quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
Jornada Bíblica Acadêmica
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
O ofício da mulher na Igreja
Desde
a criação do homem e da mulher o Senhor designou, para cada um, funções
específicas. Ao homem cabe o exercício de domínio (Gênesis 1:26) e à mulher ser
sua ajudadora (Gênesis 2:18). Por ser uma regra absoluta, enquadrada dentro do
padrão moral divino, importa reconhecermos sua perpetuidade. Contudo, nesses
tempos contemporâneos, tais conceitos foram depreciados e, em ritmo acelerado, suscitaram-se
exigências para as quais a mulher cristã, por exemplo, deveria ocupar e exercer
funções tipicamente masculinas na Igreja, muito embora não haja prescrição
bíblica para tanto. Por esta razão e através de uma sucinta reflexão,
tentaremos mostrar onde a mulher cristã se encaixa melhor com seus inspirativos
talentos.
O
“magnificat” (Lucas 1:46-55) de Maria demonstrou qual o grau de envolvimento
possível dentro do propósito de Deus para a serva do Senhor, ou seja, através do
sentimento de sujeição quanto a vontade divina, da devoção e da sensibilidade
para comunhão; todas extraindo suas virtudes como referencial da graciosa
espiritualidade, servindo, deste modo, como retaguarda extremamente necessária
para o efetivo trabalho de auxílio. Como desdobramento, o servir de apoio para
aqueles que segundo a vontade de Deus foram vocacionados para ministérios
específicos, qualificam-nas como personalidades de grande referencial no
contexto eclesiástico. Por exemplo, foi registrado que a sogra de Pedro servia
a Cristo e a seus discípulos (Marcos 1:31). Da mesma forma quando a mulher com
vaso de alabastro (Lucas 7:36-49) “banhou” a Cristo, antes de sua morte,
preparando-o para o momento fatídico de sua missão, revelou seu apreço e o cuidado
de seu coração pelo Salvador. Ação semelhante foi notificada no domingo da
ressurreição, enquanto os discípulos ficaram acuados num cenáculo, mulheres
foram revestir o corpo de Cristo de acordo com prática dos rituais fúnebres,
mais uma vez, demonstrando singeleza de coração, ousadia e fé para o servir (não
foi sem motivo que foram privilegiadas por terem sido as primeiras testemunhas
da ressurreição de Cristo). Ou seja, a mulher tem uma sensibilidade e virtudes tão
preciosas para auxiliar que a idoneidade lhe identifica definitivamente melhor com
os propósitos de sua criação. Assim, ela foi designada por Deus para o exercício
de atividades mais relacionadas às suas virtudes porque requerem delas sua
perspicácia inata, não sendo assim tão robustas e espinhosas como foram aquelas
destinadas a homens.
No
desdobramento do Reino de Deus, no período apostólico, a ênfase de Paulo quanto
ao trabalho feminino dá sequência ao mesmo modus
praticado pelo Senhor. De semelhante modo, sentiu-se privilegiado pelo apoio feminino
e exalta este trabalho com a grandeza que as cristãs das diversas Igrejas de
seu trabalho mereciam (Romanos 16:1, 6, 12; Filipenses 4:3).
Desta
maneira, atribuições que são destinadas aos homens, inclusive, ensinadas nas
Escrituras, jamais deveriam ser praticadas pelas mulheres, pois são
incompatíveis com a natureza do seu ser. Mulheres pastoras, exercendo
autoridade como a de homem, realizando batismos, ensinando como se tivesse uma
vocação específica para isto contrariam o ensino bíblico e a própria atribuição.
