O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Uma chamada para os UNIVERSITÁRIOS EVANGÉLICOS


Já são mais de 8 milhões de universitários em nosso país. Um número que impressiona, pensando que no início deste século eram apenas cerca de 2,7 milhões. Mas, diante de mais de 200 milhões de habitantes no Brasil, a população universitária é de apenas 4%. Estar dentro de uma universidade diante desta realidade é um privilégio.

Neste mesmo período, o número de evangélicos também cresceu bastante. Já são hoje cerca de 60 milhões de pessoas ou 29% da população que se declara evangélica. Em dez anos, o número de evangélicos cresceu mais de 60%. Este número também impressiona, mas sabemos que dentro deste contingente há pessoas que se declaram evangélicos praticantes e outros que se declaram evangélicos não praticantes! E mesmo os declarados praticantes, sabemos que muitas de suas práticas não são verdadeiramente evangélicas. Não há pesquisas que mostrem a quantidade de evangélicos universitários no Brasil, mas dá para se imaginar, diante deste quadro, que não são muitos. Por isso é um grande privilégio ser um universitário evangélico em nosso país.

Maurício Jaccoud da Costa, pastor e missionário da Cru Campus (www.cru.org.br) atuando na evangelização de universitários. Doutorando em Teologia pela PUC-Rio pesquisando a vivência do jovem universitário evangélico. Casado com Caroline há dez anos. Membro da Igreja Batista Vila Sete, Maringá – PR.


O crescente ingresso de evangélicos em Universidades brasileiras deveria ser melhor tratado pelos pastores e Igrejas. A razão é simples. A maioria desses cristãos não está preparada para os embates que terão de enfrentar nas aulas com professores, principalmente os ateus. Não que isso seja um ato obrigatório: a discussão. Não é! Mas, não podemos descartar a possibilidade de o cristão caminhar por terreno arenoso e até movediço quando for apresentado às interpretações atuais dos pilares das teorias acadêmicas, discursos que em muitos casos desabonarão os valores cristãos. Diante disso, sua fé simples, sem uma argumentação coerente no campo acadêmico, ocasionará um desânimo pela doutrina cristã de tal modo que muitos estarão sendo tentados e até forçados a abdicar de suas convicções em vistas de suas impossibilidades de negar aquilo que alguns lobos vorazes ensinam em suas salas de aula.
O processo de massificação acadêmica de hoje tem como objetivo formar pessoas humanistas, hedonistas e desprovidas de qualquer vínculo religioso (parece ser isso). Possivelmente uma maneira de consolidar uma perspectiva de não dependência de Deus nem de seus preceitos. Para David Kinnaman, presidente do Barna group que realizou uma pesquisa sobre o assunto nos Estados Unidos recentemente, afirmou:
Os dados mostram que algumas cidades – principalmente as gerações mais jovens – são mais resistentes ao Evangelho do que outras. É cada vez mais comum as pessoas deixarem a religião, Deus, as igrejas e a tradição de anos. Alguns observadores afirmam que as universidades são um terreno fértil para o sentimento ateísta. Os dados dão suporte para entender que as universidades são lugares confortáveis ​​para os jovens que abandonaram a Deus e assumiram o controle de suas próprias vidas. (fonte: https://guiame.com.br/gospel/noticias/maioria-dos-jovens-se-tornam-ateus-depois-que-entram-na-universidade-segundo-pesquisa.html)

