O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

O peso de glória na admoestação cristã

Você já parou para refletir sobre a forma como Jesus admoestava os pecadores? Sim, Ele os admoestou! De forma especial e inspirativa procurava despertá-los para o arrependimento através da proclamação da primordial mensagem, a do Reino de Deus. Era a busca pelas ovelhas perdidas de Israel, primeiramente; revelou-se em tempo posterior na elucidação de sua vontade divina ser também apropriada para os “cachorrinhos” que comiam das migalhas caídas da mesa dos filhos (Marcos 7:28), ambas desgarradas por causa das vicissitudes da vida. Estabelecendo um princípio, Nosso Senhor, cheio de compaixão e misericórdia, falava com uma fluência estimulante e deixava perceber a grandiosa virtude da preocupação individual sem qualquer outro propósito, senão o de restituir vidas para Deus pela venerável arte da admoestação. Assim, discorrerei sobre o assunto procurando chamar a atenção do leitor para a forma adequada de usá-la para a glória de Deus e nunca para a vanglória humana.

         A mensagem de Cristo era contagiante porque livrava o pecador da morte e o reconduzia para uma Nova Vida, caso houvesse arrependimento. Quem não se lembra da pecadora “aprisionada” por uma turba de homens que a pegaram em ato de adultério? De Zaqueu, o embusteiro, enriquecido pelo surrupio de bens alheios? De Paulo, o perseguidor da Igreja? Todos são claros exemplos da transformação operada pela graça e suas histórias ecoam para que outros despertem, assumam sua condição e aceitem a repreensão benevolente do Amado Salvador em arrependimento. Seus frutos? Dos dois primeiros há poucas informações, mas de Paulo encontramos uma prova concreta de que ao aceitar o beneplácito divino permitiu da mesma forma ser portador daquela mensagem prodigiosa, admoestando seus ouvintes e em seguida à Igreja por semelhante caminho: “Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós” (Atos 20:31).

         Lembro, segundo os exemplos acima, que a admoestação deverá ser sempre uma repreensão benevolente em qualquer situação que a motive. Reconheço que em alguns momentos não seja algo muito fácil até porque podem alguns ser tomados mais pelo calor das circunstâncias do que pela virtude propriamente cristã. Mas é exatamente por não se achar apto para a repreensão que se faz necessário um retorno, talvez até cotidianamente, àqueles princípios contidos nos Evangelhos para aprumar a conduta pelo grandioso fundamento. Sobre esses princípios, posso lembrar as Bem-Aventuranças do sermão do monte. Indubitavelmente, um manancial de vida e de espiritualidade, conferindo conhecimento autêntico de como é o comportamento cristão e o referencial para sempre praticá-lo. Todos aqueles que se aprofundam nesses temas têm a possibilidade de alcançar o gracioso testemunho que evidencia o ápice da carreira cristã (oh, como anelo!). Com eles e com tantos outros ensinos sobre as virtudes cristãs, a Igreja pode ser conduzida a olhar o outro (o membro do corpo de Cristo, o cristão congregado) com muito mais piedade e compaixão. Afinal, ele é o destino da admoestação e também faz parte da Noiva de Cristo.

         Admoestar é repreender para correção, é denunciar o pecado encarecendo o bem a fazer e é a prova incontestável do apreço e cuidado pela vida de um cristão surpreendido por algum delito. Paulo nos conduz a agir em admoestação com muita sabedoria e cuidado nos seguintes termos: “Não repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos; as mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza” (I Timóteo 5:1-2). Até mesmo para os rebeldes e insurgentes existe uma maneira de tratamento no arcabouço apostólico que visa sua reparação espiritual: “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão” (II Tessalonicenses 3:14-15).

