode ser legislada por influências políticas. Essa já tem sido a experiência da Igreja Católica Romana, que empregou o poder político ao extremo durante a maior parte de sua história. Se o Cristianismo assume o controle da autoridade governamental, deixa de ser cristianismo e passa a ser anticristianismo.

Extraído do livro “666: Preparação para a marca da Besta” de Arno Froese, Atual Edições.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O ministério pastoral feminino cumpre com a vontade de Deus?

A mulher, assim como o homem, tem participação nas atividades do Reino de Deus. Uma vez redimida, passa a ser porta voz da ação da graça divina e agente transmissor das verdades do Evangelho. A sensibilidade feminina, como característica própria, se destaca a tal ponto que seus discernimentos são perspicazes, muitas vezes lendo a alma das pessoas com grande facilidade. Aliás, essa leitura coloca a mulher no patamar da virtuosidade, mas também de uma responsabilidade sem medidas, visto que poder participar da ajuda do outro traz inúmeros cuidados. Além disso, há em muitas mulheres um sentimento resoluto de conquistar sempre algo mais; por isso lutam, estudam, dedicam-se e assumem o compromisso de poder fazer algo semelhante àquilo feito pelos homens (virtude grandiosa e inestimável). Talvez, por essas razões, o ingresso de mulheres no ministério pastoral se justificou. Entretanto, a grande questão é saber se aprouve a Deus vocacionar mulheres para o ministério. Será?
Ao lermos as Escrituras nos textos direcionados ao chamado, à vocação e ao exercício ministerial é explícita a ideia de o ministério exigir um homem para a função. Se não vejamos:

Em Efésios (4:11) vemos um chamado para o gênero masculino:

E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores    

As aspirações para o exercício do ministério são também bem específicas:

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja (I Timóteo 3:1)

Para que ninguém julgue as aspirações citadas no trecho acima como ambíguo, o desenrolar do capítulo faz a menção precisa para nossa argumentação. Com respeito às qualificações e à reputação no ministério, está escrito em I Timóteo 3:2 uma orientação específica para o homem, equiparando o governo sobre a casa ao que será exercido sobre a Igreja, porquanto a liderança cabe ao homem:

É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da igreja de Deus?) Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. É necessário também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.

Se uma mulher governar sua casa, não estará incorrendo contra um princípio bíblico? O governo familiar não é peculiaridade do marido dada sua capacidade proveniente de Deus? Para muito além do que o feminismo prega, a mulher é a parte mais frágil (entenda-se como sinônimo de “preciosa”) da relação, devendo receber o amparo masculino e não ser o amparo dele. Portanto essa linha de pensamento cristão não pode ser classificada de uma opinião machista como costumam chamar, mas coerente, já que existe pleno respeito pelas capacidades do gênero masculino e feminino.
O advento da teologia liberal na seara cristã “fragilizou” conceitos das verdades bíblicas como os apresentados, transformando-as em proposituras mutáveis de acordo com as novas tendências mundanas. O misto de teologia liberal com a adaptação às convenções do momento trouxe um profundo prejuízo para a verdadeira interpretação dos ensinos bíblicos, em razão de o próprio homem reinterpretar a vontade de Deus de forma distinta da proposta originária. Assim, a inspiração do Santo Espírito é substituída pelo mero intelecto baseado em muitos desvios tendenciosos, principalmente, evocados pelos meios acadêmicos que tentam a todo custo interpretar as Escrituras se utilizando de métodos criados pelos próprios acadêmicos. Entretanto, o texto sagrado deverá ser discernido de forma espiritual e jamais de forma intelectual. Por mais que o meio acadêmico possa gerar alguma contribuição para o Cristianismo, não sendo necessariamente através de uma perfeita interpretação bíblica devido seus métodos serem distintos do proposto pela própria Bíblia, não é através de seus intelectuais céticos e sem fé que alcançarão o pleno entendimento. Aliás, não querem chegar a esse nível, antes a Bíblia é objeto de crítica e ultraje, por isso, vivem propondo novos desafios e digressões para os postulados de Cristo e dos apóstolos. Essa mentalidade acadêmica trouxe, na verdade, o grande desvio profetizado por Cristo desde seu tempo (Mateus 24:12). Quando o amor por algo esfria, a tendência é procurar desabonar o mérito de outrora para justificar decisões irreverentes que marcam novas fases e formas de conduta. Puro desleixo!
Lamentavelmente, a igreja evangélica influenciada pelo viés acadêmico está padecendo de males porque desaprovou o antigo com seu aspecto conservador para dar lugar ao moderno com seus desvios de paradigma. Está tão desviada que nem sente a dor da angústia pelo seu estado nem percebe seu menosprezo pela autenticidade do primaz. São as virgens imprudentes (Mateus 25). No caso abordado, mulheres que ingressaram no ministério e supostos ministros que estimularam a prática achando que estão cumprindo com a vontade de Deus, estão na verdade desobedecendo-o e sendo participantes da apostasia prevista na Igreja. Desta forma, precisamos resgatar as raízes cristãs “Destruindo argumentos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus” (II Coríntios 10:5).

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A Origem do Sábado


        A Palavra Sábado no hebraico é Shabbath, no grego Sabbaton e tem o significado de “cessação”, “descanso”, “pausa”. Sempre que encontrarmos no Antigo Testamento os termos “cessar”, “descansar” é Shabbath como nas seguintes passagens: Josué 5:12, Oséias 2:11, etc. Dizem os adventistas do 7° dia que o Sábado, como dia fixo de repouso, teve origem muito antes da Lei, a origem do Sábado segundo eles foi em Gênesis 2:2-3, baseados nesta passagem eles ensinam o seguinte:

I.             Primeiro: O sétimo dia no qual Deus cessou a criação é dia solar, e no caso o Sábado.

II.           Segundo: Que a partir dali o homem passou a guardar o Sábado, tendo como principiador dessa guarda Adão.

III.         Terceiro: O mandamento de guardar o Sábado é oriundo ao tempo de Adão, e não surgiu apenas com o surgimento do decálogo (Dez Mandamentos).

Os adventistas, com essa explicação de Gênesis 2:2-3, têm sustentado um falso ensino no tocante à origem do Sábado como dia fixo de descanso para o homem, e têm engodado na teia do engano muitas pessoas sinceras. Aliás, Gênesis 2:2-3 é a espinha dorsal do adventismo do 7º dia. Vejamos mediante à luz da Palavra de Deus o verdadeiro significado deste texto, quebrando a coluna adventista, deixando o ensino deles na cadeira de rodas. Vejamos a passagem em questão e depois analisaremos: Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera (Gn 2:2-3). Vejamos que a interpretação adventista a qual já vimos improcedente e totalmente tendenciosa, senão vejamos:

I.             Primeiro: O sétimo dia, no qual Deus cessou de criar, não é dia de 24 horas, pois os seis dias da criação não são dias solares, mas graus de complexidade nos quais Deus criou o universo. Não houve entre os dias da criação intervalos, Deus criou tudo de uma só vez: Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu (Sl 33:9). Na Bíblia a palavra dia tem um significado lato, às vezes dia refere-se ao período de 24 horas, às vezes à período de tempo no qual Deus executará juízo, como por exemplo: A grande tribulação durará 7 anos (Dn 9:27), mas é chamada de Dia do Senhor (Os 2:31). Até a própria eternidade, a Bíblia chama de dia (II Pe 3:18). Além do mais, para que haja dia solar, tem que obviamente haver sol, regulador do dia (Gn 1:16), e o sol só foi criado no quarto dia (Gn 1:19) sendo assim, os dias da criação não podem ter sido dias solares, mas como já disse, são 6 graus de complexidade, o sétimo dia foi o encerramento da complexidade, o dia de Deus e não o dia de Sábado. Aliás, ao dizerem que o sétimo dia de Gênesis 2 é o dia solar, os adventistas estão dizendo que Deus cansou, pois o Sábado é para descanso da fadiga (Êxodo 23:12). O Sábado dado aos judeus, o qual é o sétimo dia da semana, não é o mesmo sétimo dia de Gênesis 2:2-3, isto está mais que provado!