Alguém pode sugerir que esse comportamento é distinto no Brasil. Será? Nosso país segue as fortes tendências americanas “por invejarmos” sua posição de primeiro mundo e desejarmos esse status. Sua influência é marcante nas mais distintas manifestações sociais, seja no campo individual seja no coletivo. É muito comum vermos indivíduos usando trajes semelhantes aos americanos, muito embora o clima não seja favorável àquela indumentária. Shows com todo aquele aparato técnico imita categoricamente aquilo que se verifica no país do Tio Sam. Noutras palavras, vivemos uma aculturação nos mínimos detalhes. Dada essa situação, não é de admirar que evangélicos se desviem da fé para fazerem confissões ateístas porque nos EUA virou hábito, mas não só por isso. Há também uma falta de valoração pela singularidade da fé, razão que motiva os ingressos, muitas vezes sem autoestima, a rumarem para o bem quisto e para a aceitação nos seus cursos de graduação em razão de terem se tornado, agora, críticos da religião que professaram. Querem ser figuras emblemáticas porque ao tomar a atitude de romper com as convicções cristãs dizem que se libertaram dos discursos fictícios e deixaram de ser enganadas pela “mitologia cristã”.
Um dos ramos que ajudam na perpetuação e na disseminação do ceticismo cristão na academia chama-se Richard Dawkins. Richard Dawkins é um professor da Universidade de Oxford, evolucionista e famoso ateu que desabona a ideia de um Deus cristão, criador de todas as coisas e que tem estabelecidos valores absolutos. Em entrevista à revista Fórum sobre a existência de Deus, ele foi objetivo: “Nós não sabemos se fadas existem. Nós não levamos a sério a existência do deus nórdico Thor, ou de Zeus, ou de Dionísio ou de Shiva. Até que tenhamos sérias evidências de que algum deles tenha existido ou que exista, nós não perdemos tempo com isso. Por que deveria ser diferente com o Deus cristão, ou com o judeu ou com o muçulmano?” (fonte: https://www.revistaforum.com.br/entrevista-com-richard-dawkins-pop-star-do-ateismo/). A mentalidade de Dawkins é importada não só para os ambientes onde a biologia e a química prevalece, mas também para o campo das humanas. Formula-se, a partir daí, uma equação de grandeza mais que elevada, visto que se unem nesse propósito Ludwig Feuerbach, Friederich Nietsche, Jean Paul Sartre, Michael Foucault e Dawkins, entre muitos outros, para diminuir o valor do Cristianismo. Para quem não sabe, Feuerbach foi o pensador que primeiro expressou a ideia de Deus como sendo uma invenção humana. Com esses fundamentos, o ateísmo cresceu e se reinventa (se é que podemos dizer assim), pois alcançou grande recepção nas mais diversas correntes filosóficas: o existencialismo, o objetivismo, o humanismo secular, o niilismo, o positivismo lógico, o anarquismo, o marxismo, o feminismo e muitos outros. Esse cenário é, então, aquele no qual o cristão não preparado irá caminhar ao ingressar na faculdade. Em muitos casos, ficará desassistido e em outros negará sua fé, uma vez que o ambiente acadêmico é severo ao extremo com os que confessam a fé cristã.          
Mas, num esforço para fortalecer o vínculo cristão e firmá-los, os ingressos acadêmicos têm a oportunidade de um acompanhamento espiritual sério e comprometido. O pastor Glauco Barreira Magalhães Filho desenvolve um trabalho de capelania universitária para jovens em Fortaleza, Ceará, desde 2015, denominado COMUNIE – Comunhão Universitária Evangélica, opondo-se a esse sistema espúrio de alguns professores de universidades. Para o pastor Glauco: “O jovem cristão deve revelar que a sua fé em Cristo não é ‘algo de fim de semana’, mas o núcleo central de sua existência. Desse modo, o não cristão poderá ver que a igreja não é para ele um mero entretenimento ou um paliativo para as dores da vida temporal”. O pastor Glauco Barreira é conhecido pelo seu zelo doutrinário e eclesiástico. Sensibilizado pela falta de amparo de muitos evangélicos nas Universidades, firmou um propósito de auxiliá-los nessa caminhada, visto que conhece bem o ambiente universitário. O pastor Glauco é professor efetivo da faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará e já foi professor e coordenador do curso de Direito de várias outras: Unifor, Grande Fortaleza, Fametro, além de ser palestrante em eventos acadêmicos. A proposta defendida pelo pastor Glauco é que os universitários evangélicos se apropriem de sua fé de modo a influenciar o meio acadêmico e não o contrário. Para ele, “a fé só mostrará a sua posição central em nossa vida quando determinar as nossas prioridades, as nossas motivações e o nosso pensamento. Um cristianismo que não influencie as pesquisas e a mentalidade acadêmica não impressionará ninguém. Devemos, assim, mostrar coerência entre crenças e práticas. A partir daí, poderemos evangelizar com autoridade, sempre prontos a aproveitar cada oportunidade”. Para tanto, faz-se necessário um encorajamento contínuo. O pastor Glauco está sempre realizando eventos no início e fim de cada semestre, pregando sobre temas que envolvem o universo acadêmico e conflitam com os valores cristãos. Durante os semestres têm participado de eventos dos grupos de evangelização acadêmico e interagido com muitos alunos. Tem também promovido eventos mais amplos voltados para as diversas áreas do saber, seja na área da biologia, do direito, das ciências humanas, das ciências e tecnologias, vinculando-as com o Cristianismo, ou seja, criando uma mentalidade na qual o cristão poderá entender que é possível defender os valores cristãos nas diversas áreas do saber sem negá-las. Veja as matérias dos eventos realizados:
I Simpósio da COMUNIE:
I Simpósio de Design Inteligente do Nordeste: http://jornaltochadaverdade.blogspot.com/2017/11/design-inteligente.html
Musical “Dá-nos a religião dos velhos tempos”:
http://jornaltochadaverdade.blogspot.com/2018/05/noite-do-musical-da-nos-religiao-dos.html  
Após vários eventos da COMUNIE, a grande questão neste momento é saber onde estão os tantos universitários cristãos de Fortaleza (CE). Será que não se deram conta de que a fé cristã está sofrendo um severo ataque nos centros acadêmicos? Será que não perceberam a necessidade de unirem-se nesse propósito a fim de poderem ter liberdade de proclamarem e defenderem sua fé nas salas de aula? Será que eles não perceberam que políticos têm usado de políticas públicas para apadrinhamento dos alunos e com isso incutido doutrinamento ideológico de vertente esquerdista, que se opõe aos preceitos cristãos? Muitos questionamentos poderão ser aqui apresentados buscando uma resposta para a ausência desses nas reuniões e programações da COMUNIE. Parece que os universitários cristãos não se identificaram com a causa, por mais que isso seja em prol do próprio benefício deles.
Que este artigo sirva de alerta e de chamamento para os próximos eventos da COMUNIE.

