Em
uma sociedade marcada pela incredulidade e falta de sensibilidade às necessidades
do próximo, Jesus Cristo estabeleceu um padrão revolucionário de respeito,
valorização e proteção ao sexo feminino. No entanto, esse cuidado inerente ao
Evangelho difere substancialmente das agendas ideológicas contemporâneas,
demonstrando que a doutrina cristã possui poder transformador próprio e não
necessita de rótulos seculares ou tendenciosos para honrar as mulheres.
Um
dos relatos bíblicos mais emblemáticos sobre essa postura encontra-se no
Evangelho de João, capítulo 8. Escribas e fariseus trouxeram a Jesus uma mulher
pega em flagrante ato de adultério, exigindo seu apedrejamento com base na Lei
de Moisés. A intenção daqueles líderes religiosos não era fazer justiça, mas
sim criar uma armadilha para tentar acusar Jesus.
Ao
agir em defesa daquela mulher, Jesus não estava invalidando ou relativizando a
gravidade moral do pecado do adultério. O cerne de Sua atitude era propor uma
transformação interior, dando prioridade à salvação e ao perdão, em vez de
simplesmente condená-la ao apedrejamento. A clássica indagação de Cristo — “Aquele
que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” —
desarmou a hipocrisia de seus acusadores, que se retiraram um a um, começando
pelos mais velhos.
Um
detalhe frequentemente ignorado nessa narrativa evidencia a profunda
seletividade e a má-fé dos fariseus: eles não trouxeram o homem que também
estava envolvido no ato do adultério. A Lei estendia o preço do pecado a ambos
os envolvidos. A ausência do homem levanta a suspeita de que ele poderia fazer
parte do próprio grupo dos fariseus ou gozar de privilégios em uma sociedade
que tratava as mulheres de maneira desigual e injusta. Ao proteger a mulher da
sanha daqueles homens hipócritas e focar no seu arrependimento (dizendo “Nem eu
também te condeno; vai-te e não peques mais”), Jesus elevou a condição feminina
acima da manipulação religiosa da época.
Diante
de exemplos tão claros de amor e justiça, torna-se evidente que a doutrina
cristã não converge para o feminismo, uma vez que o Evangelho tem poder, raiz e
validade em si mesmo. O cristianismo não precisa de movimentos ideológicos
modernos — muitos deles com matrizes incompatíveis com a fé cristã — para
garantir a dignidade plena, a liberdade e o respeito mútuo entre homens e
mulheres.
Mas,
a apropriação oportunista da fé por conveniência política espelha, com
precisão, a mesma hipocrisia farisaica que Cristo tanto combateu: a
instrumentalização do sagrado para ocultar interesses de poder e manutenção de
privilégios. Assim como os doutores da lei usavam a moralidade de forma
seletiva para condenar os outros enquanto protegiam seus pares, o uso cínico do
discurso cristão por quem não professa genuinamente seus valores tenta subjugar
a verdade evangélica ao pragmatismo eleitoral. Devemos, portanto, blindar e
poupar nossos corações dessa falsidade ideológica, discernindo que a verdadeira
fé não se dobra ao teatro das aparências, e que a justiça de Deus se manifesta
na transformação interior e na coerência de vida, e não na retórica
manipuladora que busca apenas a aprovação dos homens.
Por
assim dizer, a mesma seletividade hipócrita que operava na Judeia antiga
manifesta-se, de forma alarmante, nas estruturas contemporâneas de poder, onde
a corrupção política e o ativismo do aparato judiciário criaram um ambiente de
blindagem mútua. Escândalos de grande magnitude nos tribunais superiores são
frequentemente ignorados pelo debate público convencional, alimentados pelo
medo generalizado de represálias legais ou institucionais. Esse arbítrio não apenas
corrói a segurança jurídica, mas interfere diretamente na vida de milhões de
cidadãos, asfixiando a liberdade de expressão e cassando o direito legítimo
daqueles que recusam a submissão ao pensamento hegemônico.
Essa
engenharia de controle atinge o seu ápice nos ambientes acadêmicos, outrora
templos do livre debate, agora dominados por patrulhas ideológicas
intolerantes. A contradição desse discurso torna-se brutalmente visível em
episódios de violência real e física registrados em Universidades gerais, onde
divergências e tensões alimentadas pela intolerância militante culminam em ameaças
de agressões físicas graves. Esse fato explicita que, para o dogmatismo
ideológico, a defesa de minorias e a dignidade humana são apenas retóricas
descartáveis: se um indivíduo decide pensar por conta própria e discordar da
cartilha imposta, seus traços de vulnerabilidade são ignorados e ele passa a
ser alvo de perseguição e violência. Assim como os fariseus do passado, o atual
monopólio da virtude pune os opositores para proteger seus próprios
privilégios, provando que o Evangelho puro e autêntico continua sendo a única
salvaguarda contra a tirania da falsa moralidade.
Podemos
citar o caso público de hostilidade, perseguição e violência política e
institucional na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) envolvendo a estudante
de Relações Públicas Bianca Laranjeiras, uma jovem, que também atua como
liderança jovem conservadora no Estado. Ela denunciou ter sofrido forte
linchamento moral, ameaças à sua integridade física (como mensagens prometendo
dezenas de disparos contra ela) e tentativas de desumanização dentro do
ambiente acadêmico. Em suas declarações públicas e entrevistas a veículos de
imprensa, ela relatou como a própria estrutura universitária e grupos
militantes passaram a rotulá-la pejorativamente como um “germe de
extrema-direita” para justificar o isolamento e as agressões psicológicas que
sofreu por divergir abertamente da cartilha ideológica dominante.
Esse
episódio dá nome e rosto à seletividade criticada na discussão: demonstra na
prática como o aparato que discursa sobre a defesa de minorias e a proteção das
mulheres frequentemente ignora a dignidade e a segurança de uma estudante
quando ela decide exercer sua liberdade de expressão e pensar fora do espectro
político da esquerda.
Por
fim, é profundamente lastimável e contraditório quando personalidades públicas que
ganham destaque por força do prestígio ou posição política de seus cônjuges,
apropriam-se do discurso do Evangelho sem demonstrarem vivência ou alinhamento
com os valores cristãos. Quando figuras públicas usam o Evangelho apenas como
instrumento de autopromoção, na expectativa de angariar simpatias e votos,
prestam um desserviço social à comunidade, expondo uma falsidade ideológica. O
verdadeiro Evangelho é fundamentado na verdade, na transformação de vidas e no
amor genuíno, muito distante do mero oportunismo político.
