O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Justin Bieber, evangélico?!


Tendo surgido de forma inusitada no cenário midiático americano, Justin, como alguns o chamam, logo ganhou fama pelo mundo com suas músicas divertidas e joviais. É, muitos jovens e adolescentes vibram ao som de “oh, baby”, cantando com paixão o hit que foi febre durante meses lá e cá. Os ritmos, as letras melodramáticas e tantos outros componentes fizeram com que o nome Justin Bieber ganhasse fama e admiração. A meu ver, seu jeito menino de ser é uma das ferramentas mais potentes para massificação do produto que está sendo oferecido: uma música que influencia. Não é de admirar o fato de ele ter feito tanto sucesso na indústria secular: é um ritmo pop do mundo e do momento. Fazer sucesso em início de carreira é o que todo cantor, cantora ou banda almeja, principalmente, quando tem atrás de si alguém que lhes projete com uma finalidade estritamente capitalista. Contudo a questão não é essa, mas o fato de Justin se dizer evangélico, “abençoar” seu público em shows e cantar músicas seculares e estar influenciando grande parte da juventude evangélica brasileira.
                Por mais que alguns digam que as letras de suas músicas são ingênuas e não apelam, nem despertam paixões carnais, devemos nos preocupar para saber se realmente são tão ingênuas como dizem. Outro problema é que ao som de Justin Bieber nasce outra geração de “seguidores de Cristo”; uma geração misturada entre o secular e o espiritual. Muitos filhos de crentes estão ouvindo suas músicas e refazendo suas perspectivas cristãs. Os valores que nossos jovens têm recebido em lar cristão tendem a mudar e a declinar porque muitos outros jovens caíram na teia de Bieber. “Se eles podem, porque nós não podemos também!”. Pensam alguns jovens sem entenderem o que está por trás da fachada. Se não houver uma reflexão crítica, amparada de um diálogo direto, o problema que isto pode causar para nossos jovens será grande, pois quem sabe, daqui a pouco irão querer cantar nos cultos uma música de Bieber. Se é que já não tentaram.
                Justin Bieber é reflexo de um evangelicalismo que ruiu nos EUA. A falta de devoção está tão ausente das famílias cristãs de lá que a formação que dão aos seus filhos parece ser para glória mundana. Ser evangélico virou ser religioso, ter compromisso com o ritual e não com a vida santificada e reta. Evangélico pode fazer qualquer coisa, inclusive, comportar-se tal qual um mundano. A única exceção é o agravo à moral (que moral e que contradição!). Não percebem que essa inserção de Bierber como atração secular causa inversões de valores, inclusive, na cristandade evangélica brasileira. Por que isso acontece? Simples. O brasileiro é tão americanizado que não tem restrições para abrir as portas de suas casas para a onda americana, no caso, Bieber. No Brasil, ele tem sido recepcionado por tietes evangélicas, participantes de fãs clube que exaltam o cantor e que passaram horas e dias na fila para assistir seus shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Será que esses jovens são tão fervorosos nas reuniões de oração e vigílias, na vida em comunhão com Deus? Certamente que não, pois quem tem essa paixão bierberiana não consegue sentir o amor pelas dádivas divinas. Corroborando, Paulo disse que isso ocorre porque não há unidade entre Cristo e belial, entre o que é espiritual e o mundano. Portanto, não sendo espirituais, não sendo servos nem filhos de Deus, amam o menino mundano Justin Bieber

quinta-feira, 8 de março de 2012

A decadência moral dos evangélicos

Desde o início do século XXI, inúmeras mudanças ocorreram no meio evangélico provocando um redirecionamento da fé. Fruto de um processo lento e avassalador ocorrido desde a década de 80 (talvez até antes), sua moral, dentre outras, entrou em declínio. Por que isto aconteceu? A resposta para tal questão é robusta, não podendo ser apresentada como algo específico. As alterações são resultados de muitas interferências dos homens de poder que ficaram secularizados e modificaram o discurso da pregação de um Evangelho que muda vidas para vidas que mudam o Evangelho.
            Kenneth Hagin e Benny Hinn transformaram suas experiências em doutrinas, rompendo com a ortodoxia histórica da Igreja e fermentando o evangelicalismo com heresias. Adeptos de suas convicções, alguns brasileiros crédulos (pastores e pastoras liberais), recepcionaram o bojo doutrinário advindo dos EUA e proclamam em seus púlpitos as falácias daqueles “profetas”. A consequência foi danosa. O tradicionalismo que é visto como conservador foi desbancado para dar lugar às experiências particulares de alguns oráculos desta nova ordem evangélica. O conservadorismo foi e continua sendo rejeitado, pois os novos valores adquiridos com tantas experiências extra bíblicas e anti-bíblicas caíram na graça de um povo não compromissado com a causa maior do Evangelho: a abnegação. O credo apostólico foi ignorado, porém afirma que o todo doutrinário é aquilo que altera a parte, o indivíduo. Jamais deveria ter sido esquecido, mas para confirmar a apostasia isto tem que acontecer.
            A igreja evangélica está numa situação tão escandaloso que o testemunho pessoal já não mais importa. Ter uma conduta irrepreensível, ilibada e devotada é tida como obsoleta, quadrada. O crente moderno gosta de fazer o que o mundano faz: torce pelo time do coração, é aproveitador (um dos males da cultura brasileira), age por egoísmo e interesses, não se preocupa com uma vida interior devotada a Deus, mas com o embelezamento artificial exterior, gosta de ouvir músicas mundanas, veste-se sem pudor, tem a língua afiada para exigir direitos, mas não aceita os deveres de ser cristão etc. Na verdade, ser evangélico hoje é uma mistura de tendências da moda, hedonismo, falsa religiosidade e de uma rebeldia explícita. Além disso, os referenciais dessa massa sem conversão são artistas midiáticos, entre outros que são convertidos desse novo momento. 
Essa modificação no cenário evangélico reprimiu a influência do Santo Espírito. Não há muitas conversões com constrangimento e compulsão como houve em Atos. Não há mais temor como existe nas Escrituras. As pessoas acham que o papel delas enquanto cristãs se limita a programações das mais diversificadas, porém à Noiva de Cristo cabe pregar a Palavra e viver por ela. A maioria dos evangélicos esqueceu esse preceito e também será esquecida no tempo das bodas...  

