O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

III Simpósio Acadêmico da COMUNIE


O conhecimento e o saber são elementos imprescindíveis para uma convincente argumentação, principalmente, quando ganha forma buscando a glorificação dos conceitos cristãos. Tanto um como o outro, submetidos ao cunho das Escrituras, desvendam o que está oculto, sucintamente, nas entrelinhas dos vários discursos, ideologias e pensamentos contemporâneos. Esses, representados pelo relativismo, por exemplo, tem alienado mentes pelo mundo à fora, inclusive cristãos; tem sobrepujado valores herdados de áureos tempos nos quais eram firmes colunas para operar sem lógica e com comportamentos invertidos as novas maneiras de ser, de entender o mundo, de se relacionar com os indivíduos, sendo seu objetivo e seu fim a desconstrução da moral, da dignidade, da vida, dentre outras; da mesma forma, fazendo com que o aspecto espiritual proveniente de Cristo seja classificado como mito, encorajando perspectivas ateias e descomprometidas com o ser maior da vida: Deus. Contudo, há quem se preocupe com essa promíscua massificação de mentalidade, entendendo-a como algo danoso ao homem, à sua prole, à sociedade, ao meio-ambiente, às relações econômicas etc. Em vistas disso, o III Simpósio Acadêmico da COMUNIE se apresenta como um movimento reacionário a esses estabelecimentos sociais, vindo à tona para trazer luz e verdade ao público acadêmico cristão para não se curvar ante os desafios enfrentados por eles dentro das universidades.
Na abertura do evento, realizado no amplo auditório da UNI7 (Universidade 7 de Setembro), nesta sexta (08/11), foram homenageados o prof. Ednilton Soárez (diretor da UNI7) e o pastor Francisco Paixão (presidente da ORMECE) pelos valiosos serviços e apoios dados para a realização de todos os eventos da COMUNIE. Da mesma forma, o pastor Glauco Barreira, idealizador deste projeto de capelania universitária, também recebeu placa de homenagem pelo brilho, empolgação, perseverança, disposição e sentimento solidário em partilhar as verdades cristãs para os muitos universitários crentes espalhados pelas universidades locais.
Tomando a palavra, o pastor e prof. Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho versou sobre o tema: “Os perigos do Direito na era do desconstrutivismo”. Quem o ouviu atestou ter sido uma grandiosa palestra, pois com versatilidade e firmeza em seus argumentos, o prof. Glauco Filho descortinou o atual cenário social, através do qual muitas vezes passam despercebidas certas minúcias, trazendo lucidez, lógica argumentativa, fundamentação teórica robusta e a certeza de estar desempenhando o ofício do fiel cristão com afinco. Sua fala representa um encorajamento para os cristãos universitários não cederem aos caprichos da paixão moderna encontrado nos diversos centros acadêmicos cujo caminho beira a irracionalidade e a imoralidade. Além disso, apesar de muitos acreditarem na impossibilidade da conjugação da fé cristã com a vocação secular, o prof. Glauco demonstra a perfeita possibilidade deste enlace, visto ser prova da harmonização de sua perspectiva cristã com seu ofício no magistério acadêmico com o qual é referência no campo jurídico.
Em breve, a COMUNIE estará disponibilizando vídeos e fotos do evento. Amanhã, as palestras programadas são: Pós-Modernidade, Economia e Pensamento Cristão (Ms. Thiago Holanda), No Jardim de Deus: uma visão cristã entre o homem e o Meio Ambiente (Ms. Phylippe Santos), O cristão, o prazer e o sentido (Dr. Roque Albuquerque) e Educação, Cultura e Cristianismo: desafios do século XXI (Dra. Débora Leite).
Fabiano Santiago


Leninha e Ednilton Soárez em companhia do Pr. Francisco Paixão



Homenagem ao prof. Ednilton Soárez


Homenagem ao pastor Francisco Paixão

Homenagem ao pastor Glauco B M Filho










quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A PLENITUDE DOS TEMPOS DA REFORMA PROTESTANTE