Não queremos menosprezar a potencialidade feminina, contudo, procuramos tecer
alguns comentários breves para uma reflexão sobre onde a mulher cristã se
enquadra melhor em virtude de quem é. As vocações e as ordenanças, por exemplo,
estão referenciadas na Bíblia e foram praticadas apenas por homens (Efésios
4:11 e João 4:1-2), restando para nós o pensamento de que somente eles podem
exercer tais papéis. Preocupando-se com este problema e pela disseminação de
ensinos contrários às Escrituras, contidos no apócrifo de Paulo (Atos de Paulo
e Tecla), em sua época Tertuliano fez algumas recomendações e alertas:
Mas
a petulância da mulher, que já usurpou o direito de ensinar, não se arrogue
também o direito de batizar. Não! A menos que surgissem algumas novas bestas
semelhantes à antiga. Aquela pretendia suprimir o batismo; uma outra quer
administrá-lo ela mesma. E se essas mulheres invocam os escritos, que
erroneamente levam o nome de Paulo, e citam o exemplo de Tecla para defender o
direito de ensinar e batizar, saibam que foi um presbitério da Ásia que
elaborou este escrito, como que cobrindo sua própria autoridade com a de Paulo.
Depois de conhecida a fraude e tendo confessado que agiu por amor a Paulo, foi
deposto. De fato, como seria fidedigno que o apóstolo desse à mulher o poder de
ensinar e batizar, ele, que só com restrição permitiu às esposas que se
instruíssem? Disse: devem silenciar e perguntar a seus maridos em casa. (De Baptismo, XVII)
Pr.
Heládio Santos
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
Cabelos naturais e a falácia midiática
Uma
suposta valorização do indivíduo passou a ocupar a pauta midiática quando a
mesma fala da conservação de cabelos naturais, enfatizando, principalmente, cacheados
e crespos como selo identitário de quem a mulher é de fato e de verdade. Pelos
meios de comunicação, agora, ouve-se uma defesa com espírito militante desses
dons naturais e da sua essência numa oposição severa à agregação de determinadas
ações para alterá-los. Essa fala também pretende resgatar o prestígio das mulheres
“desvalorizadas” em décadas passadas por não consentirem com a alteração de sua
naturalidade em meio à crise instaurada pela moda corrente daquele momento. Antigamente,
cabelos loiros, longos e brilhantes, estirados, pintados e frisados (alguns
ainda hoje) eram os que ganhavam maior notoriedade com status de beleza, enquanto
os demais, principalmente os crespos, eram ridicularizados e coagidos às
sombras para nem serem notados, mas a adesão à modificação de sua essência
capilar inseriria a mulher em outro patamar: o do reconhecimento e o de estar
na moda efervescente, como diria madame C.J.Walker. De fato, uma situação
explícita de exclusão social e de manipulação cujo real intento era apresentar
sempre a prevalência de determinados modelos de cabelos tidos como perfeitos em
detrimento de outros, seguramente, menosprezando esses outros por questões
raciais.
Por
outro lado, na genuína Igreja cristã sempre houve apreço pelos aspectos naturais
do cabelo e pela sua composição. Pedro, inclusive, inibe a prática manipuladora
do seu tempo ao falar que o adorno da mulher não deveria ser o frisado de
cabelos, antes o padrão natural (I Pedro 3:3). Duas razões específicas nos
motivam a pensar na doutrinação de Pedro: a valorização da naturalidade e a da
simplicidade. Em ambos os aspectos, destaca-se o verdadeiro sem ocultação ou
fabricação da falsidade. Via-se, desta maneira, o caráter honesto da fé na qual
a mulher cristã deveria conduzir-se para agradar a Deus naquilo que Ele lhe
proporcionou, sendo-lhe grata e contentando-se com a dádiva divina, muito
embora houvesse o peso da coerção social tentando lhe desviar das perspectivas
cristãs.
Mas,
a crítica midiática não pretendia reconhecer nosso comportamento cristão,
talvez por vergonha do seu erro ou por alegar extremismo religioso na
disciplina e no comportamento adotados pelas fiéis e símplices seguidoras do
Cristo. Mas são exatamente nessas manifestações das discípulas que encontramos
a valorização consciente pelo que são, sentindo prazer e gratidão pela
composição desta parte de seus corpos que as tornam únicas.
