Muitos
cidadãos defendem convictamente os valores da família tradicional,
posicionam-se rigidamente contra o aborto e a legalização das drogas, rejeitam
qualquer cerceamento da liberdade de expressão e repudiam a cartilha de um
Estado comunista. Contudo, na hora de depositar o voto na urna, escolhem
partidos e candidatos de esquerda. Essa postura revela uma profunda e gritante
contradição ideológica.
Votar
na esquerda enquanto se abraça uma visão de mundo conservadora cria choques
diretos na realidade política. Por que? Partidos de esquerda historicamente
lideram a defesa da descriminalização do aborto e a flexibilização das leis
sobre drogas. Plataformas progressistas frequentemente apoiam a fiscalização e
a regulação de mídias e redes sociais sob o pretexto de combater discursos de
ódio. A esquerda defende a centralização do poder nas mãos do Estado, o que
enfraquece a autonomia individual e familiar valorizada pela direita.
Historicamente,
as agremiações de esquerda e os movimentos progressistas tratam a
descriminalização do aborto e a flexibilização das leis sobre drogas não como
meras escolhas individuais, mas como pilares fundamentais de suas plataformas
de direitos humanos, justiça social e saúde pública. Sob a ótica dessas
vertentes políticas, a proibição do aborto é interpretada como uma violência
institucional contra a autonomia reprodutiva das mulheres, além de um fator de
desigualdade socioeconômica, já que mulheres de baixa renda sofrem as
consequências da clandestinidade. Da mesma forma, a defesa do afrouxamento das
leis de entorpecentes fundamenta-se na tese de que a abordagem estritamente
policial do proibicionismo faliu, resultando no encarceramento em massa de minorias
e no fortalecimento do crime organizado. Assim, para a esquerda, transferir o
foco dessas questões da esfera penal para o âmbito da saúde e da assistência
social é o caminho para reduzir danos e proteger minorias vulneráveis.
Consequentemente, ao dar o voto a essas legendas, o eleitor conservador
financia diretamente uma engrenagem partidária que trabalha de forma ativa,
programática e sistemática pela desconstrução do arcabouço legal que protege a
vida desde a concepção e que combate o tráfico de substâncias ilícitas.
A
defesa da regulação e da fiscalização das redes sociais por plataformas
progressistas parte da premissa de que o espaço virtual se tornou um terreno
fértil para a disseminação de desinformação, discursos discriminatórios e
violência digital. Sob essa óptica, o poder desmedido das grandes empresas de
tecnologia (Big Techs) exigiria a intervenção do Estado para garantir a
proteção de minorias vulneráveis e a própria manutenção da ordem democrática.
Argumenta-se que a liberdade de expressão não possui caráter absoluto e termina
onde começam os direitos humanos e a dignidade do outro.
Contudo,
ao transferir para o aparato estatal ou para comitês de moderação o poder de
definir o que é "aceitável" ou "nocivo", abre-se uma brecha
perigosa para a arbitrariedade jurídica e o silenciamento de vozes dissidentes.
A história demonstra que estruturas criadas para policiar o pensamento
frequentemente se voltam contra as liberdades fundamentais dos próprios
cidadãos. O risco iminente reside na elasticidade e no subjetivismo de termos
como "discurso de ódio", que podem ser instrumentalizados politicamente
para rotular e banir do debate público qualquer visão que confronte o consenso
progressista dominante.
É
precisamente nesse cenário de vigilância ideológica que se torna imperativo
traçar uma linha divisória inegociável: a pregação do Evangelho não pode, sob
hipótese alguma, ser taxada como discurso de ódio. O anúncio das verdades
bíblicas, o chamado ao arrependimento e a defesa da moralidade cristã
constituem o núcleo da liberdade religiosa e de consciência, direitos
protegidos por tratados internacionais e pela Constituição. Expressar
convicções teológicas sobre a vida, a família e o pecado é uma manifestação de
fé baseada no amor e na busca pela salvação do indivíduo, e não um ato de
hostilidade ou aversão a grupos sociais. Criminalizar ou censurar a mensagem do
Evangelho sob o pretexto de combater a intolerância seria, ironicamente, o ato
definitivo de maior intolerância e tirania do Estado contra a liberdade de crer
e de pregar.
Diante
de um desalinhamento tão evidente, restam duas explicações lógicas para o
comportamento desse eleitorado: a) Há quem vote na esquerda focado unicamente
em promessas de assistência social ou justiça econômica, ignorando
completamente que o pacote ideológico desses partidos traz consigo a
desconstrução dos valores tradicionais; ou, b) Muitos acreditam que é possível
separar a economia da moralidade, sem perceber que as políticas públicas
progressistas moldam ativamente a cultura, as escolas e a estrutura familiar ao
longo do tempo.
A
incapacidade de enxergar que a erosão da moral tradicional abre caminho para um
Estado de controle absoluto sobre o cidadão não é apenas uma falha de análise
política. Para a cosmovisão cristã, esse cenário de cegueira generalizada, onde
o certo se confunde com o errado e as liberdades básicas são entregues
voluntariamente ao poder estatal, carrega um significado muito mais profundo e
urgente.
A
Bíblia Sagrada alerta que, nos tempos do fim, a inversão de valores e o
esfriamento da fé seriam marcas visíveis na sociedade. O avanço dessas agendas
e a passividade daqueles que deveriam guardá-las servem como um sinal
contundente de que a história humana caminha para o seu desfecho planejado.
Como prometido nas Escrituras, a consumação dos tempos se aproxima, indicando
que Jesus Cristo está às portas.
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