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As tendências Globais e a mercantilização da música gospel


Ontem(13/02/12), ao assistir ao telejornal da rede Record e vê as notícias sobre a greve dos bombeiros e policiais do Rio de Janeiro fiquei surpreso com a cobertura que essa emissora deu a um evento que passou quase despercebido. Uma equipe da rede Globo que faria a cobertura de uma manifestação, promovida por cerca de 400 policias militares e bombeiros grevistas que reivindicavam melhores condições de trabalho e a liberação de seus líderes presos, foi expulsa do local por serem acusados de distorcerem as informações. Os repórteres e cinegrafistas da Globo saíram do local onde ocorria a passeata sob vaias e gritos de “Fora Globo”. Eles foram acusados de fazer cobertura tendenciosa sobre a greve, favorecendo o governo. Os grevistas cercaram a equipe desde o foco da manifestação até o carro. Acompanhada pela turba enfurecida e debaixo de xingamentos e tentativas de agressões, o grupo jornalístico se retirou do local debaixo de inúmeros protestos.
Hoje(14/02/12), ao assistir o telejornal da manhã da rede Globo, ouvi na abertura do jornal a notícia que dizia “casal homossexual é agredido em aeroporto do Rio de Janeiro”. Imaginei logo mais uma repulsa agressiva ao fato de pessoas serem homossexuais. Melhor dizendo, “mais lenha para a fogueira” da discussão sobre o problema da homofobia que é a rejeição por completo da opção sexual de determinados indivíduos. Biblicamente falando, a homossexualidade é pecado. Portanto, desaprovada por Deus. No entanto, agredir uma pessoa pelo fato de ser um homossexual é algo que revolta qualquer pessoa que tem o senso de dignidade da pessoa humana (não confundir com dignidade de ser homossexual, pois não existe) e de justiça. O fato de ser contra a prática homossexual não me dá o direito de favorecer a prática agressiva contra tais sujeitos. Os agressores devem ser julgados pelos atos cometidos.
            Porém, ao assistir a reportagem completa verifiquei que o problema não foi de homofobia, como o título da notícia no início do jornal quis dramatizar. Inclusive, a própria pessoa agredida disse que a agressão não fora causada pela discriminação sexual, mas simplesmente porque o “casal” e um sobrinho de uma das vítimas não quiseram embarcar em um táxi clandestino. A negação, desde o saguão do aeroporto até a saída, gerou uma revolta no taxista que impulsivamente agrediu aqueles rapazes. Mais uma vez a Globo com uma notícia tendenciosa. A Globo parece estar fazendo uma apologia ao homossexualismo e apelando para todas as situações que aparecem os agentes da discussão do momento. Que coisa! Será que os cursos de graduação em comunicação social não têm uma cadeira de ética da profissão?
            Desde algum tempo após minha conversão, tive muitas ressalvas à Globo. Como cristão vejo que a programação exibida nessa rede televisiva fere princípios cristãos, principalmente, nesses últimos dias que a referida emissora defende, de forma explícita, a prática homossexual em toda sua plenitude. Em duas notícias vimos que a Globo mostra-se tendenciosa, ou seja, não tem um parecer próprio sobre os acontecimentos. Parece beneficiar-se com as veiculações da programação para agradar aquele que tem maior poder. Infelizmente, muitos cristãos, iludidos, estão vivendo um período de grande estima a ela pelo fato da emissora ter realizado um “Festival de música gospel”. Algo que a meu ver, denegriu ainda mais a imagem desviada do evangelicalismo nacional.

Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou para a Globo e os evangélicos...
A emissora, tradicionalmente ligada à Igreja Católica, dedica 75 minutos de programação ao segmento. Vão ao ar às 13h trechos do festival Promessas, produzido pela Globo com os principais nomes da música gospel.