Apesar de algumas Igrejas evangélicas não respeitarem esses limites, existem muitas outras que preferiram a fidelidade e a observância da naturalidade ofertada por Deus, permitindo, desde antes dessa nova moda, a valorização dos cabelos naturais (sejam eles quais forem), opondo-se a essa “preocupação” da mídia mundana que alega rompimento com preconceitos raciais, mas, quem sabe, pode ser, na verdade, uma tremenda iniciativa para uma campanha publicitária cujo real intento seria alavancar vendas com produtos que realçam essa naturalidade, confirmando mais um capricho egoísta e mercadológico.
Pastor Heládio Santos
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Respeite seus pastores
Paulo
acreditava que os anciãos de cada congregação local mereciam respeito e honra
por causa de seu trabalho, e incentivou os crentes em Tessalônica a mostrar
respeito e honra a seus anciãos. Hoje, receio que essas instruções simples
sejam frequentemente ignoradas. Receio que muitos pastores locais e
líderes cristãos, centrados no evangelho, que cuidam da igreja e que sirvam as
pessoas, não estejam recebendo a honra e o respeito que merecem daqueles a quem
servem. Por quê? Creio que a resposta (em parte) é a capacidade de
acessar facilmente grandes pregações e ensinos on-line. Os membros da
igreja podem ouvir on-line pastores e líderes cristãos conhecidos e serem
"discipulados" digitalmente.
O perigo do discipulado digital
Um
dos benefícios da tecnologia é a capacidade de seguir pastores, igrejas e
ministérios à distância. Temos acesso instantâneo a sermões, podcasts,
blogs e artigos de pessoas que nunca conhecemos pessoalmente, mas que
respeitamos muito. Isso é realmente uma bênção. Mas o que acontece
quando nosso amor e apreço por esses líderes cristãos articulados e conhecidos
nos fazem subestimar os pastores e líderes espirituais que Deus colocou em
nossas vidas? Devido à excelente pregação, ensino e escrita desses
respeitados líderes cristãos, os membros da igreja podem ficar tão apaixonados
por esses líderes que deixam de apreciar seus anciãos.
Isto
aconteceu-lhe? Talvez você frequente uma igreja com um pastor mais jovem
que não tem muita experiência. Ele ainda está aprendendo a pregar (não
somos todos pastores?). Comparado a Piper, MacArthur ou Chandler, ele
parece estar aquém (não é verdade?). Portanto, seu amor por Jesus, seu
amor por sua igreja e seu desejo de apontar as pessoas para Cristo através da
pregação da Palavra não são apreciados.
Talvez
você vá a uma igreja com um pastor mais velho. Ele nunca participou do
T4G. Ele não segue o blog de Tim Challies. Ele nunca leu Desiring
God, de John Piper. Ele não visita o site da Coalizão do Evangelho todas
as manhãs. Ele não escuta o podcast de Matt Chandler toda semana (Quero
dizer, o que ele poderia saber?!?) Ele amou a igreja e pregou o evangelho por
anos; ele simplesmente não acompanha as últimas celebridades
evangélicas. Então, questionamos sua relevância e minimizamos sua
fidelidade, e ele não é apreciado.
Talvez
você frequente uma igreja com um pastor estabelecido. Ele serviu fielmente
à igreja e pregou o evangelho por anos, mas não viu um crescimento numérico
explosivo. Ele aprimorou suas habilidades de pregação ao longo dos anos,
mas ainda não pode pregar com paixão ou articulação como David Platt. Ele
é sólido, mas não é excepcional (comparado a outros pastores de
celebridades). Então, ele é visto como médio ou medíocre, e não é apreciado.
Receio
que este seja o perigo dos pastores de celebridades e do discipulado
digital. Vemos os pontos fortes de um líder cristão à distância e
apreciamos seu ministério, mas não estamos perto o suficiente para ver
falhas. Por outro lado, estamos tão próximos de nossos anciãos e líderes
que vemos suas falhas e deixamos de apreciar suas forças e seu coração por
nós. Nossa exposição a grandes pregadores e líderes inadvertidamente nos
levam a deixar de apreciar aqueles em nossa própria igreja que estão sobre nós
e nos advertem.
