segunda-feira, 28 de julho de 2025
quinta-feira, 24 de julho de 2025
quarta-feira, 23 de julho de 2025
Um juiz perseguidor e sanguinário
A
Inquisição lançou um regime de terror na Espanha. Pessoas podiam ser convocadas
de suas casas e levadas a um local secreto para interrogatório simplesmente com
base em uma denúncia anônima feita às autoridades da Inquisição. Os acusados
eram mantidos no escuro para que não pudessem ver seus acusadores ou juízes, e
depoimentos que normalmente seriam desconsiderados em um tribunal – de ladrões,
excomungados ou criminosos – eram aceitáveis. O acusado não tinha permissão
para ter um advogado ou assistente jurídico para ajudá-lo em seu caso, uma vez
que eles também seriam vistos como cúmplices de heresia pelo tribunal. Eles
também eram obrigados a fazer um juramento de verdade antes de depor, e a
recusa em proferir o juramento era motivo automático para prisão. O auto-de-fé, ou
uma fogueira pública em massa de descrentes, começou a ocorrer com frequência
alarmante.
Em
1483, Torquemada tornou-se Grande Inquisidor de Castela e, em 17 de outubro de
1483, Fernando o nomeou inquisidor-chefe de Aragão. Ele convocou uma assembleia
geral dos outros inquisidores em 1484, em Sevilha, e deu-lhes um esboço com 28
pontos para conduzir suas investigações. Em 1488, foi nomeado chefe do “Consejo
de la Suprema y General Inquisicion”, o que lhe concedeu poderes papais
virtuais sobre grande parte da Espanha. Nada poderia ocorrer sem sua
aprovação, incluindo uma pena de prisão, uma ordem de excomunhão ou um auto de
fé; ele também controlava os padres e bispos, e até mesmo perseguiu
alguns deles como hereges. A oposição permaneceu forte em muitos lugares;
em algumas cidades, famílias judias ou conversos haviam alcançado destaque na
política e nas finanças e se manifestado contra os métodos da Inquisição, que
incluíam formas hediondas de tortura, embora sem derramamento de sangue,
segundo a lei da Igreja. Os judeus, no entanto, eram imunes à acusação da
Inquisição, já que era um tribunal eclesiástico encarregado de determinar
heresia dentro de suas próprias fileiras.
Abuso
de poder
O
terror e a ilegalidade oficialmente sancionados da Inquisição eram o resultado
da violação de vários princípios de direitos humanos. O promotor e o juiz
eram a mesma pessoa, o que o obrigava a manter as acusações contra o réu a todo
custo. Em segundo lugar, todos os suspeitos eram presumidos culpados, e
Torquemada instruiu seus juízes que uma pessoa poderia ser aparentemente muito
devota, mas em seu coração poderia ser descrente; era papel do juiz fazer uma
série de perguntas sobre tópicos teológicos para determinar sua verdadeira
crença. Se o réu ainda professasse sua inocência – ou seja, sua crença no
cristianismo conforme ditado pela Igreja – ele poderia ser preso por um período
indeterminado. Aqueles que sobreviviam, confessavam e eram libertados eram
forçados a usar um sanbenito, ou vestimenta penitencial especial com
um grande "X". Os condenados e excomungados podiam apelar à Santa Fé em
Roma, mas Torquemada também tinha jurisdição sobre todos os recursos. Os
bens dos condenados eram apreendidos pelos inquisidores em nome do Estado e, em
outros casos, subornos eram pagos para sua libertação.
O
papel de Torquemada como Grande Inquisidor permitiu-lhe implementar
implacavelmente essas políticas em toda a Península Ibérica. Estudiosos estimam
que, sob a liderança de Torquemada, entre 2.000 e 8.800 espanhóis foram
queimados na fogueira. Seus poderes às vezes invocavam a ira de Roma, mas ele
era aliado próximo de Fernando e Isabel, determinados a erradicar os problemas
religiosos da Espanha, livrando completamente os reinos dos não cristãos. Um
grande número dos convocados perante os tribunais da Inquisição era conversos;
na Catalunha, 1.199 foram julgados entre 1488 e 1505, e 1.191 deles eram
conversos. Alguns judeus resolveram antigas contas, mentindo sobre conversos
que os tratavam com desdém e acusando os novos cristãos de praticarem costumes
judaicos em segredo.
terça-feira, 22 de julho de 2025
quinta-feira, 3 de julho de 2025
Aslan com voz feminina?