Daí repousa sobre os possuidores deste excelente dom grande responsabilidade, porquanto não serão emissários de uma repreensão descompromissada, mas se prestarão à arte e ao dever de admoestar para edificar. É procurando estimular a busca por este conhecimento que asseguro a necessidade de a Igreja de Tessalônica ser mais conhecida através das epístolas paulinas, e não ser examinada superficialmente ou como se diz por estes lados da Terra Brasilis, com ligeireza. Ora, Paulo atesta que essa Igreja tinha uma prática louvável de velar pelos seus membros: admoestação para edificação. Entendo que existia reciprocidade na situação, não havendo interesses espúrios entre o admoestador e o admoestado criando, assim, o ambiente perfeito para o exercício e prática da virtude apresentada. Refiro-me, nestes termos, porque vem de Paulo a informação que não me permite pensar nada além disso: “Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai” (I Ts 1:2-3). Era uma Igreja fiel não somente na doutrina, mas na sua prática; não apenas pregava, mas vivia o que pregava; correspondendo ao supremo interesse de juntar seus congregados e acolhê-los sempre para edificá-los (tomando emprestado o anseio de Cristo ao relatar seu desejo de juntar e unir os filhos de Israel em Lucas 13:34).     

Conhecer um crente espiritual é muito fácil e ao mesmo tempo muito difícil. Entenda-me, a singularidade como pratica suas obras e se relaciona com o próximo já seria mais do que suficiente, contudo, talvez em decorrência da fertilidade julgadora nada edificante de algumas mentes injuriosas, torna-se complicado provar para esses carrancudos os santos afetos. Além disso, não confunda o interesse do postulado apostólico com as formas de direitos de hoje. Por força de ideologias e elementos de reivindicações de direitos seculares muitos não gostam de ouvirem admoestações, muito embora precisem. Para eles, isso soa como julgamento temerário. Não é! Estão tão cheios do espírito reivindicante secular que se esqueceram da simplicidade que o cristão deve ter à semelhança do Cordeiro de Deus, inocente, que caminhou mudo perante seus tosquiadores. O admoestado deve entender que a indicação de pecado na fala do seu admoestador, pautada na Escritura, representa o melhor para a sua carreira cristã, pois a orientação não vem do homem antes vem de Cristo. Doravante, não se deve entender essa relação como uma disputa na qual vence aquele que apresentar o melhor argumento quando alguns, inclusive, injetam sofismas e predicações desconexas com os fatos.

Com ideal completamente contrário ao supracitado, Jesus ensinou a predisposição para conservação da comunhão entre os irmãos através dos seguintes termos: “se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mateus 18:15). Vejo no texto como motivação do fato a prática de pecado contra alguém, a forma de ação é ir até quem pecou e a maneira de resolver por um diálogo amigável e compassivo. Emerge, então, uma dupla possibilidade como consequência: aceitar ou não aceitar a repreensão. A aceitação encerra o problema (glória a Deus!), mas a não aceitação gera maiores problemas, quais? A rebeldia imperante do admoestado ou a possibilidade de pensar sobre a falta de perícia (sabedoria) do admoestador. Por que o admoestador não foi exitoso em sua ação? Talvez pela falta de destreza em demonstrar piedade, compaixão e amor pelo admoestado; talvez, por inexperiência; talvez, por expressar de forma explícita desinteresse no “resgate” do amoestado; enfim, dentre outras possibilidades. Contudo, em Lucas 17:3, em igual narrativa sobre esse doutrinamento, exige-se cautela e atenção para ambos os lados da questão: “Olhai por vós mesmos” a fim de que a prudência e a compaixão permaneçam na resolução do conflito. Noutras palavras, tanto um como o outro devem sujeição ao Santo Espírito para que através dele possam ser conduzidos pelo caminho em busca da paz entre ambos.

