O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Você é um cristão omisso?


Por Antonio Welderlan da Silva Sales.


“Tornei-me inimigo de vocês por dizer a verdade? ”
(Gálatas 4:16)



As igrejas da Galácia estavam passando por seríssimos problemas doutrinários, abandonando os ensinamentos da sã doutrina pregados por Cristo e os apóstolos, por ensinamentos de homens (Gt. 1:6,7). Paulo, chega a dizer que tais homens “perturbavam” e queriam “perverter o evangelho de Cristo”.
Os crentes eram instruídos pelo apóstolo Paulo a não dar ouvidos a tais doutrinas, e muito mais, eles deveriam considerar esses homens enganadores como “anátema” (amaldiçoados), pois estavam pervertendo e deturpando o evangelho de Cristo (Gt. 1:7-9).
Um grande problema que a cristandade (comunidade cristã no mundo) na atualidade enfrenta é a omissão quanto a esses pervertedores do evangelho que, com uma pretensa religiosidade e falsa aparência de humildade, enganam a muitos (Tt 2:18,23). Vejamos o que Paulo fala sobre a apologia a sã doutrina, em combate a estes falsos profetas:

“e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira pela qual foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância. Um dos seus próprios profetas chegou a dizer: “Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos”. Tal testemunho é verdadeiro. Portanto, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé e não deem atenção a lendas judaicas nem a mandamentos de homens que rejeitam a verdade. “ (Tt 1;9-14)

Tito havia sido deixado por Paulo na ilha de Creta (cidade situada entre a Grécia, Ásia Menor e Egito) para constituir presbíteros que pudessem conduzir a obra naquela localidade. No texto acima, Paulo, fala a Tito da necessidade de defender a sã doutrina, pois haviam ali homens que, por ganância, ensinavam o que não deviam, arruinando famílias e agindo insubordinadamente.
O verdadeiro cristão não deve relativizar a verdade de Deus temendo não ser aceito ou bem quisto entre as pessoas de seu convívio, nem mesmo deixar de falar a verdade por medo de não ser convidado novamente para falar naquele local. E quando as coisas não vão bem na sua igreja? Você não pode ser omisso!
Notemos que entre as recomendações de Paulo, os presbíteros deveriam ser “firmemente apegados à mensagem fiel... para que seja capaz de encorajar outros”. O crente que está firmemente apegado com a sã doutrina, não consegue ficar omisso diante desses lobos enganadores. Tal recomendação não se limita unicamente aos presbíteros (ou pastores), mas a todo crente.
O verdadeiro cristão não deve relativizar a verdade de Deus temendo não ser aceito ou bem quisto entre as pessoas de seu convívio, nem mesmo deixar de falar a verdade por medo de não ser convidado novamente para falar naquele local. E quando as coisas não vão bem na sua igreja? Você não pode ser omisso! Como disso o apóstolo Paulo, “é necessário que eles sejam silenciados... repreenda-os severamente” só assim serão “sadios na fé”.

Hoje, assim como na Galácia e em Creta, vemos coisas semelhantes acontecerem. Muitos homens enganadores, lobos travestidos de cordeiros, tem se levantado e enganado a muitos, como Cristo dissera (Mt 24:11). Homens como Edir Macedo, “apóstolo” Valdemiro Santiago e “apóstolo” Agenor Duque que por ganância tem negociado o evangelho de Cristo, invalidando seu sacrifício na cruz do calvário, com sua teologia da prosperidade. Muitos outros homens, que com suas heresias tem enganado milhões. Precisamos silenciá-los e a única forma de fazer isso é pregando a sã doutrina!
Por fim, há uma falsa interpretação do amor de Deus por grande parte das pessoas, quando dizem que não devemos criticar e questionar ninguém. Ao invés disso, devemos apenas falar que Deus é amor, não tocando em suas feridas e falando apenas aquilo que elas querem ouvir (2 Tm 4:3,4). Não devemos basear nossos discursos a fim de nos tornarmos agradáveis aos que nos ouvem, pois isso não trará proveito algum ao pecador (Gt. 4:17).

