O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
Mostrando postagens com marcador Teologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teologia. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Curso de Teologia Avançada (FEV/2020) - Inscrições abertas
Marcadores:
Apologética,
Cursos,
Instituto Pietista de Cultura,
Teologia
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Os Montanistas segundo John Driver
“Tinham
(os Montanistas) em alta estima os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (em
maior estima do que a igreja em geral a julgar por sua ética séria), mas não
viam contradição em o Espírito Santo continuar falando à Igreja por meio de profetas.
Sua seriedade ética foi o que trouxe Tertuliano ao movimento. Ele insistiu que
o Espírito Santo (o Paracleto) vinha estabelecer uma nova disciplina (ou uma
renovação da disciplina) e não uma nova doutrina. Ele chamava os Montanistas de
‘os homens do Espírito’.”
John
Driver
Marcadores:
Anabatismo,
História da Igreja,
Montanismo,
Teologia
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Nova Teologia do Domínio
É patente que a religião nos Estados Unidos desempenha
um importante papel nos desdobramentos políticos. Até mesmo crentes em Cristo
que crêem na Bíblia mergulharam nessa onda da Nova Teologia do Domínio. O que
vem a ser essa Nova Teologia do Domínio? Em poucas palavras, é uma vertente
teológica defensora da crença de que recebemos um mandato para mudar o mundo,
principalmente nosso país. Os adeptos da Nova Teologia do Domínio propõem que a
paz, a justiça e a equidade serão estabelecidas na sociedade quando um governo
cristão for instituído. Muitos cristãos bem-intencionados acreditam que se o
governo estiver repleto de crentes em Cristo, isso propiciaria a aprovação de
leis favoráveis ao cristianismo. Eles, obviamente, desconsideram o fato de que
qualquer lei motivada por religião, seja de que espécie for, será aproveitada
por outros. Esquecem que a Igreja não pode ser legislada por influências
políticas. Essa já tem sido a experiência da Igreja Católica Romana, que
empregou o poder político ao extremo durante a maior parte de sua história. Se
o Cristianismo assume o controle da autoridade governamental, deixa de ser
cristianismo e passa a ser anticristianismo.
Extraído do livro “666: Preparação para a marca da
Besta” de Arno Froese, Atual Edições.
Marcadores:
Apologética,
Curiosidades,
Política,
Reflexão,
Teologia
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
O ministério pastoral feminino cumpre com a vontade de Deus?
A mulher, assim
como o homem, tem participação nas atividades do Reino de Deus. Uma vez
redimida, passa a ser porta voz da ação da graça divina e agente transmissor
das verdades do Evangelho. A sensibilidade feminina, como característica
própria, se destaca a tal ponto que seus discernimentos são perspicazes, muitas
vezes lendo a alma das pessoas com grande facilidade. Aliás, essa leitura
coloca a mulher no patamar da virtuosidade, mas também de uma responsabilidade
sem medidas, visto que poder participar da ajuda do outro traz inúmeros
cuidados. Além disso, há em muitas mulheres um sentimento resoluto de
conquistar sempre algo mais; por isso lutam, estudam, dedicam-se e assumem o
compromisso de poder fazer algo semelhante àquilo feito pelos homens (virtude grandiosa
e inestimável). Talvez, por essas razões, o ingresso de mulheres no ministério
pastoral se justificou. Entretanto, a grande questão é saber se aprouve a Deus
vocacionar mulheres para o ministério. Será?
Ao lermos as Escrituras nos textos direcionados ao chamado, à vocação e
ao exercício ministerial é explícita a ideia de o ministério exigir um homem
para a função. Se não vejamos:
Em Efésios (4:11) vemos um chamado para o gênero masculino:
E Ele mesmo deu uns para
apóstolos, e outros para profetas, e outros para
evangelistas, e outros para pastores e
doutores
As aspirações para o exercício do ministério são também bem específicas:
Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o
episcopado, excelente obra deseja (I Timóteo
3:1)
Para que ninguém julgue as aspirações citadas no trecho acima como
ambíguo, o desenrolar do capítulo faz a menção precisa para nossa argumentação.
Com respeito às qualificações e à reputação no ministério, está escrito em I
Timóteo 3:2 uma orientação específica para o homem, equiparando o governo sobre
a casa ao que será exercido sobre a Igreja, porquanto a liderança cabe ao
homem:
É necessário, pois, que o bispo seja
irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro,
apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de
torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a
sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da
igreja de Deus?) Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na
condenação do diabo. É necessário também que tenha bom testemunho dos que estão
de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
Se uma mulher governar sua casa, não estará incorrendo contra um
princípio bíblico? O governo familiar não é peculiaridade do marido dada sua
capacidade proveniente de Deus? Para muito além do que o feminismo prega, a
mulher é a parte mais frágil (entenda-se como sinônimo de “preciosa”) da
relação, devendo receber o amparo masculino e não ser o amparo dele. Portanto
essa linha de pensamento cristão não pode ser classificada de uma opinião
machista como costumam chamar, mas coerente, já que existe pleno respeito pelas
capacidades do gênero masculino e feminino.
O advento da teologia liberal na seara cristã “fragilizou”
conceitos das verdades bíblicas como os apresentados,
transformando-as em proposituras mutáveis de acordo com as novas tendências
mundanas. O misto de teologia liberal com a adaptação às convenções do momento
trouxe um profundo prejuízo para a verdadeira interpretação dos ensinos
bíblicos, em razão de o próprio homem reinterpretar a vontade de Deus de forma
distinta da proposta originária. Assim, a inspiração do Santo Espírito é
substituída pelo mero intelecto baseado em muitos desvios tendenciosos,
principalmente, evocados pelos meios acadêmicos que tentam a todo custo
interpretar as Escrituras se utilizando de métodos criados pelos próprios
acadêmicos. Entretanto, o texto sagrado deverá ser discernido de forma
espiritual e jamais de forma intelectual. Por mais que o meio acadêmico possa
gerar alguma contribuição para o Cristianismo, não sendo necessariamente
através de uma perfeita interpretação bíblica devido seus métodos serem
distintos do proposto pela própria Bíblia, não é através de seus intelectuais
céticos e sem fé que alcançarão o pleno entendimento. Aliás, não querem chegar
a esse nível, antes a Bíblia é objeto de crítica e ultraje, por isso, vivem propondo
novos desafios e digressões para os postulados de Cristo e dos apóstolos. Essa
mentalidade acadêmica trouxe, na verdade, o grande desvio profetizado por
Cristo desde seu tempo (Mateus 24:12). Quando o amor por algo esfria, a
tendência é procurar desabonar o mérito de outrora para justificar decisões
irreverentes que marcam novas fases e formas de conduta. Puro desleixo!
Lamentavelmente, a igreja evangélica influenciada pelo viés acadêmico
está padecendo de males porque desaprovou o antigo com seu aspecto conservador
para dar lugar ao moderno com seus desvios de paradigma. Está tão desviada que
nem sente a dor da angústia pelo seu estado nem percebe seu menosprezo pela
autenticidade do primaz. São as virgens imprudentes (Mateus 25). No caso
abordado, mulheres que ingressaram no ministério e supostos ministros que
estimularam a prática achando que estão cumprindo com a vontade de Deus, estão
na verdade desobedecendo-o e sendo participantes da apostasia prevista na
Igreja. Desta forma, precisamos resgatar as raízes cristãs “Destruindo
argumentos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus” (II
Coríntios 10:5).
Marcadores:
Apologética,
crítica,
Teologia
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
A Origem do Sábado
A Palavra Sábado no hebraico é Shabbath, no grego Sabbaton e tem o significado de “cessação”, “descanso”, “pausa”.
