O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Em que consiste a verdadeira fé anabatista?


por Jacob_Burghart

A verdadeira fé evangélica não pode permanecer adormecida, mas se manifesta em toda Justiça e nas obras de Amor (...) Veste os nus, dá de comer aos famintos, consola os tristes, dá abrigo aos destituídos, ajuda e consola os aflitos, busca os perdidos, socorre os feridos, cura os enfermos (...) torna-se tudo para todos. 

Menno Simons (1496 – 1561)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Os Montanistas e o Cristianismo genuíno


Quando Jesus encontrou Mateus, ordenando, em seguida, que deixasse seu posto fiscal para segui-lo; quando Pedro, João e Tiago foram chamados para deixarem de lado a pescaria a fim de se tornarem pregadores exclusivos do Evangelho; quando competiu a Igreja se concentrar durante dez dias em Jerusalém para orar, em intenso clamor, pelo Espírito da promessa; quando Paulo abnegou sua posição religiosa e cultural, tendo em vista se dedicar ao ministério vocacional de apóstolo; todos não viveram experiências “exageradas” aos olhos convencionais e seculares? Quando o próprio Cristo, enquanto homem, jejuou durante quarenta dias; quando não descansava durante as noites, pretendendo dedicar-se à oração; quando pregava duramente contra a hipocrisia farisaica, desnudando o caráter medonho desse grupo religioso; não estava ele propondo um caminho a seguir bem diferente do convencional e tradicional? Esse comportamento incomodou as tendências religiosas porque se erigia contra o marasmo religioso reinante.   
A internalização daqueles comportamentos prenunciou doutrinas como a renúncia aos bens materiais (Mateus 19:16-24), sobre a renúncia à própria vida (Mateus 16:24-26), com a máxima que dizia o modo de ser verdadeiro de um discípulo de Cristo: “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 9:33); também revelou as intenções divinas sobre a negação das paixões carnais (Colossenses 3:5) e o apego àquilo que estava sendo revelado e, ainda, por ser revelado em posteriores eventos.    
          Diante do exposto, percebe-se que o Cristianismo foi fundado sobre princípios bem diferentes da vida cotidiana, sendo privilegiados aqueles que tiveram a oportunidade de ouvir a pregação do Evangelho direto da fonte. Esses princípios não se restringiram ao modus daquele tempo, já que se tratava da apresentação de conceitos absolutos e imutáveis, regidos pelos atributos invariáveis da Divindade. Apesar disso, o pensamento reinante dentre a maioria das vertentes cristãs modernas foi de que essa visão e seu conjunto de práticas estavam limitados ao cânon bíblico, não devendo ser aplicada sua regra no todo aos seguidores posteriores, mas em parte, muito embora esteja claro no texto bíblico a abrangência e a amplitude da soberana vontade sobre seus preceitos. Deste modo, por razões alheias e diversas, preferiram deixar de lado a possibilidade de reprodução daquelas práticas nos movimentos posteriores ao Cristianismo Primitivo (certamente, essa mentalidade em muito contribuiu para a corrente “cristã” de liberalismo teológico e se mostrou contraditória já que muitos destes movimentos reivindicam ligação com o primitivismo sem guardarem seus postulados). Afora isso, somos impelidos a acreditar que esta aceitação restritiva rejeita também a pura pregação, o puro comportamento e as muitas ações neotestamentária, pois, através das diversas tentativas, fazem releituras daqueles eventos dando outras interpretações a que pretendiam os protagonistas bíblicos e readaptam os preceitos segundo a própria conveniência. O erro de tomar a revelação divina e sujeita-la à mentalidade humana com seus incrementos produziu o misto entre Cristo e belial, prática rejeitada pelo apostolado severamente, visto que essa mistura provocou um hibridismo ocasional, diminuindo o poder de subsistência das verdades bíblicas, incorrendo na ausência da providência divina e abrindo precedentes para a formação de um “cristão” adaptado, modelado e sujeito às tendências culturais, aos processos de inovação temporal e às políticas eclesiásticas dominadoras.
         Essa impressão herdada da teologia das reinvenções (termo nosso referente à maneira de pensar a teologia com adaptações) projetou a possibilidade e a necessidade de algo que não deveria ser possível nem necessário: alterar sensivelmente o legado de Cristo e de seus apóstolos. Quem olha o Cristianismo de hoje verifica um movimento profundamente alterado, modificado e recriado, confirmando a tese de que o hidridismo evolutivo do cristianismo produziu outro movimento, fugindo à regra primordial de ser o que era no princípio. Essa regra de conservação, apesar de rejeitada pela corrente híbrida, repousou serena nos grupos marginalizados que viveram paralelamente àqueles impostores da fé cristã. Logo, quando tratamos de movimentos como o Montanismo, devido à rejeição aos postulados apostólicos e não somente a sua história, faz-se ouvir aquele eco ensurdecedor de que ele não representou o puro Cristianismo. Por qual razão? Em razão de Eusébio de Cesareia, um historiador bajulador de Constantino e adepto da teologia das adaptações, assim ter falado? Então, é preferível acreditar em alguém que não foi fiel ao paradigma da eclesiologia primitiva a acreditar em quem queria viver segundo aqueles preceitos?
         A rejeição aos montanistas é tão grande que foram taxados como a heresia mais antiga que surgiu na História da Igreja. Apesar disso, devemos fazer uma pergunta: eles foram heréticos ou reacionários? Quais diferenças devem ser apresentadas para podermos extrair uma compreensão mais coerente dentro da pretensão do texto? O parecer de alguns estudiosos sobre o assunto poderá nos amparar nesse desafio.
         Para John de Soyres: Nossa conclusão é que não havia nada [no Montanismo] oposto ao credo. Anne Jensen afirmou: A erudição moderna demonstrou a ortodoxia essencial do movimento original da Frígia. Sheila E. McGinn reforça a informação quando, referindo-se aos oráculos, enfatizou: Estes poucos oráculos demonstram a ortodoxia doutrinária da Nova Profecia – um ponto que agora é uma questão de consenso entre os estudiosos montanistas. Mesmo quem se opunha religiosamente ao movimento, mas dedicou-se a uma compreensão sensata do movimento soube reconhecer seus valores. O estudioso jesuíta Walter J. Burghardt asseverou: Não posso encontrar evidências convincentes de que o Montanismo primitivo fosse culpado de heresia. David Wrigth confere mais um entendimento equilibrado: Sem demora, é óbvio que [o Paráclito do Montanismo] não tem nada a ver com o complemento da regra de fé ou a apresentação de novas revelações.
A evidência mais concreta que podemos aplicar ao nosso raciocínio para validar o Montanismo como autêntico movimento cristão, oriundo do anseio de querer ser a Igreja Primitiva de seu tempo, é Tertuliano. Tertuliano se apresenta não apenas como teólogo que vai confirmar as convicções montanistas, alinhando-as com as de Atos e das Epístolas, mas como membro efetivo de uma Igreja pura. Tertuliano rejeitou a Igreja em caminhos de desvio pelo seu envenenamento com o mundanismo da época, desqualificando-a como uma instituição séria com veia espiritual. A sensibilidade tertulianista foi tão profunda que conseguiu absorver a pregação de Montano, Maximila e Priscila sem se opor, visto que era a mesma pregação de Atos, e assim que pode rumou para a comunidade montanista sem pestanejar. 
Portanto, muitos estudiosos do assunto e não meros expectadores que se deixam alienar por opiniões diversas têm confirmado as orientações do Montanismo, versando sobre seu apego ao conceito primeiro da fé cristã. Essa corrente minoritária de pensadores têm tido a sensatez para compreender um dos movimentos mais incompreendidos da História do Cristianismo e demonstrar pela argumentação consistente a coerência de Montano e de seu grupo.