Qual será a finalidade desse evento? Seria a proclamação da Palavra de Deus ou a criação de uma mídia gospel mundanizada? Continua a Folha:

O festival teve tratamento VIP na Globo e consumiu R$ 2,9 milhões da Prefeitura do Rio...A Globo confirma o encontro e diz que "coincidiu com intenção antiga de se aproximar mais do segmento gospel". Circulam nesse mercado R$ 2 bilhões anuais.

            E como isso chegou ao estado atual? Responde a Folha:

A estratégia de aproximação começou há dois anos, após o "Jornal Nacional" fazer uma série de reportagens sobre trabalho social de igrejas. Desde então, a rede tem dado destaque em seu noticiário a eventos da comunidade evangélica. A presença de músicos gospel nos programas de Xuxa e Faustão cresceu, e há planos para um programa aos sábados.

No momento em que vivemos, o capitalismo está saturado. Os mercados locais e globais já não têm a facilidade de escoamento de sua produção em vistas da concorrência globalizada. Toda nova maneira de ganhar dinheiro, digo, muito dinheiro, é a oportunidade que muitos estavam esperando. Por isso, o meio evangélico está sendo “atacado” pelas táticas mercadológicas do mercado mundano. Nunca tivemos a oportunidade de ouvir música gospel em FMs seculares. Hoje, esta barreira foi rompida. Por qual razão? Do retorno capitalista. O mercado gospel movimenta cerca de 2 bilhões anuais e em breve movimentará muito mais. Por essa razão, muitos cantores gospel não fazem música para adorar a Deus, mas para terem altos contratos com a SOM LIVRE e outras gravadoras importantes. O que importa é vender para ganhar. A Globo, com suas táticas, está promovendo um novo movimento evangélico sim, um movimento híbrido. Doutrinas mudaram e irão mudar, o comportamento cristão é outro e as pessoas descrentes já não veem o brilho da legítima espiritualidade em muitas igrejas. Concluo que as tendências Globais visam o lucro e a atenção de telespectadores evangélicos (tem crente até que gosta e vota no big brother brasil-Permitam-me colocar em minúsculo o título do programa dado seu depreciativo entretenimento e por ter uma moral negativa e profana). Essas são suas intenções. Como a maioria dos crentes está crendo na doutrina da prosperidade, eis aqui um prato cheio para ambos. Enquanto isso, as virgens prudentes estão sendo esquecidas e não mais ouvidas pela grande multidão evangélica. Porém, incessantemente aguardam a volta do Cristo e purificam-se dessas mazelas. Devemos estar atentos a qualquer intervenção na vida da Igreja. Oremos para que o Senhor possa guardar os seus e elevar-nos a sua presença.           
   

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Por que crentes ficam carnais/liberais?