II.           Segundo: É mentira dizer que Deus instituiu a guarda do Sábado para Adão, pois não encontramos Deus mandando Adão guardar o Sábado, nem mesmo depois do pecado, quando a fadiga passou a fazer parte da vida de Adão (Gn 3:17-19).

III.      Terceiro: Não encontramos nem Adão, nem nenhum dos patriarcas, guardando o Sábado, o que é prova de que a origem do Sábado como dia de repouso, não foi em Gênesis, pois, do contrário, encontraríamos alguém naquele período o guardando. Portanto, os adventista afirmam o que não podem provar.

extraído do livro: O sabatismo no tribunal das Escrituras

domingo, 14 de outubro de 2018

A Igreja que o mundo precisa (Texto)


Aprendemos a ser Igreja pelo referencial de Atos dos apóstolos. Aquela Igreja nascente, cheia do Espírito Santo e de amor, transmiti-nos o anelo divino para seu povo e seu modus operandi muito bem caracterizado para seguirmos seu exemplo. Se uma Igreja atual quer ser chamada de noiva de Cristo, faça exatamente o que vê na Igreja Primitiva, já que ela comporta toda a ideia do projeto de Deus para a dispensação da graça. Noutras palavras, creia como ela creu, viva como ela viveu, assuma seu papel de reino e sacerdote de Deus como ela assumiu, sem embaraços, sem pecados, vivendo e exalando o bom perfume de Cristo.
Apesar de vivermos séculos após o tempo de Atos não podemos nos omitir de praticar toda doutrina da Igreja Primitiva sob a orientação apostólica. O sentimento daquele povo também deve orientar nossas vidas, visto que queria, acima de qualquer outra coisa, servir a Deus. Este nobre sentimento norteou não só a Igreja de Jerusalém, mas todas que foram sendo fundadas pelo trabalho apostólico e evangelístico, como foi o caso de Antioquia na qual os discípulos foram chamados pela primeira vez de Cristãos. Cristão denominava o seguidor fiel de Cristo porque nos faz entender que ele falava e anunciada toda a doutrina aprendida. Não se omitia nem mutilava os ensinos recebidos. Existia prazer naquilo que fora recebido e nenhum dos discípulos queria abdicar da ferramenta doutrinária uma vez que ela servia para o fundamento da Igreja.
Ao longo dos séculos vemos muitas Igrejas surgindo para guardar exatamente o que foi proclamado em Atos. Montanistas, Novacianos, Donatistas, Pretrobrussianos, Arnoldistas, Cátaros, Valdenses, Anabatistas e outros são exemplos de comunidades cujo intuito foi restaurar o padrão primeiro, muito embora em seus tempos já existisse perseguição devido à dominação católica nos seus territórios. Mas, eles não cederam aos caprichos espúrios de Roma em razão de temerem mais a Deus do que aos homens. Por conseguinte, a semente plantada por esses movimentos ainda germina e brota, basta verificar quem se presta a guardar todos os oráculos primitivos.
Sabemos que o quadro hoje é muito diferente da era apostólica, mas isso não é desculpa para não sermos uma genuína Igreja. Aliás, Jesus prometeu que sua Igreja jamais sucumbiria diante das adversidades do mundo. Ele mesmo proclamou a promessa de seu cuidado e demonstrou a resiliência da geração futura quando disse: “as portas do inferno não prevalecerão contra minha Igreja” (Mateus 16:18). Portanto, percebemos cumplicidade neste propósito, porquanto Deus sempre guardará um povo genuinamente seu, um povo fiel que pretende guardar todo o conjunto doutrinário sem se cercar de valores desta vida e apadrinhamentos com os reis e príncipes deste mundo. Por exemplo, essa Igreja remanescente não comunga com ideais políticos para ser por eles protegidos, não tem a meta de participação político partidária, não elege e não é eleita porque seu Senhor é o Cristo, Senhor dos senhores e Rei dos reis.
O remanescente fiel é a Igreja que mundo precisa porque ela terá em si a genuína conversão e não fará conchaves para negociar outros meios como pretende o ecumenismo. Essa Igreja preza pelo único meio de salvação e se concentra em receber dele graça e luz para seu viver. Mas há muito mais! Uma Igreja cheia do Espírito Santo através do qual se verifica calor nas pregações, vida nas palavras e fidelidade na vida do pregador demonstra a aptidão para fazer uso da Palavra e falar de uma experiência genuína pautada nas Escrituras. Não podemos, entretanto, esquecer que antes de ela se manifestar ao mundo é necessário um ato específico: consagração. Ninguém de boa fé sai sem estar em comunhão com o Altíssimo, pois paz parte do ministério da pregação. Guardar toda a doutrina e perseverar nela é outro sinal que distingue a Igreja que o mundo precisa.
Uma comunidade genuinamente cristã que absorveu esse sentimento da Igreja primitiva com piedade e devoção foi a dos Morávios, mas foi após longos períodos de luta espiritual. O conde Zinzendorf recepcionou muitos fugitivos de perseguições na Europa em suas terras no século XVIII com a finalidade de lhes dar abrigo. Com o tempo, discórdias e conflitos começaram a ocorrer devido às várias correntes religiosas que pertenciam. Foi neste momento que o conde ousou colocar todos para orar. Ninguém poderia mais discutir, mas somente orar. Um grande avivamento ocorreu entre eles a tal ponto que passou a ser uma comunidade referencial na questão do Ágape. Romperam com os dilemas e conflitos para ficarem em paz e harmonia. A partir daí começaram a ter um olhar piedoso para o mundo e começaram a enviar muitos missionários para a África, América do Sul, América do Norte e Ásia. Eles perceberam, quando não mais lutavam entre eles, que agora com o espírito de piedade das Escrituras o mundo precisava deles para anunciar as verdades percebidas pelas experiências que passaram. Além disso, os missionários que iam não só eram sustentados pelos recursos financeiros, mas pelas orações já que todos os dias eles oravam e se reuniam em oração numa determinada hora. Isto aconteceu por cem anos.