Que a graça de Cristo esteja com você, leitor.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Desigrejados

Por Antonio Welderlan da Silva Sales.


Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. (Hb 10.25)

O movimento dos “desigrejados” ou, como eles próprios agora querem ser chamados, “desinstitucionalizados” tem ganhado força em nossos dias, segundo pesquisa do Instituto Cristão Barna Group, realizada em 2017. Tal movimento defende que podemos exercer nossa fé em reuniões informais e sem liturgias e, portanto, totalmente alheios ao vínculo congregacional tão claramente definido na Bíblia.
Um dos argumentos mais utilizados pelos adeptos desse movimento herético é de queestão voltando ao modelo primitivo em que não haviam templos cristãos e as reuniões eram realizadas nos lares e que a institucionalização veio com a conversão de Constantino ao cristianismo, em meados de 312 d.c.
Como refutação a tal argumento, usarei as palavras de Justo L. Gonzalez, doutor em teologia pela universidade de Yale, em seu livro “A Era dos Gigantes” (p. 37):

“Até a época de Constantino o culto cristão tinha sido relativamente simples. No princípio os cristãos se reuniam para adorar em casas particulares. Depois começaram a se reunir também em cemitérios, como as catacumbas romanas. No século terceiro já havia lugares dedicados especificamente para o culto. A igreja mais antiga descoberta até agora é a de Dura-Europos, que data aproximadamente do ano de 270.”

Tal qual está descrito no relato do Dr. Gonzalez, os Anabatistas sempre foram defensores de uma forma de culto simples, sem amuletos e exibicionismos criados por homens para atrair a atenção das pessoas, mas onde Cristo se manifesta e é cultuado.
Além do mais, munidos das informações históricas que temos hoje, é facilmente perceptível que, muito embora houvesse uma certa admiração da fé cristã, a “conversão” de Constantino ao cristianismo não passou de uma manobra política. Uma prova disso é que o mesmo não deixou de cultuar os deuses pagãos de seu tempo e até introduziu muitas dessas práticas pagãs nas celebrações das missas católicas, tais como a utilização de imagens e culto a mortos.
Tal vinculação da igreja com o estado foi severamente repudiada pelos verdadeiros crentes, a ponto de precisarem fugir para desertos e locais longínquos a fim de resguardarem suas vidas e conservarem o ensino da Sã Doutrina deixada por Cristo e os apóstolos.
Ainda analisando o argumentos dos desigrejados, me deparo com a seguinte indagação:
Porque os cristãos primitivos não tinham templos?
Para respondermos essa indagação, precisaremos compreender o contexto que os envolvia naquele momento. Até o século III, os cristãos viviam sob grande ameaça e perseguição por parte dos religiosos e do império romano, sendo necessário, muitas vezes, se mudarem de um local para o outro para não serem pegos e mortos. Isso, certamente, impedia que os cristãos “criassem raízes” e, consequentemente, dificultava a construção de locais propriamente para culto. O que não é o nosso caso hoje em dia!
Outro ponto a se analisar, é que os primeiros crentes não tinham um exemplar da Bíblia sagrada como a temos hoje, portanto, suas reuniões visavam louvar a Deus, relembrar o sacrifício de Cristo e fortalecer a fé uns dos outros, sem uma liturgia específica.
Por fim, concluo que apesar da falsa aparência de “retorno aos princípios”, esse movimento não passa de um ato de rebeldia, motivado pela frieza espiritual e insatisfação com a igreja.
Deus abençoe a todos.