Geralmente, ao professarmos a fé cristã, somos contagiados por uma experiência nova. Isto ocorre pelo favorecimento da graça de Deus gerando plena certeza do ato de salvação em alguns ou a simples emoção do contágio em outros, sendo concebida de duas maneiras: com autenticidade, em razão do real arrependimento, ou com aparência de autenticidade, devido uma mera satisfação superficial não discernida espiritualmente.
Com o passar do tempo, podemos detectar através das obras praticadas qual foi a experiência vivenciada em cada sujeito. Se houve um desprendimento dos valores efêmeros através do processo de fé e convicção, concluiremos ter havido uma experiência de transformação na qual houve uma entrega incondicional ao senhorio de Cristo, confirmando a maneira pela qual o redimido se encontra na condição de filho de Deus. A conseqüência é determinada pela experiência verdadeira que torna o indivíduo familiarizado com a vontade de Deus posta nas Escrituras para sua vida.
Por outro lado, quando o agente se embaraça com a doutrina de Cristo, aceitando uma parte e rejeitando a outra, percebemos algo que não se coaduna com a forma de comportamento encontrada na vida cristã. Podemos dizer que a verdadeira experiência com Cristo não ocorreu, uma vez que não há um desejo direcionado à prática de seus princípios plenos. Além disto, uma das formas de se dizer isto nos escritos dos evangelhos e epístolas é sob a forma de escandalizar-se. Quando alguém reluta na prática da modéstia cristã, por exemplo, ela está se escandalizando de Cristo por causa de sua doutrina, uma vez que não quer praticá-la. Foi-nos dito pelo Senhor: “Bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar” (Lucas 7:23). Jesus nos fala sobre o fato de sermos abençoados Nele, compartilhando de uma comunhão profunda e de uma sujeição à sua Palavra, pois, se conscientemente assim não fizermos, estaremos dizendo que estamos escandalizados e ofendidos com Ele, com sua Palavra e com seu direcionamento. Escandalizar-se é o mesmo que rejeitar por não querer fazer, demonstrando, assim, as provas de sua intenção parcial para com o Evangelho. Vale ressaltar que muitos supostos cristãos estão nesta condição de escandalizados, apesar de não se julgarem assim. Estão tão obscurecidos com uma racionalidade humana e caprichos pessoais que não vêem como são insensíveis à voz do Espírito. Não percebem que estão reduzindo todo conjunto doutrinário a um compêndio Escriturístico, restringindo-se a sujeitos tendentes às doutrinas que lhes favorecem devido suas intenções particulares, descaracterizando-se como fiéis a Cristo. Este problema vem desde muito tempo. Há aproximadamente 30 anos, a Igreja evangélica vem passando por um processo de decadência moral. Suas atitudes não são mais as mesmas, suas preocupações foram redirecionadas, enquanto que a vida da comunidade foi definitivamente afetada com a falta do sentimento cristão. A maioria das igrejas perderam o prazer de servir a Cristo diante do mundo, para “servi-lo” em templos pomposos cheios de divertimentos e banalidades promovidos pelos seus promotores de eventos: os senhores pastores pós-modernos.    
Para responder a pergunta introdutória deste artigo, diria que o problema é amplo e individual. Amplo, pois a maioria da comunidade dita evangélica caiu no modismo pós-moderno do vislumbre de ser evangélico na atualidade. Virou moda, sabia? Está na mídia. É prazeroso ser evangélico, pois faz com que muitos sejam, agora, reconhecidos, já que antes não eram. Porém o dissabor não está na evidência, mas sim na conformidade com o mundo. A Igreja evangélica de hoje tem seus paradigmas adaptados em consonância com as tendências mundanas. Grande parte do movimento evangélico passou pelo processo de mundanização assimilando as maneiras de cantar, de compreender (racionalização) e até de pregar, que agora é segundo os discursos da auto-ajuda e da motivação para o sucesso. Que pena!
A individualidade entrou em questão uma vez que representa o querer do sujeito. Os religiosos evangélicos não querem mais comprometimento com as Escrituras, nem sua disciplina, preferem o bel-prazer de ordenarem suas vidas segundo uma visão particular de mundo. Nisto, evidenciam que não passaram pela conversão, pois o ego é o rei e senhor deles próprios. Continuam a praticar isto, pois se escandalizaram do ensino de Cristo que diz: “ Se alguém vier a mime não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vidanão pode ser meu discípulo”  (Lucas 14:26). A falta de desprendimento do eu destes indivíduos faz com que concluamos pela não vinculação entre Cristo e eles. Noutras palavras, não podem ser discípulos de Cristo. No entanto, muitos falsos discípulos imperam sobre comunidades promovendo movimentos que levam o povo à escassez espiritual e à abundância de carnalidades. Em conversa com uma missionária de Brasília há alguns meses, ela me confidenciava o problema dos encontros de sua igreja. Os líderes das programações e os adeptos promoviam festas banais, atividades de entretenimento e muita conversa sem edificação sobre sexo, jóias e sucesso profissional, enquanto que o essencial era reprovado, ou seja, ninguém queria buscar a Deus, antes queriam jogar conversa fora. Este é o retrato do descaso das supostas igrejas atuais. 
 Há quem pense que estamos simplesmente atacando determinados grupos denominados evangélicos. Não é esta a intenção. Nossa intenção é bem objetiva, tentamos de alguma forma barrar e protestar contra a apostasia instaurada que está assolando a Igreja, contaminando inúmeros contingentes, e tentando demonstrar nossa piedade para quem está vivendo um cristianismo falsificado, sem experiência e sem paixão por Jesus. Que Deus nos ajude a continuar com o zelo e amor cristão por quem já o perdeu.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No deserto com Deus