Heládio Santos
Prof. Instituto Pietista de Cultura

Referências
Burghardt, Walter J. Primitive Montanism: Why Condemned? in Dikran Y. Hadidian (ed.), From Faith to Faith: Essays in Honor of Donald G. Miller on his Seventieth Birthday (Pittsburgh: The Pickwick Press, 1979), p. 340.
Jensen, Anne. Prisca - Maximilla - Montanus: Who was the Founder of ‘Montanism’? in Elizabeth Livingstone (ed.), Studia Patristica, vol. 26 (Leuven: Peeter's Press, 1993), p. 148.
Soyres, John De, Montanism and the Primitive Church (Cambridge: Deighton, Bell and Co., 1878), p. 31.
Mcginn, Sheila E. The Montanist Oracles and Prophetic Theology, in Elizabeth A. Livingstone (ed.), Studia Patristica, vol. 31 (Leuven: Peeter’s Press, 1997), p. 132.
Wright, David F. Why were the Montanists Condemned? Themelios, 2, 21-22 (1970).

terça-feira, 22 de maio de 2018

Para os amantes do Anabatismo



A história das origens anabatistas na Suíça é bem conhecida. Em contraste, a vida e o pensamento dos anabatistas que continuaram a viver na Suíça nos últimos dois terços do século XVI permaneceram em relativa obscuridade. Uma razão para isso é que os anabatistas suíços, depois de 1530, comunicaram suas convicções através de escritos e manuscritos em vez de imprimir livros. As fontes históricas primárias relativas ao anabatismo suíço posterior são, portanto, manuscritos que devem ser localizados e lidos em arquivos locais. Este volume atual contém uma seleção de escritos que estavam sendo copiados e circulados entre os anabatistas posteriores na Suíça. O texto que domina a coleção atual, tanto em termos de extensão quanto de complexidade, é o maciço Codex 628 de 466 páginas, copiado em 1590 e contendo uma ampla amostra de material considerado significativo pelos anabatistas suíços no final do século. Os leitores deste volume têm, assim, a oportunidade de ler, em tradução, importantes acervos arquivísticos que documentam o desenvolvimento do pensamento anabatista suíço ao longo do século XVI. Esses escritos revelam um movimento religioso e social em amadurecimento, cujos membros continuaram a refletir biblicamente sobre seu chamado ao discipulado, enquanto viviam em um mundo que designava todos os hereges como adultos batizados e cidadãos desobedientes e perigosos. 


quarta-feira, 7 de março de 2018

Vivendo uma vida pura


O pecado sexual corrompe, envenena e devasta a alma, mas possui uma atração forte para homens e mulheres. Neste livro, você encontrará os princípios e a direção da Palavra de Deus sobre a pureza moral. Ele revela, com toda honestidade, o que acontece quando pecamos e nos mostra a solução para tratar com o pecado sexual. Ele aponta o caminho para uma vida pura. Graças a Deus, em Jesus há poder para vencer!