Heládio Santos
Bacharel em Ciências Sociais e Filosofia
Pós-graduado em Comunicação Social e História

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O cristão numa guerra espiritual e cultural


Um arauto do despertamento espiritual


“Vamos assar o ganso!” 
Essa expressão faz referência a um homem cujo sobrenome (em seu idioma nativo, tcheco) significa “ganso” - John Hus era esse homem. Ele foi literalmente queimado na fogueira - mas, ao ser queimado, acendeu o fogo da reforma da igreja.
John (Jan in Tcheco) nasceu em 1374 em uma família humilde. Foi ordenado sacerdote em 1401 e passou grande parte de sua carreira ensinando na Universidade Charles em Praga, na Boêmia (na atual República Tcheca). Ele também foi o pregador da Capela de Belém em Praga (Três mil pessoas lotavam a capela para ouvir seus sermões).
Os escritos centrados na reforma de John Wycliffe encontraram o caminho para a Boêmia. Estudando nos dias que antecederam a imprensa, Hus copiou meticulosamente os livros de Wycliffe para seu próprio uso. Como Wycliffe, Hus enfatizou a piedade pessoal e a pureza da vida. Ele enfatizou o papel da Bíblia como autoridade na igreja e, consequentemente, elevou a pregação bíblica a um status importante nos cultos da igreja.
A própria Capela de Belém era uma ilustração tangível dos ensinamentos de Hus. Em suas paredes havia pinturas contrastando o comportamento dos papas e de Cristo. Por exemplo, o papa montou um cavalo enquanto Cristo andava descalço, e Jesus lavou os pés dos discípulos enquanto o papa beijava seus pés. Muitos dos clérigos sentiam, com razão, que seu estilo de vida estava sendo questionado. Mas Hus era popular entre as massas e com alguns membros da aristocracia, inclusive a rainha.
O arcebispo de Praga disse a Hus para parar de pregar e pediu à universidade que queimasse os escritos de Wycliffe. Hus se recusou a obedecer, e o arcebispo o condenou. Enquanto isso, Hus pregava contra a venda de indulgências que estavam sendo usadas para financiar a expedição do papa contra o rei de Nápoles. O papa excomungou Hus e colocou Praga sob um interdito - o que significa que a cidade inteira foi excomungada e não pôde receber os sacramentos. Para aliviar esta situação, Hus deixou Praga, mas continuou pregando em várias igrejas e ao ar livre. E, como Jesus, “as pessoas comuns o ouviam com prazer”.
Por que a hierarquia era tão contrária a Hus? Ele não apenas denunciou os estilos de vida muitas vezes imorais e extravagantes do clero (incluindo o próprio papa), mas também fez a afirmação ousada de que somente Cristo é o cabeça da igreja. Em seu livro On the Church, ele defendeu a autoridade do clero, mas afirmou que somente Deus pode perdoar pecados. Ele também alegou que nenhum papa ou bispo poderia estabelecer doutrina contrária à Bíblia, nem poderia qualquer cristão verdadeiro obedecer a ordem de um clérigo se estivesse claramente errado.
Hus só poderia encontrar problemas para tais ensinamentos. Em 1415, ele foi convocado ao Conselho de Constança para defender seus ensinamentos. Ao ser conduzido para lá foi vítima de um dos truques mais sujos já jogados em um cristão. Prometeram-lhe um salvo conduto, avalizado pelo imperador Sigismundo. E ele tinha a garantia papal: “Mesmo que ele tenha matado meu próprio irmão ... ele deve estar seguro enquanto estiver em Constance”. No entanto, Hus foi preso logo depois que ele chegou. Foi confinado em uma cela sob um convento dominicano. Sua cela estava bem ao lado de um sistema de esgoto. Com efeito, o Conselho já havia decidido sobre esse rebelde Hus. O Conselho condenou os ensinamentos de Wycliffe e Hus foi condenado por apoiar esses ensinamentos.
Hus, doente e fisicamente debilitado por longo encarceramento, além da falta de sono, protestou contra sua “culpa” e recusou-se a renunciar a seus supostos erros, a menos que pudesse ser mostrado o contrário nas Escrituras. Ao concílio ele disse: “Eu não iria, por uma capela cheia de ouro, recuar da verdade”.
Formalmente condenado, foi entregue às autoridades seculares para ser queimado na fogueira em 6 de julho de 1415. A caminho do local da execução, ele passou por um cemitério e viu uma fogueira de seus livros. Ele riu e disse aos espectadores para não acreditarem nas mentiras que circulavam sobre ele. Chegando ao local de execução, foi perguntado pelo marechal do império se ele finalmente retrataria suas visões. Hus respondeu: “Deus é minha testemunha de que a evidência contra mim é falsa. Eu nunca pensei nem preguei, exceto com a única intenção de ganhar os homens, se possível, de seus pecados. Hoje eu vou morrer de bom grado”. 
Lutero mais tarde admitiu, em debate com Johannes Eck em Leipzig, que “somos todos hussitas sem saber”. Por isso, é fascinante que duas fontes relatem que a mesma profecia foi feita por Hus quando ele morreu. O martirólogo protestante John Foxe, em seus Atos e Monumentos , é (talvez sem surpresa) um deles. Mas o outro, Poggius Floretini, era um padre católico romano. Veja como ele descreveu a morte de Hus em uma carta a um amigo, Leonhard Nikolai:
Então Hus cantou em verso, com uma voz exaltada, como o salmista do trigésimo primeiro salmo, lendo um papel em suas mãos: “Em ti, ó Senhor, eu confio e inclina os teus ouvidos para mim”. Com tais orações cristãs Hus chegou à fogueira, olhando sem medo. Ele subiu em cima da plataforma, depois que dois ajudantes do carrasco rasgaram suas roupas e o vestiram em uma camisa encharcada de piche. Naquele momento, um dos eleitores, o príncipe Ludwig do Palatinado, subiu e implorou a Hus que se retratasse, para que ele pudesse ser poupado de uma morte nas chamas. Mas Hus respondeu: “Hoje você assará um ganso magro, mas daqui a cem anos ouvirá um cisne cantar, que não será queimado e nenhuma armadilha ou rede o pegará”. Cheio de pena e cheio de muita admiração o príncipe se virou.
Hus há muito era popular entre os leigos, e sua morte heróica só aumentou seu prestígio. Seus seguidores saíram em franca rebelião, tanto contra a igreja católica quanto contra o império dominado pelos alemães com o qual não queriam participar. Apesar dos esforços repetidos de papas e governantes para erradicar o movimento, ele sobreviveu como uma igreja independente, conhecida como Unitas Fratrum ou os Irmãos Unidos.


quinta-feira, 5 de julho de 2018

INSCRIÇÕES para o curso de TEOLOGIA AVANÇADA - IPC


Começam hoje às inscrições para nova turma de Teologia Avançada do Instituto Pietista de Cultura.