Aos que gozam do sublime talento de admoestar, procurem utilizá-lo com capricho e reverência porque é destinado à Noiva de Cristo em sua particularidade. Não ostentem vanglória ou vil sentimento de merecimento já que não somos dignos de tê-lo. Não usem para maltratar o irmão ou a irmã muito embora a prática que motivou a censura possa ter sido repugnante, antes seja prudente e sério diante do pecado; jamais coloque sobre si a mancha do desprezo pelo outro (Mateus 18:10). A regra paulina, se é que posso chamar assim, está explicitada em Gálatas 6:1 e diz: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado”. Neste caso, pode não haver uma segunda pessoa envolvida no pecado como acima descrito, simplesmente, esse(a) cristão(ã) incorreu numa prática pecaminosa afetando somente a si. Outro cristão não envolvido, mas ciente do teor da ocorrência pode ter visto ou ter ouvido ou, ainda, ter recebido a confissão. Em mente, deve entender e praticar as ações explícitas e implícitas no texto, quais sejam: julgar, inicialmente, com afetação de dor e pesar (Romanos 12:15) pelo fato de algum cristão ter sido surpreendido em alguma ofensa que quer dizer que não era o hábito ou o normal de se ocorrer [não posso como cristão ficar feliz ou ter qualquer outro sentimento quando um(a) irmão(ã) em Cristo sofre o prejuízo da queda]; procurar encaminhar o tal com a sensatez da mansidão, haja vista ações sem equilíbrio emocional e sem o domínio de espírito, por mais inquietante que seja a ocorrência, poderá enviesar para outros rumos distintos dos quais pretendia o Espírito de Deus ao se pronunciar por instrumentalidade de Paulo; ser vigilante e solidário para não ser tentado por igual artificio do inimigo (geralmente digo que devemos nos colocar na mesma situação para que nessa internalização do fato encontremos a forma mais adequada de auxiliar em conformidade ao que Jesus nos ensinou: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a Lei e os Profetas” [Mateus 7:12]). A meu ver, esses são alguns pré-requisitos essenciais para os que admoestam, ora chamados de “espirituais” por Paulo.

Como cristão não posso me omitir da prática da admoestação, sobretudo, porque deverá expressar o cuidado de Cristo a um “soldado caído”. A Igreja assumiu essa função na sua individualidade e na sua coletividade com expectativa do mesmo fim: a reparação e a edificação. Portanto, jamais poderá se omitir, jamais deverá rejeitar, jamais deverá recusar-se a praticá-la visto que está em causa a saúde espiritual do seu próprio corpo, pois um só membro, por mínimo que pareça, é necessário. Que o Espírito de Deus continue nos encaminhando para praticar todo o bem necessário sem reservas, como disse Pedro: “aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a” (I Pedro 3:11).

 

Pr. Heládio Santos

terça-feira, 30 de junho de 2020

O Evangelho inegociável

Afinal, a pretensão do Evangelho consiste em ser a máxima prevalecente ou não? A verdade contida nas suas muitas doutrinações são de fato a verdade ou o homem tem a capacidade de redefiní-lo, indo além ou mutilando o que está escrito como que tendo o poder para fazê-lo? Se o homem pode determinar a maneira de ser do Evangelho, não seria o Evangelho apenas um objeto utilitário com rótulo dogmático ou até mesmo ideológico? Se o Evangelho pode ser vivenciado de uma maneira determinada numa cultura e de outra noutra cultura, não seria o Evangelho, então, um possível subproduto cultural gerado pelo próprio homem em decorrência de sua necessidade “espiritual” para expressar-se diante do Sagrado e também um manual sagrado multifacetado (pensa-se assim na Antropologia)? Apesar de muitos cristãos não se auto definirem com semelhantes pensamentos é exatamente assim como tratam o Evangelho; seja no seu consciente ou no seu inconsciente o entendem como objeto maleável e subjugado ao querer humano e não o contrário. Lembremo-nos de que o Evangelho é inspirado por Deus e todo direcionamento proposto por ele tem a finalidade de trazer um alinhamento do homem com as virtudes divinas. Baseado nessa premissa, ponderaremos sobre algumas impressões sobre o verdadeiro Evangelho e o que ele propõe, tentando desmistificar e denunciar o suposto poderio humano.

         O Evangelho não pode ser pensado como uma quantidade limitada, referindo-se somente aos quatro livros que narram a História do Messias. O Evangelho concentra sua mensagem neles, mas extrapola para os demais conteúdos bíblicos, sendo, desta maneira, um “portal” pelo qual poderemos atingir toda a revelação divina para esta vida. A exemplo, vejamos o apóstolo Paulo informando sobre a experiência de Abraão no Evangelho: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8), e o apóstolo João narrando evento dos finais dos tempos ao dizer: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitavam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo,” (Apocalipse 14:6). Ambos fazem indiretamente menção ao dimensionamento temporal do Evangelho, ou seja, de Gênesis a Apocalipse. Portanto, podemos dizer que a mensagem do Evangelho abrange toda a História da Humanidade.