Nestes dias de confusão e extrema pressa, nos encontramos cara a cara com um perigo terrível: falta de tempo a sós com Deus. O mundo nestes últimos dias está correndo rápido. Vivemos no que se chama “a era do progresso”, e “você sabe, necessitamos estar em dia”, assim diz o mundo. Mas, este espírito do mundo não se confinou somente ao mundo. Lamentavelmente se encontra entre os santos de Deus. E qual é o resultado? O resultado é: não há tempo para estar a sós com Deus, e isto é seguido imediatamente por una falta do desejo de estar com Ele. E depois disto? Certamente a pergunta não necessita de uma resposta. Pode existir uma condição mais deplorável que a de um filho de Deus que não tem o desejo de estar a sós com seu Pai?
Esta “vida de solidão”, como podemos chamá-la, é de uma importância que não se pode avaliar. E, como que com uma trombeta, queremos divulgá-la aos ouvidos de nossos irmãos. Permita-nos voltar as páginas do próprio Livro de Deus, pois não podemos ir a outro lugar, caso buscamos luz sobre este ou qualquer outro assunto. Ao pesquisar em suas preciosas páginas, encontramos que os homens de Deus (os fortes homens de Deus) foram aqueles que tem estado na “escola de Deus”, como esta tem sido bem chamada e sua escola era simplesmente isto: “no deserto a sós com Ele mesmo”. Era ali onde eles obtinham o seu ensino, onde eles eram equipados para a batalha. E quando veio o tempo para se levantar no serviço público a favor de Deus, seus rostos não foram envergonhados e de modo algum, eles tinham rostos como que de leões. Eles foram valentes e intrépidos, sim, vitoriosos para Deus, porque a batalha já havia sido ganha no deserto com Ele.
Hoje em dia, quantos filhos de Deus, queridos por Ele são levados pelo “espírito do mundo”? E quantos cristãos auto-suficientes são empurrados para o serviço de Deus, ou empurram a si próprios, sem este aprendizado (esta disciplina do deserto)? Eles tomam um terrível “atalho” até a frente de batalha, porque aquele “atalho” cortou por completo “a escola de Deus”.
Quão diferente do que encontram nossos olhos nas páginas do Livro de nosso Pai. Encontramos a Abraão em doce comunhão com seu Deus, enquanto seu sobrinho mundano está correndo com o espírito da época, na ímpia Sodoma. Se procurarmos por José, o encontraremos pelo menos dois anos completos na escola de Deus (sendo que esta era a prisão do Egito) antes que ele se levantasse para instruir com sabedoria aos seus anciãos (Salmos 105:22), e “para conservar muita gente com vida” (Gênesis 50:20). Se procurarmos por Moisés, o encontraremos na escola de Deus atrás do deserto (Êxodo 3:1) e então, mas não antes, ele apareceu publicamente como libertador do povo de Deus. Se procurarmos por Davi, a solidão para ele, foi a escola de Deus. Ali ele matou o leão e o urso (1ª Samuel 17:34-36), quando nenhum olho humano estava próximo. Ele obteve a vitória somente com Deus. Recém saído da escola de Deus, ele se colocou diante dos milhares de Israel e enquanto todo Israel seguia a Saul, ele, homem do povo, “temendo”, havia um ali que não temia; e esse era aquele que havia estado na escola de Deus na solidão, a sós com Ele mesmo. Sem dúvida, seria maravilhoso então que o Senhor produzisse uma grande vitória em Israel naquele dia! Mas, por que multiplicar exemplos do Livro de Deus?
Poderíamos contar como Elias se escondeu junto a um ribeiro, que estava mais tempo a sós com seu Deus que andando nos lugares de testemunho público e que encontrou na solidão de Querite (1º Reis 17:9) uma disciplina necessária antes de que entregasse a mensagem de Deus. Poderíamos falar de Paulo, cuja viagem a Arábia parece ter sido não para outro propósito que o de estar na escola de Deus no deserto (Gálatas 1:17).
Mas destes exemplos que já trouxemos à atenção, nada pode ser mais claro do que isto: que se você ou eu vamos ser de alguma maneira usados por Deus aqui embaixo (se o glorificarmos sobre a terra) precisamos ter tempo para estar a sós com Ele. Se nós “não temos tempo”, devemos fazê-lo. Seja quem for ou o que for, poderá ser colocado de lado, mas, Deus não deverá sê-lo. Nós devemos ter tempo (cada um de nós, “dotado” ou “não dotado”) devemos ter tempo para estar a sós com Deus. É no quarto fechado que os leões e os ursos devem ser mortos. Mas, o Senhor torna claras todas aquelas coisas para nós, estando no deserto a sós com Ele mesmo. Somente então faremos verdadeiramente a obra de Deus (e a faremos a maneira de Deus), somente assim faremos as muitas coisas que Deus tem preparado para nós, e no tempo exato apontado pelo Pai. Quantos segredos obteremos do Senhor na solidão com Ele mesmo! E se nós não cuidarmos pelos segredos da sua presença, que cuidado terá Ele do nosso jactanciosos serviço? É a nós mesmos que Ele quer, e só aquele serviço que flui da alegria da sua presença é digna do seu nome. Somente tal serviço poderá resistir ao fogo do juízo e trará alegria no dia de Cristo, tal que não tenhamos corrido em vão, nem em vão, tenhamos trabalhado.
Que cada um de nós tenha o ouvido aberto à voz do Mestre quando Ele nos disser: “Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto” (Marcos 6:31), recordando que ainda que Ele era o Filho do Pai, o encontramos repetidas vezes indo “a um lugar solitário”, e lá orando, mesmo que para fazê-lo, tivesse que levantar-se “de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro” (Marcos 1:35). A mesma Testemunha fiel, como também seus fiéis servos em cada século, necessitam de uma experiência na solidão, um ensino do deserto, a sós com Deus, e, amados, nós também.
-autor desconhecido

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lançamento da Moriá Publicações em 26 de Novembro/11

Data do lançamento: 26/11/11 às 18 hs
Local: Templo da Igreja Batista Moriá
Endereço: rua Nogueira Acioli, 2195 - Joaquim Távora - Fortaleza - CE
Autor: Francisco Heládio Cunha dos Santos
Editora: Moriá Publicações
Páginas: 164
Formato: 14x21 cm
Preço de lançamento: R$ 19,90*
*após o evento das conferências anabatistas (de 24 a 28/11) o preço será de R$ 24,90.