Sempre que encontrarmos no Antigo Testamento os termos “cessar”, “descansar” é Shabbath como nas seguintes passagens:
Josué 5:12, Oséias 2:11, etc. Dizem os adventistas do 7° dia que o Sábado, como
dia fixo de repouso, teve origem muito antes da Lei, a origem do Sábado segundo
eles foi em Gênesis 2:2-3, baseados nesta passagem eles ensinam o seguinte:
I.
Primeiro:
O sétimo dia no qual Deus cessou a criação é dia solar, e no caso o Sábado.
II.
Segundo:
Que a partir dali o homem passou a guardar o Sábado, tendo como principiador
dessa guarda Adão.
III.
Terceiro:
O mandamento de guardar o Sábado é oriundo ao tempo de Adão, e não surgiu
apenas com o surgimento do decálogo (Dez Mandamentos).
Os
adventistas, com essa explicação de Gênesis 2:2-3, têm sustentado um falso
ensino no tocante à origem do Sábado como dia fixo de descanso para o homem, e
têm engodado na teia do engano muitas pessoas sinceras. Aliás, Gênesis 2:2-3 é
a espinha dorsal do adventismo do 7º dia. Vejamos mediante à luz da Palavra de
Deus o verdadeiro significado deste texto, quebrando a coluna adventista,
deixando o ensino deles na cadeira de rodas. Vejamos a passagem em questão e
depois analisaremos: Ora, havendo Deus
completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a
obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele
descansou de toda a sua obra que criara e fizera (Gn 2:2-3). Vejamos que a
interpretação adventista a qual já vimos improcedente e totalmente tendenciosa,
senão vejamos:
I.
Primeiro:
O sétimo dia, no qual Deus cessou de criar, não é dia de 24 horas, pois os seis
dias da criação não são dias solares, mas graus de complexidade nos quais Deus
criou o universo. Não houve entre os dias da criação intervalos, Deus criou
tudo de uma só vez: Porque falou, e tudo
se fez; mandou, e logo tudo apareceu (Sl 33:9). Na Bíblia a palavra dia tem
um significado lato, às vezes dia refere-se ao período de 24 horas, às vezes à
período de tempo no qual Deus executará juízo, como por exemplo: A grande
tribulação durará 7 anos (Dn 9:27), mas é chamada de Dia do Senhor (Os 2:31). Até a própria eternidade, a Bíblia chama
de dia (II Pe 3:18). Além do mais, para que haja dia solar, tem que obviamente
haver sol, regulador do dia (Gn 1:16), e o sol só foi criado no quarto dia (Gn
1:19) sendo assim, os dias da criação não podem ter sido dias solares, mas como
já disse, são 6 graus de complexidade, o sétimo dia foi o encerramento da
complexidade, o dia de Deus e não o dia de Sábado. Aliás, ao dizerem que o
sétimo dia de Gênesis 2 é o dia solar, os adventistas estão dizendo que Deus
cansou, pois o Sábado é para descanso da fadiga (Êxodo 23:12). O Sábado dado
aos judeus, o qual é o sétimo dia da semana, não é o mesmo sétimo dia de
Gênesis 2:2-3, isto está mais que provado!
II.
Segundo:
É mentira dizer que Deus instituiu a guarda do Sábado para Adão, pois não
encontramos Deus mandando Adão guardar o Sábado, nem mesmo depois do pecado,
quando a fadiga passou a fazer parte da vida de Adão (Gn 3:17-19).
III. Terceiro:
Não encontramos nem Adão, nem nenhum dos patriarcas, guardando o Sábado, o que
é prova de que a origem do Sábado como dia de repouso, não foi em Gênesis,
pois, do contrário, encontraríamos alguém naquele período o guardando.
Portanto, os adventista afirmam o que não podem provar.
extraído do livro: O sabatismo no tribunal das Escrituras
Marcadores:
Anabatismo,
Apologética,
Moriá,
Teologia
domingo, 14 de outubro de 2018
A Igreja que o mundo precisa (Texto)
Aprendemos a ser Igreja pelo
referencial de Atos dos apóstolos. Aquela Igreja nascente, cheia do Espírito
Santo e de amor, transmiti-nos o anelo divino para seu povo e seu modus operandi muito bem caracterizado
para seguirmos seu exemplo. Se uma Igreja atual quer ser chamada de noiva de
Cristo, faça exatamente o que vê na Igreja Primitiva, já que ela comporta toda
a ideia do projeto de Deus para a dispensação da graça. Noutras palavras, creia
como ela creu, viva como ela viveu, assuma seu papel de reino e sacerdote de
Deus como ela assumiu, sem embaraços, sem pecados, vivendo e exalando o bom
perfume de Cristo.
Apesar de vivermos séculos
após o tempo de Atos não podemos nos omitir de praticar toda doutrina da Igreja
Primitiva sob a orientação apostólica. O sentimento daquele povo também deve
orientar nossas vidas, visto que queria, acima de qualquer outra coisa, servir
a Deus. Este nobre sentimento norteou não só a Igreja de Jerusalém, mas todas
que foram sendo fundadas pelo trabalho apostólico e evangelístico, como foi o
caso de Antioquia na qual os discípulos foram chamados pela primeira vez de
Cristãos. Cristão denominava o seguidor fiel de Cristo porque nos faz entender
que ele falava e anunciada toda a doutrina aprendida. Não se omitia nem
mutilava os ensinos recebidos. Existia prazer naquilo que fora recebido e
nenhum dos discípulos queria abdicar da ferramenta doutrinária uma vez que ela
servia para o fundamento da Igreja.
Ao longo dos séculos
vemos muitas Igrejas surgindo para guardar exatamente o que foi proclamado em
Atos. Montanistas, Novacianos, Donatistas, Pretrobrussianos, Arnoldistas, Cátaros,
Valdenses, Anabatistas e outros são exemplos de comunidades cujo intuito foi
restaurar o padrão primeiro, muito embora em seus tempos já existisse
perseguição devido à dominação católica nos seus territórios. Mas, eles não
cederam aos caprichos espúrios de Roma em razão de temerem mais a Deus do que
aos homens. Por conseguinte, a semente plantada por esses movimentos ainda
germina e brota, basta verificar quem se presta a guardar todos os oráculos primitivos.
Sabemos que o quadro hoje
é muito diferente da era apostólica, mas isso não é desculpa para não sermos
uma genuína Igreja. Aliás, Jesus prometeu que sua Igreja jamais sucumbiria
diante das adversidades do mundo. Ele mesmo proclamou a promessa de seu cuidado
e demonstrou a resiliência da geração futura quando disse: “as portas do
inferno não prevalecerão contra minha Igreja” (Mateus 16:18). Portanto,
percebemos cumplicidade neste propósito, porquanto Deus sempre guardará um povo
genuinamente seu, um povo fiel que pretende guardar todo o conjunto doutrinário
sem se cercar de valores desta vida e apadrinhamentos com os reis e príncipes
deste mundo. Por exemplo, essa Igreja remanescente não comunga com ideais
políticos para ser por eles protegidos, não tem a meta de participação político
partidária, não elege e não é eleita porque seu Senhor é o Cristo, Senhor dos senhores
e Rei dos reis.
O remanescente fiel é a
Igreja que mundo precisa porque ela terá em si a genuína conversão e não fará
conchaves para negociar outros meios como pretende o ecumenismo. Essa Igreja
preza pelo único meio de salvação e se concentra em receber dele graça e luz
para seu viver. Mas há muito mais! Uma Igreja cheia do Espírito Santo através
do qual se verifica calor nas pregações, vida nas palavras e fidelidade na vida
do pregador demonstra a aptidão para fazer uso da Palavra e falar de uma
experiência genuína pautada nas Escrituras. Não podemos, entretanto, esquecer
que antes de ela se manifestar ao mundo é necessário um ato específico: consagração.