Formato: 14 x 21cm, 228 páginas
Autor: John Coblentz
ISBN#: 978-85-64737-04-4
R$20,00


EM BREVE NO STAND DE LIVROS E BÍBLIAS DA IGREJA BATISTA RENOVADA MORIÁ
Rua Nogueira Acioli, 2195 – Joaquim Távora

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Uma conferência anabatista sem igual

Todo ano, após as conferências anabatistas, um sentimento saudosista invade nossos corações. É mais um evento que fica no passado, unindo-se a tantos outros eventos já realizados cujo sucesso e impacto perduraram por longos meses, para não dizer que a chama acessa ao longo das pregações não se apaga. Por qual razão? As conferências sempre apresentam um resgate histórico sobre homens e mulheres, heróis da fé, e suas convicções de linha anabatista que não pretendiam nada além de servir a Deus na simplicidade de sua vontade e de seus ensinos. Suas vidas impactaram, constrangeram, despertaram, fazendo-nos, ainda, refletir sobre nossas próprias vidas a fim de sabermos se estamos alinhados com o nobre sentimento cristão presente naqueles servos do medievo cujas perseguições e martírios foram a chancela de sua bravura em Cristo. Não resistiram ao homem mal, não reclamaram de seus verdugos, não temeram as afrontas e as ameaças, não aparentavam temor diante das autoridades nem se preocupavam por terem suas vidas “roubadas” pelo mero capricho religioso de quem se dizia guardião da verdade. Apesar disso tudo, eram valentes na guarda da fé, não se curvaram aos ditames religiosos e tiranos da sua época, fazendo-nos pensar que aquela convicção da Igreja Primitiva pertencia também aos bravos anabatistas do século XVI. Eles queriam despertar mais uma vez o sentimento de Atos para viverem uma fé autêntica, não fingida. É por essa razão que prezamos tanto pelo movimento Anabatista fiel aos institutos bíblicos.
Durante este último final de semana, pregações e exposições variadas, fizeram nossos ouvintes perceberem o quanto pretendemos ser como eles foram, mas não por causa deles mesmos, pois eles representaram o que vemos nas páginas das Escrituras. Se pretendemos ser como eles é porque eles são a continuidade da Igreja começada em Atos, pois apesar de todos os dramas e oposições se conservaram num padrão genuinamente cristão. Eles são a prova de que a promessa de Cristo em Mateus 16:18, na qual Cristo diz que sua Igreja não seria destruída nem impedida de existir, perdurou para além dos textos bíblicos, rompendo com os séculos e sempre existindo de forma uníssona com os ensinos bíblicos (uma Igreja verdadeiramente cristã é aquela que guarda a sã doutrina).
Agradecemos a Deus pelos dias de bênçãos vivenciados nos últimos dias. Honramos seu nome pelo seu cuidado e orientação, de modo que não podemos fazer outra coisa se não dedicar nossas vidas em seu altar. 
A reverência

A unidade

O conjunto

A Igreja

O ministro

A contrição

O encanto

A adoração

A devoção

Participantes da graça

Participantes da graça II

As vozes e as notas musicais

A união

A busca

A súplica

O clamor

A Palavra

Os oficiais e os ministros

os Êuticos

A pregação

O júbilo

Deus junto com seu povo

Conversões

Paixão pelas almas

Futura geração anabatista

Serei fiel

Seremos fiéis

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Celebração: 29 anos de Moriá

Próxima semana (23 a 26/11), a Igreja Batista Renovada Moriá estará celebrando mais uma conferência de aniversário, celebrando a Deus pelo trajeto percorrido sob sua intervenção e orientação.
As conferências, geralmente, tratam de assuntos da História da Igreja, relacionando-os com temas do presente. São ricas em informação e muito esperadas pelos que já participaram em anos anteriores.
Em razão de ter-se comemorado os 500 anos da Reforma, as preleções farão abordagens dentro desse contexto, enfatizando o movimento anabatista e suas aspirações, suas relações com os protestantes e católicos, bem como suas convicções.

Veja o cartaz-convite no início do blog e a programação abaixo:


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Historiador anabaptista defende separação igreja-estado