Local da inscrição: Rua Nogueira Acioly, 2195 – Joaquim Távora – Fortaleza – Ceará
Dias para inscrição: 05, 12, 19 e 26 de julho das 18h às 21h.
Valor da Matrícula: R$ 99,00 (este valor deverá ser pago no ato da inscrição)
No início das aulas será disponibilizado carnê com as outras 5 (cinco) mensalidades de igual valor da matrícula.
Início das aulas: Agosto/2018
Disciplinas ofertadas do primeiro semestre: Comunicação e Expressão, Bibliologia e Antropologia do Antigo e do Novo Testamento.
Duração do curso: 3 anos (6 semestres)
OBSERVAÇÃO: os dias das aulas serão informados previamente aos alunos. A previsão é que ocorram nas noites dos dias de segunda, quarta, sexta (das 18h30 às 21h30) ou sábado (das 14h às 17h);
OBSERVAÇÃO: o material didático será em formato de apostila com textos diversos, livros ou outros meios que os professores julgarem necessários (os custos do material serão por conta do aluno);  
OBSERVAÇÃO: Certificado emitido pela AMEC – Associação Moriá de Educação Cristã. O curso de Teologia Avançada é um curso livre, de acordo com nova regulamentação do MEC não poderá ser utilizado para convalidação de curso posterior de graduação em Teologia.
OBSERVAÇÃO: o Instituto Pietista de Cultura se reserva ao direito de realizar o curso somente a partir de um número mínimo de alunos matriculados em todas as disciplinas, ou seja, 10 (dez) alunos.