         Perscrutando um pouco mais, a mensagem do Evangelho tem a finalidade de mudança. Lemos do precursor de Cristo as palavras ainda vigentes: “Arrependei-vos, e crede no Evangelho” (Marcos 1:15). Arrependimento consiste na contrição verdadeira que é um misto de tristeza pela vida de desobediência a Deus com a súplica pelo favor divino para poder caminhar-se de modo diferente a partir do encontro com a verdade. À luz do Santo Espírito, mentes transformadas pelo arrependimento aprendem que perder a vida de pecados, paixões e ilusões do mundo por amor de Cristo e do Evangelho permite-as adentrar a dimensão da salvação eterna da qual nem o injusto acusador será capaz de roubá-las daquele que as sustenta. Ademais, investidos na dimensão espiritual gozam da certeza inviolável da fé, da renúncia voluntária ao malfazejo e da alegria refulgente emanada da comunhão com o Senhor. Emocionalismo religioso barato? Não, a segura certeza da paz com Deus!

A experiência cristã pelo Evangelho é transformadora e consequentemente o redimido ruma desviando-se da vida pecaminosa e endireitando-se através da palavra restauradora de Cristo porque é incapaz de realizar por si só uma obra dessa envergadura. É também bem-aventurada e gera uma satisfação indizível e indescritível por uma razão apenas: revela o poder do legítimo Evangelho de Cristo, como diria Paulo: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16)! Este é o Evangelho antigo que é sempre novo, continuando capaz de fazer com que um homem seja curado de lepra e volte glorificando a Deus em alta voz (Lucas 17:15), uma pecadora caia aos pés do Salvador em prantos suplicando sem palavras por perdão e encontre-o (Lucas 7:37-38), haja reconhecimento pelo carisma de um grupo de pessoas desconhecidas na grande maioria, mas que vivem a experiência do Evangelho sem preconceitos ou restrições e conseguem levar outros para Cristo pelo seu exemplo (Atos 2:47) e é capaz de nos fazer obedientes a Deus sem oposições aos postulados bíblicos, assim como ensinado pelo santo apóstolo ao dizer: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Efésios 5:1).

O amor a Cristo pode ser elencado como a principal razão pela qual o cristão sente profunda paixão pela obediência, como o apóstolo atestou: “o amor de Cristo nos constrange” (I Coríntios 5:14). Não entenda o leitor “o amor de Cristo” como um sentimento romantizado, como supõem algumas correntes cristãs contemporâneas. Entenda-o como a causa da nossa sujeição voluntária, gerando prazer pela obediência a Ele, conforme Paulo complementa: “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (I Coríntios 5:15). Apesar de soar como um dever e obrigação de retribuição, o autêntico cristão encontrou a graça imerecida que o faz sensível à prédica apostólica de querer agradar a Cristo, desvencilhando-se de todas as formas de pecados censuradas pelas Escrituras.

