O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Você é um cristão omisso?


Por Antonio Welderlan da Silva Sales.


“Tornei-me inimigo de vocês por dizer a verdade? ”
(Gálatas 4:16)



As igrejas da Galácia estavam passando por seríssimos problemas doutrinários, abandonando os ensinamentos da sã doutrina pregados por Cristo e os apóstolos, por ensinamentos de homens (Gt. 1:6,7). Paulo, chega a dizer que tais homens “perturbavam” e queriam “perverter o evangelho de Cristo”.
Os crentes eram instruídos pelo apóstolo Paulo a não dar ouvidos a tais doutrinas, e muito mais, eles deveriam considerar esses homens enganadores como “anátema” (amaldiçoados), pois estavam pervertendo e deturpando o evangelho de Cristo (Gt. 1:7-9).
Um grande problema que a cristandade (comunidade cristã no mundo) na atualidade enfrenta é a omissão quanto a esses pervertedores do evangelho que, com uma pretensa religiosidade e falsa aparência de humildade, enganam a muitos (Tt 2:18,23). Vejamos o que Paulo fala sobre a apologia a sã doutrina, em combate a estes falsos profetas:

“e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira pela qual foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão. É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância. Um dos seus próprios profetas chegou a dizer: “Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos”. Tal testemunho é verdadeiro. Portanto, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé e não deem atenção a lendas judaicas nem a mandamentos de homens que rejeitam a verdade. “ (Tt 1;9-14)

Tito havia sido deixado por Paulo na ilha de Creta (cidade situada entre a Grécia, Ásia Menor e Egito) para constituir presbíteros que pudessem conduzir a obra naquela localidade. No texto acima, Paulo, fala a Tito da necessidade de defender a sã doutrina, pois haviam ali homens que, por ganância, ensinavam o que não deviam, arruinando famílias e agindo insubordinadamente.
O verdadeiro cristão não deve relativizar a verdade de Deus temendo não ser aceito ou bem quisto entre as pessoas de seu convívio, nem mesmo deixar de falar a verdade por medo de não ser convidado novamente para falar naquele local. E quando as coisas não vão bem na sua igreja? Você não pode ser omisso!
Notemos que entre as recomendações de Paulo, os presbíteros deveriam ser “firmemente apegados à mensagem fiel... para que seja capaz de encorajar outros”. O crente que está firmemente apegado com a sã doutrina, não consegue ficar omisso diante desses lobos enganadores. Tal recomendação não se limita unicamente aos presbíteros (ou pastores), mas a todo crente.
O verdadeiro cristão não deve relativizar a verdade de Deus temendo não ser aceito ou bem quisto entre as pessoas de seu convívio, nem mesmo deixar de falar a verdade por medo de não ser convidado novamente para falar naquele local. E quando as coisas não vão bem na sua igreja? Você não pode ser omisso! Como disso o apóstolo Paulo, “é necessário que eles sejam silenciados... repreenda-os severamente” só assim serão “sadios na fé”.

Hoje, assim como na Galácia e em Creta, vemos coisas semelhantes acontecerem. Muitos homens enganadores, lobos travestidos de cordeiros, tem se levantado e enganado a muitos, como Cristo dissera (Mt 24:11). Homens como Edir Macedo, “apóstolo” Valdemiro Santiago e “apóstolo” Agenor Duque que por ganância tem negociado o evangelho de Cristo, invalidando seu sacrifício na cruz do calvário, com sua teologia da prosperidade. Muitos outros homens, que com suas heresias tem enganado milhões. Precisamos silenciá-los e a única forma de fazer isso é pregando a sã doutrina!
Por fim, há uma falsa interpretação do amor de Deus por grande parte das pessoas, quando dizem que não devemos criticar e questionar ninguém. Ao invés disso, devemos apenas falar que Deus é amor, não tocando em suas feridas e falando apenas aquilo que elas querem ouvir (2 Tm 4:3,4). Não devemos basear nossos discursos a fim de nos tornarmos agradáveis aos que nos ouvem, pois isso não trará proveito algum ao pecador (Gt. 4:17).