Recentemente
(03/04/2025), o site “Omelete” (https://www.omelete.com.br/filmes/as-cronica-de-narnia-netflix-greta-gerwig-pode-ter-meryl-streep-como-aslan-diz-site)
divulgou a informação de que na nova produção da Netflix sobre “As crônicas de
Nárnia” o grande Leão Aslan poderá ter voz feminina. A conceituada atriz Meryl
Streep, ganhadora do Oscar, seria a escolha para a nova proposta. Essa ideia de
Aslan ter uma voz feminina, no entanto, é uma interpretação que pode gerar
discussões acaloradas uma vez que Aslan é frequentemente associado à
figura messiânica de Jesus, portanto, assumindo uma característica masculino. Sua
voz e aparência masculinas são importantes para a caracterização tradicional do
personagem e alterá-la geraria prejuízo à obra.
Uma
crítica segura
Em
"As Crônicas de Nárnia", Aslan é frequentemente visto como uma
alegoria de Jesus Cristo e sua voz e aparência masculinas são necessárias na
intenção de C.S. Lewis para a interpretação cristã do personagem. A
masculinidade de Aslan é um elemento importante para demonstração de um líder
forte e protetor, além de reforçar sua conexão com as características assumidas
por Jesus ao longo de sua trajetória.
A
ideia de uma voz feminina para O PRINCIPAL personagem do conto, Aslan, abre espaço
para uma nova interpretação do personagem, tornando a peça uma obra apócrifa
haja vista o teor de sua origem e a carga sagrada contida na obra principal. C.S. Lewis
ao retratar Aslan com masculinidade não pretendia e nem pensava em uma
característica feminina para o personagem. Isso já seria o suficiente para
ignorar qualquer proposta nesse sentido. E essa nova interpretação consiste em
mais uma tomada da propaganda “woke” para descaracterização do tradicional. É a
tal chamada desconstrução que em vias de querer assumir um papel relevante cai
em meio ao descrédito. Há coisas que não devem ser mudadas porque causam mais
prejuízo do que bem.
Antes
de alguém gemer com nossa opinião, o feminino é bastante exaltado na obra
original. Basta olharmos para a singularidade de Lúcia e Suzana desde sua
infância até a fase adulta na realeza. Não foi à toa que foram chamadas de as
grandes rainhas dos áureos tempos de Nárnia.
O
elogio ao feminino
Lúcia
Pevensie é frequentemente caracterizada como uma personagem sensível, um dos
aspectos mais vislumbrantes do ser feminino. De igual modo, verificamos
uma natureza gentil, uma forte crença em Nárnia e em Aslan e uma capacidade de enxergar
aquilo que seus irmãos não conseguem ver. Assim, Lúcia é bem mais
intuitiva e sensível, capaz de perceber a presença de Aslan mesmo quando os
outros não conseguem. Ela demonstra grande empatia e cuidado com as
criaturas de Nárnia, estabelecendo laços de amizade com muitas
delas. Lúcia, por ser perseverante e ter um coração sempre centrado no que
aprendeu, nunca perde a fé em Nárnia e em Aslan, mesmo quando confrontada com a
descrença dos outros, o que pode ser visto como uma manifestação de sua
sensibilidade e intuição. Apesar de sua sensibilidade, Lúcia também
demonstra coragem e determinação, especialmente quando se trata de defender seus
amigos e proteger Nárnia. Não foi sem razão que num diálogo com Aslan, em “O
Príncipe Caspian”, nos deparamos com uma rica argumentação sobre coragem, crê e
continuar a crê mesmo diante das dúvidas (nesse momento Nárnia estava tomada de
falta de esperança e fé):
“Aslam!
Eu sabia que era você, o tempo todo eu sabia! Mas os outros não acreditaram em
mim. — Lúcia afagava a juba do leão que tanto esperava. — E por que isso a
impediu de vir até a mim? — Aslam se pôs de pé e sua juba brilhava ao sol como
ela jamais tinha visto. Ele também crescera, estava maior. — Desculpa! Eu
estava com medo de vir sozinha. Por que você não se mostrou? Por que não chegou
rugindo e se mostrou como na última vez? — Nada acontece duas vezes da mesma
maneira. — Ele respondeu, antes de continuar. — E se eu estivesse vindo antes…
Todos que morreram… Eu teria impedido? — Aslam adiantou-se, balançando a juba e
olhando a garotinha nos olhos — Nunca saberemos o que teria acontecido, Lúcia.
O que vai acontecer, no entanto, é bem diferente. Então você vai ajudar? —
Lúcia parecia confusa. — Mas é claro. E você também. — Hã… eu queria ter
mais coragem. — Se tivesse mais coragem, você seria uma leoa, e bom,
suas amigas já dormiram bastante, não acha? — Dito isso, Aslam emitiu um rugido
que fez toda Nárnia estremecer. Era um rugido de libertação. As árvores
voltariam a dançar.”