A fé cristã sempre enfrentou desafios, tanto externos como internos. Um desses desafios que se apresentou ao longo de sua história e até hoje se faz presente é o equilíbrio entre a igreja como corpo de Cristo, habitado e vivificado pelo Espírito Santo e a igreja enquanto instituição. Muitos são os riscos que se apresentam a igreja quando ela se envereda no caminho de privilegiar apenas um desses componentes de sua vida, como fica evidente ao lançarmos nosso olhar para a história eclesiástica.
                O momento mais emblemático dessa relação tensa foi certamente o período em que a igreja geral defrontou-se com o movimento da Nova Revelação ou Nova Profecia, como se chamavam, ou Montanismo, nome dado por seus opositores. Entre tantos outros movimentos surgidos no período pós-apostólico, esse se apresentou como um retorno ao cristianismo primitivo, dirigido pelo Espírito e baseado nas Escrituras.
                Originário da Frígia, na Ásia, o movimento teve como seu líder inicial Montano, convertido do paganismo à fé cristã e que, na metade do segundo século, começou a proclamar sua experiência particular com o Espírito Santo, acompanhado posteriormente por duas mulheres Priscila (Prisca) e Maximila,  que juntamente com ele afirmavam ser usados pelo Espírito no dom carismático da profecia.
                Com uma teologia que defendia a prática da glossolalia e do profetismo, o quiliasmo ou o reino milenar em Jerusalém, a intolerância quanto às inovações doutrinárias e a insubordinação à hierarquia institucionalizada, o rigor ascético, a proibição do matrímônio e a fuga dos martírios, foram eles alvo da condenação por parte dos bispos da  igreja geral.
                Mas o que realmente foi esse movimento?  Fruto do milenarismo asiático influenciado pelo Apocalipse? Uma tentativa de retorno à Igreja das origens, sufocada pela organização sistemática?  Um movimento político religioso das igrejas rurais contra as igrejas urbanas e seus bispos centralizadores ou uma reação do conservadorismo presente nas regiões rurais contra a modernização, ou helenização, das igrejas urbanas que vão abandonando a origem carismática?
                Buscando uma resposta ao que foi realmente a Nova Revelação ou Nova Profecia, Francisco Heládio Cunha dos Santos usa primeiramente a Bíblia como base para analisar o comportamento do movimento, bem como a sociologia e as fontes históricas disponíveis, tanto contrárias como as favoráveis a Montano e seus seguidores.
                Diante do leitor surge assim um panorama muito mais vivo e amplo desse momento histórico da igreja cristã, com sólida base bíblica e teórica: uma igreja que enfrenta um momento de institucionalização e hierarquização, com a centralização do poder nas mãos dos bispos com base na sucessão apostólica e tradição oral, vê surgir em seu seio um movimento que busca viver o cristianismo primitivo, questionando tais mudanças.
                Entre vários méritos da presente obra, temos o do autor ter escolhido um momento histórico da igreja, em especial a brasileira, muito apropriado para lançar um novo olhar sobre um dos  mais incompreendidos movimentos da igreja cristã primitiva.
                Diante do quadro hoje presente no universo evangélico brasileiro, onde vemos desde aqueles que usando como pálida desculpa uma pseudo direção do Espírito Santo se insurgem contra qualquer forma de liderança, como aqueles que buscam centralizar o poder e proíbem ou demonizam as manifestações espirituais, uma das observações feitas pelo autor é muito pertinente:
A autoridade e o carisma não poderiam caminhar isolados um do outro. São pré-requisitos para a boa ordem da comunidade a fim de que vivam em sintonia com os ideais doutrinários e devocionais. Montano não pareceu um insurgente, mas mostrou-se um crente restaurador que vivia no contexto da Igreja. Sobre ele ocorreu uma visitação espiritual com intenções de alcançar os demais cristãos, ainda que eles fossem nominais e sem a experiência pentecostal. Os bispos não o observaram sobe este ângulo, antes o viram pelo viés da ameaça e desestabilização do poder. Como evidenciou-se, os bispos estavam tão afundados no racionalismo e no formalismo que a Igreja perdeu o vigor e o brilho do Cristianismo dinâmico. (p.105)
                A presente obra, rica em seu conteúdo, revela o profundo conhecimento do autor sobre o Montanismo. Trata-se de um trabalho objetivo, muito bem documentado e com fontes bem selecionadas; representa uma grande contribuição tanto para compreendermos melhor a história passada, como um alerta para avaliarmos o nosso proceder hoje como Igreja do Senhor.

Esequias Soares
Jundiaí, SP, 13 de outubro de 2011.

sábado, 15 de outubro de 2011

LANÇAMENTO do livro "MONTANISMO e os profetas catafrigas: uma análise contra-hegemônica da história do movimento montanista". (EM BREVE)