Que a graça de Cristo esteja com você, leitor.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Os Montanistas e o Cristianismo genuíno


Quando Jesus encontrou Mateus, ordenando, em seguida, que deixasse seu posto fiscal para segui-lo; quando Pedro, João e Tiago foram chamados para deixarem de lado a pescaria a fim de se tornarem pregadores exclusivos do Evangelho; quando competiu a Igreja se concentrar durante dez dias em Jerusalém para orar, em intenso clamor, pelo Espírito da promessa; quando Paulo abnegou sua posição religiosa e cultural, tendo em vista se dedicar ao ministério vocacional de apóstolo; todos não viveram experiências “exageradas” aos olhos convencionais e seculares? Quando o próprio Cristo, enquanto homem, jejuou durante quarenta dias; quando não descansava durante as noites, pretendendo dedicar-se à oração; quando pregava duramente contra a hipocrisia farisaica, desnudando o caráter medonho desse grupo religioso; não estava ele propondo um caminho a seguir bem diferente do convencional e tradicional? Esse comportamento incomodou as tendências religiosas porque se erigia contra o marasmo religioso reinante.   
A internalização daqueles comportamentos prenunciou doutrinas como a renúncia aos bens materiais (Mateus 19:16-24), sobre a renúncia à própria vida (Mateus 16:24-26), com a máxima que dizia o modo de ser verdadeiro de um discípulo de Cristo: “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 9:33); também revelou as intenções divinas sobre a negação das paixões carnais (Colossenses 3:5) e o apego àquilo que estava sendo revelado e, ainda, por ser revelado em posteriores eventos.    
          Diante do exposto, percebe-se que o Cristianismo foi fundado sobre princípios bem diferentes da vida cotidiana, sendo privilegiados aqueles que tiveram a oportunidade de ouvir a pregação do Evangelho direto da fonte. Esses princípios não se restringiram ao modus daquele tempo, já que se tratava da apresentação de conceitos absolutos e imutáveis, regidos pelos atributos invariáveis da Divindade. Apesar disso, o pensamento reinante dentre a maioria das vertentes cristãs modernas foi de que essa visão e seu conjunto de práticas estavam limitados ao cânon bíblico, não devendo ser aplicada sua regra no todo aos seguidores posteriores, mas em parte, muito embora esteja claro no texto bíblico a abrangência e a amplitude da soberana vontade sobre seus preceitos. Deste modo, por razões alheias e diversas, preferiram deixar de lado a possibilidade de reprodução daquelas práticas nos movimentos posteriores ao Cristianismo Primitivo (certamente, essa mentalidade em muito contribuiu para a corrente “cristã” de liberalismo teológico e se mostrou contraditória já que muitos destes movimentos reivindicam ligação com o primitivismo sem guardarem seus postulados). Afora isso, somos impelidos a acreditar que esta aceitação restritiva rejeita também a pura pregação, o puro comportamento e as muitas ações neotestamentária, pois, através das diversas tentativas, fazem releituras daqueles eventos dando outras interpretações a que pretendiam os protagonistas bíblicos e readaptam os preceitos segundo a própria conveniência. O erro de tomar a revelação divina e sujeita-la à mentalidade humana com seus incrementos produziu o misto entre Cristo e belial, prática rejeitada pelo apostolado severamente, visto que essa mistura provocou um hibridismo ocasional, diminuindo o poder de subsistência das verdades bíblicas, incorrendo na ausência da providência divina e abrindo precedentes para a formação de um “cristão” adaptado, modelado e sujeito às tendências culturais, aos processos de inovação temporal e às políticas eclesiásticas dominadoras.