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Crentes na Copa? - Parte II


F
alamos anteriormente sobre a entrada da cultura coríntia na igreja, cultura esta de competições, por isso retomo este aspecto, mas acrescentando o capítulo 6:1-8. O contexto é bem conhecido e revela que estava havendo demandas e rivalidades entre os irmãos (cf. I Co 6:1,7). Muito embora o texto não especifique o motivo pelo qual litigavam, o contexto revela que a cidade de Corinto era entregue ao glamour erótico, sendo inclusive anfitriã da deusa Afrodite, a mesma Vênus, que como deuses greco-romanos, despertavam a competição e altruísmo rival, porquanto os deuses greco-romanos tinham suas peripécias marcadas por competições entre mortais e outros deuses. Portanto, a verve coríntia, marcada com maior ênfase, era a sensualidade e as competições.
Falamos que tal cultura havia entrado na igreja, e, aqui no capítulo 6 encontra-se o ápice do espírito rival e competidor. Diante da situação, Paulo escreve em sua segunda carta: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor todo poderoso.” (II Co 6:14-18, cf. Is 52:11 e Ap 18:4).
Belial, no antigo testamento, era um nome genérico, segundo John Davis (2005, p. 169): é um circunlóquio de origem semítica, usado em vez de um adjetivo apropriado, para designar os ímpios, cujo significado no hebraico é: indignidade, perversidade.
No livreto “Afinal o que está Satanás fazendo?” (LUGT, 2000, p. 11), diz ser sem valor, ou maligno e perverso. Sendo um termo personificado, ou seja, atribuído à pessoa, no caso Satanás, veja II Coríntios 6:15.
A associação descrita por Paulo não é apenas andar com pessoas descrentes, mas fazer aliança com Satanás, por mais que seja duro admitir. Na realidade, os coríntios não foram ensinados a se conformarem com a cultura deles sob pretexto de melhorá-la ou tornar o mundo melhor, ou dizer: sou corintiano, sou cidadão ou algo parecido. O que Paulo disse é que eles deveriam sair do meio, ou seja, deixar o pecado, crentes frios e secularizados olham para o que é próprio de Belial, Satanás, de modo amistoso, no caso a cultura deles, neste aspecto não seria associada com a justiça, pois a comunhão e concórdia é impossível.  
O verso 18, do capítulo 6 de II Coríntios diz que só se separando do pecado, ou seja, o que é imundo, seríamos filhos e filhas de Deus, ficando claro que tal separação só é possível quando o homem se arrepende e recebe Cristo por seu Salvador e Senhor, e não apenas abstinência de hábitos meramente, mas a separação do mundo através da conversão pela graça por meio da fé, pois nossa salvação compreende espírito, alma e corpo, em três tempos: passado (pecados anteriores), presente (renúncia ao pecado pelo processo de santificação) e do juízo vindouro (estando reconciliados com Deus em Cristo).
Agora, observe a expressão: “templo de Deus”, ela é curiosa pois o templo é nosso corpo individualmente, enquanto que coletivamente ou unidos, somos o corpo de Cristo, isto é, a igreja, não devemos reservar um altar para ídolos, pois somos templo e casa de Deus.
O ídolo erótico tratado na carta como a prostituição sexual, se praticada, consuma um pecado contra o nosso corpo, então podemos dizer que juntar os membros de Cristo (nós), com a meretriz só veiculará pecado e vergonha ao corpo de Cristo. A igreja é santa, separada do mundo, e isso é visto a partir do termo grego ekklesia, que pressupõe que foi tirada do mundo, logo, ela não é moldada com a forma de uma cultura que ofenda aos princípios irrevogáveis de Deus.
Jesus não disse que nos adequaria ao mundo, pelo contrário, ele disse que nos tirou do mundo (cf. Jo 8:23 e 17:14, I Jo 3:13, 2:15 e 4:5). Sobre nós disse Jesus: “Não são mundo como eu do mundo não sou.” (Jo 17:16). Seria no mínimo estranho e parcial, uma mensagem que nos diz que não somos do mundo, se ainda continuássemos segundo a glória deste mundo?
Vimos que Jesus não aceitou os reinos ou governos deste mundo, nem a glória deles, e quando falo sobre os reinos e sua glória, refiro-me ao sistema ideológico oposto a Deus. Kosmos é um termo grego que aparece em João 18:36, onde Jesus diz que seu reino não é deste mundo. Kosmos traz a ideia de ordem, ordenar, repartir, distribuir e adornar. Inclusive, a palavra, cosmético para embelezar, vem de kosmos. No novo testamento, o termo aborda o sistema de coisas de modo abrangente, no âmbito social político e econômico. Portanto os poderes políticos e a glória deles em confronto a Deus e seus princípios morais e espirituais.
Ainda sobre associação com Belial, o texto de I Coríntios 6:14-18, é muito similar a Apocalipse 18:4, que nos diz: “E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela povo meu, para que não sejas participantes dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas.” O texto retrata a figura de uma mulher que leva o nome de GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA (cf. Ap 17:5). O verso 18 diz: “A mulher que vistes é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.” Quem dominava neste contexto da revelação de Apocalipse era Roma (cf. I Pe 5:13) conhecida como Babilônia, pois foi quem recebeu e manteve um poder político-religioso atuante. Conforme o texto se levantará no futuro, pois a visão foi para o futuro, sob o comando do Anticristo. Tal sistema por ser religioso unificado, ou seja, ecumênico, sendo encabeçado pela política e pela religião de modo homogêneo e globalmente.
No aspecto religioso terá como líder o falso profeta, a besta que sobe da terra (cf. Ap 13:11-18, 16:13, 19:20 e 20:10). O catolicismo em sua ação bajuladora, é quem inclusive defende o envolvimento e toma parte na política e em jogos apreciando e até abençoando a copa do mundo.
Infelizmente muitas igrejas evangélicas estão incluídas nesse processo, pois se torna uma só com o mundo, e toma parte em assuntos que não lhe cabe nem Cristo ordenou.
Em Apocalipse 17:2 diz que: “os reis da terra e os que habitam na terra se embebedaram e se prostituíram com ela, com o vinho da sua prostituição.” Ou seja, os poderes terrenos e seus súditos estão de igual modo empenhados no mesmo intento e propósito.
Atente que até a descrição da aparência da mulher é uma aparência extravagante, com muitos adornos, que já estampa uma cultura de vaidade estética, luxúria e o próprio vício, típico das prostitutas da cultura daquele contexto, mas que é atual em sua expressão, pois hoje o mundo lança sua cultura de apego aos cosméticos, adornos, extravagância, muita sensualidade e vícios. A igreja ou religião do falso profeta que estará a serviço do Anticristo, a besta que sobe do mar, tem a cultura já globalizada do mundo e muito facilmente se adequa ao gosto, por isso é identificada com uma taça e embriaga. Vejam que seu perfil é apetecível e sedutor, pois arvora a insígnia do poder político dos reinos deste mundo (alçada política) e a glória deles (alçada cultural).
Aqui fica a advertência, porquanto não está escrito a esmo, mas com o propósito a que venhamos a mudar nosso conceito, porque a paixão por poder político e a glória de tais poderes e reinos não foi nem é o desejo de nosso Senhor Jesus Cristo para sua igreja.