PREFÁCIO de Esequias Soares

A fé cristã sempre enfrentou desafios, tanto externos como internos. Um desses desafios que se apresentou ao longo de sua história e até hoje se faz presente é o equilíbrio entre a igreja como corpo de Cristo, habitado e vivificado pelo Espírito Santo e a igreja enquanto instituição. Muitos são os riscos que se apresentam a igreja quando ela se envereda no caminho de privilegiar apenas um desses componentes de sua vida, como fica evidente ao lançarmos nosso olhar para a história eclesiástica.
                O momento mais emblemático dessa relação tensa foi certamente o período em que a igreja geral defrontou-se com o movimento da Nova Revelação ou Nova Profecia, como se chamavam, ou Montanismo, nome dado por seus opositores. Entre tantos outros movimentos surgidos no período pós-apostólico, esse se apresentou como um retorno ao cristianismo primitivo, dirigido pelo Espírito e baseado nas Escrituras.
                Originário da Frígia, na Ásia, o movimento teve como seu líder inicial Montano, convertido do paganismo à fé cristã e que, na metade do segundo século, começou a proclamar sua experiência particular com o Espírito Santo, acompanhado posteriormente por duas mulheres Priscila (Prisca) e Maximila,  que juntamente com ele afirmavam ser usados pelo Espírito no dom carismático da profecia.
                Com uma teologia que defendia a prática da glossolalia e do profetismo, o quiliasmo ou o reino milenar em Jerusalém, a intolerância quanto às inovações doutrinárias e a uma certa insubordinação à hierarquia episcopal institucionalizada, o rigor ascético, a proibição do matrimônio e a não fuga dos martírios, foram eles alvo da condenação por parte dos bispos da  igreja geral.
                Mas o que realmente foi esse movimento?  Fruto do milenarismo asiático influenciado pelo Apocalipse? Uma tentativa de retorno à Igreja das origens, sufocada pela organização sistemática?  Um movimento político religioso das igrejas rurais contra as igrejas urbanas e seus bispos centralizadores ou uma reação do conservadorismo presente nas regiões rurais contra a modernização, ou helenização, das igrejas urbanas que vão abandonando a origem carismática?
                Buscando uma resposta ao que foi realmente a Nova Revelação ou Nova Profecia, Francisco Heládio Cunha dos Santos usa primeiramente a Bíblia como base para analisar o comportamento do movimento, bem como a sociologia e as fontes históricas disponíveis, tanto contrárias como as favoráveis a Montano e seus seguidores.
                Diante do leitor surge assim um panorama muito mais vivo e amplo desse momento histórico da igreja cristã, com sólida base bíblica e teórica: uma igreja que enfrenta um momento de institucionalização e hierarquização, com a centralização do poder nas mãos dos bispos com base na sucessão apostólica e tradição oral, vê surgir em seu seio um movimento que busca viver o cristianismo primitivo, questionando tais mudanças.
                Entre vários méritos da presente obra, temos o do autor ter escolhido um momento histórico da igreja, em especial a brasileira, muito apropriado para lançar um novo olhar sobre um dos  mais incompreendidos movimentos da igreja cristã primitiva.
                Diante do quadro hoje presente no universo evangélico brasileiro, onde vemos desde aqueles que usando como pálida desculpa uma pseudo direção do Espírito Santo se insurgem contra qualquer forma de liderança, como aqueles que buscam centralizar o poder e proíbem ou demonizam as manifestações espirituais, uma das observações feitas pelo autor é muito pertinente:

A autoridade e o carisma não poderiam caminhar isolados um do outro. São pré-requisitos para a boa ordem da comunidade a fim de que vivam em sintonia com os ideais doutrinários e devocionais. Montano não pareceu um insurgente, mas mostrou-se um crente restaurador que vivia no contexto da Igreja. Sobre ele ocorreu uma visitação espiritual com intenções de alcançar os demais cristãos, ainda que eles fossem nominais e sem a experiência pentecostal. Os bispos não o observaram sob este ângulo, antes o viram pelo viés da ameaça e desestabilização do poder. Como evidenciou-se, os bispos estavam tão afundados no racionalismo e no formalismo que a Igreja perdeu o vigor e o brilho do Cristianismo dinâmico. (p.105)

                A presente obra, rica em seu conteúdo, revela o profundo conhecimento do autor sobre o Montanismo. Trata-se de um trabalho objetivo, muito bem documentado e com fontes bem selecionadas; representa uma grande contribuição tanto para compreendermos melhor a história passada, como um alerta para avaliarmos o nosso proceder hoje como Igreja do Senhor.

Esequias Soares
Jundiaí, SP, 13 de outubro de 2011.
                                                Líder da AD em Jundiaí-SP, graduado em Letras (Hebraico) pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Hebraico, Grego e Apologia Cristã, bem como comentarista de Lições Bíblicas (CPAD) e autor de diversos livros, entre eles Visão Panorâmica do Antigo Testamento, Heresias e Modismos, Comentário Bíblico de Oséias, Analisando o divórcio à luz da Bíblia, Manual de Apologética Cristã, Testemunhas de Jeová, e coautor de Teologia Sistemática Pentecostal, editados pela CPAD, também é presidente da Comissão de Apologética Cristã da CGADB.