         Essa impressão herdada da teologia das reinvenções (termo nosso referente à maneira de pensar a teologia com adaptações) projetou a possibilidade e a necessidade de algo que não deveria ser possível nem necessário: alterar sensivelmente o legado de Cristo e de seus apóstolos. Quem olha o Cristianismo de hoje verifica um movimento profundamente alterado, modificado e recriado, confirmando a tese de que o hidridismo evolutivo do cristianismo produziu outro movimento, fugindo à regra primordial de ser o que era no princípio. Essa regra de conservação, apesar de rejeitada pela corrente híbrida, repousou serena nos grupos marginalizados que viveram paralelamente àqueles impostores da fé cristã. Logo, quando tratamos de movimentos como o Montanismo, devido à rejeição aos postulados apostólicos e não somente a sua história, faz-se ouvir aquele eco ensurdecedor de que ele não representou o puro Cristianismo. Por qual razão? Em razão de Eusébio de Cesareia, um historiador bajulador de Constantino e adepto da teologia das adaptações, assim ter falado? Então, é preferível acreditar em alguém que não foi fiel ao paradigma da eclesiologia primitiva a acreditar em quem queria viver segundo aqueles preceitos?
         A rejeição aos montanistas é tão grande que foram taxados como a heresia mais antiga que surgiu na História da Igreja. Apesar disso, devemos fazer uma pergunta: eles foram heréticos ou reacionários? Quais diferenças devem ser apresentadas para podermos extrair uma compreensão mais coerente dentro da pretensão do texto? O parecer de alguns estudiosos sobre o assunto poderá nos amparar nesse desafio.
         Para John de Soyres: Nossa conclusão é que não havia nada [no Montanismo] oposto ao credo. Anne Jensen afirmou: A erudição moderna demonstrou a ortodoxia essencial do movimento original da Frígia. Sheila E. McGinn reforça a informação quando, referindo-se aos oráculos, enfatizou: Estes poucos oráculos demonstram a ortodoxia doutrinária da Nova Profecia – um ponto que agora é uma questão de consenso entre os estudiosos montanistas. Mesmo quem se opunha religiosamente ao movimento, mas dedicou-se a uma compreensão sensata do movimento soube reconhecer seus valores. O estudioso jesuíta Walter J. Burghardt asseverou: Não posso encontrar evidências convincentes de que o Montanismo primitivo fosse culpado de heresia. David Wrigth confere mais um entendimento equilibrado: Sem demora, é óbvio que [o Paráclito do Montanismo] não tem nada a ver com o complemento da regra de fé ou a apresentação de novas revelações.
A evidência mais concreta que podemos aplicar ao nosso raciocínio para validar o Montanismo como autêntico movimento cristão, oriundo do anseio de querer ser a Igreja Primitiva de seu tempo, é Tertuliano. Tertuliano se apresenta não apenas como teólogo que vai confirmar as convicções montanistas, alinhando-as com as de Atos e das Epístolas, mas como membro efetivo de uma Igreja pura. Tertuliano rejeitou a Igreja em caminhos de desvio pelo seu envenenamento com o mundanismo da época, desqualificando-a como uma instituição séria com veia espiritual. A sensibilidade tertulianista foi tão profunda que conseguiu absorver a pregação de Montano, Maximila e Priscila sem se opor, visto que era a mesma pregação de Atos, e assim que pode rumou para a comunidade montanista sem pestanejar. 
Portanto, muitos estudiosos do assunto e não meros expectadores que se deixam alienar por opiniões diversas têm confirmado as orientações do Montanismo, versando sobre seu apego ao conceito primeiro da fé cristã. Essa corrente minoritária de pensadores têm tido a sensatez para compreender um dos movimentos mais incompreendidos da História do Cristianismo e demonstrar pela argumentação consistente a coerência de Montano e de seu grupo.