Ninguém de boa fé sai sem estar em comunhão com o Altíssimo, pois paz parte do
ministério da pregação. Guardar toda a doutrina e perseverar nela é outro sinal
que distingue a Igreja que o mundo precisa.
Uma comunidade
genuinamente cristã que absorveu esse sentimento da Igreja primitiva com
piedade e devoção foi a dos Morávios, mas foi após longos períodos de luta
espiritual. O conde Zinzendorf recepcionou muitos fugitivos de perseguições na
Europa em suas terras no século XVIII com a finalidade de lhes dar abrigo. Com
o tempo, discórdias e conflitos começaram a ocorrer devido às várias correntes
religiosas que pertenciam. Foi neste momento que o conde ousou colocar todos
para orar. Ninguém poderia mais discutir, mas somente orar. Um grande
avivamento ocorreu entre eles a tal ponto que passou a ser uma comunidade
referencial na questão do Ágape. Romperam com os dilemas e conflitos para
ficarem em paz e harmonia. A partir daí começaram a ter um olhar piedoso para o
mundo e começaram a enviar muitos missionários para a África, América do Sul,
América do Norte e Ásia. Eles perceberam, quando não mais lutavam entre eles,
que agora com o espírito de piedade das Escrituras o mundo precisava deles para
anunciar as verdades percebidas pelas experiências que passaram. Além disso, os
missionários que iam não só eram sustentados pelos recursos financeiros, mas
pelas orações já que todos os dias eles oravam e se reuniam em oração numa
determinada hora. Isto aconteceu por cem anos.
Marcadores:
Anabatismo,
Apologética,
Moriá,
Teologia
sábado, 13 de outubro de 2018
O diferencial Anabatista
![]() |
| Michael Sattler |
Ao vermos políticos elogiando os evangélicos pela postura
diante de questões ideológicas e políticas percebemos a sua intenção de formar
mais um reduto eleitoral devido às expectativas que essa comunidade coloca
sobre eles. Quando vemos o papa se aproximando das igrejas oriundas da Reforma
com um discurso ecumênico vemos uma tentativa de negar tudo quanto foi
defendido no despertar da fé no século XVI, apagando todas as manifestações de
indignação contra o catolicismo e tentando desqualificar as vertentes louváveis
que surgiram nesse tempo como foi o caso dos anabatistas suíços. Os anabatistas
suíços destacaram-se pela conduta simples e convicta pela qual viveram,
demonstrando uma fé inabalável e confiante em Cristo, refúgio sempre presente
para eles nos tempos mais turbulentos de sua História.
Nessa linha de pensamento,
consideramos os anabatistas vitoriosos porque quiseram portar-se na vanguarda
do Cristianismo. Isto significa que os anabatistas venceram a Reforma e as perseguições
instauradas naquele século, não provocando ninguém ao conflito religioso, mas
destacando quão importante foi o reaparecimento de uma vertente que se
preocupou em estabelecer o genuíno Evangelho, fazendo cair os pilares do
formalismo e religiosidade profanada pelas convenções apócrifas dos que se
julgavam donos e senhores da Igreja. Sua vitória, certamente, não foi em termos
de números em razão da cruel perseguição dos soberanos, endossada pelos
católicos e protestantes, que concordaram com a nefasta estratégia para
consumir os fiéis seguidores de Cristo, quase eliminou por completo esse
movimento singelo. Milhares foram executados, porém, os anabatistas
ganharam força e impactaram de forma duradoura porque suas convicções eram
sérias e fundamentadas nas Escrituras, apesar de serem condenadas como
subversivas. Concebe-se, então, que a mentalidade anabatista não era
inovadora, mas sim uma restauração do cristianismo primitivo.
Entrando no mérito da questão, os
anabatistas foram privados de liberdade religiosa, já que a religião
majoritária tinha esquecido o sentido de liberdade. Convencida de que o altar
(elemento sagrado) e o trono (elemento real) devem formar um todo integral,
entregou os supostos dissidentes ao estado para execução. Os anabatistas abominavam
a coerção em questões de fé, mas não relutavam nem praguejavam. Nas
palavras de um antigo ensinamento anabatista diziam: “Não pressionamos ninguém
que não se una à igreja por livre e espontânea vontade. Desejamos
persuadir as pessoas com palavras suaves. Não é uma questão de compulsão
humana de fora ou de dentro, pois Deus quer o serviço voluntário. Quem não
pode fazer isso com alegria e com prazer de sua alma, portanto, deve deixá-lo
em paz”. (1)
Mesmo oprimidos pelo sistema, a prática
do batismo como instrumento de registro civil foi rejeitada pelos anabatistas
porque o que estava em causa era a obediência à Palavra e não aos institutos
civis e governamentais. Eles praticavam o batismo de adultos demonstrando uma
celebração da liberdade religiosa, visto que somente poderiam ou deveriam ser
batizados aqueles que livremente escolhessem o caminho cristão com convicção e
certeza, algo no qual as crianças não eram capazes de assumir.
Eles tinham como referencial a igreja
primitiva que proibia todas as formas de matança, seja em guerra, seja em autodefesa,
seja pelo suicídio ou algo similar com base nas palavras de Jesus no Sermão da
Montanha e em seu próprio exemplo de não-resistência. Tal como acontece
com a liberdade religiosa, a igreja majoritária abandonou este ensinamento
depois que o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano. Após
isso, ordens da igreja obrigavam os soldados a serem cristãos, qualquer pessoa
poderia ingressar no seio da Igreja, tais como prostitutas, gladiadores,
espiões etc. Os frutos dessa mudança foram amargos: assassinatos em
massa, Cruzadas em Terra Santa, os genocídios e muito outros que foram
perpetrados em nome de Cristo.
Em 1527, o líder anabatista Michael
Sattler foi acusado em seu julgamento de heresia ao “encorajar” a invasão
islâmica da Europa e ao se recusar a lutar. No julgamento, Sattler
respondeu ao promotor: “Se os turcos vierem, não devemos resistir a
eles. Porque está escrito: ‘Não matarás’. Não devemos nos defender
contra os turcos e outros de nossos perseguidores, mas devemos suplicar a Deus
com fervorosa oração para repelir e resistir a eles ”.(2) Como resultado dessas
palavras, Sattler morreu na fogueira. Não foi a última morte por causa da
não-violência.
O porquê deste envolvimento com os
fatos e convicções de Atos, prova que para os anabatistas o cristianismo
primitivo não era apenas uma religião dominical ou um assunto
privado. Significava pertencer à comunhão dos discípulos, cujo modo de
vida era contra cultura, ou como disse John Drive, “Contra a corrente”. Em
termos práticos, isso significava participar de uma vida comunitária intensa,
mútua e disciplinada.
Para os católicos e protestantes da
era da Reforma, para quem a igreja e a sociedade quase se sobrepunham, a sugestão
de que a igreja deveria ser uma comunidade contra cultura teria parecido sem
sentido, pois o cristianismo misturado era a cultura, ou pelo menos
quase. Para os anabatistas, a comunhão de crentes ao Credo Apostólico era
para ser uma realidade cotidiana prática, não apenas espiritual. Eles se
inspiraram na primeira igreja em Jerusalém e viveram sujeitos às suas
instituições sem pestanejarem.
(1) Instrução batismal
huterita, ca. 1580, em Taufbüchlein , ed. Johannes Waldner
(cerca de 1800).
(2) Michael Sattler, “Trial”, em George H. Williams e AM
Mergal, Spiritual e Anabaptist Writers (Westminster, 1957), 141.
Marcadores:
Anabatismo,
História da Igreja,
Moriá,
Teologia
aequs et sensu bonus anabaptistae
![]() |
| Conrad Grebel |
Alguns elementos da prática do movimento
anabatista e norteadores de suas convicções são: restauração dos valores da
Igreja primitiva, pacifismo cristão, ousadia na pregação e vida piedosa. Todos
estão unidos pelo propósito maior de servir a Deus com fidelidade, não
enveredando nem para a esquerda nem para a direita. A História da Igreja que
atesta essas convicções entre os irmãos suíços do século XVI proclama a
autenticidade dos anabatistas e seu valor mesmo entre duras provas e
perseguições. Foram ultrajados, mas resistiram na fé com o firme fundamento de
não cederem às formalidades eclesiásticas de sua época nem aos institutos
espúrios cujo teor os obrigava a abdicar de suas genuínas convicções.
De tempos em tempos a fé
passa por um processo de provação para validar os verdadeiros seguidores de
Cristo. Essa provação é de acordo com as circunstâncias da época em que
acontece, não necessariamente sendo violenta, mas pode ser ideológica, como
vemos neste momento. Nesses períodos, há duas opções para a igreja: ou ceder ou
perseverar. Os que abdicam da fé, seja por rejeição completa ou parcial,
demonstram uma falência ocasionada não por Deus, mas pelas escolhas do homem
dito cristão. Por outro lado, os que insistem em guardar os preceitos não se
envolvendo com o partidarismo político e ideológico, perseveram com afinco,
firmados nos postulados bíblicos e verdadeiros.
Conrad Grebel, por
exemplo, transparecia que a força motriz do movimento anabatista deveria ser
pregar o Evangelho e obedecer a Palavra sem restrições. Sob essa mentalidade,
podemos pregar a salvação a todas as criaturas, denunciar a corrupção de
políticos, mas jamais sermos ou
aparentamos ser partidários políticos ou defensores de suas causas. Grebel
asseverou essa verdade na sua carta (05/09/1524) a Munzter sobre o cuidado com
o ideal político e revolucionário:
procurar sinceramente pregar somente a Palavra de Deus
inflexivelmente, para estabelecer e defender apenas as práticas divinas, para
estimar como bom e certo apenas o que pode ser encontrado com clareza nas
Escrituras, e para rejeitar, odiar e amaldiçoar todos os esquemas, palavras,
práticas e opiniões de todos homens, até os seus.
Aludindo à prática entre os
anabatistas recém-formados, mas muito convictos, Justo L. Gonzalez confirma o
motivo da perseguição contra eles:
O movimento anabatista logo atraiu grande oposição,
tanto por parte dos católicos como dos reformadores. Ainda que essa oposição se
expressasse comumente em termos teológicos, o fato é que os anabatistas foram
perseguidos porque eram considerados subversivos. Apesar de todas as reformas,
Lutero e Zwínglio continuaram aceitando os termos fundamentais da relação entre
o cristianismo e a sociedade que se havia desenvolvido a partir de Constantino.
Nem um nem outro interpretava o evangelho de maneira a ser uma provocação
radical a ordem social. E foi isso, ainda que sem querer, o que fizeram os
anabatistas. Seu pacifismo extremo se tornou intolerável aos encarregados de
manter a ordem social e política, particularmente numa época de grande
incerteza como foi o século XVI.
Além do mais, ao insistir no contraste entre a igreja
e a sociedade natural, os anabatistas estavam afirmando que as estruturas de
poder dessa sociedade não deveriam ser transferidas para a igreja. Mesmo contra
os propósitos iniciais de Lutero, o luteranismo se via agora sustentado pelos
príncipes que o haviam abraçado, os quais gozavam de grande autoridade, não
somente nos assuntos políticos, como também nos eclesiásticos. Na Zurich, de
Zwínglio, o Conselho de Governo era quem, no final das contas, ditava a
política religiosa. E isso era o que ocorria nos territórios católicos onde se
conservava a tradição medieval. Mesmo que isso não queira dizer que a igreja e
o estado concordavam em todos os pontos, era certo que havia pelo menos um
corpo de proposições em comum e era dentro desse contexto que se produziam os
conflitos entre as autoridades civis e as eclesiásticas. Porém os
anabatistas deitaram tudo isso por terra ao insistir numa igreja de caráter
voluntário, distinta da sociedade civil.
Destaco a expressão de
Gonzalez “pacifismo extremo” para esclarecer que os anabatistas eram apáticos
às questões que envolviam o patriotismo, o militarismo e participação na
política (seja ela qual fosse). O pacifismo estava associado a conduta de
não-violência e de não-resistência, práticas ilustres daqueles homens e
mulheres de Deus. Tal comportamento incomodava, pois os políticos e a sociedade
exigiam deles um parecer sobre os dilemas e as ocorrências da vida. Como eles
não participavam, eram objeto de ridicularização e perseguição, apesar de
serem, repito, pacíficos. A essa conduta dos irmãos suíços chamo de bom senso,
já que nenhum cristão deve fugir ao chamado de testemunhar. Eles o faziam sem
se interporem ao sistema político (como tentou fazer Munzter), mas conservando
os preceitos das Escrituras.
Assim, deveremos entender
que a participação do cristão no contexto eleitoral neste momento, seja através
de escritos, seja através de vias orais, seja pelos veículos de comunicação ou
de redes sociais deverá ser pautada na prudência para não comprometer sua
reputação enquanto fiel. O nome cristão, lembro, já não tem o significado de
outrora devido ao desabonado de práticas que o feriram e o deixaram à mingua e
à morte. Precisamos entender que temos um papel a desempenhar de forma
equilibrada e com bom senso. Aliás, é sobre isso que versa o título deste
comentário: equilíbrio e bom senso anabatista.
Gonzalez, Justo L. A era dos
Reformadores. Mundo Cristão.
Marcadores:
Anabatismo,
Moriá,
Teologia
Crise evangélica e a política mundana
“E, meus irmãos,
vocês sabem que a Igreja tem que ocupar os lugares no Brasil? Olha, no ano das
eleições do presidente da República, nós estávamos orando em Recife. Íamos orar
pelas eleições. Deus me interrompeu no meio da oração: tira os olhos dos candidatos.
Levanta os teus olhos para a Igreja, porque a solução dos problemas do Brasil
está na Igreja, porque a solução dos problemas do Brasil está na Igreja.
Aleluia! E desde aquele dia eu estou na ofensiva, preparando a Igreja. E chegou
a hora de a Igreja ocupar os postos de liderança desta nação. Não é só a igreja
lá atrás dos quartos orando não. É a igreja lá nos postos de comando
administrando a nação”
Valnice
Milhomes (Ribeirão Preto, 14 de agosto de 1992)
Citado por
Paulo Romeiro
Desde que a igreja
evangélica começou a ser influenciada por profecias e revelações mirabolantes
de pessoas que ocupavam postos de renome no seu meio, muito do fervor
espiritual e reputação de suas histórias foi caindo no descrédito. Isto
aconteceu na década de 80 e ganhou maior expressão na década seguinte com os
programas televisivos e conferências das “sumidades” espirituais da época. O
povo evangélico na sua maioria oriundo de classe mais baixa foi contagiado
pelos discursos nos quais deveriam aparecer e ser reconhecidos como cidadãos do
mundo. Deviam sair da margem para ocupar lideranças políticas inclusive.
Criaram uma mentalidade na qual acreditaram poder influenciar a sociedade pelo
viés político, inserindo normas e ensinos bíblicos à população brasileira sem
lembrarem de que a fé e o comportamento cristãos não devem ser utilizados de
forma coercitiva, antes pela recepção de bom grado de quem foi alcançado pela
graça de Deus. O ensino cristão não é intransigente, não é dominador, não é
opressor... mas tem em sua essência a liberdade pela qual se escolhe, pela
influência do Santo Espírito, o caminho a ser seguido pela fé.
Esses discursos de a
igreja ter que influenciar o mundo através da política gerou na igreja
evangélica uma apatia quanto às dádivas divinas e seus dons. Hoje muitas
Igrejas levam o nome de pentecostal, mas não tem o fogo do Espírito ardendo em
seus corações, pois substituíram a dependência na operação dos dons divinos
pela dependência e favorecimento dos políticos cristãos ou de alguém indicado
por eles. Uma lástima! Vi, e isto é fato, maravilhosos pregadores e
evangelistas sucumbirem a essa mentalidade. No passado, quando pregavam em
muitas cruzadas, suas falas eram carregadas de unção e poder espiritual, de
modo que muitas almas não resistiam ao chamado do Evangelho. Hoje, quando
pregam, suas falas podem até ter eloquência, porém são vazias de unção.
Alertando sobre as
danosas consequências da junção entre a igreja e a política, Paulo Romeiro já
fazia muitos alardes em seu livro “Evangélicos em Crise”, sobre o que aconteceu
na época constantiniana, citando Michael G. Moriarty, para que a igreja atual
não caísse na teia do embaraço:
A Igreja foi investida com poder político, e investiu
o imperador com poder religioso (...) A Igreja entrou num período de corrupção
e desintegração e perdeu muito da sua autoridade moral e dinâmica espiritual. A
Igreja deixou de ser uma comunidade zelosa de “ganhadores de almas” e
“discipuladores” a fim de levar o Evangelho a um mundo espiritualmente
empobrecido para ser uma instituição perseguidora que marcharia sobre o mundo
árabe nas cruzadas dos séculos 11 e 12. A Igreja, que uma vez fora uma vítima
injusta da perseguição, havia se tornado corrupta pelo poder e corrupção (...)
A Igreja, seduzida pelo poder político e aspirações utópicas, falhou em
entender que tais alianças antibíblicas (unindo Igreja e Estado) subverteriam o
Evangelho, trazendo sofrimento e morte para muitos.
Quando se substitui o
espiritual pelo terreno e efêmero há um descompasso quanto ao propósito de Deus
para a Igreja, pois defender fervorosamente os partidos e seus candidatos leva
o calor das discussões para outro patamar: o do ódio, o da injúria, o do
partidarismo, o do extremismo político e até mesmo para o da insanidade
espiritual (para a igreja). Vê crentes envolvidos fervorosamente com a
politicagem mundana causa um profundo estranhamento para aqueles que são
atentos à essência de cada movimento, principalmente para aqueles de analisam
os fenômenos sociais de forma equilibrada e neutra.
Na verdade, o grande
problema da igreja evangélica atual foi a perda de sua unção espiritual. O
Pentecoste já não é mais uma constante no ritualismo evangélico. Foi
substituído pelas potencialidades humanas no sentido de se acharem capazes de
realizar algum feito realmente poderoso e convincente. Esse sentimento parece
muito com o que ficou registrado em Gênesis 11, no qual, após um terrível
evento catastrófico (o dilúvio), os homens começaram a propor uma solução para
outro evento futuro similar (é bom lembrar que esses homens eram céticos e não
acreditaram na promessa de Deus na qual disse a Noé não mais destruiria o mundo
com um dilúvio). Ali, o coração dos homens se ensoberbeceu ao ponto de
julgarem-se capazes de um feito extraordinário. O resultado? A confusão das
línguas. Uma verdadeira simbologia para ilustrar aquilo que é incompatível com
a promessa divina. Desta forma, cristãos na política, os defensores destes
cristãos e aqueles que os apoiam sob uma bandeira de ordem e moral, cometem uma
lapso de grande confusão, pois não pode haver harmonia entre o que foi ensinado
por Cristo e as pretensões políticas do mundo. São antagônicas! Se opõem e não
há como pacificar essa relação.
O caminho, então, para a
Igreja não é outro senão exercer seu papel: pregar o Evangelho com unção e
poder, assim como lhe foi confiado. Não se utilizar desses dons significa
menosprezar os feitos de Cristo e suas promessas. Portanto, cabe aos cristãos
evangélicos, e principalmente aos zelosos, que neste momento aponto para nós,
os anabatistas, guardarem a fé, serem ousados em Cristo, terem unção, sejam
consagrados, tenham uma vida de oração, súplica e intercessão, e não se meterem
em conflitos e discussões políticas, seja esses aonde forem, pois devemos fazer
conforme o dito apostólico: “fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus...
como bom soldado de Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta
vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (II Timóteo 2).
Romero, Paulo. Evangélicos em Crise.
Mundo Cristão.
O anabatista autêntico não se envolve em política
![]() |
| Thomas Muntzer |
Sempre que o Cristianismo tentou se
aproximar dos governos e participou da política deste mundo entrou em declínio.
No século IV, assim foi com a formação do catolicismo através do decreto
constantiniano, tomando uma igreja já fermentada politicamente e atemorizada
pelas duras perseguições para formar um misto de Estado e igreja. O título
adquirido por essa igreja devido a sua atitude está registrado em Apocalipse e
recebe o nome de a “Grande Babilônia”, ou grande confusão. Quando na época da
Reforma, alguns seguidores de Lutero denominados anabatistas (seguidores de
Thomas Muntzer, entretanto) reivindicaram um posto de exigências e
participações no cenário político contrariaram novamente os valores de Cristo.
Os muntzeritas tinham um discurso contagiado pela ideia de revolução, algo
visto como inovador para os padrões do fim do Medievo, pois a tomada de poder
era algo visto como pecaminoso. No entanto, este foi um dos motivos pelos quais
Friederich Engels, companheiro de Karl Marx, elogiou o movimento, séculos
depois, como umas das justificativas para as quais o proletariado ambicionasse tomar
o poder.
![]() |
| Menno Simons |
Essa
visão de mundo munzterita, contudo, não coopera com a dos anabatistas
autênticos. Os anabatistas são pacifistas, não se utilizam da violência, não
guerream ideologicamente com os políticos nem incitam o ódio. Os anabatistas
entendem que não fazem parte dos reinos estabelecidos neste mundo, visto que
estes objetivam satisfazer os anseios humanos cheios de egoísmo e paixão sem
qualquer preocupação com os valores cristãos. Para os anabatistas verdadeiros, “a
intenção de Deus sempre foi formar um povo à sua imagem, que leve seu nome. E
Jesus não só nos ensina como é Deus, mas também é a perfeita imagem do que
sempre quis que a humanidade fosse. Este projeto de Deus, que aponta para a
restauração de toda a criação ao seu propósito original, culminará no
restabelecimento de seu reinado de justiça e paz. Uma autêntica espiritualidade
cristã se identifica com este projeto e participa em em seu projeto salvífico”,
como mencionou Drive, esse reino não é alcançado pela motivação política, mas
pela pregação efetiva das Escrituras, sem embaraços ou conchaves políticos. Um
anabatista que se preza não se vincula a qualquer forma de promoção da política
terrena, antes tem cuidado em conservar sua neutralidade para que esteja apto a
pregar a quem quer que seja através da paz do Evangelho.
Cáceres, Florival. História Geral.
Editora Moderna.
Drive, John. Comunidades Radicais.
Editora Diálogos.
Marcadores:
Anabatismo,
Moriá,
Teologia
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Separação do Estado e igreja
"O meu reino não é deste mundo:
se o meu reino fosse deste mundo, então meus servos lutariam, para que eu não
fosse entregue aos judeus, mas agora o meu reino não vem daí" (João
18:36)
Nesta explicação, Jesus
deixa claro que há uma separação definitiva entre o Seu reino e os reinos deste
mundo. O fato de Jesus não ter permitido que Seus discípulos o defendessem
era prova suficiente desse fato. O reino de Cristo é celestial e busca a
reconciliação do pecador com Deus, mas os governos civil e mundial são desta
terra e buscam poder e supremacia.
A separação entre igreja
e estado também é ensinada em 2 Coríntios 5:20, onde o cristão é referido como
um embaixador - "Agora, então, somos embaixadores de
Cristo". Um embaixador é aquele que representa um país para
outro. Ele não se envolve no governo do outro país, mas busca o bem-estar
próprio. Da mesma forma, o cristão não se envolve nos assuntos dos
governos terrestres, mas representa o reino celestial para eles. Ele está
neste mundo, mas não é deste mundo (João 17:16). Seu trabalho é
espiritual, não político. Sua responsabilidade é ajudar as pessoas deste
mundo a dar sua lealdade ao reino celestial de Cristo.
Uma passagem chave da
Escritura para nos ajudar a entender a relação da igreja com o estado é Romanos
13. É significativo que neste capítulo não haja instrução dada ao cristão sobre
seu envolvimento nos assuntos do estado. Nem há qualquer ensinamento dado
ao estado para o cristão seguir. Esta Escritura é dada somente ao crente
para instruí-lo em sua obrigação e em sua atitude para com as autoridades civis
sobre ele. Ele é ensinado a pagar impostos, honrar e obedecer.
O propósito do estado,
como ensinado em Romanos 13, parece estar em conflito com os ensinamentos de
Jesus para Seus discípulos. No versículo 4 lemos: "Porque ele
não tem a espada em vão, porque é ministro de Deus, vingador para executar a
ira contra o que faz o mal". Em contraste, Jesus disse aos seus
discípulos: "Ponha de novo a tua espada no seu lugar, porque todos os
que levarem a espada perecerão à espada" (Mateus 26:52). Quando
os soldados chegaram a João Batista e perguntaram sobre o que deviam fazer para
se arrependerem, ele disse: "Não pratique violência contra
ninguém" (Lucas 3:14). Em Romanos 12:19, lemos: "Amados,
não se vinguem, mas deem lugar à ira: porque está escrito: A vingança é minha;
eu retribuirei, diz o Senhor". Com propósitos tão diversos, é impossível
ser consistente ao servir em ambas as capacidades. Deus está chamando a
igreja para ser separada do estado.
A separação entre igreja
e estado não é uma doutrina do Antigo Testamento. Deus separou Abraão de
seu próprio povo para fazer dele uma grande nação (Gênesis 12: 2). Como
nação, Deus deu ao povo leis concernentes à restrição do mal e à punição do
malfeitor. Ele colocou uma espada na mão e ordenou-lhes que a usassem para
julgar outras nações ímpias (Deuteronômio 20:17). A lei civil de Israel
exigia vida por vida, olho por olho e dente por dente (Deuteronômio
19:21). Deus também encarregou Israel de um ministério
espiritual. Ele trabalhou através deles para reconciliar outros povos para
si mesmo. Nesse sentido, a nação judaica personificava tanto a
responsabilidade de um reino terrestre quanto a responsabilidade do reino
celestial.
Na mudança de alianças, o papel da
igreja e do Estado foi separado. Não é mais da responsabilidade do povo de
Deus exercer a espada de vingança de Deus contra Seus inimigos. Já não é
da responsabilidade do estado ser o portador padrão da verdade. Existem
agora duas entidades com diversos objetivos e interesses. Não ver essa
diferença entre os dois pactos leva à confusão e à má aplicação dessa doutrina
vital do Novo Testamento.
A separação entre igreja
e estado chega às expressões práticas da vida cotidiana. Por exemplo: O
cristão deve participar das forças armadas quando Jesus lhe ordenou amar seus
inimigos? Deve ele ser um oficial da lei quando é ordenado a não resistir
ao mal? Deve um cristão ter cargos políticos e votar quando é embaixador
de outro país? Deve o cristão procurar coagir seu governo por direitos por
lobby ou por várias formas de protesto quando sua preocupação é a salvação das
almas? A resposta consistente é não. "Portanto saí do meio deles
e vos separareis, diz o Senhor, e não toqueis em coisas impuras; e eu vos
receberei e serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o
Senhor Todo-Poderoso " (2 Coríntios 6:17, 18).
Deus estabelece e rejeita governos
Deus estabelece
governos. "Toda alma seja sujeita aos poderes superiores. Pois não há
poder senão de Deus: os poderes que são ordenados por Deus" (Romanos
13: 1).
O poder civil é dado por
Deus. "Então disse-lhe Pilatos: Não me falas? Não sabes que eu tenho
poder para te crucificar, e tens poder para te libertar? Jesus respondeu: Não
poderias ter poder algum contra mim, se não te fosse dado acima: por isso
aquele que me entregou a ti maior pecado tem " (João 19:10, 11).
Homens no governo são
colocados lá por Deus. "Este assunto é pelo decreto dos vigias, e a
demanda pela palavra dos santos: para a intenção de que os vivos possam saber
que o Altíssimo governa no reino dos homens, e dá a quem ele quiser, e põe
sobre ele o mais vil dos homens " (Daniel 4:17). Veja também
Daniel 4:25, 32.
O Senhor dirige as
decisões dos líderes civis. "O coração do rei está nas mãos do
Senhor, como os rios de água; ele o inclina para onde quiser" (Provérbios
21: 1).
O trabalho do governo
O governo é estabelecido
para manter a ordem na sociedade. "Pois ele é o ministro de Deus para
o bem. Mas se tu fizeres o que é mau, tenha medo, porque ele não tem a espada
em vão: porque ele é o ministro de Deus, um vingador para executar a ira sobre
aquele que faz o mal " (Romanos 13: 4).
Cobrar impostos é um
direito dado por Deus. "Pois, por isso, pagais tributo também; porque
são ministros de Deus, atendendo continuamente a isso mesmo. Dai, portanto, a
todas as suas dívidas: tributo a quem é devido tributo; costume a quem costume;
temem a quem temer; honra a quem honra " (Romanos 13: 6, 7).
"E enviaram-lhe
alguns dos fariseus e dos herodianos, para pegá-lo em suas palavras. E, quando
chegaram, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que não gostais de
ninguém; pois tu Não consideres a pessoa dos homens, mas ensinas o caminho de
Deus em verdade: É lícito dar tributo a César ou não? Daremos ou não daremos,
mas ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que? tenta-me, leva-me um
centavo, para que eu possa vê-lo. E eles trouxeram. E ele disse-lhes: De quem é
esta imagem e inscrição?, e disseram-lhe: César. E Jesus, respondendo,
disse-lhes: César as coisas que são de César e de Deus as coisas que são de
Deus. E eles se maravilharam com ele" (Marcos 12: 13-17).
Nosso dever para com o governo
Devemos respeitar nossos
líderes. "Honra ao rei" (1 Pedro 2:17).
Devemos orar pelos nossos
líderes. "Exorto, portanto, que, antes de mais nada, sejam feitas
súplicas, orações, intercessões e gratidão a todos os homens, aos reis e a
todos os que têm autoridade, a fim de levarmos uma vida pacata e sossegada em
todos os piedade e honestidade. Pois isto é bom e aceitável diante de Deus,
nosso Salvador " (1 Timóteo 2: 1-3).
Nós devemos pagar
impostos. "E ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a
Deus o que é de Deus" (Lucas 20:25).
Devemos obedecer nossos
líderes. "Submeta-se a todas as ordenanças do homem por amor do
Senhor: seja ao rei, como supremo, ou aos governadores, como aos que são
enviados por ele para a punição dos malfeitores, e para o louvor dos que fazem
bem Porque assim é a vontade de Deus " (1 Pedro 2: 13-15).