sábado, 13 de outubro de 2018

O diferencial Anabatista

Michael Sattler

Ao vermos políticos elogiando os evangélicos pela postura diante de questões ideológicas e políticas percebemos a sua intenção de formar mais um reduto eleitoral devido às expectativas que essa comunidade coloca sobre eles. Quando vemos o papa se aproximando das igrejas oriundas da Reforma com um discurso ecumênico vemos uma tentativa de negar tudo quanto foi defendido no despertar da fé no século XVI, apagando todas as manifestações de indignação contra o catolicismo e tentando desqualificar as vertentes louváveis que surgiram nesse tempo como foi o caso dos anabatistas suíços. Os anabatistas suíços destacaram-se pela conduta simples e convicta pela qual viveram, demonstrando uma fé inabalável e confiante em Cristo, refúgio sempre presente para eles nos tempos mais turbulentos de sua História.
Nessa linha de pensamento, consideramos os anabatistas vitoriosos porque quiseram portar-se na vanguarda do Cristianismo. Isto significa que os anabatistas venceram a Reforma e as perseguições instauradas naquele século, não provocando ninguém ao conflito religioso, mas destacando quão importante foi o reaparecimento de uma vertente que se preocupou em estabelecer o genuíno Evangelho, fazendo cair os pilares do formalismo e religiosidade profanada pelas convenções apócrifas dos que se julgavam donos e senhores da Igreja. Sua vitória, certamente, não foi em termos de números em razão da cruel perseguição dos soberanos, endossada pelos católicos e protestantes, que concordaram com a nefasta estratégia para consumir os fiéis seguidores de Cristo, quase eliminou por completo esse movimento singelo. Milhares foram executados, porém, os anabatistas ganharam força e impactaram de forma duradoura porque suas convicções eram sérias e fundamentadas nas Escrituras, apesar de serem condenadas como subversivas. Concebe-se, então, que a mentalidade anabatista não era inovadora, mas sim uma restauração do cristianismo primitivo. 
Entrando no mérito da questão, os anabatistas foram privados de liberdade religiosa, já que a religião majoritária tinha esquecido o sentido de liberdade. Convencida de que o altar (elemento sagrado) e o trono (elemento real) devem formar um todo integral, entregou os supostos dissidentes ao estado para execução. Os anabatistas abominavam a coerção em questões de fé, mas não relutavam nem praguejavam. Nas palavras de um antigo ensinamento anabatista diziam: “Não pressionamos ninguém que não se una à igreja por livre e espontânea vontade. Desejamos persuadir as pessoas com palavras suaves. Não é uma questão de compulsão humana de fora ou de dentro, pois Deus quer o serviço voluntário. Quem não pode fazer isso com alegria e com prazer de sua alma, portanto, deve deixá-lo em paz”. (1)
Mesmo oprimidos pelo sistema, a prática do batismo como instrumento de registro civil foi rejeitada pelos anabatistas porque o que estava em causa era a obediência à Palavra e não aos institutos civis e governamentais. Eles praticavam o batismo de adultos demonstrando uma celebração da liberdade religiosa, visto que somente poderiam ou deveriam ser batizados aqueles que livremente escolhessem o caminho cristão com convicção e certeza, algo no qual as crianças não eram capazes de assumir.  
Eles tinham como referencial a igreja primitiva que proibia todas as formas de matança, seja em guerra, seja em autodefesa, seja pelo suicídio ou algo similar com base nas palavras de Jesus no Sermão da Montanha e em seu próprio exemplo de não-resistência.  Tal como acontece com a liberdade religiosa, a igreja majoritária abandonou este ensinamento depois que o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano. Após isso, ordens da igreja obrigavam os soldados a serem cristãos, qualquer pessoa poderia ingressar no seio da Igreja, tais como prostitutas, gladiadores, espiões etc. Os frutos dessa mudança foram amargos: assassinatos em massa, Cruzadas em Terra Santa, os genocídios e muito outros que foram perpetrados em nome de Cristo.
Em 1527, o líder anabatista Michael Sattler foi acusado em seu julgamento de heresia ao “encorajar” a invasão islâmica da Europa e ao se recusar a lutar. No julgamento, Sattler respondeu ao promotor: “Se os turcos vierem, não devemos resistir a eles. Porque está escrito: ‘Não matarás’. Não devemos nos defender contra os turcos e outros de nossos perseguidores, mas devemos suplicar a Deus com fervorosa oração para repelir e resistir a eles ”.(2) Como resultado dessas palavras, Sattler morreu na fogueira. Não foi a última morte por causa da não-violência. 
O porquê deste envolvimento com os fatos e convicções de Atos, prova que para os anabatistas o cristianismo primitivo não era apenas uma religião dominical ou um assunto privado. Significava pertencer à comunhão dos discípulos, cujo modo de vida era contra cultura, ou como disse John Drive, “Contra a corrente”. Em termos práticos, isso significava participar de uma vida comunitária intensa, mútua e disciplinada.
Para os católicos e protestantes da era da Reforma, para quem a igreja e a sociedade quase se sobrepunham, a sugestão de que a igreja deveria ser uma comunidade contra cultura teria parecido sem sentido, pois o cristianismo misturado era a cultura, ou pelo menos quase. Para os anabatistas, a comunhão de crentes ao Credo Apostólico era para ser uma realidade cotidiana prática, não apenas espiritual. Eles se inspiraram na primeira igreja em Jerusalém e viveram sujeitos às suas instituições sem pestanejarem.

(1) Instrução batismal huterita, ca. 1580, em Taufbüchlein , ed. Johannes Waldner (cerca de 1800).
(2) Michael Sattler, “Trial”, em George H. Williams e AM Mergal, Spiritual e Anabaptist Writers (Westminster, 1957), 141.

aequs et sensu bonus anabaptistae

Conrad Grebel

Alguns elementos da prática do movimento anabatista e norteadores de suas convicções são: restauração dos valores da Igreja primitiva, pacifismo cristão, ousadia na pregação e vida piedosa. Todos estão unidos pelo propósito maior de servir a Deus com fidelidade, não enveredando nem para a esquerda nem para a direita. A História da Igreja que atesta essas convicções entre os irmãos suíços do século XVI proclama a autenticidade dos anabatistas e seu valor mesmo entre duras provas e perseguições. Foram ultrajados, mas resistiram na fé com o firme fundamento de não cederem às formalidades eclesiásticas de sua época nem aos institutos espúrios cujo teor os obrigava a abdicar de suas genuínas convicções.
De tempos em tempos a fé passa por um processo de provação para validar os verdadeiros seguidores de Cristo. Essa provação é de acordo com as circunstâncias da época em que acontece, não necessariamente sendo violenta, mas pode ser ideológica, como vemos neste momento. Nesses períodos, há duas opções para a igreja: ou ceder ou perseverar. Os que abdicam da fé, seja por rejeição completa ou parcial, demonstram uma falência ocasionada não por Deus, mas pelas escolhas do homem dito cristão. Por outro lado, os que insistem em guardar os preceitos não se envolvendo com o partidarismo político e ideológico, perseveram com afinco, firmados nos postulados bíblicos e verdadeiros.
Conrad Grebel, por exemplo, transparecia que a força motriz do movimento anabatista deveria ser pregar o Evangelho e obedecer a Palavra sem restrições. Sob essa mentalidade, podemos pregar a salvação a todas as criaturas, denunciar a corrupção de políticos, mas jamais sermos ou aparentamos ser partidários políticos ou defensores de suas causas. Grebel asseverou essa verdade na sua carta (05/09/1524) a Munzter sobre o cuidado com o ideal político e revolucionário:

procurar sinceramente pregar somente a Palavra de Deus inflexivelmente, para estabelecer e defender apenas as práticas divinas, para estimar como bom e certo apenas o que pode ser encontrado com clareza nas Escrituras, e para rejeitar, odiar e amaldiçoar todos os esquemas, palavras, práticas e opiniões de todos homens, até os seus.
           