Heládio Santos
Prof. Instituto Pietista de Cultura

Referências
Burghardt, Walter J. Primitive Montanism: Why Condemned? in Dikran Y. Hadidian (ed.), From Faith to Faith: Essays in Honor of Donald G. Miller on his Seventieth Birthday (Pittsburgh: The Pickwick Press, 1979), p. 340.
Jensen, Anne. Prisca - Maximilla - Montanus: Who was the Founder of ‘Montanism’? in Elizabeth Livingstone (ed.), Studia Patristica, vol. 26 (Leuven: Peeter's Press, 1993), p. 148.
Soyres, John De, Montanism and the Primitive Church (Cambridge: Deighton, Bell and Co., 1878), p. 31.
Mcginn, Sheila E. The Montanist Oracles and Prophetic Theology, in Elizabeth A. Livingstone (ed.), Studia Patristica, vol. 31 (Leuven: Peeter’s Press, 1997), p. 132.
Wright, David F. Why were the Montanists Condemned? Themelios, 2, 21-22 (1970).

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Estão querendo acabar com a Igreja Evangélica?


Muito embora existam igrejas evangélicas perdidas no mundanismo, há ainda um remanescente fiel cuja busca continua sendo a preservação dos interesses bíblicos: para a Igreja, a vigilância e a santidade, e para o mundo, a pregação do puro Evangelho para a salvação das almas alienadas. Essa Igreja não busca ser uma instituição social, mas apenas uma comunidade eficiente para cumprir seu papel enquanto agente do Reino de Deus. Ela não teme nem “Acabe” nem “Jezabel”, não se sujeita aos caprichos de “Herodes”, o tetrarca, e nem cai nas sugestões dos falsos profetas dos últimos dias. Na sensatez de sua essência, persevera na luta espiritual visando o bem de todos que lhe ouvem, não obstante muitos não ventilarem essa suposição.  
A diferença entre a igreja mundana e a Igreja perseverante é explícita. Uma está tipicamente envolvida com as práticas mundanas na qual não se vê qualquer diferença com os valores defendidos nessa vida. Em um relato sobre uma igreja surgida há pouco tempo verificamos o cenário que as identifica, pois é algo muito comum entre elas; verificamos que: “os cantos de louvor”, liderados pelo pastor, “homem de braços tatuados, barba e boné na cabeça”, transmitem um estilo nada bíblico. Além disso, “os músicos actuam como num concerto de pop-rock, mas o estilo musical varia porque a ideia é agradar a todos...”. E para agravar, “se em algumas evangélicas mais tradicionais os números descem, nestas... comunidades o fenómeno é inverso”, pois “exercem ‘forte atracção’ nos mais jovens, ‘não tanto pela pregação’, mas muito ‘por causa do seu estilo de culto e da música”[1]. Alguns dos problemas que podemos elencar dentro deste contexto são: a irreverência, a rebeldia (o estilo musical rock é explicitamente carregado deste sentimento), a necessidade de aprovação (ou seja, quando se quer agradar a todos, pretende-se ser aprovado por esses, apesar de ser contra o paradigma cristão), a não sujeição aos postulados cristãos, a manipulação juvenil e a ambição pelo crescimento quantitativo. Essa nova formatação do movimento evangélico faz com que sua essência seja perdida ao ponto de daqui há pouco desaparecer. Quando se esquece o permanente, aquilo que não pode ser alterado em razão de uma faculdade superior, e se impõe o temporâneo, fica evidente a intervenção humana proveniente de sua razão nada espiritual para fazer emancipar o homem e se distanciar do Deus triuno. Não ficarei surpreso se dentro em pouco não se falar mais o nome de Cristo nem do Santo Espírito nem de Deus em seus cultos, se é que já não fazem isso. Esse processo de diminuição da preservação do conjunto doutrinário cristão faz com que a igreja evangélica atual entre em crise e declínio devido sua decadência moral. Vale dizer, que isso não só atinge os seus pontos deficitários, mas outros que estão implícitos e atrelados. Por exemplo, a mania da mulher usar roupa de homem (calça comprida) justifica a ideologia de gênero; isto porque, nesta aparente simples atitude, há uma destruição da identidade sexual feminina, ou seja, é como se a mulher que usa calça comprida se reconhece como homem, enquanto