Por Henrique Ventura

Afirmamos que o Cristianismo é uma religião histórica porque possui um Deus que intervém na História. Inúmeros casos nos quais Deus agiu para executar seus planos em favor de seu povo dentro do contexto humano poderão ser elencados para justificar nossa afirmação, inclusive, aqueles ocorridos entre os limiares históricos dos homens.
Quando Deus libertou Israel do cativeiro babilônico, intervindo em favor de seu povo do Antigo Testamento, usou Ciro, o Grande, em um contexto marcado pela disputa territorial e econômica entre impérios nos quais o mais poderoso prevalecia. Naquele momento, o império persa possuía o exército mais eficaz da terra, sendo capaz de subjugar qualquer inimigo sem pestanejar. Outro traço marcante das conquistas persas era o de permitir a liberdade religiosa para os povos sob seu domínio. Alguns historiadores afirmam que o grande império persa se constituía de um enorme caldeirão cultural. Assim, percebemos uma intervenção de Deus protegendo seu povo através da qual uma marca indelével de sua ação ficou registrada na História dos homens.
Seguindo para apogeu dos tempos, visando cumprir seu plano de salvação, Deus enviou Cristo no momento histórico certo, ou seja, em um contexto no qual haveria todos os elementos que possibilitaria, por exemplo, o tipo de morte capaz de causar grande sofrimento na vítima a ponto de literalmente ser castigado no ápice da dor e da agonia; referimo-nos à morte de cruz praticada pelo império romano à época. Em nenhum momento da história da humanidade a morte de cruz foi tão emblemática ao ponto de ser capaz de satisfazer as exigências do plano salvador de Deus por meio da morte de seu filho: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades” (Isaías 53:5).
Após nossa contextualização, afirmamos categoricamente que a Reforma Protestante do século de XVI representa mais uma das intervenções de Deus na História da humanidade, seguindo o mesmo modus operandi, ou seja, valendo-se do contexto histórico para assim permitir aos seus servos a execução do plano de Deus no campo terreno. Analisaremos agora de que modo o contexto histórico na época da Reforma possibilitou o movimento reformador, principalmente o luterano, na Alemanha.
O movimento Renascentista foi fundamental sob todos os aspectos para a Reforma, pois surge como um movimento humanista e racional no final da Idade Média, apresentando os primeiros sinais de uma cultura laica e científica. O Protestantismo, em meio a esse despertar cultural, promoveu uma ruptura com a cristandade daquela época, tradicionalmente católica e espúria, isto é, em Lutero verificamos a valorização do indivíduo e da capacidade de gestão da própria vida, estimulando a alfabetização e educação, por exemplo. A Reforma Protestante teve um papel importante e decisivo na mentalidade (ou redefinição dela) dos indivíduos modernos estimulando um pensamento crítico. Sem dúvidas, a liberdade cultural promovida pelo movimento Renascentista foi crucial para que Lutero tivesse como elaborar sua contestação teológica aos dogmas da Igreja.
Interessante que Jan Huss antecipou várias críticas às doutrinas e à prática da Igreja Católica que ficariam célebres com Lutero e Calvino. No entanto, o contexto histórico no qual ele viveu a igreja católica estava no auge do seu domínio político e cultural manifestados, em partes, por meio da cruel inquisição. Razão pela qual o próprio Huss compreendeu que o seu tempo não era o momento oportuno sob o ponto de vista histórico para a eclosão de um movimento restaurador, por isso, antes de morrer e inspirado afirmou: “Hoje vocês assam um ganso, porém daqui a cem anos cantará um cisne...”. Esse cisne foi Lutero cujas bases no Renascimento iriam abrir caminho para a Reforma que iniciaria no século XVI.
Quando se estuda o período do Renascimento, geralmente, se destaca o advento de algumas invenções: o telescópio e o relógio de precisão. Mas, uma dessas invenções que provocaram uma verdadeira revolução no terreno da escrita e da leitura foi a imprensa: a máquina de impressão tipográfica inventada pelo alemão Johann Gutenberg no século XV foi um dos diferenciais do final do Medievo. O Advento da imprensa foi fundamental para a divulgação das ideias de Lutero e por que não dizer a principal propaganda para divulgar as ideias reformadoras pela Europa da época? Como exemplo, citamos a Bíblia de Gutenberg (também conhecida como a Bíblia de 42 linhas) que foi aclamada pela sua alta estética e qualidade técnica. Portanto, com a invenção da imprensa proporcionou ao movimento reformista um amplo alcance entre as regiões nas quais ele penetrou.
Outro fator importante foi o contexto político da época no qual o fim do Feudalismo enfraquecia a igreja, possibilitando a muitos monarcas que tinham interesse comum nesse sistema, via de regra descentralizado e subjugado pelas ideias da igreja católica, fosse substituído por um novo modo de pensar a sociedade. Vale a pena salientar que no século XVI a Alemanha ainda era uma das poucas regiões da época que possuíam fortes resquícios do Feudalismo. Assim, a doutrina luterana teve duplo alcance; de um lado, interessou à nobreza que viu a oportunidade de se libertar da autoridade de Roma e de confiscar terras e bens pertencentes à igreja. De outro lado, agradou aos camponeses que viram na divisão da igreja a oportunidade de se livrar dos tributos devido ao clero.
Portanto, a Reforma Protestante foi sem dúvida um grande agir de Deus na história que proporcionou um legado riquíssimo para propagação do Evangelho. Porém, Deus o fez no momento historicamente certo, ou seja, na plenitude de um período no qual Lutero teria a possiblidade de usar o contexto social e cultural no qual vivia em favor do Reino de Deus. Nosso Deus é o Deus da História governando sobre tudo. Por isso afirmamos como Lutero “Castelo forte é o nosso Deus. Espada e bom escudo”.