Em palestra realizada em Fort Worth, Texas, em 21/02/2008, o historiador anabaptista Abraham Friesen nos ensinou algumas premissas do anabatismo:
Com o tema: "Radicalmente cristão: um estudo do anabatismo do século XVI", ele ressaltou que os anabatistas foram fiéis cumpridores da Reforma, pois “se viram como cumprindo as implicações dos primeiros escritos dos reformadores magisteriais, como Martinho Lutero e Ulrich Zwingli. Os anabatistas insistiram que esses reformadores se afastaram de seus primeiros ensinamentos baseados na Bíblia, voltando-se para o uso do raciocínio dedutivo e do Antigo Testamento para justificar suas visões mudadas”.
“Esse raciocínio dedutivo - isto é, passar de uma premissa teológica importante para a interpretação da Escritura - era contrário ao princípio fundamental da Reforma da sola Scriptura (somente as Escrituras). Afinal, a doutrina da autoridade bíblica exigia o raciocínio indutivo, construindo princípios teológicos sobre a interpretação bíblica. Friesen explicou em sua primeira palestra que os reformadores magistrais herdaram a doutrina da sola Scriptura, com sua exigência de raciocínio indutivo, do teólogo Agostinho do século IV. Ironicamente, eles também herdaram o raciocínio dedutivo de Agostinho, adotando sua doutrina da universalidade da igreja e sua interpretação da parábola de Cristo sobre o trigo e a joia.”
“Em seu debate do quarto século com os donatistas, Agostinho interpretou a parábola de Cristo sobre o trigo e a joia (Mateus 13: 24-30) para significar que os incrédulos (joios) existiriam ao lado dos crentes (trigo) dentro da igreja (campo). Além disso, esses incrédulos serão finalmente removidos da igreja no final dos tempos. Os donatistas, em troca, apontaram que o próprio Jesus interpretou essa parábola (Mt 13: 36-43), explicando que o campo não era a igreja, mas o mundo. Agostinho respondeu esta crítica, apontando que a igreja cobriu o mundo inteiro, e a parábola, portanto, aplicada à igreja.”
“Esta interpretação da parábola do trigo e do joio, disse Friesen, ‘foi ocasionada pela crescente universalidade da igreja’. Foi um exemplo de raciocínio dedutivo e os reformadores magistrais empregaram a interpretação de Agostinho para enfrentar os desafios dos anabatistas que estavam enfatizando o batismo do crente e uma associação da igreja regenerada. Ao fazê-lo, eles abandonaram a base unicamente bíblica de suas doutrinas, dependendo, em vez disso, de princípios teológicos que lhes permitiram interpretar as Escrituras para apoiar suas opiniões.”
“Segundo Friesen, essa inconsistência entre os reformadores magisteriais era sintomática de uma questão maior, a saber, as relações igreja-estado. A Dieta de Nuremberg de março de 1523, argumentou, deu às autoridades seculares o poder de dirigir a Reforma, criando um problema para os reformadores. Na Dieta, esses líderes civis autorizaram a pregação do Evangelho, mas proibiram qualquer mudança das cerimônias da igreja, mesmo que essas práticas contradizem a mensagem dos reformadores.”
“A intervenção política nos primeiros anos da Reforma transformou todo o movimento e forçou os reformadores a rever seus primeiros cargos ou enfrentar, como os anabatistas, um futuro cheio de perseguição, disse Friesen. Os reformadores magistrais optaram por se submeter às autoridades seculares. Portanto, eles tiveram que justificar as práticas da igreja, como o batismo infantil, através do uso do raciocínio dedutivo e uma maior dependência do Antigo Testamento.”
“Em sua palestra final, Friesen argumentou que o espírito revolucionário exibido em anabatistas radicais como Thomas Müntzer e Melchior Hoffman não se originou dentro do movimento anabaptista.”
“Os anabatistas pacíficos se opuseram ao uso da espada, não só por ofensas, mas também por fins defensivos, sofrendo o martírio por causa disso, disse Friesen. ‘Além disso, como esperamos demonstrar, a ideologia por trás das tendências revolucionárias entre os radicais não veio do movimento anabatista, mas foi importada do exterior, vindo diretamente do maior pai da igreja ocidental, o próprio Agostinho”.
“Um milênio após a morte de Agostinho, sua interpretação da parábola de Cristo sobre o trigo e o joio, combinada com o crescente senso de que o fim do mundo estava próximo, voltou a “assombrar o mundo cristão”. Na interpretação de Agostinho sobre a parábola, incrédulos permaneceriam na igreja até que os servos de Deus os removessem no final dos tempos. Com visões do fim iminente do mundo, alguns anabatistas tomaram suas próprias mãos para serem servos de Deus, purificando a igreja pelo uso da espada. Muitos proeminentes líderes anabatistas, no entanto, se opuseram a este espírito revolucionário, juntamente com a interpretação agostiniana da parábola de Cristo, desde o início.”

Texto completo disponível em: https://swbts.edu/news/releases/anabaptist-historian-defends-church-state-separation/

