O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O reino que alvoroçou o mundo

O tema principal da mensagem de Jesus foi, sobretudo, o reino de Deus. Este livro leva o leitor aos ensinamentos de Jesus sobre o reino, ensinamentos que,por diversas vezes, têm sido esquecidos. Bercot descreve as novas e radicais leis do reino e seus valores “invertidos”. Não há lugar no reino de Cristo para o cristianismo superficial, pois este é um reino que historicamente causou um alvoroço, uma reviravolta no mundo. 
Formato: 14 x 21cm, 254 págs
Autor: David Bercot

DISPONÍVEL PARA VENDA na banca localizada no
templo da Igreja Batista Renovada Moriá.


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Conferências de missões 2017

As conferências de missões anuais da Igreja Batista Renovada Moriá tem como objetivo principal encorajar a Igreja a ir para o campo missionário. Durante a noite desta quinta (19/10), data na qual foi iniciada a programação, os hinos, as falas anteriores à pregação, os testemunhos e a pregação em si focaram quesitos como a inquietação pela salvação de almas, a necessidade de orar para que pecadores se convertam, o desprendimento do cristão para desbravar os “campos brancos prontos para a ceifa” e o apoio da Igreja, sustentando as empreitadas respaldadas no Ide de Jesus.
Foi uma noite de muito fervor espiritual, principalmente na pregação do evangelista André Elias que com excelente desenvoltura pronunciou os oráculos do Senhor nessa noite de abertura. Verificou-se que a Igreja ficou tão impactada com as santas palavras que saíram da boca do arauto de Cristo que houve um grande clamor e orações. O clima instaurado perpetuou-se até o fim do culto, apesar de haver ainda muita “lenha para queimar”. As crianças foram contempladas com uma programação exclusiva para elas, levando-as a compreender o valor das missões.
A programação continua na noite de hoje, tarde e noite de amanhã e será encerrada no domingo pela manhã, momento no qual haverá um aprofundamento do tema missões na Escola Dominical. Estarão pregando: pastor Edimilson Lopes, evangelista Cláudio Coelho, evangelista Jean Carlos e alunos o Instituto Pietista de Cultura (cartaz abaixo).


Não perca essa oportunidade de avivar seu coração no altar de Deus. Corra e participe ainda hoje!













Programação do Simpósio sobre Design Inteligente


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A Fé Pela Qual Vale Morrer

Há quatro séculos, na Europa, se alguém cresse em Deus e obedecesse a ele, era bem provável que morreria pelas mãos dos católicos ou protestantes. A fé dos crentes dessa época era mais do que uma profissão religiosa. Eles viviam e morriam pela fé. Embora o caminho dos fiéis fosse perigoso, muitos creram em Deus, e a igreja de Jesus floresceu em meio da perseguição. Neste livro, o autor examina o lado prático duma fé verdadeira, baseado em histórias dos mártires, tomadas do livro Martyr’s Mirror (O espelho dos mártires). A fé pela qual valia a pena morrer é a fé pela qual vale a pena viver em nossos dias.
13 capítulos com perguntas de estudo, excelente para estudo pessoal ou em grupo.
Formato: 14 x 21 cm, 104 páginas

DISPONÍVEL PARA VENDA na banca localizada no
templo da Igreja Batista Renovada Moriá.

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O batismo católico, o rebatismo e os anabatistas