terça-feira, 29 de outubro de 2019

LINGUAGEM: A PORTA DE ENTRADA PARA O HUMANO


Por Henrique Ventura
(Mestre da igreja anabatista em Fortaleza)

A linguagem pode ser conceituada como um instrumento que nos permite pensar e comunicar o pensamento. Por meio dela, estabelecemos diálogos com nossos semelhantes e damos sentido à realidade que nos cerca.
Em meio a pretensa argumentação, a grande questão a ser problematizada é a seguinte: a linguagem é a principal distinção entre a alma humana e a “inteligência” animal? Demonstrando assim que só o homem é portador de uma alma na qual reside a razão, enquanto os animais são apenas seres vivos biologicamente programados?
          Para encontrarmos uma resposta válida para o problema apresentado, analisemos logo de início a criação do homem e dos animais. Segundo o relato bíblico os animais foram criados do pó da terra como almas viventes, ou seja, não receberam nenhuma centelha divina distinta de seu corpo, isto é, o animal não recebeu em si uma parte intangível e imortal. Eles já saíram do pó como apenas criaturas viventes.

“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi” (Gênesis 1:24).

No caso da criação do homem, Deus o criou à sua imagem e à sua semelhança de Deus, sendo feito do pó da terra, recebendo primeiramente o corpo para depois receber o sopro da vida proveniente de Deus. Essa ordenação fez com que o corpo do homem passasse a ser portador de uma parte imaterial e intangível, ou seja, uma alma, sede da razão e do intelecto.

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2:7).