Essas
características tornam a personagem Lúcia alguém sensível, forte e corajosa, uma
genuína inspiração feminina para os outros personagens que a cercam e para nós
leitores.
A
obra original deve ser respeitada
É
importante manter a voz masculina de Aslan porquanto é um elemento importante
da obra de C.S. Lewis. Mudanças drásticas alterarão a percepção do
personagem e da história. Não fará sentido! Além do mais, o conto trouxe o
encantamento que temos hoje exatamente pelo que ele é e foi imaginado. Tanto
crianças como adultos foram contagiados pela essência infantil das histórias
com a orientação da figura “paterna” que protege, orienta, tem cuidado dos seus
e foi capaz de oferecer um sacrifício de si mesmo em substituição de uma
criança. Perder esse ar e esse clima simbólico mais voltado para o masculino
rompe para o descrédito.
Conclusão
Em
resumo, uma voz feminina para Aslan desconstruiria o real sentido do
personagem, remetendo, principalmente, os telespectadores para aquilo que Aslan
não é e nunca foi idealizado para ser. A obra perde o cerne do seu conteúdo. É
importante considerar a importância da voz masculina de Aslan na caracterização
tradicional do personagem porque foi assim que o autor C.S. Lewis o idealizou.
Ceder a uma agenda “woke” só trará prejuízo a obra. Lembremos que a
descaraterização de “Branca de Neve” produzida há alguns meses foi um fracasso
exatamente devido a mudanças semelhantes. Nosso consolo? Acreditamos que a
série da BBC foi a que melhor levou os livros para as telas. É uma ótima opção
para quem quer assistir. Mas, sobretudo, ainda bem que temos os livros. Nada
melhor do que fazer uso deles e viajarmos pela imaginação coerente de
C.S.Lewis.
Heládio Santos
segunda-feira, 9 de junho de 2025
Aslan era tirano ou ditador?
Ouvi, certa vez, pelas mídias que determinada autoridade disse que o grande Aslan de Nárnia era um rei onde não existia democracia. Seria, então, Aslan um tirano, um ditador ou um dominador? Fiquei pasmo diante da assombrosa fala. Por quê?
Aslan
nas Crônicas de Nárnia jamais poderia levar os títulos acima. Pela mente
brilhante de C.S.Lewis, o grande leão é retratado como um líder justo,
benevolente e bondoso, que busca o bem-estar de seus súditos. Muito embora
seja nitidamente revestido de grande autoridade, Aslan nunca abusa de seu poder
e sempre age com sabedoria e compaixão, ao contrário dos severos tiranos que
imputam alopradas penas aos que lhe contestam.
Pela
reflexão no campo simbólico, Aslan é frequentemente comparado a Jesus Cristo, tanto
por causa de sua morte na Mesa de Pedra, o lugar do sacrifício, como por causa
de sua ressurreição, sendo revelado, assim, seu papel de Salvador de
Nárnia. Desta maneira, Aslan assume diferentes formas como representativos
daquilo que Ele É (Eu sou o que sou!), como um grande leão macho e o dócil cordeiro. Autoridade
e sacrifício. Por isso, Ele é visto como um sublime herói e símbolo de
esperança.
Além
disso, Aslan toma decisões com base na justiça e no amor, e não em medo ou
coerção. Ele nada teme porque é justo! Ele se preocupa com o bem-estar de
todos os seus súditos, humanos e animais, e busca um futuro melhor para Nárnia.
Portanto,
a comparação com um tirano ou ditador ou dominador não se aplicaria a Aslan, que é
retratado como um líder justo e compassivo. Talvez, na ânsia de querer mostrar alguma
desenvoltura em sua fala, quem pronunciou a sentença escorregou feio com uma
fala fraquíssima e tendenciosa que não colou, tal qual a feiticeira branca do
conto que achando ser alguém de poder e autoridade para influenciar acabou sucumbindo
diante de um garoto no auge de seus catorze anos. Bravo Pedro!
Pr. Heládio Santos
quarta-feira, 4 de junho de 2025
Liberdade de expressão e redes sociais
Liberdade de expressar suas convicções com toda liberdade é
uma máxima incontestável. Agora, se nessas “convicções” ou opiniões pessoas
cometem crime, então, sejam a elas aplicadas as leis vigentes, questionadas,
julgadas e condenadas, quando for o caso.