Seria muito ingênuo acreditar que os jogos olímpicos e os da copa, entre outros eventos semelhantes, feitos ou organizados pelo mundo não estarão no programa governamental do Anticristo. Veja que a mulher está embriagada do sangue dos santos e das testemunhas de Jesus (cf. Ap 17:6). Muito embora aponte para o futuro, não se desvincula das reminiscências dos mártires da igreja primitiva. Esta mulher símbolo deste poder tanto embriaga-se como embriaga os outros. A si própria, por derramar muito sangue perseguindo o povo de Deus, aos outros, porque seduz com seu fascínio religioso espúrio, salvaguardando e aprovando empreendimentos e decisões segundo o gosto da maioria. E aqui vale lembrar que Roma imperial em seu delírio babilônico derramou muito sangue, matando muitos cristãos exatamente em jogos, se o mundo não faz o mesmo por jogos hoje, é pelo fato de não ser viável matar sua mão de obra, pois a questão é mercadológica, os países que promovem tais eventos não conseguiriam juntar suas fortunas.
Os crentes, nos primórdios da igreja, não satisfaziam Roma, pelo contrário, a contrariava. Isto mostra que a igreja atual está em péssima situação, pois está envolvida com o mundo, o contrário da igreja no passado, os cristãos estavam mortos para o mundo, sendo, portanto, imprestáveis para os propósitos ambiciosos e carnais do mundo de então. A igreja que não tinha o poder dos reinos terrenos nem a glória deles, era a igreja que tinha o poder para derrotar Satanás, pois o enfrentava com mãos vazias, porém cheios do Espírito e da palavra, a de hoje, não o enfrenta, porquanto recebe sua glória e suas armas. 
Hoje, em particular no Brasil, a mulher pode até não estar embriagada do sangue, pois não persegue os crentes como antigamente, mas está prostituindo e servindo vinho da sua prostituição seduzindo com a política partidária, expressão de uma parte dos reinos deste mundo e a glória deles já que estamos agora falando de um caso local. E o efeito não daria outro, é a apostasia e afastamento da simplicidade do evangelho de Cristo, operada pela serpente. Sendo que também aos coríntios foi feita tal advertência (II Co 11:3). A prostituta Babilônia segura uma taça cálice ou copa. De duas uma, ou estamos contra este sistema perverso ou estamos bebendo e enchendo tal taça.
Que Deus tenha misericórdia, e tem, mas os homens necessitam urgentemente de arrependimento e deixarem essas vaidades que não dignificam o crente em absolutamente nada!
O Coliseu de Roma estremecia quando realizavam mais uma exibição, nem animais escapavam (O’Reilly, 2008). Na defensiva muitos dizem que isso passou e não se compatibiliza com o esporte praticado no mundo atual. Hoje é ainda pior, pois os jogos sem tirania e derramamento de sangue indica que eles se tornaram muito mais sedutores e inadequados aos que servem a Cristo, afinal, sua forma atual continua contradizendo os ensinos de Cristo. Pois assim o comprometimento com ele tona-se mais acessível e humano em termos políticos, mas em nada se conforma com a natureza do evangelho e reino de Deus, onde o Senhor revela sua incoerência diante de uma cultura de disputa carnal que promove ascendência ao mundo da fama e proporcionando ídolos.
Em Gálatas 5:19-21, temos o fruto do Espírito que, por natureza, nos faz retomar o assunto da regeneração que nos reporta ao confronto com uma cultura reinante inassociável ao plano de Deus. O oposto do fruto do Espírito, ou seja, das práticas que são as obras da carne são consentâneas a uma cultura de disputas, que faz jus a paz e união dos povos. Uma paz e união leviana e momentânea ou tranquilidade parcial proporcionada pela pós-modernidade, e discursos filosóficos-políticos e até religiosos, não deveria seduzir aos cristãos à paixão a tais eventos e esportes competitivos.
É até vergonhoso como um povo, cuja paz é real e genuína, pode se aliar a uma paz medíocre de alguns momentos. Convém salientar que o povo de Deus nunca dependeu de uma intervenção humana para convicções teológicas ou de fé prática, ou seja, não necessitávamos de uma intervenção para deixarmos de fazer o que Cristo há muito já havia nos disciplinado que não deveríamos nos entremeter.
Lembramos por exemplo, que não foi o Iluminismo com os pensadores franceses do séc. XVIII que desvincularam a fé cristã do Estado no Ocidente. Porquanto, na sucessão original da fé cristã, na pureza do Evangelho, esta nunca exerceu poder de Estado, pois a ele nunca se fundiu. O cristianismo, professo no Medievo, como o catolicismo e grupos da reforma, defenderam envolvimento na política, mas os cristãos, como os anabatistas do sec. XVI, nunca concordaram com tal coisa, pois a Igreja de Cristo sempre esteve isenta de associação com os reinos deste mundo e sua glória. E já deixo claro que é espúrio e muito esdrúxulo pensar que um crente anabatista tenha amor a tal paixão da copa e esportes competitivos. E a razão é muito simples: como alguém que se opõe ao guerrear e empunhar armas contra alguém, uma vez que tal coisa denota uma identidade com os poderes terrenos, esteja diametralmente imbuído de comprometimento com a glória de tal reino?
Quando há um embriago junto à adega do inimigo, se despreza um avivamento real, genuíno, e passa-se a apegar-se com o mundo e suas atrações e entretenimentos idólatras. Quando um povo despreza a voz do Espírito Santo, e inclusive ridiculariza o ser cheio com este mesmo Espírito Santo, se preenche o espaço com mundanismo e futilidades carnais. Deixar de ser cheio do Espírito Santo é um risco ao vinho alcoolizado que há na copa babilônica. Acredito piamente que os cristãos primitivos não sofreram por falta de esperteza, pois, em lugar de usarem táticas, tinham poder e vida dedicada ao Senhor Jesus suprimindo esperteza. Se tivessem desejo de glória e escapar os horrores que o mundo lhe impôs teriam condições para isso. Mas não ousavam, pois eram guiados pelo Senhor e não usavam a fé para criar um reino aqui, ou, como muitos pensam, transformar o mundo pela sua ascendência nas diversas camadas sociais.
Perceber a importância da doutrina chamada de Quiliasmo, milênio literal, ou seja, o Reino de Cristo sobre a terra como foi crido pela igreja, é indispensável, pois assim crendo estavam assegurados de que deveriam esperar seu Reino, mas não por sua investida com este século, se tornando uma igreja estatal. Obviamente que a doutrina do quiliasmo é amparada por sua coerência com a visão bíblica pré-tribulacionista, pois a igreja que há de ser arrebatada é aquela que esteve guardada da corrupção do mundo e levada para ser poupada da ira de Deus, e com sua ascendência ao reino consentâneo a sua condição santa, isto é, separada do mundo e virgem por não ter sido contaminada com os reinos daqui, uma vez que não recebeu galardão antecipado aqui, será a igreja que terá condições de reinar com Cristo por sua graça.
Por fim, resumimos nossas palavras em que o real avivamento traz consigo a renúncia do pecado, como no avivamento galês de 1904, em que os jogos, bebidas alcoólicas foram abandonadas tendo até o futebol americano sido esquecido por fãs e jogadores. Somente um avivamento salvará alguns do pecado de subirem o pódio dos envaidecidos. Somente um avivamento espiritual, que muitas vezes se pode ver choro, clamor, e obrigatoriamente confissão de pecados e arrependimento, estas coisas acontecem quando voltamos ao primeiro amor.