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A essência do anabatismo

O Anabatismo emerge dentro do contexto da Reforma. Porém, existem algumas dúvidas para afirmar categoricamente que eles surgiram neste momento histórico (para a maioria dos estudiosos, essa é a suposição mais defendida) ou se são anteriores às Reformas ocorridas na Europa (como sinalizou H.H. Muirhead). O apego incondicional ao texto bíblico fez surgir o termo “Radical”, daí seu movimento ser chamado de Reforma Radical. Essa atitude de apropriação exclusiva dos textos sagradas geraram uma rejeição às autoridades religiosas consolidadas e àquelas que estavam surgindo sem o amparo dos preceitos apostólicos porque se opunham à vontade divina. Para eles (os anabatistas), importava seguir os preceitos cristãos a todo custo, independentemente da vontade das autoridades, de modo que esse sentimento definiu o caráter e a personalidade que tomou forma, trazendo ao movimento o nobre status de fiel seguidor do Cristo.
Dois quesitos fundamentais da fé anabatista foram a não resistência e a liberdade. Eles acreditavam que Jesus era a figura central de suas vidas, porquanto a Bíblia atestava para esse fim, sendo também contrária da tradição do clero católico, do estado católico ou protestante, das hierarquias e dos rituais cujo objetivo tentava apaziguar os anseios do povo alienado. Opunham-se ao sistema hegemônico e religioso que operava no sentido de controle; entretanto a oposição anabatista verificava-se no campo da argumentação, nunca sendo seu teor a agressividade da luta armada ou das guerras. Suas premissas eram convencer a sociedade e as autoridades religiosas através da persuasão proveniente da livre interpretação das Escrituras de que esses entes religiosos estavam equivocados. Essa liberdade de interpretar os institutos bíblicos era vista como uma prerrogativa do cristão cuja vocação não poderia ser renunciada nem entregue a um clero envolvido com negócios desta vida (política, corrupção moral, autoritarismo etc). Essa liberdade saltava dos textos bíblicos para se incorporar na vida cotidiana de cada um, pois acima de qualquer outra orientação, a orientação precisa era originada nas Escrituras no qual se encontrava clareza e objetividade.
Ao proporem esse tipo de conduta, obrigatoriamente, acarretaram sobre si duras reações e perseguições. Para o clero corrupto, ninguém poderia assumir uma posição livre diante do contexto dominado pela religião majoritária, visto que se constituía um ultraje para as pretensões políticas, religiosas e espúrias do clero. Entretanto, em meio às perseguições, os anabatistas sempre asseveravam a fé autêntica, nunca reagindo contra seus agressores e demonstrando firmeza em suas convicções.
Não podemos dizer que as ações anabatistas eram erradas, já que estavam pautadas nas Escrituras. Podemos dizer que se constituíram contrárias aos ditames clericais e estatais porque na visão radical representavam a submissão de Deus aos homens. A crítica ao batismo infantil, citando caso análogo, extrapolava as fronteiras religiosas e alcançava os ares da condução estatal, visto que o infante era reivindicado pelo Estado para lhe ser um cidadão obediente, ou seja, ir para guerras, pagar tributos religiosos equivocados, fazer juramentos e reverenciar o suserano como Senhor de sua vida. O batismo anabatista significava uma vinculação com o Cristo que é o Senhor e uma rejeição aos césares terrenos cujos intentos propunham uma sujeição às suas autoridades imorais, opondo-se aos elementos constituintes da fé cristã. Portanto, ao associar pacifismo e liberdade encontramos agrupamentos de cristãos que reivindicam a chancela apostólica, não por ideologia, mas por uma mentalidade pura e fundamentada nas verdades absolutas do texto sagrado para resgatar os princípios da Igreja Primitiva.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O diferencial do anabatismo emergente na época da Reforma Protestante