Honrando Seus Anciãos
Como
podemos resistir à tentação de subestimar os líderes que Deus colocou em nossas
vidas devido à nossa visão idealizada de certas celebridades
evangélicas? Como apreciamos oradores e escritores cristãos conhecidos,
enquanto ainda honramos nossos anciãos e líderes da igreja? Aqui estão
algumas sugestões práticas:
1. Avalie
a mensagem, não o mensageiro. Não fique apaixonado pelo
mensageiro. Fique apegado à beleza da mensagem do evangelho. O
evangelho é da maior preocupação, não aquele que entrega o evangelho. Os
pregadores são apenas mordomos do mistério do evangelho; são apenas
arautos entregando uma mensagem para o rei. Portanto, não seja pego
celebrando o homem que está entregando a mensagem... seja pego glorificando na
cruz de Cristo!
2. Pare
as comparações. Pare de comparar seu pastor e líderes espirituais a
pregadores conhecidos e celebridades evangélicas e apenas aprecie sua
fidelidade ao evangelho e à sua igreja. Eles não podem pregar como Piper
ou Platt ou Chandler, mas se estiverem proclamando fielmente o evangelho e
amando sua congregação, reconheçam seu compromisso com o evangelho e a igreja
local e os honrem.
3. Concentre-se
em seus pontos fortes. Pare de se concentrar nas áreas excepcionais dos
pastores de celebridades e reconheça os pontos fortes de seu pastor ou líderes
da igreja. Embora seu pastor possa não ter as mesmas habilidades que seu
líder cristão favorito, sem dúvida ele tem áreas nas quais se
destaca. Preste atenção nessas áreas e agradeça a Deus por um pastor que
possui essas características e habilidades específicas.
4. Orem
por suas fraquezas. Todo pastor tem uma área (ou áreas!) na qual eles
lutam. Eles têm deficiências e fraquezas. Em vez de reclamar dessas
fraquezas ou menosprezá-las por suas deficiências, ore por elas. Ore para
que Deus os faça crescer e transforme suas fraquezas em forças.
5. Aprecie
as coisas "pequenas". Os pastores fazem muitas coisas que passam
despercebidas. As orações diárias oferecidas à congregação... a liderança
fornecida a outros membros da equipe ou líderes da igreja... os esforços de
evangelismo e divulgação na comunidade... as sessões de aconselhamento para
casamentos desfeitos e famílias feridas ... as visitas ao hospital... os
funerais... os casamentos... os sermões preparados... os eventos
presentes. Você entendeu a ideia. Pastores fazem muito. Graças a
Deus por um pastor que ama as pessoas e está com elas. Aprecie as coisas
"pequenas" que não acontecem atrás do púlpito.
Conclusão:
honre e respeite os líderes que Deus colocou em sua igreja e em sua
vida. Paulo não diz reconhecer aqueles que pregam grandes sermões,
escrevem excelentes blogs ou supervisionam ministérios de sucesso. Ele
disse para "respeitar aqueles que trabalham entre vocês e estão sobre você
no Senhor e admoestar você...". Aqueles que trabalham em sua igreja
merecem respeito. Quem lidera você merece respeito. Aqueles que o
advertem merecem respeito. Então, cristão, pare de bajular o "pastor
de celebridades" e respeite os mais velhos.
O
Dr. Jared Bumpers é o Diretor de Vida e Eventos Estudantis no Seminário
Teológico Batista do Centro-Oeste e no Spurgeon College. Ele obteve seu
PhD em Pregação pelo The Southern Baptist Theological Seminary. Ele é
casado com Kimberly e tem quatro filhos: McCartnie, Rush, Maverick e Jett.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
A confissão e as tecnologias
As
Escrituras Sagradas nos ensinam a prática de confessar nossos pecados uns aos
outros (Tiago 5:16). Diferente da interpretação do catolicismo romano — que
compreende o texto como uma confissão sacramental ao sacerdote para a concessão
de perdão —, a linguagem bíblica aponta para o exercício da sinceridade e da
honestidade mútua. Essa prática estreita laços e aprofunda a comunhão,
fundamentada na premissa de que somente Cristo possui autoridade para perdoar
pecados mediante o arrependimento (Lucas 5:24).