Aludindo à prática entre os anabatistas recém-formados, mas muito convictos, Justo L. Gonzalez confirma o motivo da perseguição contra eles:

O movimento anabatista logo atraiu grande oposição, tanto por parte dos católicos como dos reformadores. Ainda que essa oposição se expressasse comumente em termos teológicos, o fato é que os anabatistas foram perseguidos porque eram considerados subversivos. Apesar de todas as reformas, Lutero e Zwínglio continuaram aceitando os termos fundamentais da relação entre o cristianismo e a sociedade que se havia desenvolvido a partir de Constantino. Nem um nem outro interpretava o evangelho de maneira a ser uma provocação radical a ordem social. E foi isso, ainda que sem querer, o que fizeram os anabatistas. Seu pacifismo extremo se tornou intolerável aos encarregados de manter a ordem social e política, particularmente numa época de grande incerteza como foi o século XVI.
Além do mais, ao insistir no contraste entre a igreja e a sociedade natural, os anabatistas estavam afirmando que as estruturas de poder dessa sociedade não deveriam ser transferidas para a igreja. Mesmo contra os propósitos iniciais de Lutero, o luteranismo se via agora sustentado pelos príncipes que o haviam abraçado, os quais gozavam de grande autoridade, não somente nos assuntos políticos, como também nos eclesiásticos. Na Zurich, de Zwínglio, o Conselho de Governo era quem, no final das contas, ditava a política religiosa. E isso era o que ocorria nos territórios católicos onde se conservava a tradição medieval. Mesmo que isso não queira dizer que a igreja e o estado concordavam em todos os pontos, era certo que havia pelo menos um corpo de proposições em comum e era dentro desse contexto que se produziam os conflitos entre as autoridades civis e as eclesiásticas. Porém os anabatistas deitaram tudo isso por terra ao insistir numa igreja de caráter voluntário, distinta da sociedade civil.

Destaco a expressão de Gonzalez “pacifismo extremo” para esclarecer que os anabatistas eram apáticos às questões que envolviam o patriotismo, o militarismo e participação na política (seja ela qual fosse). O pacifismo estava associado a conduta de não-violência e de não-resistência, práticas ilustres daqueles homens e mulheres de Deus. Tal comportamento incomodava, pois os políticos e a sociedade exigiam deles um parecer sobre os dilemas e as ocorrências da vida. Como eles não participavam, eram objeto de ridicularização e perseguição, apesar de serem, repito, pacíficos. A essa conduta dos irmãos suíços chamo de bom senso, já que nenhum cristão deve fugir ao chamado de testemunhar. Eles o faziam sem se interporem ao sistema político (como tentou fazer Munzter), mas conservando os preceitos das Escrituras.
Assim, deveremos entender que a participação do cristão no contexto eleitoral neste momento, seja através de escritos, seja através de vias orais, seja pelos veículos de comunicação ou de redes sociais deverá ser pautada na prudência para não comprometer sua reputação enquanto fiel. O nome cristão, lembro, já não tem o significado de outrora devido ao desabonado de práticas que o feriram e o deixaram à mingua e à morte. Precisamos entender que temos um papel a desempenhar de forma equilibrada e com bom senso. Aliás, é sobre isso que versa o título deste comentário: equilíbrio e bom senso anabatista.

Gonzalez, Justo L. A era dos Reformadores. Mundo Cristão.

Crise evangélica e a política mundana


“E, meus irmãos, vocês sabem que a Igreja tem que ocupar os lugares no Brasil? Olha, no ano das eleições do presidente da República, nós estávamos orando em Recife. Íamos orar pelas eleições. Deus me interrompeu no meio da oração: tira os olhos dos candidatos. Levanta os teus olhos para a Igreja, porque a solução dos problemas do Brasil está na Igreja, porque a solução dos problemas do Brasil está na Igreja. Aleluia! E desde aquele dia eu estou na ofensiva, preparando a Igreja. E chegou a hora de a Igreja ocupar os postos de liderança desta nação. Não é só a igreja lá atrás dos quartos orando não. É a igreja lá nos postos de comando administrando a nação”

Valnice Milhomes (Ribeirão Preto, 14 de agosto de 1992)
Citado por Paulo Romeiro


Desde que a igreja evangélica começou a ser influenciada por profecias e revelações mirabolantes de pessoas que ocupavam postos de renome no seu meio, muito do fervor espiritual e reputação de suas histórias foi caindo no descrédito. Isto aconteceu na década de 80 e ganhou maior expressão na década seguinte com os programas televisivos e conferências das “sumidades” espirituais da época. O povo evangélico na sua maioria oriundo de classe mais baixa foi contagiado pelos discursos nos quais deveriam aparecer e ser reconhecidos como cidadãos do mundo. Deviam sair da margem para ocupar lideranças políticas inclusive. Criaram uma mentalidade na qual acreditaram poder influenciar a sociedade pelo viés político, inserindo normas e ensinos bíblicos à população brasileira sem lembrarem de que a fé e o comportamento cristãos não devem ser utilizados de forma coercitiva, antes pela recepção de bom grado de quem foi alcançado pela graça de Deus. O ensino cristão não é intransigente, não é dominador, não é opressor... mas tem em sua essência a liberdade pela qual se escolhe, pela influência do Santo Espírito, o caminho a ser seguido pela fé.
Esses discursos de a igreja ter que influenciar o mundo através da política gerou na igreja evangélica uma apatia quanto às dádivas divinas e seus dons. Hoje muitas Igrejas levam o nome de pentecostal, mas não tem o fogo do Espírito ardendo em seus corações, pois substituíram a dependência na operação dos dons divinos pela dependência e favorecimento dos políticos cristãos ou de alguém indicado por eles. Uma lástima! Vi, e isto é fato, maravilhosos pregadores e evangelistas sucumbirem a essa mentalidade. No passado, quando pregavam em muitas cruzadas, suas falas eram carregadas de unção e poder espiritual, de modo que muitas almas não resistiam ao chamado do Evangelho. Hoje, quando pregam, suas falas podem até ter eloquência, porém são vazias de unção.
Alertando sobre as danosas consequências da junção entre a igreja e a política, Paulo Romeiro já fazia muitos alardes em seu livro “Evangélicos em Crise”, sobre o que aconteceu na época constantiniana, citando Michael G. Moriarty, para que a igreja atual não caísse na teia do embaraço:

A Igreja foi investida com poder político, e investiu o imperador com poder religioso (...) A Igreja entrou num período de corrupção e desintegração e perdeu muito da sua autoridade moral e dinâmica espiritual. A Igreja deixou de ser uma comunidade zelosa de “ganhadores de almas” e “discipuladores” a fim de levar o Evangelho a um mundo espiritualmente empobrecido para ser uma instituição perseguidora que marcharia sobre o mundo árabe nas cruzadas dos séculos 11 e 12. A Igreja, que uma vez fora uma vítima injusta da perseguição, havia se tornado corrupta pelo poder e corrupção (...) A Igreja, seduzida pelo poder político e aspirações utópicas, falhou em entender que tais alianças antibíblicas (unindo Igreja e Estado) subverteriam o Evangelho, trazendo sofrimento e morte para muitos.  