Roberval Soares de Oliveira
Membro da Igreja Batista Renovada Moriá em Fortaleza
Graduando em Licenciatura em Geografia pela UECE

Referências

BERCOT, David W. Que falem os primeiros cristãos: uma análise da igreja moderna sob a luz do cristianismo primitivo. Boituva: Literatura Monte Sião do Brasil, 2012;

DAVIS, John D. Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Hagnos, 2005;

HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008;

LUGT, Dan Vander. Afinal, o que está Satanás fazendo? Michigan: RBC Ministries, 2000;

O’REILLY, A. J. Os mártires do Coliseu. 8. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.


terça-feira, 3 de julho de 2018

Crentes na copa? - parte I


A
 copa do mundo é inadequável ao cristão e, portanto, à igreja, o corpo de Cristo. Ainda que muitas denominações sejam concordes ou favoráveis, tolerantes e apaixonadas por tal evento esportivo. Tal evento é realizado pelo mundo, para o mundo e com motivações mundanas. Entre outras razões, a copa é uma rede mundial de ostentação carnal, porquanto atende à cultura da soberba e orgulho que estabelece o mérito do mais forte e mais competitivo. Esta cultura soberba era muito forte na cidade de Corinto, e a igreja, em tal cidade, já havia absorvido o suficiente, de modo que já disputavam e rivalizavam entre si (cf. I Co 1:10-16, 2-3:1-4, 6:17).
Mas o apóstolo Paulo, numa ação corretiva. disse aos coríntios: “Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso” (I Co 3:21). Ora se as disputas e competições em nome dos homens de Deus, ou seja, de Paulo, Apolo e Cefas, envolvendo Cristo, não foi nem é aprovado entre os crentes, ou seja, em nome de homens de Deus, muito menos competições e rivalidades envolvendo países e incrédulos com seus times. Na verdade, a igreja não está aqui para melhorar o pecado e o mundo, ela está aqui para pregar o evangelho e, parte de sua incumbência é combater o pecado e condenar as obras infrutuosas das trevas (Ef 5:11). A copa, como manifestação endêmica do orgulho e exaltação do ego humano, além de promover a soberba e a cultura competitiva frívola, é um expediente impróprio para o crente, porquanto é ecumênico, típico do Anticristo (II Ts 2:1-12, I Ts 5:1-3 e Ap 6:1-2), pois veicula uma ideologia de paz que é por natureza falsa, visto que contribui para a propagação do pecado e da mentira. Sabemos disso pelo motivo de Jesus conceder a verdadeira paz que não é como a do mundo, antes é a paz operada pela verdade que é libertadora (cf. Jo 14:27).
Contudo, até agora se ainda resta alguma dúvida, vejamos ainda sobre a cultura corintianizadora (a mesma de hoje), o que disse o Senhor Jesus por Paulo: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança a mim e a Apolo, por amor de vós: para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo-se a favor de um contra o outro.” (I Co 4:6). A cultura soberba de competição, que é carnal, é evidentemente predominante em Corinto, levava-os para além do que estava escrito, contrariando o Evangelho. É óbvio que tal cultura tinha e tem sua gênese na sabedoria deletéria, isto é, nociva do mundo (I Co 3:18-23). O contexto que é especificamente revelado em ( I Co 4:7-21) é que muitos coríntios, seguindo tal sabedoria mundana, diferenciavam-se de Paulo e outros apóstolos e cooperadores como sábios ilustres e fortes, enquanto eles, os apóstolos, eram inferiores (I Co 4:10).
A situação atual é a mesma, porquanto igrejas com seus teólogos e líderes ensinam confiantes de que estão imbuídos de sabedoria, no pensamento de que não existe mal em esportes competitivos e que o cristão deve se alegrar com tal evento, pois segundo muitos destes, a igreja moderna está numa situação de vantagem sobre os cristãos e a antiga igreja e a razão, segundo eles, de se envolverem é pelo fato de serem patriotas, e não devemos nos privar das coisas boas que há no mundo, afinal, Deus criou todas as coisas para delas desfrutarmos. Ora, fica evidente que o mero esforço ou exercício físico é proveitoso (ITm 4:8) mas que foi que disse que paixão idólatra e apego a pelejas carnais tem apoio neste texto.
Se não podemos tornar o que é bem em mal, também não podemos tornar o mal em bem (cf. Is 5:20). Por muitas razões. podemos ver com base na Palavra de Deus que a cultura da competição carnal evidenciada por paixão a um time, como ao patriotismo terreno, não agrada a Deus, vejamos seis tópicos que falam disso:

1)  A verdadeira pátria e cidadania do crente em Jesus é a celestial!
Paulo nos adverte disso: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” (Fp 3:18-21, veja também Hebreus 11:13-16). O autor de Hebreu também nos diz: “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.” (Hb 13:14).