APRESENTAÇÃO
O presente livro, escrito por Heládio dos Santos, tem a tarefa de procurar retratar a história do Montanismo, movimento nascido na Frígia, Ásia Menor,  por volta da segunda metade do século II, sob um outro olhar, diferente da versão que a tradição eclesiástica deu ao movimento. Trata-se, portanto, de um empreendimento ousado: o de enfrentar séculos de história da Igreja para deslegitimar (ou no mínimo duvidar) (d)a visão difamatória que recebeu o movimento cristão liderado por Montano, visão sustentada sobretudo por Eusébio de Cesaréia, na sua clássica História Eclesiástica, e depois repercutida e acolhida, sem muita contestação, até hoje pela maioria da literatura cristã que trata do assunto.
É louvável, pois, o enfrentamento do autor do livro com a tradição histórica, pela coragem de revisitar e vasculhar obras e documentos antigos e fazê-los falar noutro tom, num tom dissonante dos acordes hegemônicos da opinião geral. Desta forma, através de uma análise atenta e cuidadosa deste material, o autor se permite discordar da história oficial, apresentando um outro olhar que a história, por razões várias (e às vezes espúrias, permitam-me o trocadilho), nos negou. Heládio dos Santos, com argumentos convincentes e abalizados em autores consagrados e em textos bíblicos, mostra-nos assim que o Montanismo pode ser não somente considerado um movimento genuinamente cristão, como pode ser visto como um grupo que se mostrou como uma continuação do modelo neotestamentário de Igreja para o cristianismo do seu tempo.
Na verdade, o livro procura responder a perguntas do tipo: a quem interessa detratar o movimento e atacá-lo como seita? Na boca de quem ou em que contexto histórico-eclesiástico o Montanismo ficou conhecido sob a pecha de herético? Por que não nos darmos o direito de examinarmos mais cuidadosamente o chamado - depreciativamente pelos seus adversários - Montanismo e lançarmos um olhar sob outro viés, sob outras lentes, dando-lhe um certo crédito pela coerência de vida e de doutrina que os mentores e adeptos do Montanismo mostraram ter com o Evangelho? As razões pelas quais o Montanismo foi atacado e vilipendiado realmente se constituem, todas elas, em denúncias dignas de crédito e capazes de desabilitar sua doutrina ou mesmo servem para desconfigurar o movimento como não-cristão?
Para responder estas questões, o livro se organiza da seguinte maneira: as considerações iniciais, nas quais introdutoriamente o autor situa o leitor historicamente no movimento, apresentando-lhe os objetivos e as motivações gerais de iniciativa de escrever a obra. No capítulo 1, o autor preocupa-se em mostrar a base bíblica em que se apoiou o movimento fundado por Montano. Não  foi aleatório, portanto, a escolha da pintura da capa do livro, em que, pregando no Areópago ateniense, aparece o apóstolo Paulo, de cujo ensinamento, deixado nas cartas neotestamentárias, serviu como uma das principais referências doutrinárias de Montano. O capítulo 2 aborda o nascimento do Montanismo e as  motivações que o levaram a se insurgir contra a cristandade da época. No capítulo 3, Heládio dos Santos debruça seu olhar criterioso para investigar historicamente a figura de Tertuliano, considerado um dos pais da Igreja,  que seguiu de perto as ideias montanistas. Aqui cabe ressaltar que Tertuliano, ao longo de suas obras apologéticas, doutrinárias e, sobretudo, polêmicas, não fez menção ao montanismo como movimento herético, mesmo tendo oportunidade, como grande defensor que era da doutrina cristã lembremo-nos inclusive de que é sua a conhecida obra Prescrições contra os Hereges.  Com formação em Ciências Sociais, no capítulo 4, não poderia o autor de se eximir de algumas incursões no terreno da sociologia da religião, fazendo uma análise da ação social de linha weberiana, ainda que breve, do Montanismo, para ressaltar como se constituía o ethos e a práxis dos cristãos montanistas. Este capítulo prepara-nos para o seguinte, o capítulo 5. Neste, é dedicado à análise e à avaliação, com bases bíblicas e históricas, dos principais pontos característicos da ética e da doutrina montanistas. No capítulo 6, destaca o autor como os preceitos montanistas podem ainda servir/sobreviver  para a nossa geração. Frente a isso, cabem as perguntas: quais as ressonâncias deste movimento na atualidade? Estamos contextualmente vivendo no mesmo tempo de frieza e indiferença a um cristianismo autêntico da época de Montano/Priscila/Maximila e, por isso mesmo, desejosos de ouvir os ecos das ideias e dos ideais defendidos com tanto coragem pelos montanistas? Nas considerações finais, traz o livro breves e gerais comentários sobre o já tratado durante toda a obra, mas pontuando o valor dos ensinamentos bíblicos deixados pelos montanistas. Fechando o livro, há uma bibliografia relevante e um conjunto de sites que serviram de fontes legítimas para a produção da obra.  
O livro, ao final, parece ter cumprido a sua tarefa: fazer um balanço honesto do movimento montanista, através de uma releitura descomprometida das imposições interpretativas da história oficial.
Para encerrar esta apresentação, é preciso dizer que o livro traz uma contribuição significativa para  a literatura cristã, tanto pelo ineditismo de uma obra em português que versa, toda ela, sobre um dos movimentos mais importantes da Igreja, bem como pelo tipo inusitado de abordagem dado ao Montanismo.


João Batista Costa Gonçalves
(Doutor em Línguística, Professor Adjunto do Curso de Letras
e do Mestrado em Linguística Aplicada da Universidade
Estadual do Ceará (Uece) e Professor de Hermenêutica
Teológica do Curso de Pós-Graduação em Teologia Histórica e Dogmática)

sábado, 6 de agosto de 2011

Um Templo ou um Teatro?

Os homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a ‘dúvida sincera’ de vocês é muito melhor do que a fé”. Talvez o leitor diga: “Mas ninguém fala desta maneira”. É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista. O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites. Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus? Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.


Por Charles H. Spurgeon
Autorizado por Felipe Sabino de Araújo Neto®