Quando se substitui o espiritual pelo terreno e efêmero há um descompasso quanto ao propósito de Deus para a Igreja, pois defender fervorosamente os partidos e seus candidatos leva o calor das discussões para outro patamar: o do ódio, o da injúria, o do partidarismo, o do extremismo político e até mesmo para o da insanidade espiritual (para a igreja). Vê crentes envolvidos fervorosamente com a politicagem mundana causa um profundo estranhamento para aqueles que são atentos à essência de cada movimento, principalmente para aqueles de analisam os fenômenos sociais de forma equilibrada e neutra.
Na verdade, o grande problema da igreja evangélica atual foi a perda de sua unção espiritual. O Pentecoste já não é mais uma constante no ritualismo evangélico. Foi substituído pelas potencialidades humanas no sentido de se acharem capazes de realizar algum feito realmente poderoso e convincente. Esse sentimento parece muito com o que ficou registrado em Gênesis 11, no qual, após um terrível evento catastrófico (o dilúvio), os homens começaram a propor uma solução para outro evento futuro similar (é bom lembrar que esses homens eram céticos e não acreditaram na promessa de Deus na qual disse a Noé não mais destruiria o mundo com um dilúvio). Ali, o coração dos homens se ensoberbeceu ao ponto de julgarem-se capazes de um feito extraordinário. O resultado? A confusão das línguas. Uma verdadeira simbologia para ilustrar aquilo que é incompatível com a promessa divina. Desta forma, cristãos na política, os defensores destes cristãos e aqueles que os apoiam sob uma bandeira de ordem e moral, cometem uma lapso de grande confusão, pois não pode haver harmonia entre o que foi ensinado por Cristo e as pretensões políticas do mundo. São antagônicas! Se opõem e não há como pacificar essa relação.
O caminho, então, para a Igreja não é outro senão exercer seu papel: pregar o Evangelho com unção e poder, assim como lhe foi confiado. Não se utilizar desses dons significa menosprezar os feitos de Cristo e suas promessas. Portanto, cabe aos cristãos evangélicos, e principalmente aos zelosos, que neste momento aponto para nós, os anabatistas, guardarem a fé, serem ousados em Cristo, terem unção, sejam consagrados, tenham uma vida de oração, súplica e intercessão, e não se meterem em conflitos e discussões políticas, seja esses aonde forem, pois devemos fazer conforme o dito apostólico: “fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus... como bom soldado de Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (II Timóteo 2).

Romero, Paulo. Evangélicos em Crise. Mundo Cristão.  

    


O anabatista autêntico não se envolve em política

Thomas Muntzer

Sempre que o Cristianismo tentou se aproximar dos governos e participou da política deste mundo entrou em declínio. No século IV, assim foi com a formação do catolicismo através do decreto constantiniano, tomando uma igreja já fermentada politicamente e atemorizada pelas duras perseguições para formar um misto de Estado e igreja. O título adquirido por essa igreja devido a sua atitude está registrado em Apocalipse e recebe o nome de a “Grande Babilônia”, ou grande confusão. Quando na época da Reforma, alguns seguidores de Lutero denominados anabatistas (seguidores de Thomas Muntzer, entretanto) reivindicaram um posto de exigências e participações no cenário político contrariaram novamente os valores de Cristo. Os muntzeritas tinham um discurso contagiado pela ideia de revolução, algo visto como inovador para os padrões do fim do Medievo, pois a tomada de poder era algo visto como pecaminoso. No entanto, este foi um dos motivos pelos quais Friederich Engels, companheiro de Karl Marx, elogiou o movimento, séculos depois, como umas das justificativas para as quais o proletariado ambicionasse tomar o poder.
           
Menno Simons
Esses dois exemplos são suficientes na tentativa de demonstrar que qualquer vinculação entre Estado e Igreja coopera com a ruína dos pilares cristãos. Obviamente, para um movimento chegar ao ponto que os dois chegaram foi necessário um processo iniciado com anseios mínimos e sucintos sem os quais não seria possível robustecer ideologicamente seus líderes em busca de soluções para seu agrupamento ao longo de sua história. Por exemplo, Florival Cáceres cita que os munzteritas “acreditavam que os homens podiam contestar a ordem política, o que era inconcebível para Lutero. Os cristãos verdadeiros deveriam realizar o reino de Deus na terra e não em outra vida, e esse reino deveria ser baseado na igualdade integral e fraternidade viva. A desigualdade política e social, que garantia a riqueza dos poderosos, não era apenas injusta, mas pecaminosa”. Percebamos que a mentalidade deste movimento desviado do autêntico Cristianismo surgiu de forma repentina exigindo o que não se esperava dele. Foi algo surpreendente, já que não se esperava uma manifestação como aquela. Aliás, as Reformas do século XVI foram ganhando forma à medida que Lutero foi avançando com sua ordem de reformar a Igreja. Inicialmente, sua razão era estritamente bíblica, porém com o tempo percebeu-se que não rompeu por completo com Roma. Todos os movimentos que desejavam algo emergiram neste contexto de reivindicações. Enquanto Lutero anelava paz para seu coração, outros, como os munzteritas, tinham um discurso mais afiado ao fio da espada. Para Menno Simons, ícone do anabatismo pacífico, todas as ações vinculadas à ordem política e à violência não correspondiam ao fiel cumprimento das Escrituras uma vez que o Estado não era um degrau para se chegar ao cumprimento da verdadeira fé. A fé era uma atitude singular de servir exclusivamente a Cristo sem se embaraçar com os valores políticos do mundo. Assim ele pontuou: “a verdadeira fé evangélica não pode permanecer adormecida, mas se manifesta em toda justiça e nas obras de amor (...) Veste os nus, dá de comer aos famintos, consola os tristes, dá abrigo aos destituídos, ajuda e consola os aflitos, busca os perdidos, socorre os feridos, cura os enfermos (...) torna-se tudo para todos”. John Driver faz a tradução de escritos de Simons demonstrando sua perspectiva apesar dos dissabores que ele e sua comunidade anabatista sofriam: “foram brutalmente perseguidos, desterrados, torturados e assassinados igualmente por católicos e protestantes”. Isso só para mostrar o grande abismo que há entre aqueles que querem servir ao mundo político e os fiéis que querem servir o Cristo.
            Essa visão de mundo munzterita, contudo, não coopera com a dos anabatistas autênticos. Os anabatistas são pacifistas, não se utilizam da violência, não guerream ideologicamente com os políticos nem incitam o ódio. Os anabatistas entendem que não fazem parte dos reinos estabelecidos neste mundo, visto que estes objetivam satisfazer os anseios humanos cheios de egoísmo e paixão sem qualquer preocupação com os valores cristãos. Para os anabatistas verdadeiros, “a intenção de Deus sempre foi formar um povo à sua imagem, que leve seu nome. E Jesus não só nos ensina como é Deus, mas também é a perfeita imagem do que sempre quis que a humanidade fosse. Este projeto de Deus, que aponta para a restauração de toda a criação ao seu propósito original, culminará no restabelecimento de seu reinado de justiça e paz. Uma autêntica espiritualidade cristã se identifica com este projeto e participa em em seu projeto salvífico”, como mencionou Drive, esse reino não é alcançado pela motivação política, mas pela pregação efetiva das Escrituras, sem embaraços ou conchaves políticos. Um anabatista que se preza não se vincula a qualquer forma de promoção da política terrena, antes tem cuidado em conservar sua neutralidade para que esteja apto a pregar a quem quer que seja através da paz do Evangelho.

Cáceres, Florival. História Geral. Editora Moderna.
Drive, John. Comunidades Radicais. Editora Diálogos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Separação do Estado e igreja


por Joseph Keener
publicado por Rod and Staff Publishers, Inc.