No início do século XVI, a maioria dos protestantes pertencia, em termos gerais, aos movimentos luteranos ou reformados. No entanto, muitas outras ramificações cristãs minoritárias se desenvolveram rapidamente sem usufruírem prestígio e fama.
Quando Lutero fixou suas teses na porta da capela de Wintenberg, iniciando a Reforma em 1517, ele não imaginava a dimensão que suas ações iriam alcançar, apesar de haver movimentos anteriores ao Protestantismo reivindicando fidelidade aos princípios cristãos estabelecidos nas Escrituras cuja disposição para instaurar suas convicções dependia apenas de liberdade.
Os discursos dos reformadores sustentavam que a autoridade do papa e a tradição católica defendidas pelo clero majoritário não eram confiáveis ​​para uma teologia pura que incentivasse práticas cristãs fidedignas. Isso possibilitou um redirecionamento desse olhar crítico para a Bíblia isoladamente como fonte de autoridade e teologia para os protestantes.
Essa compreensão inusitada diante do domínio católico permitiu uma ampliação da disputa sobre a autenticidade dos livros apócrifos, ora bastante utilizados pelo romanismo. Deveriam ser compatibilizados com a Bíblia ou deveriam ser desconsiderados como normas de fé e conduta? A resposta estaria no anseio de muitos protestantes que ao analisar os conceitos doutrinários também se apegavam a uma conduta de análise acadêmica, transformando aquele exame num misto entre o descobrimento do sentido escriturístico e a maneira pela qual deveria se moldar a sociedade da perspectiva social, política e econômica.  
A Reforma “Magisterial”, como se convencionou denominar aquela atitude luterana e calvinista - asseverava a necessidade de a igreja coexistir com o estado (os “magistrados”), criando uma relação de interdependência na qual ambas poderiam interferir em assuntos um do outro. Por exemplo, os magistrados poderiam decidir quem assumiria cargos eclesiásticos, enquanto a igreja se beneficiária das benesses protetivas de um Estado Protestante. No cantão de Zurique, na Suíça zwingliana, a igreja e o estado estabeleceram esse modelo.
O resultado dessa ação mista, Igreja e Estado, pelo viés Protestante, demonstrou ser uma tentativa para assegurar êxito sobre as novas diretrizes emancipatórias do movimento. Aliar poder espiritual ao temporal foi a solução encontrada para barrar qualquer interferência estranha aos seus interesses, de modo que o assédio e as típicas perseguições católicas seriam barradas pela proteção dos príncipes amigos da Reforma.  
Emergindo desse contexto, os Radicais aparecem com uma pregação dissonante dos dois maiores expoentes do contexto reformista. Não foram assim chamados por serem extremistas religiosos, mas porque sua causa buscava um retorno às raízes do profundo Cristianismo. Confirmavam a necessidade não apenas de uma reforma teológica da igreja, mas a desvinculação entre o que era de Deus e o que era de César, fazendo um trocadilho da pronunciação de Jesus. Visavam a promoção da convicção individual, ou seja, tirar suas próprias conclusões sobre suas convicções sem a coerção estatal. Era a chamada consciência individual. Além disso, a proposta estava associada à liberdade de expressão que deveria ser respeitada em vistas de ser uma decisão de foro individualizada, fosse o Estado católico ou Protestante.
O componente convicção (fé) era típico do pensamento da Reforma Radical ou Anabatista. Sua insistência nesse quesito representava que cada indivíduo poderia assumir suas responsabilidades enquanto cristão autêntico, cumprindo como os requisitos pautados nas Escrituras para poder reivindicar o batismo por convicção e não por imposição, como era nos territórios católicos e protestantes. Para os Anabatistas, o batismo infantil era ineficiente para cumprir com o real simbolismo apresentado nos Evangelhos, enquanto necessário para o censo populacional nos países dominados pelo papa e pelos reformadores. Certamente por isso os anabatistas foram muito perseguidos já que ensinavam a necessidade de um batismo consciente e convicto para adultos outrora batizados na infância. Esse “segundo batismo” era chamado de rebatismo e tido pelos opositores como herético. Entretanto, a mentalidade anabatista era a que estava alinhada com os ditames das Escrituras.
Muito embora perseguidos pelas suas convicções, os Anabatistas tiveram que amargar perseguição por outros motivos: por difamação, pois quem não era católico nem protestante era chamado de anabatista.
Muitas dessas ramificações pseudo anabatistas eram milenaristas, esperando o retorno iminente de Cristo como previsto no livro de Apocalipse. Os “profetas de Zwickau”, por exemplo, acreditavam em novas revelações do Espírito Santo nos quais eram orientados a se prepararem para o próximo Apocalipse. Apesar de muitos protestantes terem rejeitado esse movimento, é reivindicado como anabatista. Uma falsa suposição.
Thomas Muntzer, um revolucionário que foi inclusive elogiado por Friedrich Engels, parceiro de Karl Marx, propunha uma revolução agressiva, empunhando armas contra seus adversários para instituição de um “reino de paz”. Que contraditório a busca da paz pela guerra! Muntzer promoveu a Guerra dos camponeses alemães (1524-1525), um marco da revolução social armada, na qual milhares de camponeses foram mortos em uma batalha contra grandes exércitos aristocráticos luteranos. O próprio Lutero apoiou os príncipes contra esta revolução no seu tratado “Against the Murderous, Thieving Hordes of Peasants”. Pelas palavras de Lutero sobre os revoltosos:
... esquecendo-se de sua oferta, se envolvem em violência, roubam e se arrebentam e agem como cães loucos. Por isso, é fácil ver o que eles tinham em suas falsas mentes, e que as pretensões que eles fizeram em seus doze artigos, sob o nome do Evangelho, eram nada além de mentiras. É o trabalho do demônio em que estão, e em particular é o trabalho do arquim velho que governa em Mühlhausen, e não faz senão provocar roubo, assassinato e derramamento de sangue; como Cristo diz dele em João VIII: “Ele foi um assassino desde o início”. Desde então, esses camponeses e pessoas miseráveis ​​deixaram-se desviar e, do contrário do que prometeu, eu também devo escrever deles o contrário do que escrevi, e começar por colocar o seu pecado diante deles, como Deus ordena a Isaías e Ezequiel, na possibilidade de que alguns deles possam aprender a se reconhecer. Então eu devo instruir os governantes como eles devem se comportar nessas circunstâncias.
Por isso, alguns protestantes estavam dispostos a usar da violência política para alcançar seus fins religiosos. Por exemplo, o duque francês antiprotestante de Guise foi assassinado por um protestante francês em 1563. Calvino ordenou o assassinato do rival protestante Michael Servetus, queimando-o na fogueira por heresia em Genebra em 1553.
Por outro lado, os autênticos reformadores radicais (anabatistas), eram pacifistas. Michael Sattler demonstrou isso na confissão de Schleitheim. Menno Simons (1496-1561), fundador dos menonitas, também assimilou o conceito acreditando piamente que o pacifismo absoluto era o próprio coração do cristianismo e rejeitava qualquer forma de cristianismo patrocinado pelo Estado. 
Ao colocarmos protestantismo e anabatismo em pauta, verificamos suas tendências para questões de governo, tanto espiritual quanto para temporal. O protestantismo reinventa o modelo católico, substituindo apenas o chefe temporal, dedicando aos príncipes e outras instituições políticas o domínio e o poder do Estado e se solidarizavam com eles. Suas normas passaram a ser restritivas e coercitivas, não permitindo liberdade religiosa em seu território. O apego à segurança religiosa e a preservação dos pilares que instituíram o protestantismo ecoam nesse sentido. Os anabatistas, entretanto, não tinham e nem queriam uma pátria, pois sua pátria está nos céus. Suas reivindicações não priorizavam o reino terreno, visto que sabiam ser este efêmero, mas ensinavam com ousadia e coragem a dedicação ao Reino Eterno, não feito por mãos humanas nem sob seu domínio. Queriam restaurar o pensamento reinante na Igreja Primitiva que era desprovida de apego aos valores terrenos, aos principados e potestades constituídos e ao bem-estar social, muito embora prestassem honra às autoridades e aos estamentos sociais. Apesar de serem arautos da verdade são esquecidos, ridicularizados e menosprezados, mesmo que quisessem apenas valorizar os postulados apostólicos tais quais foram postos, sem intervenções.
Heládio Santos