que se o homem usa cabelo longo, característica feminina, o tal, se reconhece como mulher, fomentando ainda mais a discussão ideológica. Como nas igrejas mundanas e liberais é comum vermos tal situação acontecer, podemos atestar sua anuência às propostas indecentes. Essa situação faz com que agentes do mundo percebam a fragilidade do movimento evangélico e ajam contra ele com propostas pecaminosas no cenário político, já que essas igrejas são coniventes com seus pecados e não farão objeções aos seus anseios vis, que dentre outros, seria estimular crianças à masturbação (esse fato aconteceu recentemente em uma escola de Fortaleza), criando um ambiente favorável à pedofilia .             
Apesar de o mundo ter encontrado um ponto frágil nalgumas igrejas evangélicas, demonstrando assim o sucesso de sua estratégia de infiltração do fermento dos valores mundanos na eclesia, há quem não se curvou diante de tão nefasta maquinação. Das Igrejas genuínas, há aquelas que são temidas devida à sua pregação bradar com a unção do alto, denunciando os pecados da mentalidade moderna. Os temas que estão em maior evidência e causam desespero em muitos políticos, por exemplo, são as questões contra a liberação do aborto, contra a liberação das drogas, contra a ideologia de gênero e a contra a corrupção dos políticos. A Igreja de reputação, apesar de não ocupar cenários políticos nem sair na mídia, já que não interessa aos meios de comunicação publicar o reclame dessa massa sensata visto que a mídia figura em muitos momentos como instrumento de promoção da devassidão moral, prega ousadamente nos templos, nas praças e em locais públicos, disseminando aquilo que é correto e de boa fama. Sua maneira digna de agir tem atraído objeção principalmente dos políticos de esquerda que querem não a liberdade para a nação, mas coisas como a libertinagem sexual, já que em seus projetos querem ver crianças assumindo posturas homossexuais e liberar o sexo livre (parece que o “espírito” de Sodoma e Gomorra incorporou nesses sujeitos) através de inúmeras iniciativas em cartilhas de doutrinação sexual promíscuas, palestras sobre diversidade sexual e outros veículos de informação cujo pretexto é o mesmo. Pergunto: a educação infantil é competência dos pais ou, não é? Sabemos da resposta. Porém, muitos políticos têm proposto que o Estado regule sua formação independente dos padrões de moral familiar. A Igreja cristã que pauta seus valores nas Escrituras Sagradas é taxada de fundamentalista e está sendo colocada na parede por uma minoria que não respeita os direitos dos outros, mas exige respeito. Uma minoria que quer direitos, mas não quer deveres. Em todo estudo dedicado a Sociologia e a Antropologia, sempre senti uma imensa falta de percepção nas sociedades e nas culturas estudadas: um senso da necessidade de um equilíbrio moral, objeto durável para a existência e subsistência da mesma. Entretanto, com a involução social ao estilo proposto por alguns dos atuais “representantes do povo”, parece que a tentativa de destruição da Igreja está associada a destruição da família no seu sentido tradicional para fazer sucumbir toda ideia de valor absoluto. Uma agenda medonha, diga-se de passagem.
Concluímos que chegamos a essa situação por dois principais motivos: o esfriamento espiritual da Igreja e o crescimento desenfreado pelo pecado no mundo. O estado das coisas ou é resultado da ação do homem sobre ele, pois quanto mais interferir o homem com seus anseios naturais e animais (natureza pecaminosa) seguirá uma tendência de ruína e decadência moral, inclusive do próprio homem que passou a ser objeto de suas próprias criações e cobiças; ou poderia ser, por outro lado, um verdadeiro despertamento (avivamento) espiritual para se verificar na prática o cumprimento do texto dos salmos no qual se diz que é bem-aventurada a nação cujo Deus é o Senhor. Para isso, a Igreja deveria voltar ao primeiro amor e reivindicar o poder do alto, a chuva serôdia que marcará os últimos dias e selará a preparação para a ceifa.