quinta-feira, 14 de junho de 2018

A que ponto chegou o homem


Percebe-se que as pessoas perderam o mínimo de temor a Deus que ainda resistia. Não se leva em consideração mais os valores cristãos, aliás quase nenhum valor, pois há um conluio, ora velado, ora explícito, tentando minorar cada dia mais o bom senso. É uma mentalidade de opressão ao equilíbrio, crescendo para estabelecer o reino do homem, porém do homem ímpio.
No mundo impera a ideologia da paixão que se apresenta como misto de hedonismo, narcisismo, egoísmo e promiscuidade. Muito embora falem de conduta ética e moral, há muito se esqueceram do seu significado. A moral é reduzida à medida que essa paixão, outrora ocultada, vem alcançando maior notoriedade através de suas propostas que obrigam a coletividade à tirania do pecado. Elas mal perceberam o portal pelo qual o mundo foi transportado para chegar ao ápice do leviano, visto que caminha para o fracasso absoluto de seu iminente e breve domínio simplesmente por ceder suas paixões (estado que se configura como a de animais já que a racionalidade também foi deixada de lado). As formas de condutas instauradas a partir dos propósitos de quem quer viver a vida ao extremo, experimentando todas as formas de aparente prazer, conduz seus transeuntes para a ruína completa, visto que ao vermos a autorização do aborto, a irreverência quanto ao Estado de democracia, ora suplantado pelos interesses da minoria, a profanação dos símbolos sagrados, a corrupção política por amor ao dinheiro, as mais loucas ideologias e práticas sexuais proliferando, as propostas para legalização de drogas, a insistente apelação de crianças serem introduzidas em práticas sexuais promiscuas, abrindo precedente para a pedofilia, entre outras, somos impelidos a perceber que o homem não sabe o que é liberdade.
Liberdade não é poder fazer tudo que apetece a alma, muito embora alguns pensem assim. Liberdade é prevalência sobre a paixão para usufruto de comunhão com Deus. Pode o homem ou o filósofo mundano tentar rejeitar esse conceito cristão, mas jamais poderão apagar a verdade absoluta. Mal percebem como suas vidas se tornaram repulsivas ao moderado e ao equilibrado já que cederam ao irracional, por isso denigrem as virtudes cristãs com o ávido sentimento do anticristo.
É lamentável ver o gênero humano caminhando sem rumo achando eles que estão em caminho capaz de solucionar todos os dilemas da vida. Engano! Andam para o abismo. Cairão e não terão quem os resgate, pois, o redentor opera neste momento, instante que o estão menosprezando.

Maranata!

Retiro de jovens


A Igreja Batista Renovada Moriá promoverá no período de férias (jul/2018) acampamento (retiro) para jovens. A única finalidade é elevar os jovens cristãos a um patamar de comunhão com Deus, razão pela qual muitos irmãos têm trabalhado para a realização do evento. O local do retiro será em lugar apropriado, em Aquiraz (CE), com toda infraestrutura necessária para o sucesso do evento.

Para quem está em dúvidas sobre os prognósticos sobre os efeitos positivos do retiro, saibam que:

1) Há uma comissão formada por adultos que serão os responsáveis pela segurança e interação dos jovens;
2) Haverá normas que deverão ser obedecidos para disciplina e devoção no lugar;
3) A programação voltada para atividades espirituais através de cultos pela manhã, tarde, noite e vigília, não sobrando espaço para futilidades;
4) Todos os pregadores são do quadro da Igreja Batista Renovada Moriá;
5) O objetivo do retiro é fomentar espiritualidade no coração de nossos jovens cristãos;



Maiores informações: Templo da Igreja Batista Renovada Moriá
Rua Nogueira Acioli, 2195 – Joaquim Távora
às quintas, a partir de 18h30, e aos domingos, a partir das 18h.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Dá-nos a religião dos velhos tempos