Referências
EG Rupp e Benjamin Drewery, Martin Luther, Documents of Modern History (Londres: Edward Arnold, 1970), pp. 121-6.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A História dos anabatistas

Quem foram essas pessoas? Qual era a relação delas com a Reforma? Quais eram suas crenças em relação a Deus, ao homem, à igreja, ao batismo e à vida cristã? Que tipo de pessoas eles eram? Essas e outras perguntas encontram suas respostas nas páginas seguintes, as quais tentam contar a história dos anabatistas.
Esse estudo sobre os anabatistas do século XVI será uma bênção para aqueles que, nestes tempos modernos, buscam seguir a Cristo por meio de um discipulado obediente.
Visualizar no link para ler as primeiras páginas de A história dos anabatistas

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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Felix Manz

Conrad Grebel, George Blaurock e Felix Manz são nomes frequentemente encontrados na história do movimento anabatista na Suíça. Eles foram frequentemente chamados a prestar contas de si mesmos e de suas atividades na presença de autoridades civis.
É de se impressionar a coragem, a firmeza e a profundidade de convicção de Manz, como um jovem de 20 anos. Ele sofreu o martírio antes dos 30 anos de idade. Ele foi o primeiro anabatista suíço a ser martirizado nas mãos dos seguidores protestantes de Zwingli.
Manz era filho de um sacerdote católico “ilegítimo” em Zurique, na Suíça. Ele foi bem educado e se tornou um evangelista entusiasmado que foi fundamental para levar centenas, senão milhares, de pessoas a fé em Jesus Cristo.
Durante sua vida, sofreu muita perseguição e numerosas prisões. Em 1526, ele havia sido condenado à prisão onde devia comer pão e beber água até que ele “morrer e apodrecer”.
Às 3h da tarde, em 5 de janeiro de 1527, foi levado de sua última prisão para ser afogado nas águas frias do rio Limmat, que atravessa o coração da cidade de Zurique. Os esforços de última hora por parte do clero para que ele recuasse foram inúteis. Ele podia ouvir as vozes favoráveis ​​e encorajadoras de sua mãe e seu irmão que ficaram perto da costa. Suas últimas palavras foram: “Em suas mãos, ó Deus, eu recomendo meu espírito”.

Fonte: http://www.anabaptists.org/history/manz.html

MIchael Sattler

Após a morte de Conrad Grebel (1526) e Felix Manz (1527), Michael Sattler foi o líder mais notável dos irmãos suíços. Seu martírio ocorreu apenas alguns meses depois do de Manz.
“Michael Sattler nasceu por volta de 1495 em Staufen, perto de Freiburg, em Baden”. Educado na Universidade de Freiburg, Sattler entrou no claustro de São Pedro perto de Freiburg como um monge, avançando para a posição de prior do claustro. Através de seus estudos das escrituras e, sem dúvida, influenciados pela nova teologia da reforma em circulação, Sattler deixou o mosteiro em 1523 e casou-se com Margareta.
Sattler juntou-se aos irmãos suíços em Zurique, do qual ele foi banido em 18 de novembro de 1525. Trabalhou pela fé em Horb e Rottenburg, em Württemberg, depois indo para Strasburg, na Alsácia. Voltando para Horb e Rottenburg, “em 24 de fevereiro de 1527, Sattler presidiu uma conferência de irmãos suíços realizada em Schleitheim, no Cantão de Schaffhausen. Ele apresentou nesta conferência uma confissão de fé que foi aprovada e adotada sem uma voz dissidente e foi mais tarde impresso sob o título “Bruderliche Vereinigung etlicher Kinder Gottes” (Acordo fraterno de alguns filhos de Deus), como a confissão de fé dos irmãos suíços. A confissão foi considerada importante o suficiente para ser refutada tanto por Zwinglio quanto por Calvino em obras separadas.
Michael Sattler foi capturado pelas autoridades católicas romanas em Horb, tentado em 17 de maio de 1527 em Rottenburg e foi martirizado em 21 de maio de 1527. “Na manhã daquele dia, este nobre homem de Deus, à vista de horrível tortura, orou pelos seus juízes e perseguidores e admoestou o povo ao arrependimento. Ele suportou a tortura desumana estipulada na sentença. Então seu corpo mutilado foi amarrado a uma escada. Ele orou novamente por seus perseguidores enquanto a escada era colocada sobre a estaca. Ele prometeu a seus amigos que lhes daria um sinal da estaca ardente, para mostrar que ele permaneceu firme até o fim, suportando tudo de bom grado por Cristo. O fogo cortou as cordas com as quais ele estava preso, ele levantou a mão dando o sinal para eles. Logo se notou que seu espírito tinha fugido para estar com aquele a quem ele confessou firmemente sob a tortura mais excruciante, um verdadeiro herói da fé”.