"Portanto, todo
aquele que resiste ao poder resiste à ordenança de Deus; e os que resistem
receberão para si a condenação" (Romanos 13: 2).
A intenção de Deus para o cristão
Sua nação é uma nação
santa. "Mas vós sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma
nação santa, um povo peculiar, para mostrardes os louvores daquele que vos
chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pedro 2: 9).
"Quem nos libertou
do poder das trevas e nos transportou para o reino do seu amado Filho" (Colossenses
1:13).
Ele procura um país
melhor. "Todos estes (...) confessaram que eram estrangeiros e
peregrinos na Terra ... Mas agora desejam um país melhor, isto é, um
celestial" (Hebreus 11:13, 16).
Ele representa outro
país. "Ora, somos embaixadores de Cristo, como se Deus nos pedisse
por nós: oramos em lugar de Cristo, reconciliemo-nos com Deus" (2
Coríntios 5:20).
Marcadores:
Anabatismo,
Moriá,
Teologia
Não-resistência e não-participação no governo civil
por Paul Horst
Tratado 21E74
publicado por Rod e Staff Publishers, Inc. Crockett, KY 41413
publicado por Rod e Staff Publishers, Inc. Crockett, KY 41413
Sobre este assunto, temos
muitos textos nas Escrituras. "Não resistir o mal, mas quem ferir-te
na tua face direita, volta-lhe a outra também ...", "Amai os
vossos inimigos, abençoa os que te amaldiçoam, faze o bem aos que te odeiam e
ora por aqueles que te maltratam e perseguem" (Mateus 5: 38-48). "Amados,
não se vinguem, mas dêem lugar à ira: porque está escrito: A minha é a
vingança; eu retribuirei, diz o Senhor" (Romanos 12:19).
Além disso, em Efésios
6:12 e 2 Coríntios 10: 3-5 nos é dito claramente que nossa guerra é espiritual,
não física, e as armas, embora sejam poderosas e eficazes, não são deste mundo
(carnais).
Finalmente, em Hebreus
11: 13-16, vemos claramente que o filho de Deus tem um país celestial e,
portanto, uma cidadania celestial que exige lealdade absoluta. Qualquer
nação na terra em que ele habite deve perceber que ele está lá como um
estrangeiro, e que, embora ele se esforce para estar sujeito à sua vontade,
sempre que possível, não se pode esperar
que ele participe de seus assuntos nem comprometa sua cidadania celestial.
Ao considerarmos essas
verdades e outras, como as bem-aventuranças, chegamos a ver que a
não-resistência não é apenas uma questão do que faremos ou deixamos de fazer em
certas situações, mas sim um espírito de mansidão, humildade e amor que possui,
frutos do cristão quando é verdadeiramente nascido de novo. O espírito de
ressentimento, vingança e retaliação é crucificado consigo mesmo, e o novo
espírito se torna nosso modo de vida.
Não-não-violência ou resistência passiva
Isto não é não-violência
ou resistência passiva, que, embora não envolva força física, ainda manifesta o
espírito de resistência e exigência de nossos direitos. Guy F.
Hershberger, um líder menonita, afirmou: “O líder [dos negros], Martin Luther
King, treinou com sucesso milhares de pessoas em algo que temos professado
acreditar por anos - o caminho da não-violência”. Isto é claramente falso,
pois o caminho da não-violência inclui muitas coisas estranhas ao modo de
não-resistência, como fazer lobby para influenciar a legislação, exigir nossos
direitos e privilégios, recusa em obedecer a lei mesmo quando a obediência não
envolve um erro. É claro que não podemos fazer parte da supressão ou das
desigualdades, mas a não-violência não é a resposta, nem é isso que temos
professado acreditar.
Não só a abstinência da vingança
Tampouco é apenas a
abstinência da vingança pessoal, pois o Antigo Testamento já proibia isso e
previa o julgamento e a punição ordenados (Deuteronômio 19). Portanto,
acreditamos que Jesus pretendia que toda vingança é proibida ao
cristão. Como Ele poderia ter deixado isso mais claro? Deus diz (1 Pedro
2: 21-24) que Jesus é o nosso exemplo e que Ele, quando insultado, não insultou
novamente; quando sofreu, não ameaçou, mas comprometeu-se a
Deus. Devemos nós, então, que professamos segui-Lo, erguer nossas mãos ou
armas para defender nossas terras, casas, famílias ou nossos próprios
corpos? Não deveríamos deixar toda a vingança para Deus e para aqueles a
quem Ele usará para executar a Sua ira? (Veja Romanos 13).
Não é um esforço para trazer a paz mundial
A Bíblia não nos deixa
esperança de que os homens sejam capazes de promover a paz mundial através do
desarmamento, do lobby político e assim por diante, devido à própria natureza
do mundo e do coração do homem. Portanto, a não-resistência não é uma
tentativa fútil ou um sonho fantasioso para esse fim.
Nem é um esforço para
"enterrar nossas cabeças" para o mal que nos rodeia, mas sim o
resultado de uma firme convicção de que o mal deve ser enfrentado pela
resistência espiritual; e deve ser superado com o bem (Romanos
12:21). É verdade que Deus usou o Seu povo no passado, como nação, para
punir o pecado; e prevê tal punição hoje através do governo
terrestre; e no futuro trará condenação a todos os ímpios. No
entanto, o povo de Deus nesta época recebe o ministério da reconciliação em vez
do ministério da retribuição. "O amor não faz mal ao próximo" (Romanos
13:10).
Que esse espírito deve
preencher toda a vida, vemos em 1 Pedro 3: 8, 9, pois aqui é aplicado ao lar e
aos nossos relacionamentos mais íntimos. Aqui é que estamos aptos a ser os
mais cuidadosos no exercício daquelas virtudes que surgem do amor. Aqui
também vemos como aplicá-lo a todas as situações, pois, se é bom para o lar,
como todos concordam, então é bom para vizinhos, amigos, estranhos e inimigos.
Não se opõe ao governo
Digamos, porém, que,
embora não possamos participar de governos terrestres, não nos opomos a eles,
mas sim os aceitamos como parte necessária de uma sociedade maligna e não
regenerada. Nós lhes emprestamos nosso apoio em todo modo bíblico (por
oração, apoio financeiro e obediência, sempre que possível, sem conflito com a
Palavra de Deus).
Alguns supõem que a
igreja primitiva e os anabatistas se opuseram à participação no governo por
causa da natureza dos governos sob os quais eles viviam, mas não temos motivos
para pensar que teriam agido de maneira diferente sob qualquer outra forma de
governo. As razões que eles deram e as Escrituras estabelecidas em apoio à
não-participação aplicam-se igualmente a ditaduras, reinos e
democracias. Isto é verdade tanto em tempo de paz quanto durante à
perseguição. Jesus se recusou a ser feito rei ou juiz (João 6:15; Lucas
12:13, 14). Além disso, notamos que o Novo Testamento nunca fala ao
governo, nem aos cristãos como parte do governo (exceto no caso dos soldados
que vêm a João Batista, sob a Antiga Aliança), mas sempre aos cristãos sobre o
governo. Portanto,"para ti ... ele não suporta a espada em vão ...
ele é um vingador". Mas "vós tendes necessidade de estar
sujeito ... pagareis tributo (...) eles são ministros de Deus, atendendo
continuamente a isso mesmo" (justiça, ordem, vingança).
Uma forma democrática de
governo faz com que todos os cidadãos façam parte do governo, como dizem
alguns? Eles dizem isso para justificar a votação, dizendo que "todos
são parte do governo de qualquer maneira, votem ou não, então nós também
devemos usar nossa oportunidade para ajudar a controlá-la". Se isso
for verdade, então nos tornamos responsáveis pelas ações do governo e pelo
assassinato, embora nos recusemos a lutar. Isso nós negamos, mantendo,
como o povo de Deus fez no passado, que não somos parte do governo carnal e não
queremos participar. Por que, então, deveríamos, ao votar, reconhecer
aquilo que tão vigorosamente negamos por nossa recusa em lutar ou ocupar cargos
políticos?