Entretanto, em alguns casos, líderes religiosos ensinam e preferem fazer diferente, ou seja, manipulam o conteúdo santo do Evangelho como se fossem seus donos para permitirem um modo de vida licencioso, sem a devida piedade de Cristo e impossibilitando seus seguidores de provar o manancial de Deus. Basta compreendermos a licenciosidade como a propagação de um comportamento distinto daquele do Evangelho como a mundanização dos comportamentos e dos modos de vida dos cristãos modernos. Dentre alguns poderíamos elencar: a dessacralização do modo de vida cristão, a rejeição ao exame bíblico cotidiano e individual que formaria o caráter sob a perspectiva bíblica (jovens cristãos são mais influenciados por livros de ficção do que pela Bíblia), a permissividade de estereótipos caracterizados pelos padrões seculares e não pelos evangélicos, a abstinência dos ritos individuais como jejum, oração individual e confissão, o desapego pela renúncia aos prazeres, o consentimento e permissividade para audição de músicas mundanas, praticar danças, namoros indecentes, divórcios etc. Esses “teólogos” trôpegos e cegos não conseguem aceitar a obediência plena e restrita ao sagrado Evangelho nem alcançar a experiência de satisfação cristã porque nunca souberam olhar humildemente para a cruz de Cristo, por isso, tentam fazer arranjos dos quais maculam suas vidas além do que já estão diante de Deus, além de formarem um grupo de seguidores pelo mesmo caminho de rebeldia. A nós, cabe a recusa à exposição apostática, sem vida e aliciada pelos paradigmas seculares destes emissores de falas estranhas. Eles que modificam e reinterpretam o Evangelho são chamados de fonte sem água e nuvens levadas pela força do vento, ou seja, não falam do Evangelho porque não o tem e são levados pelas tendências mundanas de tal modo que suas falas são mui arrogantes (arrogam pra si o legítimo conhecimento sem tê-lo), cheias de vaidades, e engodam com as concupiscências da carne; prometem liberdade, mas se auto aprisionam como servos da corrupção; são eles de quem se diz: deixaram o mundo, mas foram envolvidos e vencidos novamente; sobre eles está escrito: “o cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama” (II Pedro 2:22). Homens simples, humildes servos e piedosos são de fato aqueles que devemos querer ouvir porque valorizam o Evangelho como ele é e não como outros gostariam que fosse. Consentir com este termo, assegura o alinhamento com a verdade.

Muito embora haja a nítida manipulação do Evangelho pelo mundo afora, sabemos que ele é inegociável. Mesmo que alguém tente arrogar para si o poder de atualizá-lo ou modernizá-lo, ele não aceita a modificação de sua essência absoluta. Constitui-se, desta forma, o de querer mudar a essência do ensino, uma ação apóstata com sérias prescrições contra os que tais coisas praticam. Imaginamos que está em causa à prevalência do intento humano em detrimento ao divino com a consecução de tudo quanto converge em militância para o desaparecimento da ideia Deus. Suplantar sua vontade no Evangelho, se fosse possível, retiraria a potencialidade de haver justiça e equilíbrio no mundo e não causaria somente a repulsa divina que se manifestará em julgamento oportuno e futuro, mas também o desvio intencional de multidões pela fertilização de ideias obstinadas nas mentes vulneráveis ao inimigo de líderes carnais e modernos. Por isso, a regra do Evangelho é uma: ou se aceita como ele é ou não se aceita. Viver pelo Evangelho requer renúncia, sujeição e humildade, enquanto que em oposição ao sublime ensino o mundo propõe um conjunto completo de contrariedades: exigências, autonomia e exaltação do indivíduo. Fiquemos com o Evangelho de Deus e rejeitemos o evangelho dos homens, asseverando também a exortação de C.H.Spurgeon: “Devemos pregar o Evangelho... conforme a mente de Deus, o testemunho de Jeová a respeito de seu próprio Filho, e em referência à salvação para os homens perdidos. Se tivéssemos sido confiados à produção do Evangelho, poderíamos tê-lo alterado para atender ao gosto deste século, mas nunca fomos comissionados a originar a boa notícia, mas apenas a repetí-la, não nos atrevemos a ir além do que está escrito. O que temos sido ensinados por Deus, nós ensinamos. Se não fizermos isso, não somos aptos para nossa posição” (Sermão “A necessidade de decidir-se pela verdade” de 1874).

 

Pr. Heládio Santos


sábado, 27 de junho de 2020

Uma grandiosa voz anabatista

De posse de alguns vídeos do irmão Assis dos Anjos (in memoriam), o evangelista Maurício disponibilizou seu conteúdo para inserção nesta postagem do JTV. Os vídeos trazem a demonstração da simplicidade do Evangelho e do seu poder. Em meio a palavras singelas e o canto verdadeiro somos provocados a um zelo maior pela vida com Deus, estimulados pela voz de seu servo, bem como é impossível não nos emocionarmos quando nos lembramos de tudo quanto o irmão Assis vivenciou e praticou entre nós.