"O meu reino não é deste mundo: se o meu reino fosse deste mundo, então meus servos lutariam, para que eu não fosse entregue aos judeus, mas agora o meu reino não vem daí" (João 18:36)

Nesta explicação, Jesus deixa claro que há uma separação definitiva entre o Seu reino e os reinos deste mundo. O fato de Jesus não ter permitido que Seus discípulos o defendessem era prova suficiente desse fato. O reino de Cristo é celestial e busca a reconciliação do pecador com Deus, mas os governos civil e mundial são desta terra e buscam poder e supremacia.
A separação entre igreja e estado também é ensinada em 2 Coríntios 5:20, onde o cristão é referido como um embaixador - "Agora, então, somos embaixadores de Cristo". Um embaixador é aquele que representa um país para outro. Ele não se envolve no governo do outro país, mas busca o bem-estar próprio. Da mesma forma, o cristão não se envolve nos assuntos dos governos terrestres, mas representa o reino celestial para eles. Ele está neste mundo, mas não é deste mundo (João 17:16). Seu trabalho é espiritual, não político. Sua responsabilidade é ajudar as pessoas deste mundo a dar sua lealdade ao reino celestial de Cristo.
Uma passagem chave da Escritura para nos ajudar a entender a relação da igreja com o estado é Romanos 13. É significativo que neste capítulo não haja instrução dada ao cristão sobre seu envolvimento nos assuntos do estado. Nem há qualquer ensinamento dado ao estado para o cristão seguir. Esta Escritura é dada somente ao crente para instruí-lo em sua obrigação e em sua atitude para com as autoridades civis sobre ele. Ele é ensinado a pagar impostos, honrar e obedecer.
O propósito do estado, como ensinado em Romanos 13, parece estar em conflito com os ensinamentos de Jesus para Seus discípulos. No versículo 4 lemos: "Porque ele não tem a espada em vão, porque é ministro de Deus, vingador para executar a ira contra o que faz o mal". Em contraste, Jesus disse aos seus discípulos: "Ponha de novo a tua espada no seu lugar, porque todos os que levarem a espada perecerão à espada" (Mateus 26:52). Quando os soldados chegaram a João Batista e perguntaram sobre o que deviam fazer para se arrependerem, ele disse: "Não pratique violência contra ninguém" (Lucas 3:14). Em Romanos 12:19, lemos: "Amados, não se vinguem, mas deem lugar à ira: porque está escrito: A vingança é minha; eu retribuirei, diz o Senhor". Com propósitos tão diversos, é impossível ser consistente ao servir em ambas as capacidades. Deus está chamando a igreja para ser separada do estado.
A separação entre igreja e estado não é uma doutrina do Antigo Testamento. Deus separou Abraão de seu próprio povo para fazer dele uma grande nação (Gênesis 12: 2). Como nação, Deus deu ao povo leis concernentes à restrição do mal e à punição do malfeitor. Ele colocou uma espada na mão e ordenou-lhes que a usassem para julgar outras nações ímpias (Deuteronômio 20:17). A lei civil de Israel exigia vida por vida, olho por olho e dente por dente (Deuteronômio 19:21). Deus também encarregou Israel de um ministério espiritual. Ele trabalhou através deles para reconciliar outros povos para si mesmo. Nesse sentido, a nação judaica personificava tanto a responsabilidade de um reino terrestre quanto a responsabilidade do reino celestial.
Na mudança de alianças, o papel da igreja e do Estado foi separado. Não é mais da responsabilidade do povo de Deus exercer a espada de vingança de Deus contra Seus inimigos. Já não é da responsabilidade do estado ser o portador padrão da verdade. Existem agora duas entidades com diversos objetivos e interesses. Não ver essa diferença entre os dois pactos leva à confusão e à má aplicação dessa doutrina vital do Novo Testamento.
A separação entre igreja e estado chega às expressões práticas da vida cotidiana. Por exemplo: O cristão deve participar das forças armadas quando Jesus lhe ordenou amar seus inimigos? Deve ele ser um oficial da lei quando é ordenado a não resistir ao mal? Deve um cristão ter cargos políticos e votar quando é embaixador de outro país? Deve o cristão procurar coagir seu governo por direitos por lobby ou por várias formas de protesto quando sua preocupação é a salvação das almas? A resposta consistente é não. "Portanto saí do meio deles e vos separareis, diz o Senhor, e não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei e serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso " (2 Coríntios 6:17, 18).
Deus estabelece e rejeita governos
Deus estabelece governos. "Toda alma seja sujeita aos poderes superiores. Pois não há poder senão de Deus: os poderes que são ordenados por Deus" (Romanos 13: 1).
O poder civil é dado por Deus. "Então disse-lhe Pilatos: Não me falas? Não sabes que eu tenho poder para te crucificar, e tens poder para te libertar? Jesus respondeu: Não poderias ter poder algum contra mim, se não te fosse dado acima: por isso aquele que me entregou a ti maior pecado tem " (João 19:10, 11).
Homens no governo são colocados lá por Deus. "Este assunto é pelo decreto dos vigias, e a demanda pela palavra dos santos: para a intenção de que os vivos possam saber que o Altíssimo governa no reino dos homens, e dá a quem ele quiser, e põe sobre ele o mais vil dos homens " (Daniel 4:17). Veja também Daniel 4:25, 32.
O Senhor dirige as decisões dos líderes civis. "O coração do rei está nas mãos do Senhor, como os rios de água; ele o inclina para onde quiser" (Provérbios 21: 1).
O trabalho do governo
O governo é estabelecido para manter a ordem na sociedade. "Pois ele é o ministro de Deus para o bem. Mas se tu fizeres o que é mau, tenha medo, porque ele não tem a espada em vão: porque ele é o ministro de Deus, um vingador para executar a ira sobre aquele que faz o mal " (Romanos 13: 4).
Cobrar impostos é um direito dado por Deus. "Pois, por isso, pagais tributo também; porque são ministros de Deus, atendendo continuamente a isso mesmo. Dai, portanto, a todas as suas dívidas: tributo a quem é devido tributo; costume a quem costume; temem a quem temer; honra a quem honra " (Romanos 13: 6, 7).
"E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para pegá-lo em suas palavras. E, quando chegaram, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que não gostais de ninguém; pois tu Não consideres a pessoa dos homens, mas ensinas o caminho de Deus em verdade: É lícito dar tributo a César ou não? Daremos ou não daremos, mas ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que? tenta-me, leva-me um centavo, para que eu possa vê-lo. E eles trouxeram. E ele disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição?, e disseram-lhe: César. E Jesus, respondendo, disse-lhes: César as coisas que são de César e de Deus as coisas que são de Deus. E eles se maravilharam com ele" (Marcos 12: 13-17).
Nosso dever para com o governo
Devemos respeitar nossos líderes. "Honra ao rei" (1 Pedro 2:17).
Devemos orar pelos nossos líderes. "Exorto, portanto, que, antes de mais nada, sejam feitas súplicas, orações, intercessões e gratidão a todos os homens, aos reis e a todos os que têm autoridade, a fim de levarmos uma vida pacata e sossegada em todos os piedade e honestidade. Pois isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador " (1 Timóteo 2: 1-3).
Nós devemos pagar impostos. "E ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Lucas 20:25).
Devemos obedecer nossos líderes. "Submeta-se a todas as ordenanças do homem por amor do Senhor: seja ao rei, como supremo, ou aos governadores, como aos que são enviados por ele para a punição dos malfeitores, e para o louvor dos que fazem bem Porque assim é a vontade de Deus " (1 Pedro 2: 13-15).
"Portanto, todo aquele que resiste ao poder resiste à ordenança de Deus; e os que resistem receberão para si a condenação" (Romanos 13: 2).
A intenção de Deus para o cristão
Sua nação é uma nação santa. "Mas vós sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo peculiar, para mostrardes os louvores daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pedro 2: 9).
"Quem nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do seu amado Filho" (Colossenses 1:13).
Ele procura um país melhor. "Todos estes (...) confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na Terra ... Mas agora desejam um país melhor, isto é, um celestial" (Hebreus 11:13, 16).
Ele representa outro país. "Ora, somos embaixadores de Cristo, como se Deus nos pedisse por nós: oramos em lugar de Cristo, reconciliemo-nos com Deus" (2 Coríntios 5:20).