O batismo é símbolo da regeneração. É a manifestação da experiência consciente e espiritual alcançado pela fé do confesso novo cristão. Foi na Idade Média muito reverenciada pelos anabatistas, tanto que, em muitos casos, perderam suas vidas pela prática bíblica do rito ordenado por Cristo. Não é sem razão que o nome anabatista provém deste misto de obediência a Deus e perseguição, porquanto revelou o apego genuíno à verdade bíblica, renegada pelo tenebroso catolicismo medieval e não discernida pelo Protestantismo. Assim, o batismo tem importância essencial para todas as discussões cuja pauta traz a Reforma Radical (nomenclatura atribuídas aos anabatistas que pretendiam restaurar os padrões neotestamentários, retornando às raízes do verdadeiro cristianismo).
Dentre os líderes mais emblemáticos do movimento, encontramos Michael Sattler,ex-prior do mosteiro beneditino de São Pedro da Floresta Negra. Ele foi possivelmente responsável pela confissão de Schleitheim, primeiro documento dos anabatistas suíços que reivindicava o cumprimento expresso das Escrituras. O diferencial de Sattler foi à forma de adesão ao movimento. Apesar de não sabermos detalhes sobre sua conversão, sabe-se que sua decisão foi muito bem pensada. Na confissão, versou sobre a primeira ordenança de Cristo nesses termos:
O batismo será dado a todos aqueles que aprenderam o arrependimento, a regeneração de vida e que acreditam verdadeiramente que seus pecados foram expiados por Cristo, e a todos quantos andarem na ressurreição de Jesus Cristo e desejem ser sepultados com ele na sua morte, para que possam ser ressuscitados com ele, e a todos aqueles que, com esse significado, requeiram-no (batismo) de nós e o requeiram por si mesmos. Isto exclui completamente o batismo infantil, a maior e principal abominação do Papa. Em tudo isso tem-se fundamento e testemunho dos apóstolos (Mt 28; Mc 16; At 2, 8, 16 e 19). Desejamos sustentar isso humildemente, porém firmemente e com convicção.
O texto acima é o primeiro ponto da Confissão. Encabeçando o documento, leva-nos a considera-lo não o mais importante, mas aquele que precisava de uma urgente resposta em vistas do contexto como se aplicava o batismo na época. Sabemos que o catolicismo batizava por aspersão, administrando seu dogma para infantes. O Protestantismo seguiu a mesma conduta. Porém, essa situação era muito embaraçosa, pois não há referências bíblicas para o ato batismal de crianças, no entanto, cumpria com determinados interesses políticos. Além disso, a forma como era conduzido o ritual abre precedentes para enormes críticas, porquanto difere em muito com o preceituado nas Escrituras. Vejamos como era o ritual católico em Portugal no século XVI de acordo com Francisco Pires de Almeida:
1) A primeira etapa ocorria do lado de fora da porta principal da igreja, onde o sacerdote perguntava aos padrinhos qual o nome a dar à criança. Depois de nomeada, dava-se então começo aos vários exorcismos. Em primeiro lugar, realizavam-se na face do bebé as três insuflações, que assumiam a forma de uma cruz, com o propósito de afastar o diabo14. Após os sopros, seguiam-se os sinais da cruz estendidos às várias partes do corpo: nos olhos para que visse Deus; nos ouvidos para o ouvir; nas narinas para que usufruísse o seu odor; no peito, ou melhor, no coração, para que nele acreditasse; e na boca para o demonstrar através das suas palavras15. Depois, o sacerdote colocava a mão direita sobre a cabeça do pequeno para destruir os laços que o prendiam a Satanás. Passava-se então à administração do sal, depois de o exorcizar16. Segundo Nicolas Lopez Martinez, as liturgias apelavam aos méritos divinos para purificar os elementos sacramentais e os afastar do domínio do demónio17. Por isso, os manuais de Braga e de Coimbra exigiam o exorcismo do sal, pedindo ao Criador que o transformasse num medicamento perfeito (perfecta medicina) para afugentar o inimigo. Daí que fosse colocado na boca do recém-nascido18. Entre as orações que se seguiam, intercaladas com mais dois sinais da cruz na testa, finalizava-se a primeira ronda dos exorcismos com abjurações para amaldiçoar o diabo. Para ultimar a primeira fase do ritual, o sacerdote orava com os padrinhos o Credo in Deum, o Pater Noster e o Ave Maria.
2) Ao deixarem o adro da igreja, dava-se lugar à fase liminar, que já ocorria dentro desta. O manual de Braga exortava a que o sacerdote abrisse com a sua saliva os sentidos, isto é, as narinas e os ouvidos do recém-nascido com duas intenções: expulsar o diabo e tornar a criança capaz de ouvir e sentir o odor de Deus19. Depois, seguido pelos padrinhos, levava a criança nos braços para junto da pia batismal, enquanto entoava a ladainha de Todos os Santos e o Kyrie eleison20. Aí, benzia e exorcizava a fonte. Ambos os manuais impunham que o sacerdote revolvesse duas vezes sob a forma de cruz a água batismal, lançando-a de seguida para fora do bacio. Aconselhavam também a que o ministro alterasse o seu tom de voz, assim como quando soprasse sobre a água em forma de cruz e lhe inserisse um círio aceso. E, por fim, recomendavam que nela derramasse o óleo do crisma e o óleo santo de per se e só depois os dois conjuntamente. Desta forma, a água batismal adquiria o poder de santificar: lavaria os vícios (pecado original) e regeneraria para se exercer o bem21. Dirigindo novamente a atenção para o bebé, o ministro retirava-lhe a roupa e passava às renunciações a Satanás e às suas obras e pompas, às quais os padrinhos respondiam Abrenuncio. Colocava, sob a forma de cruz, o óleo dos catecúmenos entre as espáduas e o peito do menino para que adquirisse vida eterna e, voltava a interrogar os padrinhos sobre os artigos da fé, questionando-os por três vezes se era intenção da criança ser batizada. Os padrinhos respondiam afirmativamente enquanto a tocavam. Deste modo, ficava pronta para ser banhada por três vezes na fonte batismal com a fórmula Ego te baptizo in nomine patris et filii et spiritus sancti22.
3) Assim que emergia da água batismal, dava-se a fase de agregação. O padre fazia-lhe na cabeça o sinal da cruz com o óleo do crisma, salientando que tinha sido regenerada pela graça do Espírito Santo. Colocava-lhe o capelo branco para que um dia fosse levada ao tribunal do Senhor e entregava-lhe a vela acesa na mão direita para que Cristo a encontrasse na sala da justiça celestial. Despedia-se dos padrinhos e advertia-os para que ensinassem a fé ao afilhado23. Dava-se assim por concluído o ritual do batismo.
Ora, com tantas inserções de elementos estranhos àquela referenciada pelos Evangelhos e Atos dos Apóstolos, não podemos menosprezar a repulsa anabatista pelo dogmatismo uma vez que estava em causa a pureza do Cristianismo. A cerimônia batismal havia sido completamente alterada e a reação anabatista ao esquisito ato batismal foi a sua rejeição e o rebatismo como negação da crendice ao ato praticado na infância. Isso significou a renúncia pelas orientações papais e clericais. Era um ultraje ao poder dominador católico, por mais que os anabatistas suíços o fizessem em termos de pacifismo, mas o que poderiam ter feito se tinham no coração a chama pela obediência? A vinculação do ato de batismo para o controle estatal gerou também discordância. Todos os batizados, de certa forma, vinculavam-se ao controle das autoridades políticas e religiosas.
Desta maneira, o anabatismo reivindicou simplesmente o cumprimento das práticas cristãs em consonância com os ensinos do Cristo e dos Apóstolos. Essa é a base da fé cristã. Quem interfere no legado apostólico, acrescentando ou retirando, demonstra ter maior autoridade do que aqueles constituídos diretamente pelo Cristo.  Um erro gravíssimo!  