Em oração ao Senhor!

 

Cantando um hino!


Uma mensagem para o pastor Glauco convertida em oração!

 

Que Deus continue nos abençoando com ricos exemplos como foi o do irmão Assis dos Anjos.


quarta-feira, 24 de junho de 2020

Irmão Assis dos Anjos, um verdadeiro servo de Cristo

Foi no início da década de noventa, na casa alugada para reuniões de nossa Igreja, na rua Pinho Pessoa, que recordamos dos primeiros contatos com o irmão Assis dos Anjos. O pastor Glauco já o conhecia das pregações nas praças de Fortaleza. Como ambos compartilhavam o ideal de pregar e anunciar a mensagem da cruz criou-se um carinho especial um pelo outro, empenhando-se, desde então, numa ajuda mútua. A visita naquela noite de sexta-feira, no culto de doutrina, foi mais do que um reencontro: Assis dos Anjos veio para cumprir uma promessa, a de ser membro da Igreja iniciada pelo jovem pastor. Mas a surpresa foi ainda maior porque junto com o irmão Assis vieram sua esposa, seu irmão (Gustavo), seu filho e muitos outros parentes (nosso pequeno local de culto ficou lotado pela primeira vez). Em seguida, surgiu nosso primeiro ponto de pregação (Conjunto BR-116), localizado nas proximidades da Aerolândia, sob a liderança deste bravo soldado de Cristo. Anos depois foi para Pacajus onde se estabeleceu já em avançada idade, mas com vigor invejável para fazer a obra. Nesta cidade, temos duas congregações que direta e indiretamente contaram com sua participação, uma das quais sob a responsabilidade de seu irmão Gustavo.

            O irmão Assis dos Anjos sempre foi um homem humilde e sincero, amante da Palavra de Deus. Soube conduzir sua vida sem regalias, apreciando em Cristo a experiência profunda da dependência. Nunca reclamou das circunstâncias, nunca murmurou; mesmo sem condições financeiras favoráveis sempre presenteava a obra de Deus com algum recurso para vê-la em franca continuidade: levantou templos, montou bancos, adquiriu recursos e equipamentos. Podem os homens não saberem nem lembrarem seus feitos neste mundo, o justo galardoador, entretanto, tem em depósito a vasta contribuição dada pelo seu singelo servo. Suas pregações, que tivemos o prazer de ouvir muitas, ecoaram para além dos momentos em que elas eram pregadas. Ainda hoje lembramos as máximas utilizadas em suas pregações. Quando pregava contra a mariolatria, ao relatar um evangelismo a um católico, ele dizia: “ela nem é minha nem é sua”, referindo-se ao fato de Maria não poder ser mãe dos homens, vindo em seguida sua memorável gargalhada de satisfação por pronunciar uma verdade da Escritura. A mesma gargalhada era ouvida nas muitas pregações de qualquer irmão que usava da fala para transmitir a mensagem do Evangelho. Assim, o nome de Jesus sempre foi precioso para o irmão Assis, tanto no falar como no ouvir, alegrava-se em espírito.

Hoje, as dores e os infortúnios do corpo mortal foram superados pelo contágio da refulgente glória, seu espírito e alma estão diante do trono do Altíssimo. Nosso querido irmão ascendeu ao lar eterno, foi colhido pela mão do Todo-Poderoso e foi promovido após realizar sua missão nesta vida.

Que Senhor console os familiares e a Igreja

 