Não-resistência e não-participação no governo civil


por Paul Horst
Tratado 21E74
publicado por Rod e Staff Publishers, Inc. Crockett, KY 41413


Sobre este assunto, temos muitos textos nas Escrituras. "Não resistir o mal, mas quem ferir-te na tua face direita, volta-lhe a outra também ...", "Amai os vossos inimigos, abençoa os que te amaldiçoam, faze o bem aos que te odeiam e ora por aqueles que te maltratam e perseguem" (Mateus 5: 38-48). "Amados, não se vinguem, mas dêem lugar à ira: porque está escrito: A minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor" (Romanos 12:19).
Além disso, em Efésios 6:12 e 2 Coríntios 10: 3-5 nos é dito claramente que nossa guerra é espiritual, não física, e as armas, embora sejam poderosas e eficazes, não são deste mundo (carnais).
Finalmente, em Hebreus 11: 13-16, vemos claramente que o filho de Deus tem um país celestial e, portanto, uma cidadania celestial que exige lealdade absoluta. Qualquer nação na terra em que ele habite deve perceber que ele está lá como um estrangeiro, e que, embora ele se esforce para estar sujeito à sua vontade, sempre que possível, não se pode esperar que ele participe de seus assuntos nem comprometa sua cidadania celestial.
Ao considerarmos essas verdades e outras, como as bem-aventuranças, chegamos a ver que a não-resistência não é apenas uma questão do que faremos ou deixamos de fazer em certas situações, mas sim um espírito de mansidão, humildade e amor que possui, frutos do cristão quando é verdadeiramente nascido de novo. O espírito de ressentimento, vingança e retaliação é crucificado consigo mesmo, e o novo espírito se torna nosso modo de vida.
Não-não-violência ou resistência passiva
Isto não é não-violência ou resistência passiva, que, embora não envolva força física, ainda manifesta o espírito de resistência e exigência de nossos direitos. Guy F. Hershberger, um líder menonita, afirmou: “O líder [dos negros], Martin Luther King, treinou com sucesso milhares de pessoas em algo que temos professado acreditar por anos - o caminho da não-violência”. Isto é claramente falso, pois o caminho da não-violência inclui muitas coisas estranhas ao modo de não-resistência, como fazer lobby para influenciar a legislação, exigir nossos direitos e privilégios, recusa em obedecer a lei mesmo quando a obediência não envolve um erro. É claro que não podemos fazer parte da supressão ou das desigualdades, mas a não-violência não é a resposta, nem é isso que temos professado acreditar.
Não só a abstinência da vingança
Tampouco é apenas a abstinência da vingança pessoal, pois o Antigo Testamento já proibia isso e previa o julgamento e a punição ordenados (Deuteronômio 19). Portanto, acreditamos que Jesus pretendia que toda vingança é proibida ao cristão. Como Ele poderia ter deixado isso mais claro? Deus diz (1 Pedro 2: 21-24) que Jesus é o nosso exemplo e que Ele, quando insultado, não insultou novamente; quando sofreu, não ameaçou, mas comprometeu-se a Deus. Devemos nós, então, que professamos segui-Lo, erguer nossas mãos ou armas para defender nossas terras, casas, famílias ou nossos próprios corpos? Não deveríamos deixar toda a vingança para Deus e para aqueles a quem Ele usará para executar a Sua ira? (Veja Romanos 13).
Não é um esforço para trazer a paz mundial
A Bíblia não nos deixa esperança de que os homens sejam capazes de promover a paz mundial através do desarmamento, do lobby político e assim por diante, devido à própria natureza do mundo e do coração do homem. Portanto, a não-resistência não é uma tentativa fútil ou um sonho fantasioso para esse fim.
Nem é um esforço para "enterrar nossas cabeças" para o mal que nos rodeia, mas sim o resultado de uma firme convicção de que o mal deve ser enfrentado pela resistência espiritual; e deve ser superado com o bem (Romanos 12:21). É verdade que Deus usou o Seu povo no passado, como nação, para punir o pecado; e prevê tal punição hoje através do governo terrestre; e no futuro trará condenação a todos os ímpios. No entanto, o povo de Deus nesta época recebe o ministério da reconciliação em vez do ministério da retribuição. "O amor não faz mal ao próximo" (Romanos 13:10).
Que esse espírito deve preencher toda a vida, vemos em 1 Pedro 3: 8, 9, pois aqui é aplicado ao lar e aos nossos relacionamentos mais íntimos. Aqui é que estamos aptos a ser os mais cuidadosos no exercício daquelas virtudes que surgem do amor. Aqui também vemos como aplicá-lo a todas as situações, pois, se é bom para o lar, como todos concordam, então é bom para vizinhos, amigos, estranhos e inimigos.
Não se opõe ao governo
Digamos, porém, que, embora não possamos participar de governos terrestres, não nos opomos a eles, mas sim os aceitamos como parte necessária de uma sociedade maligna e não regenerada. Nós lhes emprestamos nosso apoio em todo modo bíblico (por oração, apoio financeiro e obediência, sempre que possível, sem conflito com a Palavra de Deus).
Alguns supõem que a igreja primitiva e os anabatistas se opuseram à participação no governo por causa da natureza dos governos sob os quais eles viviam, mas não temos motivos para pensar que teriam agido de maneira diferente sob qualquer outra forma de governo. As razões que eles deram e as Escrituras estabelecidas em apoio à não-participação aplicam-se igualmente a ditaduras, reinos e democracias. Isto é verdade tanto em tempo de paz quanto durante à perseguição. Jesus se recusou a ser feito rei ou juiz (João 6:15; Lucas 12:13, 14). Além disso, notamos que o Novo Testamento nunca fala ao governo, nem aos cristãos como parte do governo (exceto no caso dos soldados que vêm a João Batista, sob a Antiga Aliança), mas sempre aos cristãos sobre o governo. Portanto,"para ti ... ele não suporta a espada em vão ... ele é um vingador". Mas "vós tendes necessidade de estar sujeito ... pagareis tributo (...) eles são ministros de Deus, atendendo continuamente a isso mesmo" (justiça, ordem, vingança).
Uma forma democrática de governo faz com que todos os cidadãos façam parte do governo, como dizem alguns? Eles dizem isso para justificar a votação, dizendo que "todos são parte do governo de qualquer maneira, votem ou não, então nós também devemos usar nossa oportunidade para ajudar a controlá-la". Se isso for verdade, então nos tornamos responsáveis ​​pelas ações do governo e pelo assassinato, embora nos recusemos a lutar. Isso nós negamos, mantendo, como o povo de Deus fez no passado, que não somos parte do governo carnal e não queremos participar. Por que, então, deveríamos, ao votar, reconhecer aquilo que tão vigorosamente negamos por nossa recusa em lutar ou ocupar cargos políticos?
Não, irmãos, mas lembremo-nos de que agora já estamos vivendo no reino celestial, nosso Rei é o Senhor Jesus e, para esse Rei, estamos dispostos a morrer!