2) A peleja do crente não é contra carne e sangue!
Em Efésios, Paulo nos diz assim: “Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Ef 6:12). Aqui muitos tentam aplicar o texto às lutas meramente bélicas, ou seja, guerras de uma nação contra outra e conflitos de um homem contra outro por motivos pessoais, mas o texto abrange muito mais, isso é tão certo que em I Coríntios 9:24-25, diz que os ímpios são quem lutam ou disputam em busca de prêmios corruptíveis, e neste contexto está falando diretamente sobre jogos olímpicos.

3) Os crentes em Jesus Cristo não praticavam desportos e esportes competitivos, mas somente os ímpios!
O motivo é claro o prêmio do crente é incorruptível e o dos ímpios corruptível, não podemos receber os dois, assim como não podemos servir a dois senhores. Jesus mesmo disse: “Não podeis servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mt 6:24, cf. também Lc 16:13).
Paulo também fala do prêmio que o crente receberá no céu: “Não sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível.” (I Co 9:24-25).
Conforme os relatos históricos, os cristãos primitivos não participavam dos jogos nem das festividades romanas (BERCOT, 2012).

4) Os crentes em Jesus Cristo não se envolviam com tais coisas, porque Jesus que os desestimulou a tal cultura competitiva.
No meio dos discípulos disputas de quem seria o maior aconteceram, conforme nos é relatado nos evangelhos, senão vejamos: “Mas eles calaram-se, porque, pelo caminho, tinham disputado entre si qual era o maior. E ele, assentando-se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma destas crianças em meu nome a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber recebe não a mim, mas ao que me enviou.” (Mc 9:34-37, confira também Mt 18:1-4 e Lc 9: 46-48).

5) A glória terrena de um reino compreende cultura, filosofia, poder de conquistas bélicas e esportivas.
O próprio Diabo ofereceu tudo isso a Jesus, ou seja, os reinos deste mundo e a glória deles, mas nosso Senhor não foi receptivo nem a um e nem a outro (cf. Mt 4:8 e Lc 4:5-6). É importante notar que, neste contexto inclusive, o império romano propagava sua cultura competitiva, e com ela os jogos olímpicos, jogos e lutas entre outras modalidades de esportes competitivos que já eram uma herança da Grécia, berço da cultura competitiva das disputas olímpicas, surgidas em 776 a.C.
Nosso Senhor Jesus Cristo não recebeu nem os reinos ou governos nem a glória deles, ou seja, a cultura competitiva: guerras e esportes que estão atrelados um ao outro. Isto pelo fato de que, os jogos competitivos tomaram forma com base reminiscente na prática guerreira, com a agonística guerreira. Convém salientar e deixar bem claro que a cultura em seu aspecto antibíblico, e isso não significa que absolutamente não existam coisas neutras e de proveito útil em uma dada cultura desde que não conflite ao que é moral e espiritual, por exemplo, a competitividade fere ao evangelho e seu espírito. É unânime o pensamento de que Jesus foi rejeitado exatamente por ser contra a cultura que desrespeita a palavra de Deus, ou seja, política e popularidade que exaltasse o homem, pois a glória dos homens além de ser corrupta, não é do grado do Senhor aquele que a si mesmo se louva, mas aquele aquém o Senhor louva (cf. II Co 10:17-18).

6) O reino de Jesus não é deste mundo!
Uma vez que Jesus não esperava nada deste sistema mundano, até porque ele é Reis dos reis e Senhor dos senhores, ele disse: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora o meu reino não é daqui” (Jo 18:36).
Observe que Jesus disse isso na ocasião em que foram prendê-lo, não esboçando reação nem dando ensejo a um confronto, ou seja, se o seu reino não é daqui, também os reinos deste mudo não são dele, atente para o fato de que quando Jesus disse isso, disse aos que o foram prender que haviam sido enviados e às autoridades judaicas (cf. Mt 26:47,Mc 14:43, Lc 22:47-52 e Jo 18:1-3). Sendo levado para ser interrogado pelas autoridades judaicas e, em seguida, a Pilatos, representante de Roma (Jo 18:28). Jesus não tinha interesses políticos deste mundo e seus servos não estariam envolvidos em militância de combate carnal, fosse por guerras ou méritos atingidos por competitividade, pelas quais fossem ovacionados heróis ou que estivessem glorificando homens por sua força física empregadas em lutas e competições em torcidas.
Ora, se os discípulos não lutariam indo a combates e guerras por causas políticas, seria de esperar que eles fossem atraídos pela cultura competitiva e massificados com as pessoas que vibravam pelos seus atletas? É claro que não.
Portanto, dentro da visão de reinos terrenos e mundanos, estão, é óbvio, os jogos ressaltados pela cultura competitiva que inclusive tem valor econômico com muito lucro, sendo, portanto, empreitada da qual o reino terreno e mundano algum deseja estar de fora. Nessa perspectiva, os jogos na cultura competitiva incluem a luta contra carne e sangue, mas o apóstolo Paulo num texto já citado que foi I Cor 9:24-25, já se refere aos jogos propriamente dito de modo distinto, portanto, no reino de Deus não se luta com espada contra ninguém em guerras nem com disputas esportivas, pois nossa luta não é contra carne e sangue nem tampouco nosso prêmio é corruptível, e assim como Jesus não queremos o poder de reinos nem sua glória.

Roberval Soares de Oliveira