          Tomando como pressuposto o relato da criação fica evidente que Deus deu ao homem o que não deu ao animal, residindo no ato criador uma diferença abismal entre ambos, pois, por possuir uma alma o ser humano é capaz de produzir a linguagem verbal e não verbal dotada de cultura.
          O que vimos de modo teológico pode ser demonstrado também filosoficamente por meio de uma análise acerca da linguagem humana. Através da linguagem, claramente percebemos que as diferenças entre humanos e animais não estão apenas nos graus diferentes de inteligência pois, enquanto os animais continuam mergulhados na natureza, nós seres humanos somos capazes de transformá-la em cultura. A cultura torna-se possível devido à nossa capacidade de simbolizar elementos da vida, passando esse símbolo ao status de arte através da linguagem, que por sua vez, é reflexo da razão encontrada na sua sede, na alma.
          A linguagem é o elemento que caracteriza fundamentalmente a cultura humana e distingue o ser humano dos animais. Interessante observar que mesmo desencarnada a alma utiliza-se da linguagem, inclusive da simbólica para se comunicar. O rico da história registrada em Lucas 16, usou da linguagem simbólica quando se referiu a chama, água, dedo etc. Em outro texto registrado em Apocalipse 6: 9, 10, as almas desencarnadas que estão debaixo do altar, usaram da linguagem para expressar o desejo de ressuscitarem. Os exemplos citados mostram que a linguagem humana é uma das faculdades da alma, tanto dentro como fora do corpo.
          Mas alguém pode argumentar: os animais também não utilizam certo tipo de linguagem? Não seria isso um sinal de que os animais também possuem uma alma?
          Sabe-se que os animais utilizam um tipo de linguagem. As abelhas utilizam uma espécie de dança para indicar umas às outras onde encontraram pólen, o que caracteriza um tipo de comunicação. Outros animais como macacos e cães, organismos mais complexos que os insetos, podem surpreender com reações semelhantes às dos seres humanos. Tais animais são capazes de demonstrar amor, raiva, alegria, tristeza, além de outras tantas características comuns aos humanos. Por isso, podemos indagar: será que o animal pensa? E se pensa, em que o pensamento dele se distingue do meu?
          Embora se possa identificar nas respostas dadas pelos animais algo semelhante à comunicação humana, trata-se de uma linguagem inferior que não alcança o nível de elaboração simbólica da qual somente um ser possuidor de uma alma é capaz. Desse modo, alguns animais mais complexos, têm uma “inteligência” que lhes permite agir no mundo natural. Trata-se, porém, de um tipo de inteligência concreta, porque depende da experiência vivida “aqui e agora”. Mesmo quando o animal repete mais rapidamente o teste já aprendido, seu ato não domina o tempo, pois a cada momento em que é executado esgota-se no seu movimento. Em outras palavras, o animal não inventa o instrumento, não o aperfeiçoa, nem o conserva para uso posterior. Portanto, o gesto útil não tem sequência e não adquire o significado de uma experiência propriamente dita. Mesmo que alguns animais organizem “sociedades” mais complexas e até aprendam formas de sobrevivência e as ensinem a suas crias não há nada que se compare às transformações realizadas pelo homem enquanto criador de cultura. Todos os animais são programados biologicamente, por isso eles estão mergulhados na natureza. 
          Apenas o ato humano é voluntário e consciente da finalidade, ou seja, o ato existe antes como pensamento, possibilidade e a execução resulta da escolha de meios necessários para atingir os fins a que se propõe. Tal realidade só é possível porque a inteligência humana utiliza-se da linguagem simbólica.

“O mundo do animal é um mundo sem conceito. Nele nenhuma palavra existe para fixar o idêntico no fluxo dos fenômenos, a mesma espécie na variação dos exemplos, a mesma coisa na diversidade das situações. Mesmo que a recognição seja possível, a identificação está limitada ao que foi predeterminado de maneira vital. No fluxo, nada se acha que se possa determinar como permanente e, no entanto, tudo permanece idêntico, porque não há nenhum saber sólido acerca do passado e nenhum olhar claro miram o do futuro. O animal responde ao nome e não tem um eu, está fechado em si mesmo e, no entanto, abandonado; a cada momento surge uma nova compulsão, nenhuma ideia a transcende (...)”
(Th. Adorno e M. Horkheimer, Dialética do esclarecimento, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1985, p. 230 -231.)