[1] https://www.publico.pt/2017/04/15/sociedade/reportagem/estas-igrejas-sao-um-espectaculo-1768665


quinta-feira, 29 de março de 2018

A assinatura de Isaías


Por Kristin Romey

Um selo de barro de 2.700 anos de Jerusalém pode fazer referência ao profeta Isaías, tornando-se a primeira referência a ele fora da Bíblia.
PUBLICADO em 21 de fevereiro de 2018
Um selo de barro do século VIII a.C. que foi descoberto em uma escavação em Jerusalém pode levar o nome do profeta bíblico Isaías, de acordo com um novo artigo na Biblical Archaeology Review.
No artigo, intitulado “Esta é a Assinatura do Profeta Isaías?”, O autor e arqueólogo Eilat Mazar sugere que o antigo registro hebreu impresso na argila oval de meia polegada pode ser lido como “Pertencendo ao profeta Isaías”.
Se a interpretação das letras do selo de 2.700 anos estiver correta, seria a primeira referência a Isaías fora da Bíblia. O profeta hebreu é descrito como um conselheiro do rei judeu Ezequias, que governou do final do século VIII ao início do século VII a.C.
O selo de argila, ou bulla, foi um dos 34 encontrados durante as escavações de Ophel, de Mazar, em 2009, na base da muralha sul do Monte do Templo de Jerusalém, ou Haram al-Sharif. Os selos, ou bolhas, foram recuperados de pequenos poços de lixo da Idade do Ferro (1200-586 a.C.), do lado de fora do muro que Mazar que o descreve como uma padaria real nivelada na destruição de Jerusalém pela Babilônia em 586 aC.
Isaías o Profeta
O selo foi impresso na escrita hebraica antiga com o nome Yesha'yah [ u ] (o nome hebraico de Isaías), seguido pela palavra nvy.
Como o selo está danificado no final da palavra nvy, Mazar sugere que nossa leitura pode estar incompleta. Se nvy foi originalmente seguido pela letra hebraica aleph, o resultado seria a palavra “profeta”, interpretando a leitura do selo como “Pertencente ao profeta Isaías”.
Reforçando essa interpretação, ela escreve o contexto arqueológico em que o selo foi encontrado.
Em 2015, o anúncio de  que outra bula de argila descoberta nas escavações de Ofel tinha o selo pessoal do rei Ezequias ganhou as manchetes internacionais. De acordo com o artigo mais recente, o selo ‘Isaías’ foi encontrado a apenas 10 pés do selo Ezequias durante a mesma escavação de 2009.
A estreita relação entre o profeta e o rei, conforme descrita na Bíblia, juntamente com a proximidade dos dois selos encontra “... parece deixar em aberto a possibilidade de que, apesar das dificuldades apresentadas pela área danificada da bula, isso pode ter sido um selo impressão do profeta Isaías, conselheiro do rei Ezequias”, escreve Mazar.
“Obstáculos Maiores”
Por mais tentadora que seja a interpretação, Mazar admite que há “grandes obstáculos” na identificação do selo, mais notavelmente a palavra nvy. Sem um aleph no final, nvy é provavelmente apenas um nome pessoal (geralmente o nome do pai da pessoa) ou um local (de onde a pessoa vem).
Christopher Rollston, professor de línguas semíticas da Universidade George Washington, concorda que a leitura de vícios é um problema.
“A carta criticamente importante que seria necessária para confirmar que a segunda palavra é o título de ‘profeta’ é aleph. Mas nenhum termo aleph está legível nesta bula e, portanto, essa leitura não pode ser confirmada”, diz ele.
Compondo a leitura de nvy é uma falta do artigo definido “h”, observa Rollston. Na maioria das referências bíblicas, as referências são para “o profeta” em vez de simplesmente “profeta”. “Em suma, se essa fosse a palavra “profeta”, eu teria gostado de ter visto a palavra “o”, como em “Isaías, o profeta”, diz ele.
Enquanto Mazar observa que a falta de artigo definido também é um problema na interpretação do selo, ela inclui uma sugestão de que o artigo definido pode ter aparecido originalmente em uma área danificada acima da palavra nvy, ou, citando outros exemplos arqueológicos e textuais, foi simplesmente abandonado.
Além disso, observa Rollston, a raiz hebraica yš é a base não apenas para o nome do profeta Isaías, mas para quase vinte pessoas diferentes na Bíblia. “Havia muitas pessoas andando com o nome Isaías ou nomes que eram baseados exatamente na mesma palavra-raiz”, observa ele. E se a palavra nvy é na verdade parte do nome do pai de alguém, definitivamente não está associada ao profeta, cujo pai, segundo a Bíblia, era Amoz.
A potencial descoberta de artefatos associados ao rei Ezequias e a Isaías, o profeta bíblico que aconselhou o rei durante um período tumultuado após a conquista assíria do reino de Israel do norte e a contínua ameaça ao reino meridional de Judá, “é uma oportunidade rara para revelar vividamente este tempo específico na história de Jerusalém”, conclui Mazar.
“É claro que a suposição de que este é um [selo] do profeta Isaías é cintilante, mas certamente não é algo que devemos supor que seja certo”, alerta Rollston. “Não é”.