Notas de Almeida

14 As três insuflações provêm do costume romano cuja prática já se incluía na liturgia hispânica. BRAGANÇA, Joaquim O. – Le symbolisme des rites baptismaux au Moyen Age: les rites d'admission au catéchuménat. Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 3:1 (1973), p. 44.
15Neste breue manual se [con]ten cousas muito necessarias e p[ro]ueitosas a todo sacerdote q[ue] ha de administrar e dar os sacrame[n]tosE assi som muitas missas deuotissimas e p[ro]ueitosas p[e]ra ha saude dalma e do corpo. as quaes nu[n]ca foro[m] postas em nenhu[m] missal ne[m] manual de Braga (doravante Manual de Braga). Impressus in antiquissima bracharensis civitate: [s.n.], 1517, fl. 2-2v.; Manuale secundu[m] consuetudinem alme Colymbrieñ [sic] Ecclesie (doravante Manual de Coimbra). Lixboneñ ciuitate: Nicolaum Gazini, 1518, fl. 2.
16 A colocação do sal já vinha do tempo de Santo Agostinho e foi aceite por todas as tradições das igrejas locais. Apenas divergia a oração do exorcismo. O ritual romano optava por Benedicto salis enquanto que outros rituais, como o galicano, davam preferência ao Exorcismus salis. BRAGANÇA, Joaquim O. – Le symbolisme, cit., p. 53.
17 LOPEZ MARTINEZ, Nicolas – Notas sobre la lucha contra el diablo mediante los sacramentos. in IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE TEOLOGÍA DE LA UNIVERSIDAD DE NAVARRA, Pamplona, 1983 – Sacramentalidad de la Iglesia y Sacramentos: actas. Pamplona: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Navarra, 1983, p. 807.
18Manual de Braga, fl. 2v.; Manual de Coimbra, fl. 2v.
19 O manual de Coimbra não exclui a abertura dos sentidos, apenas altera a ordem, impondo a administração da saliva após o exorcismo da fonte batismal e antes das renunciações (Cf. Manual de Coimbra, fl. 6v.); Manual de Braga, fl. 4v.
20 A ordem de invocação dos santos e arcanjos variou.
21 Manual de Braga, fl. 6-7; Manual de Coimbra, fl. 4v.-6v.
22 Apenas ficam dúvidas se Braga optou por uma imersão, uma vez que não alude à sub trina mersione. Manual de Braga, fl. 7; Manual de Coimbra, fl. 7.
23 Manual de Braga, fl. 7; Manual de Coimbra, fl. 7.