Os Montanistas e o Cristianismo genuíno


Quando Jesus encontrou Mateus, ordenando, em seguida, que deixasse seu posto fiscal para segui-lo; quando Pedro, João e Tiago foram chamados para deixarem de lado a pescaria a fim de se tornarem pregadores exclusivos do Evangelho; quando competiu a Igreja se concentrar durante dez dias em Jerusalém para orar, em intenso clamor, pelo Espírito da promessa; quando Paulo abnegou sua posição religiosa e cultural, tendo em vista se dedicar ao ministério vocacional de apóstolo; todos não viveram experiências “exageradas” aos olhos convencionais e seculares? Quando o próprio Cristo, enquanto homem, jejuou durante quarenta dias; quando não descansava durante as noites, pretendendo dedicar-se à oração; quando pregava duramente contra a hipocrisia farisaica, desnudando o caráter medonho desse grupo religioso; não estava ele propondo um caminho a seguir bem diferente do convencional e tradicional? Esse comportamento incomodou as tendências religiosas porque se erigia contra o marasmo religioso reinante.   
A internalização daqueles comportamentos prenunciou doutrinas como a renúncia aos bens materiais (Mateus 19:16-24), sobre a renúncia à própria vida (Mateus 16:24-26), com a máxima que dizia o modo de ser verdadeiro de um discípulo de Cristo: “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 9:33); também revelou as intenções divinas sobre a negação das paixões carnais (Colossenses 3:5) e o apego àquilo que estava sendo revelado e, ainda, por ser revelado em posteriores eventos.    
          Diante do exposto, percebe-se que o Cristianismo foi fundado sobre princípios bem diferentes da vida cotidiana, sendo privilegiados aqueles que tiveram a oportunidade de ouvir a pregação do Evangelho direto da fonte. Esses princípios não se restringiram ao modus daquele tempo, já que se tratava da apresentação de conceitos absolutos e imutáveis, regidos pelos atributos invariáveis da Divindade. Apesar disso, o pensamento reinante dentre a maioria das vertentes cristãs modernas foi de que essa visão e seu conjunto de práticas estavam limitados ao cânon bíblico, não devendo ser aplicada sua regra no todo aos seguidores posteriores, mas em parte, muito embora esteja claro no texto bíblico a abrangência e a amplitude da soberana vontade sobre seus preceitos. Deste modo, por razões alheias e diversas, preferiram deixar de lado a possibilidade de reprodução daquelas práticas nos movimentos posteriores ao Cristianismo Primitivo (certamente, essa mentalidade em muito contribuiu para a corrente “cristã” de liberalismo teológico e se mostrou contraditória já que muitos destes movimentos reivindicam ligação com o primitivismo sem guardarem seus postulados). Afora isso, somos impelidos a acreditar que esta aceitação restritiva rejeita também a pura pregação, o puro comportamento e as muitas ações neotestamentária, pois, através das diversas tentativas, fazem releituras daqueles eventos dando outras interpretações a que pretendiam os protagonistas bíblicos e readaptam os preceitos segundo a própria conveniência. O erro de tomar a revelação divina e sujeita-la à mentalidade humana com seus incrementos produziu o misto entre Cristo e belial, prática rejeitada pelo apostolado severamente, visto que essa mistura provocou um hibridismo ocasional, diminuindo o poder de subsistência das verdades bíblicas, incorrendo na ausência da providência divina e abrindo precedentes para a formação de um “cristão” adaptado, modelado e sujeito às tendências culturais, aos processos de inovação temporal e às políticas eclesiásticas dominadoras.