           Concluímos que a linguagem é a porta de entrada para o humano, pois por meio dela o homem cria a cultura e se distingue assim dos animais. Afirmamos, portanto, que essas características tipicamente humanas ocorrem pela presença da alma, ou seja, é na alma humana que reside a capacidade de humanização e razão. Isso não é coincidência, mas o projeto de um criador que não quis nivelar o homem ao animal, elevando-o, por isso diz a Escritura: “Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste” (Salmo 8:4,5). Portanto, afirmar que o animal possui uma alma é elevá-lo a uma condição que ele não tem e reduzir o homem feito à imagem e à semelhança de Deus como coroa da criação.

domingo, 27 de outubro de 2019

Evangelizando as crianças


Evangelizar crianças pode ser uma das ações que poderá gerar muitos frutos para o Reino de Deus. Ensinar os fundamentos da fé, da obra expiatória de Cristo e dos ensinamentos gerais despertam a curiosidade dos infantes porque estão passando pelo momento no qual desejam conhecimento. Aplicar a doutrina bíblica neste processo ajudá-la-ás na formação de um caráter temente a Deus para quem sabe, no momento oportuno, reconheçam a dádiva da salvação.
Foi visando aspectos como estes que as professoras de crianças da Igreja Batista Renovada Moriá-Maracanaú reuniram neste sábado (26/10/19) muitas crianças no templo. Recepcionando-as com carinho e cuidado, as professoras fizeram todas caminharem pelas veredas da justiça, demonstrando, numa linguagem acessível, o amor de Deus.
No final, uma porta foi aberta para a continuidade desta honrosa e laboriosa missão. Crianças foram direcionadas para as atividades semanais para que possam ser educados pelo caminho da verdade sob a luz do Santo Espírito.
Que Deus abençoe nossas professoras (Amanda, Rebeca, Ione, Marleda, Daniele, Maninha, Hévila, Lívia, Gesa, Gleuda e Alian) e auxiliares cuja obra primorosa redundará para a glória do Altíssimo.









Serviluz 20 anos


20 anos não representa apenas uma história, mas muitas consolidadas num único objetivo: ser luz e sal para este mundo. Assim, com semelhante vigor de seu início, a congregação do bairro Serviluz, em Fortaleza, celebrou duas décadas de serviço ao Reino de Deus neste sábado (26/10/19), reunindo muitos irmãos das congregações da Igreja Batista Renovada Moriá e de outras denominações evangélicas.
A organização dos eventos promovidos pela congregação já são conhecidos e muito noticiadas, visto demonstrarem o afinco e dedicação dos irmãos na proclamação da Verdade Bíblica. Sob a liderança do Evangelista Carlos Roberto percebemos um primoroso cuidado em congregar todos, unindo-os em laços fraternos e convicções verdadeiras. Por esta razão, pregou no culto o Rev. Glauco B M Filho cuja mensagem nos instiga a percebemos a realidade espiritual do caminho da sã doutrina, desvendando não somente a pureza da mesma, mas também nos ajudando a entender a dinâmica do mal nas diversas investidas do mundo.
Quem participou desfrutou de riquíssimas bênçãos, deixando os não participantes lamentosos. Que o Senhor possa engrandecer ainda mais seu Nome entre os irmãos, cobrindo-os com bênçãos sem medidas.   
   


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Interpretação bíblica



O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Oséias 4:6)