Referência
Almeida, Francisca Pires. O ritual do batismo em Portugal na Baixa Idade Média e nos inícios do século XVI. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2014000200006#14. Acesso em 19 Out 2017.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A História dos anabatistas

Quem foram essas pessoas? Qual era a relação delas com a Reforma? Quais eram suas crenças em relação a Deus, ao homem, à igreja, ao batismo e à vida cristã? Que tipo de pessoas eles eram? Essas e outras perguntas encontram suas respostas nas páginas seguintes, as quais tentam contar a história dos anabatistas.
Esse estudo sobre os anabatistas do século XVI será uma bênção para aqueles que, nestes tempos modernos, buscam seguir a Cristo por meio de um discipulado obediente.
Visualizar no link para ler as primeiras páginas de A história dos anabatistas

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Os pobres de Cristo

Uma das correntes históricas sobre os valdenses nos informa sobre Pierre Vaudès (Pedro Valdo), um rico comerciante cuja conversão o fez vender tudo o que tinha, em obediência ao texto bíblico do jovem rico, para dar aos pobres. Para quem pensa que ele o fez irracionalmente, sabe-se que sua esposa e filhas foram contempladas nessa distribuição a fim de que pudessem ter como sobreviver, enquanto ele se entregaria à vida simples ensinada pelo Cristo. Houve quem dissesse que Vaudès seria o fundador dos valdenses, um dos movimentos mais emblemáticos da História da Igreja, mas hoje, através de consenso entre os estudiosos, essa teoria não é mais aceita.
Enquanto dispunha de recursos, Valdès providenciou a contratação de dois cléricos para traduzirem partes das Escrituras e alguns escritos dos Pais da Igreja. Munido desses escritos, começou a arte da pregação valdense cuja confrontação com o clero católico era inevitável: “O que Valdès estava ensinando deu ao povo a chance de contrastar seus sacerdotes e bispos tipicamente indiferentes e às vezes indolentes com esses pregadores pobres, mas fervorosos que citavam a Bíblia em sua própria língua, pregadores que poderiam se relacionar com suas próprias lutas pessoais. Não é difícil ver como Valdès e seus seguidores ganharam sua fidelidade e atraíram muitos seguidores” (Malan: 2012).
Por que sua pregação era confrontadora? Primeiro, porque se utilizada da língua popular na qual o povo se sentia prestigiado, e não o latim que era sinônimo de obscuridade para os mais simples; segundo, trazia um equilíbrio social de modo que não somente podiam usufruir do conteúdo Escriturístico os sábios e doutos cléricos, mas também os iletrados que eram a maioria; e terceiro, alinhavam-se ao povo, visto que demonstravam ser como qualquer outro ser humano, sem as exigências ritualísticas e indumentárias pomposas do clero católico. Desta maneira, a pregação aos moldes dos pobres de Lyon reavivaram o fervor e inteligibilidade da Igreja Primitiva, fazendo valer o sentido prático da fala de Jesus na qual os mistérios do Reino de Deus foram revelados pela exposição de seus ensinos.

Referências


Malan, Ronald F. Waldensian History: A Brief Sketch. Piedmont Families Organization: 2012.