         Essa impressão herdada da teologia das reinvenções (termo nosso referente à maneira de pensar a teologia com adaptações) projetou a possibilidade e a necessidade de algo que não deveria ser possível nem necessário: alterar sensivelmente o legado de Cristo e de seus apóstolos. Quem olha o Cristianismo de hoje verifica um movimento profundamente alterado, modificado e recriado, confirmando a tese de que o hidridismo evolutivo do cristianismo produziu outro movimento, fugindo à regra primordial de ser o que era no princípio. Essa regra de conservação, apesar de rejeitada pela corrente híbrida, repousou serena nos grupos marginalizados que viveram paralelamente àqueles impostores da fé cristã. Logo, quando tratamos de movimentos como o Montanismo, devido à rejeição aos postulados apostólicos e não somente a sua história, faz-se ouvir aquele eco ensurdecedor de que ele não representou o puro Cristianismo. Por qual razão? Em razão de Eusébio de Cesareia, um historiador bajulador de Constantino e adepto da teologia das adaptações, assim ter falado? Então, é preferível acreditar em alguém que não foi fiel ao paradigma da eclesiologia primitiva a acreditar em quem queria viver segundo aqueles preceitos?
         A rejeição aos montanistas é tão grande que foram taxados como a heresia mais antiga que surgiu na História da Igreja. Apesar disso, devemos fazer uma pergunta: eles foram heréticos ou reacionários? Quais diferenças devem ser apresentadas para podermos extrair uma compreensão mais coerente dentro da pretensão do texto? O parecer de alguns estudiosos sobre o assunto poderá nos amparar nesse desafio.
         Para John de Soyres: Nossa conclusão é que não havia nada [no Montanismo] oposto ao credo. Anne Jensen afirmou: A erudição moderna demonstrou a ortodoxia essencial do movimento original da Frígia. Sheila E. McGinn reforça a informação quando, referindo-se aos oráculos, enfatizou: Estes poucos oráculos demonstram a ortodoxia doutrinária da Nova Profecia – um ponto que agora é uma questão de consenso entre os estudiosos montanistas. Mesmo quem se opunha religiosamente ao movimento, mas dedicou-se a uma compreensão sensata do movimento soube reconhecer seus valores. O estudioso jesuíta Walter J. Burghardt asseverou: Não posso encontrar evidências convincentes de que o Montanismo primitivo fosse culpado de heresia. David Wrigth confere mais um entendimento equilibrado: Sem demora, é óbvio que [o Paráclito do Montanismo] não tem nada a ver com o complemento da regra de fé ou a apresentação de novas revelações.
A evidência mais concreta que podemos aplicar ao nosso raciocínio para validar o Montanismo como autêntico movimento cristão, oriundo do anseio de querer ser a Igreja Primitiva de seu tempo, é Tertuliano. Tertuliano se apresenta não apenas como teólogo que vai confirmar as convicções montanistas, alinhando-as com as de Atos e das Epístolas, mas como membro efetivo de uma Igreja pura. Tertuliano rejeitou a Igreja em caminhos de desvio pelo seu envenenamento com o mundanismo da época, desqualificando-a como uma instituição séria com veia espiritual. A sensibilidade tertulianista foi tão profunda que conseguiu absorver a pregação de Montano, Maximila e Priscila sem se opor, visto que era a mesma pregação de Atos, e assim que pode rumou para a comunidade montanista sem pestanejar. 
Portanto, muitos estudiosos do assunto e não meros expectadores que se deixam alienar por opiniões diversas têm confirmado as orientações do Montanismo, versando sobre seu apego ao conceito primeiro da fé cristã. Essa corrente minoritária de pensadores têm tido a sensatez para compreender um dos movimentos mais incompreendidos da História do Cristianismo e demonstrar pela argumentação consistente a coerência de Montano e de seu grupo.

Heládio Santos
Prof. Instituto Pietista de Cultura

Referências
Burghardt, Walter J. Primitive Montanism: Why Condemned? in Dikran Y. Hadidian (ed.), From Faith to Faith: Essays in Honor of Donald G. Miller on his Seventieth Birthday (Pittsburgh: The Pickwick Press, 1979), p. 340.
Jensen, Anne. Prisca - Maximilla - Montanus: Who was the Founder of ‘Montanism’? in Elizabeth Livingstone (ed.), Studia Patristica, vol. 26 (Leuven: Peeter's Press, 1993), p. 148.
Soyres, John De, Montanism and the Primitive Church (Cambridge: Deighton, Bell and Co., 1878), p. 31.
Mcginn, Sheila E. The Montanist Oracles and Prophetic Theology, in Elizabeth A. Livingstone (ed.), Studia Patristica, vol. 31 (Leuven: Peeter’s Press, 1997), p. 132.
Wright, David F. Why were the Montanists Condemned? Themelios, 2, 21-22 (1970).