Não, irmãos, mas
lembremo-nos de que agora já estamos vivendo no reino celestial, nosso Rei é o
Senhor Jesus e, para esse Rei, estamos dispostos a morrer!
Fonte: http://www.anabaptists.org/ras/21e74.html
Marcadores:
Anabatismo,
Moriá,
Teologia
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Do Pós-modernismo ao anticristo - pregação com o pastor Glauco Barreira M Filho
De acordo com muitos
comentários nos grupos de WhatsApp da Igreja Batista Renovada Moriá essa
pregação é uma das melhores dos últimos anos. Com envergadura bíblica e
perspicácia do momento em que vivemos, o pastor Glauco Barreia transmite um
conhecimento lúcido, ancorado nas páginas das Escrituras Sagradas sobre os
tempos e a escatologia.
Você não pode deixar de
assistir essa pregação.
Marcadores:
Anabatismo,
Apologética,
atualidades,
Doutrina das últimas coisas,
Pregação,
Teologia,
Vídeo
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Eles foram batizados com o Espírito Santo?
Muitos
avivamentos espirituais ocorreram durante o trajeto da Igreja cristã. A “chuva”
do Espírito foi derramada pela primeira vez em Atos 2, período em que se
formava a Igreja Primitiva, para estabelecer o paradigma. E é a partir deste
primeiro movimento que podemos elencar algumas características precisas para
identificarmos o verdadeiro avivamento em fases posteriores.
Essas
características foram:
1) Fé
comunitária precisa na promessa de Cristo (Atos 1:4-5, 8);
2) Creram
que somente Jesus era o batizador do Espírito Santo (Atos 3:11);
3) Dedicaram-se
concordemente, confiantemente e perseverantemente à oração (Atos 1:14);
4) Foram
capacitados para com ousadia pregarem a Palavra da Verdade (Atos 2:40), através
da qual denunciavam os pecados e toda prática contrária à vontade de Deus;
5) Efusão
de sinais e prodígios entre os apóstolos e pregadores (Atos 3:1-8, Atos 6:8,
Atos 8:1-40);
6) Um
grande movimento de santidade, consagração e dedicação abnegada aos propósitos
divinos (Atos 2:42-47);
7) Confirmação
na prática do batismo que o Espírito glorifica exclusivamente ao Filho (João
16:14).
Assim
postas, podemos fazer uma análise comparativa com outros movimentos que
reivindicam a ocorrência do fato para sabermos se realmente aconteceu o mesmo
avivamento; por exemplo, na renovação carismática católica e nos movimentos
liberais.
O
catolicismo, através da Renovação Carismática Católica, tem proclamado o derramamento
do Espírito Santo na sua comunidade. A questão é que o catolicismo romano
substituiu muito dos postulados de Cristo por dogmas de seus concílios, alterando
abruptamente o padrão. Para demonstrar brevemente alguns aspectos de sua situação,
basta dizermos que até bem pouco tempo (e também ainda hoje) o católico não se
julgava salvo. Ora, se a salvação foi oferecida por Cristo como dádiva primaz
de sua obra, como o católico pode receber a “segunda benção” se nem a primeira
recebeu? No catolicismo ainda predomina a concepção de que após a morte o
suposto cristão passará pelo purgatório a fim de aliviar o peso de suas ofensas
para que em seguida rume para o céu. Entretanto, a Bíblia não fala de
purgatório como lugar intermediário entre a morte e o céu. Após a morte segue-se
o juízo (Hebreus 9:27), enquanto aquilo que nos purga de todo o pecado é o
sangue de Cristo (I João 1:7).
Além
disso, vejamos outros erros da RCC:
Na
RCC glorifica-se a Maria e não a Jesus somente.
“Maria
não é mãe da igreja. Quando Jesus falou que João era filho de Maria, e Maria
era mãe de João, não se referia a uma maternidade universal, mas, sim, ao fato
de que após a morte de Jesus, João cuidaria de Maria, já que José estava morto,
e seus irmãos eram incrédulos. A prova disto é que a Bíblia diz: “E desde
aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19.27).
Maria
não é madrinha da Igreja no Batismo do Espírito Santo. Primeiro, porque não
existe “madrinha” de batismo na Bíblia; segundo, porque a Bíblia não fala que
Maria foi a madrinha; terceiro, porque Maria foi batizada com o Espírito Santo
no mesmo instante em que os outros o foram (At 1.14; 2.1-4): Como poderia ser
batizada e ser madrinha ao mesmo tempo?
Não
é Maria que nos obtém a renovação do Pentecostes, mas Jesus Cristo: “E Eu
(Jesus) rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique
convosco para sempre” (Jo 14.16). “Se Eu (Jesus) for, vo-lo enviarei” (Jo
16.7).
Maria
não é a esposa do Espírito, já que no reino espiritual não há isso: “Não se
casam nem se dão em casamento” (Mt 22.30).
A
RCC começou com a leitura do livro protestante “A Cruz e o Punhal”, de David
Wilkerson, que aceitou que se citasse seu livro no livro “Católicos
Pentecostais”, no início da RCC. Vejamos agora o que diz David Wilkerson sobre
isso tudo:
“Saí
fora da Igreja Católica Romana, adoradora de ídolos. Ela idolatra inclusive a
santa mãe de Jesus, Maria, a qual na Bíblia nunca vemos sendo adorada e muito
menos sendo igualada a Deus (Toca a trombeta em Sião, David Wilkerson, CPAD, p.
144)”[1].
Rejeitar
Jesus e colocar Maria como medianeira nessa relação espiritual é criar uma
heresia das mais nocivas. Portanto, não podemos aceitar que no catolicismo se
derrame o Espírito, pois, além da argumentação de nossa breve exposição,
existem outros agravantes que o desqualificam.
Há
também igreja liberais e mundanas pregando um grande avivamento entre eles.
Pregadores da prosperidade material anunciam um grande despertar, entretanto,
tal despertamento tem uma conotação bem oposta aos institutos vistos no primitivismo
cristão. O discurso contemporâneo de avivamento preza: pela saúde física
incondicionalmente, pela prosperidade material, pelo sucesso profissional, pela
ascendência do status social, pela
beleza artificial, pela adaptação aos padrões mundanos em diversos
comportamentos seculares, pela participação política, ou seja, um verdadeiro
avivamento ou despertamento para o efêmero. Uma inversão do valor primeiro que
prezava pela espiritualidade, devoção e pudor. Igrejas liberais e
neopentecostais têm valorizado demasiadamente o apego pela vida, mas não
percebem que estão seguindo este caminho. Será cegueira espiritual? Será um
prenúncio e alerta para detectarmos os tempos nos quais estamos, pois isso
demonstra o parecer das virgens néscias citadas em Mateus 25? Será apostasia?
Não duvide!
Os
tempos maus de hoje nos obrigam a viver na dependência do Espírito Santo,
renovando diariamente nossa experiência com Ele para que estejamos cheios de
sua presença. Uma forma muito simples de detectarmos quem tem a unção do
Espírito de quem não tem é verificarmos os valores que ele defende. Se forem
valores estritamente espirituais, pautados nas Escrituras, saibamos que há a
presença do Altíssimo no coração piedoso, mas se não, se seu discurso e
comportamento demonstram apego à vida, quão distante ele está da
espiritualidade cristã.
Marcadores:
Apologética,
crítica,
sociedade,
Teologia
Assinar:
Postagens (Atom)