Os anabatistas eram revolucionários ou pacifistas?

“O anabatismo primitivo era um movimento religioso e de revolução social” (Wohlfeil, Goertz 1980, p. 43) que não se opunha a fazer uso da espada em favor de sua causa (Stayer 1972). Contudo após os Artigos de Schleitheim (1527), eles recusaram-se a portar armas”.
(Lindberg, p. 243)

Uma das premissas mais corriqueiras na Academia é aquela que enfatiza o conhecimento como provisório. Chegou-se a essa conclusão, não simplesmente por achismos ou conclusões insustentáveis, mas sim, pelo amparo e fundamento em fatos concretos que conseguem desafazer uma argumentação teórica inicial. Baseados nesse pensamento, propomos uma análise da informação acima sobre o anabatismo, já que o trata como uma vertente similar ao catolicismo e ao protestantismo da época, cuja ação militarizada era pauta constante naqueles tempos pré-nacionalistas. Então, será que na gênese anabatista verificou-se a conduta de luta armada e revolucionária?
Para responder esse questionamento, importa trazermos à tona a concepção cristã do anabatismo. Conrad Grebel, Felix Manz e George Blaurock foram os expoentes iniciais do movimento, de modo que suas convicções estavam em fase de desenvolvimento. Primeiramente, aderiram às reformas promovidas por Ulrich Zwinglio, conceituado professor e pastor do Cantão de Zurique. Mas, como Zwinglio não realizou reformas nos moldes das Escrituras, sujeitando-se mais ao Conselho dos Duzentos do que a Deus, eles resolveram deixa-lo e buscar o cerne da realidade cristã. Para tanto, retornaram exatamente ao início da carreira cristã, ou seja, ao batismo. Foi em janeiro de 1525, através do rebatismo, que Grebel estabeleceu a primeira comunidade anabatista restauradora dos padrões neotestamentários. Esse grupo acreditava piamente nas instruções bíblicas, seguindo-as de forma padrão e fiel.
Nesse momento, suas convicções demonstravam aversão à missa, ao batismo infantil, à idolatria, à união da Igreja ao Estado, aos juros, às indulgências, entre outras, e, no que diz respeito à questão posta, eram pacifistas. Prova concreta disso, foram os martírios de Manz e de Blaurock que não resistiram agressivamente aos seus perseguidores, antes, como “cordeiros foram levados ao matadouro”. George Blaurock, apesar de não ter nos deixado muitos escritos, fala-nos através de dois hinos compostos que demonstram sua completa devoção a Deus e espiritualidade pacífica de dependência ao sumo pastor, de modo que quem se expressa nestes termos demonstra uma vida pura e desprendida de ódio e revolução:

Senhor Deus, como eu te exalto
Daqui e sempre,
Que a fé real me deu
Pelo qual eu posso saber.
Não me esqueça, ó Pai,
Esteja perto de mim sempre mais;
Seu Espírito protege e me ensine,
Que em grandes aflições
Seu conforto eu possa provar,
E valentemente possa obter
A vitória nesta luta.   

Já Conrad Grebel, fala-nos um pouco mais sobre a vida pacífica daqueles cristãos medievais desejosos não de uma revolução, mas de uma restauração. Na carta 64 de 5 de setembro de 1524, direcionada a Thomas Munster, ele exorta o ex-sacerdote luterano à prática da não resistência e o não envolvimento com a guerra, censurando-o em razão de sua crítica aos príncipes. Grebel escreveu: “O irmão de Hujuff escreve que você pregou contra os príncipes, enfatizando que eles deveriam ser combatidos de próprio punho. Se isso for verdade, ou se você pretende defender a guerra... eu devo admoestar você pela salvação comum a todos nós...”.
Portanto, nossa questão a questão proposta é: como poderia alguém com tanta devoção aos ensinos daquele que falou que os inimigos deveriam ser amados, expressou um espírito brando e humilde através de cânticos, mas não só por eles, contestou o uso de força contra as autoridades poderia ser chamada de revolucionário e ativista? Confundir os munsteritas chamando-os de anabatistas seria uma das possíveis respostas.

Referências

Lindberg, Carter. As reformas na Europa. Editora Sinodal: São Leopoldo, 2001.