Fonte: tradução livre de http://www.anabaptists.org/history/michael-sattler.html

sexta-feira, 30 de junho de 2017

IPC promoverá curso sobre a Reforma Protestante na Alemanha e na Suíça

O Instituto Pietista de Cultura (IPC) promoverá a partir da próxima semana curso sobre A História e o percurso da Reforma Protestante, abrindo as comemorações de seus 500 anos, tendo como orientador o Pastor e Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho. Quem participar, portanto, terá a oportunidade de ouvir e de aprender com uma das maiores autoridades no tema do Brasil: o Dr. Glauco Magalhães, presidente e professor do IPC, também professor da UFC (Direito), é um estudioso de Lutero de longas datas e concluiu seu doutorado pela Universidade Federal do Ceará abordando questões do Protestantismo clássico, demonstrando seu profundo saber sobre os diversos aspectos da Reforma, seja religioso, jurídico, econômico etc. Sua tese de doutorado rendeu o livro: A Reforma Protestante e o estado de direito, pela Fonte Editorial.

O diferencial deste curso é que o mesmo será campal, ou seja, os participantes terão a oportunidade não só de aprofundar-se na História da Reforma, mas também de visitar os principais locais onde o firme reformador caminhou deixando seu legado: Wittenberg, Leipzig, Erfurt, Worms, entre outras. O trajeto também passará por Genebra, uma das principais cidades da Reforma. A Alemanha e a Suíça foram palcos importantíssimos para o surgimento do Protestantismo. O evento ocorrerá de 03/07/17 a 12/07/17. Todos os participantes receberão certificado do IPC. No retorno, postaremos as fotos e alguns vídeos da programação.

sábado, 26 de novembro de 2016

Palestra sobre Perpétua, o anabatismo e o resultado da perseguição e muitas bênçãos

Dando continuidade as conferências, neste sábado (26/11), duas programações marcaram o evento: a abordagem sobre os mártires cartagineses e Perpétua durante à tarde e à noite o culto com cânticos esplendorosos e espirituais acompanhados de uma poderosa pregação.
Sobre a palestra da tarde cujo tema foi “Reflexões sobre os mártires montanistas”, o pastor Heládio Santos exibiu um excelente documentário sobre Perpétua, uma cristã do século III que foi martirizada porque ousou desafiar as autoridades romanas não negando sua fé em Cristo. A palestra que durou quase 2 (duas) horas levou aos muitos irmãos que compareceram um conhecimento da História da Igreja, de Teologia e da fé montanista, estigmatizada pelo catolicismo romano, mas reverenciada pelos diversos estudiosos sensatos que se aprofundaram no tema. Como o pastor Heládio é professor do Instituto Pietista de Cultura, lecionando em uma de suas disciplinas sobre Patrística, foi fácil sua explanação ajudando na percepção e no entendimento dos ouvintes quanto às realidades daquele momento histórico. Os irmãos que participaram da palestra saíram bastante enriquecidos pelo estudo ministrado. A irmã Creuza atestou que gostou muito da palestra, pois descobriu muitas verdades que lhe eram ocultas. Da mesma forma o diácono Raimundo Vieira, junto com sua filha Rute, se mostrou satisfeito e convencido com as argumentações e explanações que lhe ajudaram a tirar algumas dúvidas. Enfim, os irmão foram agraciados pela ministração da tarde.
No entanto, durante a noite, a Igreja foi agraciada ainda mais por uma pregação poderosíssima. O pastor Edmilson Alencar utilizando-se de um versículo tão singelo (João 14:6) conseguiu demonstrar como é uma autêntica pregação anabatista, planeada pela Palavra de Verdade. Fomos tomados de uma alegria indizível uma vez que o estimado pastor debilitado devidos a algumas enfermidades personificou o caráter anabatista em sua fala e em sua conduta, porquanto não se negou a falar dos oráculos de Deus. Para o pastor Heládio, a mensagem de hoje foi a melhor que já ouviu proferida pelo pastor Edmilson. Não podemos deixar de mencionar que o louvor também nos elevou à presença do Altíssimo. Com uma seleção de hinos belíssimos, o irmão Fabiano, acompanhado de Lívia, Pabliana, Ivalnilson, Daniel, Eduardo, Alisson e Ésio, entoaram cânticos que fizeram a Igreja ser tocada pelo calor daqueles hinos. As vozes afinadas e compartilhadas uniram-se criando uma tonalidade forte e encorajadora para o enlevo espiritual da Igreja reunida. Uma grande bênção. Que o Senhor abençoe nossos pastores e Igrejas.
Veja algumas fotos de hoje: