O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As tendências Globais e a mercantilização da música gospel


Ontem(13/02/12), ao assistir ao telejornal da rede Record e vê as notícias sobre a greve dos bombeiros e policiais do Rio de Janeiro fiquei surpreso com a cobertura que essa emissora deu a um evento que passou quase despercebido. Uma equipe da rede Globo que faria a cobertura de uma manifestação, promovida por cerca de 400 policias militares e bombeiros grevistas que reivindicavam melhores condições de trabalho e a liberação de seus líderes presos, foi expulsa do local por serem acusados de distorcerem as informações. Os repórteres e cinegrafistas da Globo saíram do local onde ocorria a passeata sob vaias e gritos de “Fora Globo”. Eles foram acusados de fazer cobertura tendenciosa sobre a greve, favorecendo o governo. Os grevistas cercaram a equipe desde o foco da manifestação até o carro. Acompanhada pela turba enfurecida e debaixo de xingamentos e tentativas de agressões, o grupo jornalístico se retirou do local debaixo de inúmeros protestos.
Hoje(14/02/12), ao assistir o telejornal da manhã da rede Globo, ouvi na abertura do jornal a notícia que dizia “casal homossexual é agredido em aeroporto do Rio de Janeiro”. Imaginei logo mais uma repulsa agressiva ao fato de pessoas serem homossexuais. Melhor dizendo, “mais lenha para a fogueira” da discussão sobre o problema da homofobia que é a rejeição por completo da opção sexual de determinados indivíduos. Biblicamente falando, a homossexualidade é pecado. Portanto, desaprovada por Deus. No entanto, agredir uma pessoa pelo fato de ser um homossexual é algo que revolta qualquer pessoa que tem o senso de dignidade da pessoa humana (não confundir com dignidade de ser homossexual, pois não existe) e de justiça. O fato de ser contra a prática homossexual não me dá o direito de favorecer a prática agressiva contra tais sujeitos. Os agressores devem ser julgados pelos atos cometidos.
            Porém, ao assistir a reportagem completa verifiquei que o problema não foi de homofobia, como o título da notícia no início do jornal quis dramatizar. Inclusive, a própria pessoa agredida disse que a agressão não fora causada pela discriminação sexual, mas simplesmente porque o “casal” e um sobrinho de uma das vítimas não quiseram embarcar em um táxi clandestino. A negação, desde o saguão do aeroporto até a saída, gerou uma revolta no taxista que impulsivamente agrediu aqueles rapazes. Mais uma vez a Globo com uma notícia tendenciosa. A Globo parece estar fazendo uma apologia ao homossexualismo e apelando para todas as situações que aparecem os agentes da discussão do momento. Que coisa! Será que os cursos de graduação em comunicação social não têm uma cadeira de ética da profissão?
            Desde algum tempo após minha conversão, tive muitas ressalvas à Globo. Como cristão vejo que a programação exibida nessa rede televisiva fere princípios cristãos, principalmente, nesses últimos dias que a referida emissora defende, de forma explícita, a prática homossexual em toda sua plenitude. Em duas notícias vimos que a Globo mostra-se tendenciosa, ou seja, não tem um parecer próprio sobre os acontecimentos. Parece beneficiar-se com as veiculações da programação para agradar aquele que tem maior poder. Infelizmente, muitos cristãos, iludidos, estão vivendo um período de grande estima a ela pelo fato da emissora ter realizado um “Festival de música gospel”. Algo que a meu ver, denegriu ainda mais a imagem desviada do evangelicalismo nacional.

Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou para a Globo e os evangélicos...
A emissora, tradicionalmente ligada à Igreja Católica, dedica 75 minutos de programação ao segmento. Vão ao ar às 13h trechos do festival Promessas, produzido pela Globo com os principais nomes da música gospel.

Qual será a finalidade desse evento? Seria a proclamação da Palavra de Deus ou a criação de uma mídia gospel mundanizada? Continua a Folha:

O festival teve tratamento VIP na Globo e consumiu R$ 2,9 milhões da Prefeitura do Rio...A Globo confirma o encontro e diz que "coincidiu com intenção antiga de se aproximar mais do segmento gospel". Circulam nesse mercado R$ 2 bilhões anuais.

            E como isso chegou ao estado atual? Responde a Folha:

A estratégia de aproximação começou há dois anos, após o "Jornal Nacional" fazer uma série de reportagens sobre trabalho social de igrejas. Desde então, a rede tem dado destaque em seu noticiário a eventos da comunidade evangélica. A presença de músicos gospel nos programas de Xuxa e Faustão cresceu, e há planos para um programa aos sábados.

No momento em que vivemos, o capitalismo está saturado. Os mercados locais e globais já não têm a facilidade de escoamento de sua produção em vistas da concorrência globalizada. Toda nova maneira de ganhar dinheiro, digo, muito dinheiro, é a oportunidade que muitos estavam esperando. Por isso, o meio evangélico está sendo “atacado” pelas táticas mercadológicas do mercado mundano. Nunca tivemos a oportunidade de ouvir música gospel em FMs seculares. Hoje, esta barreira foi rompida. Por qual razão? Do retorno capitalista. O mercado gospel movimenta cerca de 2 bilhões anuais e em breve movimentará muito mais. Por essa razão, muitos cantores gospel não fazem música para adorar a Deus, mas para terem altos contratos com a SOM LIVRE e outras gravadoras importantes. O que importa é vender para ganhar. A Globo, com suas táticas, está promovendo um novo movimento evangélico sim, um movimento híbrido. Doutrinas mudaram e irão mudar, o comportamento cristão é outro e as pessoas descrentes já não veem o brilho da legítima espiritualidade em muitas igrejas. Concluo que as tendências Globais visam o lucro e a atenção de telespectadores evangélicos (tem crente até que gosta e vota no big brother brasil-Permitam-me colocar em minúsculo o título do programa dado seu depreciativo entretenimento e por ter uma moral negativa e profana). Essas são suas intenções. Como a maioria dos crentes está crendo na doutrina da prosperidade, eis aqui um prato cheio para ambos. Enquanto isso, as virgens prudentes estão sendo esquecidas e não mais ouvidas pela grande multidão evangélica. Porém, incessantemente aguardam a volta do Cristo e purificam-se dessas mazelas. Devemos estar atentos a qualquer intervenção na vida da Igreja. Oremos para que o Senhor possa guardar os seus e elevar-nos a sua presença.           
   

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Por que crentes ficam carnais/liberais?


Geralmente, ao professarmos a fé cristã, somos contagiados por uma experiência nova. Isto ocorre pelo favorecimento da graça de Deus gerando plena certeza do ato de salvação em alguns ou a simples emoção do contágio em outros, sendo concebida de duas maneiras: com autenticidade, em razão do real arrependimento, ou com aparência de autenticidade, devido uma mera satisfação superficial não discernida espiritualmente.
Com o passar do tempo, podemos detectar através das obras praticadas qual foi a experiência vivenciada em cada sujeito. Se houve um desprendimento dos valores efêmeros através do processo de fé e convicção, concluiremos ter havido uma experiência de transformação na qual houve uma entrega incondicional ao senhorio de Cristo, confirmando a maneira pela qual o redimido se encontra na condição de filho de Deus. A conseqüência é determinada pela experiência verdadeira que torna o indivíduo familiarizado com a vontade de Deus posta nas Escrituras para sua vida.
Por outro lado, quando o agente se embaraça com a doutrina de Cristo, aceitando uma parte e rejeitando a outra, percebemos algo que não se coaduna com a forma de comportamento encontrada na vida cristã. Podemos dizer que a verdadeira experiência com Cristo não ocorreu, uma vez que não há um desejo direcionado à prática de seus princípios plenos. Além disto, uma das formas de se dizer isto nos escritos dos evangelhos e epístolas é sob a forma de escandalizar-se. Quando alguém reluta na prática da modéstia cristã, por exemplo, ela está se escandalizando de Cristo por causa de sua doutrina, uma vez que não quer praticá-la. Foi-nos dito pelo Senhor: “Bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar” (Lucas 7:23). Jesus nos fala sobre o fato de sermos abençoados Nele, compartilhando de uma comunhão profunda e de uma sujeição à sua Palavra, pois, se conscientemente assim não fizermos, estaremos dizendo que estamos escandalizados e ofendidos com Ele, com sua Palavra e com seu direcionamento. Escandalizar-se é o mesmo que rejeitar por não querer fazer, demonstrando, assim, as provas de sua intenção parcial para com o Evangelho. Vale ressaltar que muitos supostos cristãos estão nesta condição de escandalizados, apesar de não se julgarem assim. Estão tão obscurecidos com uma racionalidade humana e caprichos pessoais que não vêem como são insensíveis à voz do Espírito. Não percebem que estão reduzindo todo conjunto doutrinário a um compêndio Escriturístico, restringindo-se a sujeitos tendentes às doutrinas que lhes favorecem devido suas intenções particulares, descaracterizando-se como fiéis a Cristo. Este problema vem desde muito tempo. Há aproximadamente 30 anos, a Igreja evangélica vem passando por um processo de decadência moral. Suas atitudes não são mais as mesmas, suas preocupações foram redirecionadas, enquanto que a vida da comunidade foi definitivamente afetada com a falta do sentimento cristão. A maioria das igrejas perderam o prazer de servir a Cristo diante do mundo, para “servi-lo” em templos pomposos cheios de divertimentos e banalidades promovidos pelos seus promotores de eventos: os senhores pastores pós-modernos.    
Para responder a pergunta introdutória deste artigo, diria que o problema é amplo e individual. Amplo, pois a maioria da comunidade dita evangélica caiu no modismo pós-moderno do vislumbre de ser evangélico na atualidade. Virou moda, sabia? Está na mídia. É prazeroso ser evangélico, pois faz com que muitos sejam, agora, reconhecidos, já que antes não eram. Porém o dissabor não está na evidência, mas sim na conformidade com o mundo. A Igreja evangélica de hoje tem seus paradigmas adaptados em consonância com as tendências mundanas. Grande parte do movimento evangélico passou pelo processo de mundanização assimilando as maneiras de cantar, de compreender (racionalização) e até de pregar, que agora é segundo os discursos da auto-ajuda e da motivação para o sucesso. Que pena!
A individualidade entrou em questão uma vez que representa o querer do sujeito. Os religiosos evangélicos não querem mais comprometimento com as Escrituras, nem sua disciplina, preferem o bel-prazer de ordenarem suas vidas segundo uma visão particular de mundo. Nisto, evidenciam que não passaram pela conversão, pois o ego é o rei e senhor deles próprios. Continuam a praticar isto, pois se escandalizaram do ensino de Cristo que diz: “ Se alguém vier a mime não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vidanão pode ser meu discípulo”  (Lucas 14:26). A falta de desprendimento do eu destes indivíduos faz com que concluamos pela não vinculação entre Cristo e eles. Noutras palavras, não podem ser discípulos de Cristo. No entanto, muitos falsos discípulos imperam sobre comunidades promovendo movimentos que levam o povo à escassez espiritual e à abundância de carnalidades. Em conversa com uma missionária de Brasília há alguns meses, ela me confidenciava o problema dos encontros de sua igreja. Os líderes das programações e os adeptos promoviam festas banais, atividades de entretenimento e muita conversa sem edificação sobre sexo, jóias e sucesso profissional, enquanto que o essencial era reprovado, ou seja, ninguém queria buscar a Deus, antes queriam jogar conversa fora. Este é o retrato do descaso das supostas igrejas atuais. 
 Há quem pense que estamos simplesmente atacando determinados grupos denominados evangélicos. Não é esta a intenção. Nossa intenção é bem objetiva, tentamos de alguma forma barrar e protestar contra a apostasia instaurada que está assolando a Igreja, contaminando inúmeros contingentes, e tentando demonstrar nossa piedade para quem está vivendo um cristianismo falsificado, sem experiência e sem paixão por Jesus. Que Deus nos ajude a continuar com o zelo e amor cristão por quem já o perdeu.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No deserto com Deus


Nestes dias de confusão e extrema pressa, nos encontramos cara a cara com um perigo terrível: falta de tempo a sós com Deus. O mundo nestes últimos dias está correndo rápido. Vivemos no que se chama “a era do progresso”, e “você sabe, necessitamos estar em dia”, assim diz o mundo. Mas, este espírito do mundo não se confinou somente ao mundo. Lamentavelmente se encontra entre os santos de Deus. E qual é o resultado? O resultado é: não há tempo para estar a sós com Deus, e isto é seguido imediatamente por una falta do desejo de estar com Ele. E depois disto? Certamente a pergunta não necessita de uma resposta. Pode existir uma condição mais deplorável que a de um filho de Deus que não tem o desejo de estar a sós com seu Pai?
Esta “vida de solidão”, como podemos chamá-la, é de uma importância que não se pode avaliar. E, como que com uma trombeta, queremos divulgá-la aos ouvidos de nossos irmãos. Permita-nos voltar as páginas do próprio Livro de Deus, pois não podemos ir a outro lugar, caso buscamos luz sobre este ou qualquer outro assunto. Ao pesquisar em suas preciosas páginas, encontramos que os homens de Deus (os fortes homens de Deus) foram aqueles que tem estado na “escola de Deus”, como esta tem sido bem chamada e sua escola era simplesmente isto: “no deserto a sós com Ele mesmo”. Era ali onde eles obtinham o seu ensino, onde eles eram equipados para a batalha. E quando veio o tempo para se levantar no serviço público a favor de Deus, seus rostos não foram envergonhados e de modo algum, eles tinham rostos como que de leões. Eles foram valentes e intrépidos, sim, vitoriosos para Deus, porque a batalha já havia sido ganha no deserto com Ele.
Hoje em dia, quantos filhos de Deus, queridos por Ele são levados pelo “espírito do mundo”? E quantos cristãos auto-suficientes são empurrados para o serviço de Deus, ou empurram a si próprios, sem este aprendizado (esta disciplina do deserto)? Eles tomam um terrível “atalho” até a frente de batalha, porque aquele “atalho” cortou por completo “a escola de Deus”.
Quão diferente do que encontram nossos olhos nas páginas do Livro de nosso Pai. Encontramos a Abraão em doce comunhão com seu Deus, enquanto seu sobrinho mundano está correndo com o espírito da época, na ímpia Sodoma. Se procurarmos por José, o encontraremos pelo menos dois anos completos na escola de Deus (sendo que esta era a prisão do Egito) antes que ele se levantasse para instruir com sabedoria aos seus anciãos (Salmos 105:22), e “para conservar muita gente com vida” (Gênesis 50:20). Se procurarmos por Moisés, o encontraremos na escola de Deus atrás do deserto (Êxodo 3:1) e então, mas não antes, ele apareceu publicamente como libertador do povo de Deus. Se procurarmos por Davi, a solidão para ele, foi a escola de Deus. Ali ele matou o leão e o urso (1ª Samuel 17:34-36), quando nenhum olho humano estava próximo. Ele obteve a vitória somente com Deus. Recém saído da escola de Deus, ele se colocou diante dos milhares de Israel e enquanto todo Israel seguia a Saul, ele, homem do povo, “temendo”, havia um ali que não temia; e esse era aquele que havia estado na escola de Deus na solidão, a sós com Ele mesmo. Sem dúvida, seria maravilhoso então que o Senhor produzisse uma grande vitória em Israel naquele dia! Mas, por que multiplicar exemplos do Livro de Deus?
Poderíamos contar como Elias se escondeu junto a um ribeiro, que estava mais tempo a sós com seu Deus que andando nos lugares de testemunho público e que encontrou na solidão de Querite (1º Reis 17:9) uma disciplina necessária antes de que entregasse a mensagem de Deus. Poderíamos falar de Paulo, cuja viagem a Arábia parece ter sido não para outro propósito que o de estar na escola de Deus no deserto (Gálatas 1:17).
Mas destes exemplos que já trouxemos à atenção, nada pode ser mais claro do que isto: que se você ou eu vamos ser de alguma maneira usados por Deus aqui embaixo (se o glorificarmos sobre a terra) precisamos ter tempo para estar a sós com Ele. Se nós “não temos tempo”, devemos fazê-lo. Seja quem for ou o que for, poderá ser colocado de lado, mas, Deus não deverá sê-lo. Nós devemos ter tempo (cada um de nós, “dotado” ou “não dotado”) devemos ter tempo para estar a sós com Deus. É no quarto fechado que os leões e os ursos devem ser mortos. Mas, o Senhor torna claras todas aquelas coisas para nós, estando no deserto a sós com Ele mesmo. Somente então faremos verdadeiramente a obra de Deus (e a faremos a maneira de Deus), somente assim faremos as muitas coisas que Deus tem preparado para nós, e no tempo exato apontado pelo Pai. Quantos segredos obteremos do Senhor na solidão com Ele mesmo! E se nós não cuidarmos pelos segredos da sua presença, que cuidado terá Ele do nosso jactanciosos serviço? É a nós mesmos que Ele quer, e só aquele serviço que flui da alegria da sua presença é digna do seu nome. Somente tal serviço poderá resistir ao fogo do juízo e trará alegria no dia de Cristo, tal que não tenhamos corrido em vão, nem em vão, tenhamos trabalhado.
Que cada um de nós tenha o ouvido aberto à voz do Mestre quando Ele nos disser: “Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto” (Marcos 6:31), recordando que ainda que Ele era o Filho do Pai, o encontramos repetidas vezes indo “a um lugar solitário”, e lá orando, mesmo que para fazê-lo, tivesse que levantar-se “de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro” (Marcos 1:35). A mesma Testemunha fiel, como também seus fiéis servos em cada século, necessitam de uma experiência na solidão, um ensino do deserto, a sós com Deus, e, amados, nós também.
-autor desconhecido

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lançamento da Moriá Publicações em 26 de Novembro/11

Data do lançamento: 26/11/11 às 18 hs
Local: Templo da Igreja Batista Moriá
Endereço: rua Nogueira Acioli, 2195 - Joaquim Távora - Fortaleza - CE
Autor: Francisco Heládio Cunha dos Santos
Editora: Moriá Publicações
Páginas: 164
Formato: 14x21 cm
Preço de lançamento: R$ 19,90*
*após o evento das conferências anabatistas (de 24 a 28/11) o preço será de R$ 24,90.

A fé cristã sempre enfrentou desafios, tanto externos como internos. Um desses desafios que se apresentou ao longo de sua história e até hoje se faz presente é o equilíbrio entre a igreja como corpo de Cristo, habitado e vivificado pelo Espírito Santo e a igreja enquanto instituição. Muitos são os riscos que se apresentam a igreja quando ela se envereda no caminho de privilegiar apenas um desses componentes de sua vida, como fica evidente ao lançarmos nosso olhar para a história eclesiástica.
                O momento mais emblemático dessa relação tensa foi certamente o período em que a igreja geral defrontou-se com o movimento da Nova Revelação ou Nova Profecia, como se chamavam, ou Montanismo, nome dado por seus opositores. Entre tantos outros movimentos surgidos no período pós-apostólico, esse se apresentou como um retorno ao cristianismo primitivo, dirigido pelo Espírito e baseado nas Escrituras.
                Originário da Frígia, na Ásia, o movimento teve como seu líder inicial Montano, convertido do paganismo à fé cristã e que, na metade do segundo século, começou a proclamar sua experiência particular com o Espírito Santo, acompanhado posteriormente por duas mulheres Priscila (Prisca) e Maximila,  que juntamente com ele afirmavam ser usados pelo Espírito no dom carismático da profecia.
                Com uma teologia que defendia a prática da glossolalia e do profetismo, o quiliasmo ou o reino milenar em Jerusalém, a intolerância quanto às inovações doutrinárias e a insubordinação à hierarquia institucionalizada, o rigor ascético, a proibição do matrímônio e a fuga dos martírios, foram eles alvo da condenação por parte dos bispos da  igreja geral.
                Mas o que realmente foi esse movimento?  Fruto do milenarismo asiático influenciado pelo Apocalipse? Uma tentativa de retorno à Igreja das origens, sufocada pela organização sistemática?  Um movimento político religioso das igrejas rurais contra as igrejas urbanas e seus bispos centralizadores ou uma reação do conservadorismo presente nas regiões rurais contra a modernização, ou helenização, das igrejas urbanas que vão abandonando a origem carismática?
                Buscando uma resposta ao que foi realmente a Nova Revelação ou Nova Profecia, Francisco Heládio Cunha dos Santos usa primeiramente a Bíblia como base para analisar o comportamento do movimento, bem como a sociologia e as fontes históricas disponíveis, tanto contrárias como as favoráveis a Montano e seus seguidores.
                Diante do leitor surge assim um panorama muito mais vivo e amplo desse momento histórico da igreja cristã, com sólida base bíblica e teórica: uma igreja que enfrenta um momento de institucionalização e hierarquização, com a centralização do poder nas mãos dos bispos com base na sucessão apostólica e tradição oral, vê surgir em seu seio um movimento que busca viver o cristianismo primitivo, questionando tais mudanças.
                Entre vários méritos da presente obra, temos o do autor ter escolhido um momento histórico da igreja, em especial a brasileira, muito apropriado para lançar um novo olhar sobre um dos  mais incompreendidos movimentos da igreja cristã primitiva.
                Diante do quadro hoje presente no universo evangélico brasileiro, onde vemos desde aqueles que usando como pálida desculpa uma pseudo direção do Espírito Santo se insurgem contra qualquer forma de liderança, como aqueles que buscam centralizar o poder e proíbem ou demonizam as manifestações espirituais, uma das observações feitas pelo autor é muito pertinente:
A autoridade e o carisma não poderiam caminhar isolados um do outro. São pré-requisitos para a boa ordem da comunidade a fim de que vivam em sintonia com os ideais doutrinários e devocionais. Montano não pareceu um insurgente, mas mostrou-se um crente restaurador que vivia no contexto da Igreja. Sobre ele ocorreu uma visitação espiritual com intenções de alcançar os demais cristãos, ainda que eles fossem nominais e sem a experiência pentecostal. Os bispos não o observaram sobe este ângulo, antes o viram pelo viés da ameaça e desestabilização do poder. Como evidenciou-se, os bispos estavam tão afundados no racionalismo e no formalismo que a Igreja perdeu o vigor e o brilho do Cristianismo dinâmico. (p.105)
                A presente obra, rica em seu conteúdo, revela o profundo conhecimento do autor sobre o Montanismo. Trata-se de um trabalho objetivo, muito bem documentado e com fontes bem selecionadas; representa uma grande contribuição tanto para compreendermos melhor a história passada, como um alerta para avaliarmos o nosso proceder hoje como Igreja do Senhor.

Esequias Soares
Jundiaí, SP, 13 de outubro de 2011.

sábado, 15 de outubro de 2011

LANÇAMENTO do livro "MONTANISMO e os profetas catafrigas: uma análise contra-hegemônica da história do movimento montanista". (EM BREVE)

PREFÁCIO de Esequias Soares

A fé cristã sempre enfrentou desafios, tanto externos como internos. Um desses desafios que se apresentou ao longo de sua história e até hoje se faz presente é o equilíbrio entre a igreja como corpo de Cristo, habitado e vivificado pelo Espírito Santo e a igreja enquanto instituição. Muitos são os riscos que se apresentam a igreja quando ela se envereda no caminho de privilegiar apenas um desses componentes de sua vida, como fica evidente ao lançarmos nosso olhar para a história eclesiástica.
                O momento mais emblemático dessa relação tensa foi certamente o período em que a igreja geral defrontou-se com o movimento da Nova Revelação ou Nova Profecia, como se chamavam, ou Montanismo, nome dado por seus opositores. Entre tantos outros movimentos surgidos no período pós-apostólico, esse se apresentou como um retorno ao cristianismo primitivo, dirigido pelo Espírito e baseado nas Escrituras.
                Originário da Frígia, na Ásia, o movimento teve como seu líder inicial Montano, convertido do paganismo à fé cristã e que, na metade do segundo século, começou a proclamar sua experiência particular com o Espírito Santo, acompanhado posteriormente por duas mulheres Priscila (Prisca) e Maximila,  que juntamente com ele afirmavam ser usados pelo Espírito no dom carismático da profecia.
                Com uma teologia que defendia a prática da glossolalia e do profetismo, o quiliasmo ou o reino milenar em Jerusalém, a intolerância quanto às inovações doutrinárias e a uma certa insubordinação à hierarquia episcopal institucionalizada, o rigor ascético, a proibição do matrimônio e a não fuga dos martírios, foram eles alvo da condenação por parte dos bispos da  igreja geral.
                Mas o que realmente foi esse movimento?  Fruto do milenarismo asiático influenciado pelo Apocalipse? Uma tentativa de retorno à Igreja das origens, sufocada pela organização sistemática?  Um movimento político religioso das igrejas rurais contra as igrejas urbanas e seus bispos centralizadores ou uma reação do conservadorismo presente nas regiões rurais contra a modernização, ou helenização, das igrejas urbanas que vão abandonando a origem carismática?
                Buscando uma resposta ao que foi realmente a Nova Revelação ou Nova Profecia, Francisco Heládio Cunha dos Santos usa primeiramente a Bíblia como base para analisar o comportamento do movimento, bem como a sociologia e as fontes históricas disponíveis, tanto contrárias como as favoráveis a Montano e seus seguidores.
                Diante do leitor surge assim um panorama muito mais vivo e amplo desse momento histórico da igreja cristã, com sólida base bíblica e teórica: uma igreja que enfrenta um momento de institucionalização e hierarquização, com a centralização do poder nas mãos dos bispos com base na sucessão apostólica e tradição oral, vê surgir em seu seio um movimento que busca viver o cristianismo primitivo, questionando tais mudanças.
                Entre vários méritos da presente obra, temos o do autor ter escolhido um momento histórico da igreja, em especial a brasileira, muito apropriado para lançar um novo olhar sobre um dos  mais incompreendidos movimentos da igreja cristã primitiva.
                Diante do quadro hoje presente no universo evangélico brasileiro, onde vemos desde aqueles que usando como pálida desculpa uma pseudo direção do Espírito Santo se insurgem contra qualquer forma de liderança, como aqueles que buscam centralizar o poder e proíbem ou demonizam as manifestações espirituais, uma das observações feitas pelo autor é muito pertinente:

A autoridade e o carisma não poderiam caminhar isolados um do outro. São pré-requisitos para a boa ordem da comunidade a fim de que vivam em sintonia com os ideais doutrinários e devocionais. Montano não pareceu um insurgente, mas mostrou-se um crente restaurador que vivia no contexto da Igreja. Sobre ele ocorreu uma visitação espiritual com intenções de alcançar os demais cristãos, ainda que eles fossem nominais e sem a experiência pentecostal. Os bispos não o observaram sob este ângulo, antes o viram pelo viés da ameaça e desestabilização do poder. Como evidenciou-se, os bispos estavam tão afundados no racionalismo e no formalismo que a Igreja perdeu o vigor e o brilho do Cristianismo dinâmico. (p.105)

                A presente obra, rica em seu conteúdo, revela o profundo conhecimento do autor sobre o Montanismo. Trata-se de um trabalho objetivo, muito bem documentado e com fontes bem selecionadas; representa uma grande contribuição tanto para compreendermos melhor a história passada, como um alerta para avaliarmos o nosso proceder hoje como Igreja do Senhor.

Esequias Soares
Jundiaí, SP, 13 de outubro de 2011.
                                                Líder da AD em Jundiaí-SP, graduado em Letras (Hebraico) pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Hebraico, Grego e Apologia Cristã, bem como comentarista de Lições Bíblicas (CPAD) e autor de diversos livros, entre eles Visão Panorâmica do Antigo Testamento, Heresias e Modismos, Comentário Bíblico de Oséias, Analisando o divórcio à luz da Bíblia, Manual de Apologética Cristã, Testemunhas de Jeová, e coautor de Teologia Sistemática Pentecostal, editados pela CPAD, também é presidente da Comissão de Apologética Cristã da CGADB.




APRESENTAÇÃO
O presente livro, escrito por Heládio dos Santos, tem a tarefa de procurar retratar a história do Montanismo, movimento nascido na Frígia, Ásia Menor,  por volta da segunda metade do século II, sob um outro olhar, diferente da versão que a tradição eclesiástica deu ao movimento. Trata-se, portanto, de um empreendimento ousado: o de enfrentar séculos de história da Igreja para deslegitimar (ou no mínimo duvidar) (d)a visão difamatória que recebeu o movimento cristão liderado por Montano, visão sustentada sobretudo por Eusébio de Cesaréia, na sua clássica História Eclesiástica, e depois repercutida e acolhida, sem muita contestação, até hoje pela maioria da literatura cristã que trata do assunto.
É louvável, pois, o enfrentamento do autor do livro com a tradição histórica, pela coragem de revisitar e vasculhar obras e documentos antigos e fazê-los falar noutro tom, num tom dissonante dos acordes hegemônicos da opinião geral. Desta forma, através de uma análise atenta e cuidadosa deste material, o autor se permite discordar da história oficial, apresentando um outro olhar que a história, por razões várias (e às vezes espúrias, permitam-me o trocadilho), nos negou. Heládio dos Santos, com argumentos convincentes e abalizados em autores consagrados e em textos bíblicos, mostra-nos assim que o Montanismo pode ser não somente considerado um movimento genuinamente cristão, como pode ser visto como um grupo que se mostrou como uma continuação do modelo neotestamentário de Igreja para o cristianismo do seu tempo.
Na verdade, o livro procura responder a perguntas do tipo: a quem interessa detratar o movimento e atacá-lo como seita? Na boca de quem ou em que contexto histórico-eclesiástico o Montanismo ficou conhecido sob a pecha de herético? Por que não nos darmos o direito de examinarmos mais cuidadosamente o chamado - depreciativamente pelos seus adversários - Montanismo e lançarmos um olhar sob outro viés, sob outras lentes, dando-lhe um certo crédito pela coerência de vida e de doutrina que os mentores e adeptos do Montanismo mostraram ter com o Evangelho? As razões pelas quais o Montanismo foi atacado e vilipendiado realmente se constituem, todas elas, em denúncias dignas de crédito e capazes de desabilitar sua doutrina ou mesmo servem para desconfigurar o movimento como não-cristão?
Para responder estas questões, o livro se organiza da seguinte maneira: as considerações iniciais, nas quais introdutoriamente o autor situa o leitor historicamente no movimento, apresentando-lhe os objetivos e as motivações gerais de iniciativa de escrever a obra. No capítulo 1, o autor preocupa-se em mostrar a base bíblica em que se apoiou o movimento fundado por Montano. Não  foi aleatório, portanto, a escolha da pintura da capa do livro, em que, pregando no Areópago ateniense, aparece o apóstolo Paulo, de cujo ensinamento, deixado nas cartas neotestamentárias, serviu como uma das principais referências doutrinárias de Montano. O capítulo 2 aborda o nascimento do Montanismo e as  motivações que o levaram a se insurgir contra a cristandade da época. No capítulo 3, Heládio dos Santos debruça seu olhar criterioso para investigar historicamente a figura de Tertuliano, considerado um dos pais da Igreja,  que seguiu de perto as ideias montanistas. Aqui cabe ressaltar que Tertuliano, ao longo de suas obras apologéticas, doutrinárias e, sobretudo, polêmicas, não fez menção ao montanismo como movimento herético, mesmo tendo oportunidade, como grande defensor que era da doutrina cristã lembremo-nos inclusive de que é sua a conhecida obra Prescrições contra os Hereges.  Com formação em Ciências Sociais, no capítulo 4, não poderia o autor de se eximir de algumas incursões no terreno da sociologia da religião, fazendo uma análise da ação social de linha weberiana, ainda que breve, do Montanismo, para ressaltar como se constituía o ethos e a práxis dos cristãos montanistas. Este capítulo prepara-nos para o seguinte, o capítulo 5. Neste, é dedicado à análise e à avaliação, com bases bíblicas e históricas, dos principais pontos característicos da ética e da doutrina montanistas. No capítulo 6, destaca o autor como os preceitos montanistas podem ainda servir/sobreviver  para a nossa geração. Frente a isso, cabem as perguntas: quais as ressonâncias deste movimento na atualidade? Estamos contextualmente vivendo no mesmo tempo de frieza e indiferença a um cristianismo autêntico da época de Montano/Priscila/Maximila e, por isso mesmo, desejosos de ouvir os ecos das ideias e dos ideais defendidos com tanto coragem pelos montanistas? Nas considerações finais, traz o livro breves e gerais comentários sobre o já tratado durante toda a obra, mas pontuando o valor dos ensinamentos bíblicos deixados pelos montanistas. Fechando o livro, há uma bibliografia relevante e um conjunto de sites que serviram de fontes legítimas para a produção da obra.  
O livro, ao final, parece ter cumprido a sua tarefa: fazer um balanço honesto do movimento montanista, através de uma releitura descomprometida das imposições interpretativas da história oficial.
Para encerrar esta apresentação, é preciso dizer que o livro traz uma contribuição significativa para  a literatura cristã, tanto pelo ineditismo de uma obra em português que versa, toda ela, sobre um dos movimentos mais importantes da Igreja, bem como pelo tipo inusitado de abordagem dado ao Montanismo.


João Batista Costa Gonçalves
(Doutor em Línguística, Professor Adjunto do Curso de Letras
e do Mestrado em Linguística Aplicada da Universidade
Estadual do Ceará (Uece) e Professor de Hermenêutica
Teológica do Curso de Pós-Graduação em Teologia Histórica e Dogmática)

sábado, 6 de agosto de 2011

Um Templo ou um Teatro?

Os homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a ‘dúvida sincera’ de vocês é muito melhor do que a fé”. Talvez o leitor diga: “Mas ninguém fala desta maneira”. É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista. O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites. Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus? Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.


Por Charles H. Spurgeon
Autorizado por Felipe Sabino de Araújo Neto®


A RELIGIÃO E A ARTE

A arte, como uma das expressões supremas da cultura humana, tem o seu lugar também no campo religioso. Não há nenhuma dúvida de que a natureza religiosa do homem, bem como as suas aspirações pelo eterno podem ser representadas. A altura dos prédios religiosos e sua aparência imponente, por exemplo, revelam a esfera do sagrado como a região mais elevada e profunda do ser, assinalam que o temor e o fascínio são os sentimentos que devem evidenciar o encontro do homem com o seu criador.

A crença numa salvação mecânica, realizada por meio de sacramentos e cerimônias, como a que é defendida pelo catolicismo romano, manifesta-se na decoração interna de seus prédios religiosos, como se pode ver na centralidade do altar eucarístico, nas vestes sacerdotais, velas, incensos, sinos etc. Por outro lado, a doutrina protestante, segundo a qual a salvação, sendo pessoal e mediante a fé, começa pelo ouvir da Palavra de Deus, mostra-se na figura do púlpito ocupando a posição mais destacada no edifício religioso, bem como na elevação da tribuna.

O desenho do peixe, por exemplo, tornou-se por razões históricas em um símbolo do cristianismo, enquanto a figura de uma pomba ou a do fogo, lembrando os fatos históricos relacionados à descida do Espírito Santo sobre Jesus e, posteriormente, sobre os cristãos no dia de Pentecostes, pode significar adesão à crença pentecostal na atualidade das manifestações sobrenaturais e miraculosas da divindade.

Todas as representações até agora citadas expressam a natureza religiosa do homem, ou seja, têm natureza antropológica. Todas são passíveis de serem adequadamente lidas. A grande questão, entretanto, é se a própria divindade deve ser representada para fins de culto e se tal representação pode ser lida de modo a ensinar a verdade.

De acordo com o pensamento católico, as imagens de esculturas têm valor pedagógico, tanto por ajudar as pessoas a aprenderem sobre Deus como por estimularem o culto. No século VI, quando o culto às imagens não se tinha generalizado na Igreja Romana, o papa Gregório, o “Grande”, começava a defender a introdução de quadros nos templos como uma “muleta” para os iletrados. São suas as seguintes palavras:“Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor, as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes vêem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.

Noutra perspectiva, o entendimento protestante, em plena consonância com a orientação bíblica, apesar de admitir o valor da arte, conclui que as imagens têm valor negativo, tanto para ensinar acerca de Deus como para fortalecer o culto.

Deus é o “numinoso”, uma realidade inefável que deve impressionar o espírito humano num encontro imediato, ou seja, sem a intervenção da imaginação. Os artifícios criativos da mente humana só limitarão a divindade, criando ídolos. No Areópago de Atenas, o apóstolo Paulo discursou:“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas (...) Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.” (Atos 17: 24-29).

Santo Agostinho disse:“Pense o homem o que quiser: um ser criado não se compara ao criador. Exceto Deus, tudo o que realmente existe foi feito por Deus. Quem pode calcular exatamente a distância entre o criador e a criatura? O salmista declara, por isto: ‘Não há entre os deuses quem te seja semelhante, Senhor’. Não explicou quanto difere de Deus, porque é impossível dizer. V. Caridade preste atenção. Deus é inefável. É mais fácil exprimir o que não é do que aquilo que é. Pensas na terra. Deus não é isto. Pensas no mar. Deus não é isto. Em tudo que existe na terra, homens e animais. Deus não é isto. Tudo o que brilha no céus, as estrelas, o sol e a lua. Pensa nos Anjos, Virtudes, Potestades, Arcanjos, Troncos, Sedes, Dominações. Deus não é isto. E o que é então? Somente pude declarar o que não é. Perguntas o que é? ‘O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu’(cf I Cor. 2:9). Por que procuras que exprima a língua o que o coração não percebeu? ‘Não há entre os deuses quem te seja semelhante, Senhor, nem que seja comparável a tuas obras’”.

O conhecimento de Deus é diferente do conhecimento intelectivo que forma imagens concretas ou abstratas a partir de informações enviadas pelos sentidos físicos. No conhecimento intelectivo, a imagem é dominada pelo sujeito, podendo ser alterada pelo poder da imaginação. Entre o homem e Deus não há a relação sujeito-objeto para que o homem possa trazer Deus para a sua mente sob a forma de imagem, antes, há uma relação pessoa finita-pessoa infinita, onde cabe ao homem sair de si e mergulhar em Deus. Não é Deus que entra na mente humana sob a forma de imagem, mas é o homem que entra em Deus pelo abandono de si. De acordo com Max Scheler:“Este caminho, que leva a se perder a si mesmo, para ganhar novamente em Deus, no plano ético se chama humildade, e no plano intelectual ‘intuição’ pura. Tal desobstrução é o risco mais extremo, e, ao mesmo tempo, para o ser da alma mesma, o movimento aberto à existência da ousadia. Esta é a renúncia radical à força e ao valor próprio, o puro ‘se despedir de Deus colocando Cristo sob as asas da galinha’(Lutero), que tão brilhantemente foi descrito há pouco tempo por William James. Em um trecho de seu livro A experiência religiosa em sua variedade, intitulado por ele como ‘Conversão’, ele tece comentários notáveis acerca dos dois tipos de conversão, a ‘voluntária’ e a do ‘abandono de si’. Ele mostra, em uma série de exemplos, como este segundo tipo possui uma significação maior do que o primeiro.”

Embora seja tolerável que o homem use metáforas e símiles para falar de Deus, isso só acontece porque esta é a única forma possível de falarmos do inexprimível. No entanto, cada pessoa deve estar cônscia de que os termos são apenas figuras de linguagem. Atentemos para as observações de Santo Agostinho:“Refiras-te como quiseres à eternidade. Por isso fala como quiseres, porque, seja o que for que disseres, dirás menos do que é. Mas é preciso dizer alguma coisa, para poder pensar o que não se pode exprimir.” “Só ele é inefável, ele que ‘disse e tudo foi feito’. Disse e fomos feitos; mas nós não podemos dizer o que ele é. Seu Verbo, no qual ele nos criou, é seu Filho, para que nós, em nossa fraqueza, de algum modo o exprimíssemos, ele se fez fraco. Podemos pôr júbilo no lugar da palavra; trocar o verbo por uma palavra não podemos. ‘Jubilai, pois, diante do Senhor, terra inteira”.

A imagem esculpida desperta os sentidos físicos, criando inclinações afetivas que culminam na idolatria. A visão não pode ajudar a fé, pois se contrapõe a ela.“Porque andamos por fé, e não por vista”(II Cor. 5:7). “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11:1).

A fé, segundo a Bíblia, vem pelo ouvir e não pelo ver:“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”(Romanos 10:17)

É bom lembrar que Jesus veio na plenitude dos tempos (Gálatas 4:4), e, nesse período, não havia fotografia. Nenhum legítimo cristão contemporâneo a Jesus ousou fazer um desenho da sua pessoa . A sua imagem na cruz, que tanto querem representar, não é passível de reprodução, conforme a observação do profeta bíblico:“Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens” (Isaías 52: 14).

É bom lembrar que, segundo os evangelhos, Jesus foi chicoteado com um instrumento de várias pontas nas quais, de acordo com registros históricos, encontravam-se lâminas e pedaços de ossos. Seus cabelos e barbas foram arrancados. Uma coroa de espinhos penetrou na sensível pele da cabeça. Bateram-lhe no rosto com murros e na cabeça com uma cana. Sem falar da própria crucificação que implicava em ter o corpo traspassado e as juntas separadas. Segundo a profecia messiânica, foi esse o comportamento do salvador: “As minhas costas ofereci aos que me feriam, e a minha face aos que me arrancavam os cabelos; não escondi a minha face dos que me afrontavam e me cuspiam.” (Isaías 50: 6).

A imagem atual do Cristo glorificado ainda é mais difícil de ser representada. Disso testemunhou o apóstolo João no livro do Apocalipse: “E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa cumprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como a lã, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto....”(Apoc. 1: 13-17).

João Calvino contestou violentamente a posição de Gregório segundo a qual as imagens são úteis para a instrução dos iletrados:“Quando, portanto, Jeremias (10:3) proclama que o lenho é o preceito da fatuidade, quando Habacuque (2:18) ensina que a imagem fundida é a mestra da mentira, por certo que daqui se deve deduzir esta doutrina geral: que é fátua e, mais ainda, mendaz tudo quanto das imagens hajam os homens aprendido acerca de Deus.”

As palavras do profeta Habacuque são muito claras:“Que aproveita a imagem de escultura, depois que a esculpiu o seu artífice? Ela é máscara e ensina mentira, para que quem a formou confie na sua obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz ao pau: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que está coberta de ouro e de prata, mas dentro dela não há espírito algum. Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” (Habacuque 2: 18-20).

Em Deuteronômio 4:15, 16, a Bíblia diz:“Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher ....”

No concílio de Elvira (séc. IV) se decretou (cânon trinta e seis) :“Resolveu-se que se não tenham nos templos representações pictoriais, assim que se lhes não pinte nas paredes o que se cultua ou adora.”

Na visão cristã, o culto a Deus é algo que deve acontecer com estímulos unicamente espirituais, tendo em vista a própria natureza de Deus: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”(João 4: 24).

Desse modo, ausência de imagens no templo protestante revela a crença de que o culto deve ser espiritual, com estímulo vindo de dentro e não de fora. Leland Riken, explicando a visão de culto dos puritanos ingleses do século XVII, disse:“Os puritanos chamavam seus templos de ‘casa de reunião’ num esforço para desviar a atenção do lugar físico para as atividades espirituais, as quais eram o verdadeiro âmago do culto da igreja. Para qualquer um que crê que a ‘beleza da igreja é toda interior.... e que devem ser simples’, tirar imagens visuais das igrejas é a única prática possível. Havia, como veremos, outras razões para o iconoclasmo puritano (principalmente a aversão à idolatria), mas a crença na primazia do culto espiritual da sua doutrina da igreja era a razão principal”.

Sigamos, portanto, às orientações do apóstolo Paulo:“... mas enchei-vos do Espírito; falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Efésios 5:18,19).

Pr.Glauco Barreira Magalhães Filho

PERDÃO DE DEUS: é de que o homem precisa

Em Lucas 5:17-26 (Mat 9:1-8), é narrado um fato interessante. Uns homens transportavam um paralítico numa cama desejando pô-lo diante de Jesus, todavia, por causa da grande multidão, foi necessário descê-lo pelo telhado, e o Mestre, perante esta cena, disse-lhe: perdoados são os teus pecados. Esta frase gerou uma certa polêmica. Os escribas e os fariseus pensaram que se tratava de uma blasfêmia. Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?(Luc 5:21). No entanto, o mais fascinante foi a resposta do Senhor Jesus ao pensamento daqueles incrédulos: Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?

Eles, considerados doutores da lei, mal sabiam que ali estava o Todo-Poderoso, o unigênito filho de Deus, e que estava dizendo o que a humanidade mais precisa receber de Deus – o perdão! A Bíblia revela claramente a situação, resultante do pecado, entre o ser humano e o Criador: ...como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.(Rom 3:10,11); ...mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós... (Is 59:2); Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam. E não há quem invoque o teu nome, que desperte, e te detenha; pois escondeste de nós o teu rosto e nos consumiste, por causa das nossas iniqüidades. (Is. 64:6, 7). Revela ainda o destino dos homens sem Deus: ...sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre... (Apoc. 22: 8). A humanidade precisa, portanto, reconciliar-se com o seu Criador.

Quando li, pela primeira vez, o texto inicialmente mencionado, chamou-me atenção o fato de Jesus dizer, primeiramente, ao paralítico perdoados são os teus pecados em vez de ordenar sua cura física. O Espírito de Deus me ensinou! Considerando que naquela época o paralítico era rejeitado, não tinha direitos como hoje, era tido como um “coitadinho”, era marginalizado, o Mestre quis dar uma lição. O problema no corpo daquele homem revelava o estado da vida espiritual da humanidade, pois o homem sem Deus está mal, deficiente, debilitado, ou melhor, está como um paralítico, seu estado físico era a imagem do espiritual, por isso o Salvador disse: Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Jesus deixou claro que Deus podia fazer as duas coisas, para o Senhor nada é impossível (Luc 1:37), no entanto aquele homem estava precisando de algo mais importante que a cura de seu corpo – o perdão de Deus! A cura espiritual! Afinal, de acordo com a Bíblia, o que adianta o homem ganhar o mundo, mas perder sua alma? (Mt 26:16) O ser humano precisa é de paz com Deus, ou seja, ter os pecados perdoados e passar a vivenciar um relacionamento profundo e perene com o seu Criador.

A paz com Deus é obtida através de Cristo, quando o homem, arrependido de seus pecados, confia em Jesus, sabendo que pode perdoar seus pecados e salvar completamente sua vida. (Rm 5:1). Pedro sabiamente desse: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor (At 3:19). É preciso arrepender-se e voltar-se para Cristo. Qualquer pessoa pode ir confiante a Jesus, porque ele perdoa verdadeiramente. Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.(Hb 8:12)

Felizmente Deus não é como os seres humanos, que guardam rancor. Ele se esquece do males realizados pelo homem, apesar de tantas vezes lhe afrontar, quando este se volta para Jesus em busca de perdão. Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniqüidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar. (Mq 7:18,19) Que Deus maravilhoso! O próprio Senhor deixa claro esta verdade ao falar também através do autor da Epístola aos Hebreus 10:17: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades.

Portanto, Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto." (Is 55 : 6)

No amor de Deus,

Ernani Moreira.