Fonte: http://www.anabaptists.org/ras/21e74.html

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Do Pós-modernismo ao anticristo - pregação com o pastor Glauco Barreira M Filho

De acordo com muitos comentários nos grupos de WhatsApp da Igreja Batista Renovada Moriá essa pregação é uma das melhores dos últimos anos. Com envergadura bíblica e perspicácia do momento em que vivemos, o pastor Glauco Barreia transmite um conhecimento lúcido, ancorado nas páginas das Escrituras Sagradas sobre os tempos e a escatologia.

Você não pode deixar de assistir essa pregação.



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Eles foram batizados com o Espírito Santo?



Muitos avivamentos espirituais ocorreram durante o trajeto da Igreja cristã. A “chuva” do Espírito foi derramada pela primeira vez em Atos 2, período em que se formava a Igreja Primitiva, para estabelecer o paradigma. E é a partir deste primeiro movimento que podemos elencar algumas características precisas para identificarmos o verdadeiro avivamento em fases posteriores.
Essas características foram:
1)    Fé comunitária precisa na promessa de Cristo (Atos 1:4-5, 8);
2)    Creram que somente Jesus era o batizador do Espírito Santo (Atos 3:11);
3)    Dedicaram-se concordemente, confiantemente e perseverantemente à oração (Atos 1:14);
4)    Foram capacitados para com ousadia pregarem a Palavra da Verdade (Atos 2:40), através da qual denunciavam os pecados e toda prática contrária à vontade de Deus;
5)    Efusão de sinais e prodígios entre os apóstolos e pregadores (Atos 3:1-8, Atos 6:8, Atos 8:1-40);
6)    Um grande movimento de santidade, consagração e dedicação abnegada aos propósitos divinos (Atos 2:42-47);
7)    Confirmação na prática do batismo que o Espírito glorifica exclusivamente ao Filho (João 16:14).
Assim postas, podemos fazer uma análise comparativa com outros movimentos que reivindicam a ocorrência do fato para sabermos se realmente aconteceu o mesmo avivamento; por exemplo, na renovação carismática católica e nos movimentos liberais.
O catolicismo, através da Renovação Carismática Católica, tem proclamado o derramamento do Espírito Santo na sua comunidade. A questão é que o catolicismo romano substituiu muito dos postulados de Cristo por dogmas de seus concílios, alterando abruptamente o padrão. Para demonstrar brevemente alguns aspectos de sua situação, basta dizermos que até bem pouco tempo (e também ainda hoje) o católico não se julgava salvo. Ora, se a salvação foi oferecida por Cristo como dádiva primaz de sua obra, como o católico pode receber a “segunda benção” se nem a primeira recebeu? No catolicismo ainda predomina a concepção de que após a morte o suposto cristão passará pelo purgatório a fim de aliviar o peso de suas ofensas para que em seguida rume para o céu. Entretanto, a Bíblia não fala de purgatório como lugar intermediário entre a morte e o céu. Após a morte segue-se o juízo (Hebreus 9:27), enquanto aquilo que nos purga de todo o pecado é o sangue de Cristo (I João 1:7).
Além disso, vejamos outros erros da RCC:
Na RCC glorifica-se a Maria e não a Jesus somente.
“Maria não é mãe da igreja. Quando Jesus falou que João era filho de Maria, e Maria era mãe de João, não se referia a uma maternidade universal, mas, sim, ao fato de que após a morte de Jesus, João cuidaria de Maria, já que José estava morto, e seus irmãos eram incrédulos. A prova disto é que a Bíblia diz: “E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19.27). 
Maria não é madrinha da Igreja no Batismo do Espírito Santo. Primeiro, porque não existe “madrinha” de batismo na Bíblia; segundo, porque a Bíblia não fala que Maria foi a madrinha; terceiro, porque Maria foi batizada com o Espírito Santo no mesmo instante em que os outros o foram (At 1.14; 2.1-4): Como poderia ser batizada e ser madrinha ao mesmo tempo? 
Não é Maria que nos obtém a renovação do Pentecostes, mas Jesus Cristo: “E Eu (Jesus) rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). “Se Eu (Jesus) for, vo-lo enviarei” (Jo 16.7).
Maria não é a esposa do Espírito, já que no reino espiritual não há isso: “Não se casam nem se dão em casamento” (Mt 22.30). 
A RCC começou com a leitura do livro protestante “A Cruz e o Punhal”, de David Wilkerson, que aceitou que se citasse seu livro no livro “Católicos Pentecostais”, no início da RCC. Vejamos agora o que diz David Wilkerson sobre isso tudo: 
“Saí fora da Igreja Católica Romana, adoradora de ídolos. Ela idolatra inclusive a santa mãe de Jesus, Maria, a qual na Bíblia nunca vemos sendo adorada e muito menos sendo igualada a Deus (Toca a trombeta em Sião, David Wilkerson, CPAD, p. 144)”[1].
Rejeitar Jesus e colocar Maria como medianeira nessa relação espiritual é criar uma heresia das mais nocivas. Portanto, não podemos aceitar que no catolicismo se derrame o Espírito, pois, além da argumentação de nossa breve exposição, existem outros agravantes que o desqualificam.
Há também igreja liberais e mundanas pregando um grande avivamento entre eles. Pregadores da prosperidade material anunciam um grande despertar, entretanto, tal despertamento tem uma conotação bem oposta aos institutos vistos no primitivismo cristão. O discurso contemporâneo de avivamento preza: pela saúde física incondicionalmente, pela prosperidade material, pelo sucesso profissional, pela ascendência do status social, pela beleza artificial, pela adaptação aos padrões mundanos em diversos comportamentos seculares, pela participação política, ou seja, um verdadeiro avivamento ou despertamento para o efêmero. Uma inversão do valor primeiro que prezava pela espiritualidade, devoção e pudor. Igrejas liberais e neopentecostais têm valorizado demasiadamente o apego pela vida, mas não percebem que estão seguindo este caminho. Será cegueira espiritual? Será um prenúncio e alerta para detectarmos os tempos nos quais estamos, pois isso demonstra o parecer das virgens néscias citadas em Mateus 25? Será apostasia? Não duvide!
Os tempos maus de hoje nos obrigam a viver na dependência do Espírito Santo, renovando diariamente nossa experiência com Ele para que estejamos cheios de sua presença. Uma forma muito simples de detectarmos quem tem a unção do Espírito de quem não tem é verificarmos os valores que ele defende. Se forem valores estritamente espirituais, pautados nas Escrituras, saibamos que há a presença do Altíssimo no coração piedoso, mas se não, se seu discurso e comportamento demonstram apego à vida, quão distante ele está da espiritualidade cristã.  



[1] Disponível em http://www.cacp.org.br/catolicismo-dividido.htm. Acesso em 20 Abr 2018.