Portanto,
a essência desse ensino visa promover a proximidade entre os irmãos. Fortalecer
a relação pessoal no contexto cristão permite que olhemos nos olhos uns dos
outros com atenção e cuidado, buscando o aperfeiçoamento tanto individual
quanto congregacional. Contudo, em meio ao avanço tecnológico, novas interfaces
têm surgido, dificultando a vivência prática desse princípio. Sobre isso, cabem
breves reflexões.
É
comum o recebimento de cartas anônimas, mensagens em redes sociais sem
identificação e e-mails de remetentes ocultos. Embora os autores dessas
mensagens possam acreditar que o anonimato seja uma via eficaz para apontar
problemas, tal prática acaba por revelar dilemas ainda maiores, tais como:
1. A
impossibilidade do aconselhamento eficaz;
2. A
instalação de uma desconfiança generalizada;
3. A
fragilidade (ou covardia) do remetente;
4. A
percepção de que não se busca a solução, mas apenas o conflito;
5. O
isolamento do indivíduo que carece de cuidado pastoral.
Em
suma, a privação da identidade e do diálogo direto gera transtornos
desnecessários ao corpo de Cristo.
A
confissão, em sentido amplo, não se restringe à revelação de culpa, mas abrange
o compartilhamento de ideias, desabafos e visões. Um diálogo com um ministro,
quando pautado na cosmovisão cristã, é transformador, pois o crente entende-se
integrado à sua igreja local para o desenvolvimento de sua vocação. É
indispensável praticar as virtudes esperadas do cristão; do contrário, as
premissas bíblicas sobre a convivência perderiam o sentido. Como exorta o
apóstolo Pedro: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a
vossa vocação e eleição; porque, fazendo isso, nunca jamais tropeçareis” (2
Pedro 1:10).
Chama
a atenção a expressão “nunca jamais”. No mundo, ouvimos que “nunca se deve
dizer nunca”, talvez porque os projetos humanos sejam maleáveis e incertos. O
Evangelho, porém, não sofre essa influência. O "nunca" bíblico é
absoluto. Note que essa expressão antecede a prevenção de um dos piores dramas
da caminhada: a queda. Para não tropeçar, é preciso fazer valer a vocação com
honestidade, pureza, humildade e piedade.
Jesus
estabeleceu um princípio relacional claro para evitar que o mal ganhasse
terreno: “Se trouxeres a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que
teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali a tua oferta, e vai
reconciliar-te primeiro com teu irmão” (Mateus 5:23-24). Há aqui uma
incitação à quebra do paradigma da indiferença. A solução surge apenas
"após o ter ido até ele", ou seja, através de uma relação direta e
objetiva. No distanciamento impessoal, as mágoas apodrecem o coração.
Sobre
a necessidade do afeto, Zygmunt Bauman afirmou que amigos são aqueles capazes
de estabelecer uma relação mútua sem que as diferenças criem distância ou
inimizade, agindo com gentileza sem abandonar sua própria distinção.
Por
fim, as tecnologias não podem substituir o encontro presencial e o
pertencimento. Muitas vezes, o uso de meios digitais para tratar de questões
sensíveis evidencia o distanciamento e a frieza. Quando não há sentimento de
pertencimento, falta coragem para a exposição honesta, pois não se luta por
aquilo em que não se está plenamente engajado.
As
relações impessoais via aplicativos devem ser desconsideradas para assuntos de
alta relevância, servindo apenas como ferramentas de agilidade burocrática.
Valorizemos a comunhão pessoal: o aperto de mãos, o calor da compaixão e a
harmonia de um ambiente que integra diferentes gerações e classes. Saibamos
vencer os obstáculos da tecnologia para resgatar o "frente a frente",
hoje e sempre.