O livro de Oséias narra a relação entre Deus e Israel expondo as “angústias” do Senhor em decorrência do sofrimento causado pela infidelidade do povo, pela sua idolatria (adultério espiritual) e, principalmente, pelo motivador destas ardilosas condutas, a falta de conhecimento. Israel rejeitou a premissa veterotestamentário de Salomão que dizia: “inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento” (Provérbios 22:17), por isso, foi acometido pela apatia e frieza, gerando enormes prejuízos espirituais porque não se deixou influenciar pelos estatutos divinos. Provocados pela instrução bíblica, podemos reconhecer a necessidade do conhecimento de Deus e de sua Palavra, mas também de como será nossa relação com Ela e como deveremos tratar a interpretação do outro.
O relato da revelação bíblica pretende alertar a Igreja para rejeitar conduta semelhante à de Israel, ou seja, desprezar o conhecimento. É prerrogativa da Ecclesia tanto o conhecimento como o aperfeiçoamento na doutrina de Cristo, conforme o próprio Senhor mencionou: “Examinais as Escrituras...” (João 5:39). Pela exposição apostólica é explicitado a outra pretensão: “querendo o aperfeiçoamento dos santos” (Efésios 4:12). Por assim dizer, o exame das Escrituras é muito diferente de sua leitura. A leitura remete para algo mais leve e descompromissado, sem demonstração plena de interesse, de modo que Jesus assevera o modo pelo qual deveremos tratar o conhecimento bíblico: examinando-o. Isto estabelece uma relação de tratamento mais minucioso com o texto, a fim de que nos comportemos com a expectativa de o conhecermos em sua essência. Para tanto, a investigação bíblica deverá ser o objetivo do crente. Não obstante, essa investigação não é uma crítica ao texto em si, segundo uma racionalidade contemporânea, antes a forma de desvendar pela luz e pela orientação do Santo Espírito a expressa verdade para nós oportunizada. Com virtuosa ação, alcançamos a boa consciência da verdade: “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” (Efésios 6:14).
O autoexame é uma bênção para o crente, pois poder examinar a Escritura, extraindo dela sua verdade, nos coloca no ápice da possibilidade para conhecermos efetivamente a Palavra. A ponte para a verdade da Palavra foi estabelecida por Cristo. Nele, há um elogio à pequenez desvendando o mistério para o esclarecimento e nos elevando à estatura que torna possível o conhecimento de sua vontade. Foi em breve oração, robustecida pelo sincero agradecimento ao Pai, que assim demonstrou: “... graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mateus 11:25). A pequenez dos discípulos expressou a submissão diante da grandeza de Deus e a humildade encontrada entre os virtuosos fiéis a Cristo que anelavam o conhecimento de Deus. Portanto, pequenez simboliza a sujeição a Deus pela qual se alcança o seguro entendimento da Palavra.  
Causa-nos estranheza, no entanto, as divergências teológicas de interpretação que mais afastam do que agregam e criam um ufanismo denominacional. Dentre outros fatores, muitos não sentem desprazer na conduta da sobreposição, antes, procuram refinar seus argumentos para sempre imporem suas concepções em decorrência da ânsia de verem o outro superado. O autoexame de fato possibilitou certa independência aos interpretes, de modo que inúmeras concepções teológicas têm surgido ao longo dos tempos. É plausível dizermos que a maioria está errada na arte interpretativa, causando determinados percalços para o Evangelho, para a Igreja e para os descrentes. O remédio, entretanto, para todas elas é a univocidade da Escritura e a uniformidade doutrinária (não entenda isso como uma forma de ecumenismo, não o é, mas simplesmente a guarda do fiel depósito pela Igreja de Cristo). Não há várias interpretações para a doutrina de Cristo, somente uma. Reprovados os altaneiros de vaidosos espíritos, estão tendentes à perfeita interpretação os símplices de coração que com alento tratam a doutrina não como sua, mas como de Deus, para si e para o outro. Na verdade, a Igreja deveria compreender que somos o resultado da operação de Cristo e de sua Palavra, não seus proprietários. Essa mentalidade nos aperfeiçoa para saber lhe dar com as tantas circunstâncias onde a Palavra é colocada em questão para assim podermos redarguir através da Verdade. Daí Paulo nos orientar: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9).
Nossa conduta como cristãos anabatistas é interpretarmos as Escrituras com a receita que nos foi dada: com simplicidade de coração e de espírito, permitindo sermos levados pela precisa orientação do Santo Consolador, a fim de agirmos com a mansidão e paz, virtudes que assistem ao que está revestido do perfeito conhecimento. Esse conhecimento é partilhado e multiplicado com gratuidade e simpatia, visando o crescimento de cada parte, inclusive, de alguns que se acham despreparados para internalizarem o ensino. Por isso, busquemos com afinco conhecer a Deus e sua Palavra sempre com humildade e sujeição, não nos achando os melhores, mas os menores.