Presbitério da Igreja Batista Renovada Moriá de Fortaleza

             

terça-feira, 9 de junho de 2020

A cultura de paz


Enquanto o mundo fala da busca pela paz para apaziguar eventuais problemas sociais nos quais as relações entre os sujeitos vêm demonstrando uma diminuição pelo respeito mútuo, como é o caso do preconceito racial nos Estados Unidos, muito recorrente em noticiários da mídia nos últimos dias, acreditamos, como cristãos, que a autêntica paz só poderá ser alcançada pela experiência de conversão a Cristo, o Príncipe da Paz; ao passo que após a profissão de fé e através do novo comportamento o regenerado tenderá a reestruturar essas relações no contexto secular pelos fundamentos conciliadores da fé. Lembre-se o leitor que não foi apenas acalentadora a prolação do Messias no Evangelho de João ao dizer: “Deixo-vos a paz”, mas também uma alusão a como seus discípulos deveriam portar-se entre si e entre os outros.
Os discípulos que aprenderam essa lição podem apreciar a cultura de paz que nada mais é do que o estabelecimento dos valores de Cristo em todas as nossas relações com os outros ou com o próximo. Como os recebemos pela instrução da Palavra e pela sensibilidade ao Espírito poderemos expressar a bondade de Cristo para os sujeitos da Igreja e do mundo com o bom senso apreendido do Mestre. Agora, caso não nos recordemos de fazer uso das premissas bíblicas, antes dermos maior ênfase às paixões humanas, não conseguiremos expressar tão virtuoso testemunho. Contudo, o apego ao ideal de Jesus possibilitará uma fluência maior da vida espiritual e de sua abundância na comunidade que leva seu Nome, refletindo para o mundo o espírito fraternal tão ausente ali. O apóstolo Paulo atestou que a paz faz parte das virtudes elencadas no fruto do Espírito, esperando a operação em cada membro da Igreja para o seu fim, o estreitamento dos laços fraternais, a exaltação da confiança entre os membros do corpo de Cristo, a conservação da comunhão e da admiração uns pelos outros.
Alguns podem até achar utópica nossa visão. Não é! Basta, para tanto, sabermos andar em humildade e em sujeição, considerando, sempre, o(a) irmão(ã) maior do que nós mesmos. Foi assim que durante décadas, alcançando, inclusive, nossos dias, que questões de preconceito racial foram exterminadas em muitas Igrejas. Em nossas Igrejas, não há a prerrogativa da cor da pele nem do status social para o alcance de algum mérito. Todos são tratados semelhantemente de modo que podemos ser e somos esse virtuoso exemplo para o mundo. Que Deus nos dê graça para refletirmos essa gloriosa luz hoje e sempre.

Pr. Heládio Santos

O QUE É O VERDADEIRO AVIVAMENTO?

Por David Wilkerson

Não importa que tipo de manifestações você vê no que chamamos de avivamento. Não é um mover verdadeiro de Deus, a menos que esteja focado na colheita! A chuva do Espírito Santo sempre cai para produzir uma colheita de almas.
Deus derramou o Seu Espírito no Pentecostes para amaciar e preparar o solo, a fim de que a semente do evangelho fosse semeada. Crentes cheios do Espírito foram enviados de uma sala ao mundo inteiro, para fazer discípulos de Jesus Cristo.
Depois de quase dois mil anos de semeadura e crescimento, agora é tempo de colher! Todos que morreram em Cristo até agora representam os primeiros frutos ou colheita. O Senhor tem esperado pacientemente por Sua colheita final e poderosa.
“Portanto, irmãos, sejam pacientes até a vinda do Senhor. Vejam como o agricultor aguarda que a terra produza a preciosa colheita e como espera com paciência até virem as chuvas do outono e da primavera.” (Tiago 5:7).
“E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12:10). Essa passagem fala da chuva tardia prometida que deve preceder a colheita final.
Muitos então chamados moveres do Espírito Santos desapareceram rapidamente, porque eram centrados no homem – focando em dons, autodesenvolvimento, felicidade. Mas, se um mover é verdadeiramente do Espírito, resultará num desejo de alcançar o mundo perdido e moribundo. De fato, Jesus uniu a colheita às almas perdidas quando disse: “Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara". (Mateus 9:38).
Qualquer derramar verdadeiro do Espírito Santo focará nessa oração de Jesus. Os poucos avivamentos documentados como genuínos foram abençoados com grande colheita de almas. Não há verdadeiro avivamento sem uma grande colheita de almas perdidas! 
Fonte: https://worldchallenge.org/pt/devotion/o-que-%C3%A9-o-verdadeiro-avivamento