Fonte: https://news.nationalgeographic.com/2018/02/prophet-isaiah-jerusalem-seal-archaeology-bible/



quarta-feira, 28 de março de 2018

O desvio de Israel

Jeú, rei de Israel, dando tributo ao rei Salmanaser III da Assíria
Ao lermos a História dos Hebreus somos provocados a questionar sua conduta em alguns momentos que marcaram negativamente o trajeto daquele povo. Sabemos que era característica deles, na Antiguidade, a inconstância religiosa, dada sua mudança de perfil nos muitos eventos grandiosos e trágicos. A saída do Egito, demonstrando o braço forte do Senhor, provocou um grande despertamento entre os escravos judeus, mas a caminhada murmurante no deserto desprestigiou o evento, visto que era seu anseio constante o retorno ao Egito.
Na época dos reis de Israel e Judá, essa história se agravou. Por isso, é comum lermos reis desviando o povo e a Bíblia se utilizando de termos como “e fez o que era mau aos olhos do Senhor” para demonstrar a situação decadente. Mesmo em tempos de profetas ilustres como Elias e Eliseu o povo era indomável. Em II Reis 17, podemos enumerar os seguintes pecados: rebeldia e apreço pelas culturas pagãs; caída em contradição, pois uniram-se àqueles a quem expulsaram no passado como ato de condenação divina; prática da idolatria; prática de rituais pagãos; entrega à luxúria; dar-se a adivinhações e provocação da ira do Senhor.
Mas qual a razão para que isto tenha acontecido? Muitas razões podem ser propostas, mas uma que se soma pode ser utilizada como a principal: a falta de um líder segundo o coração de Deus. O povo foi o que o rei era. O desvio começava de cima e se perpetuava pelo resto da nação, contaminando todo um ensino profético e escrito. O Resultado? Opressão e sofrimento! Contudo havia o apelo do Senhor para o fiel proceder:

Contudo o Senhor tinha feito uma aliança com eles, e lhes ordenara, dizendo: Não temereis a outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis, nem lhes sacrificareis. Mas o Senhor, que vos fez subir da terra do Egito com grande força e com braço estendido, a este temereis, e a ele vos inclinareis e a ele sacrificareis. E os estatutos, as ordenanças, e a lei e o mandamento, que vos escreveu, tereis cuidado de fazer todos os dias; e não temereis a outros deuses. E da aliança que fiz convosco não vos esquecereis; e não temerei a outros deuses. Mas ao Senhor vosso Deus temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos (II Rs 17:35-39).

Apesar de todo desconforto com a rebeldia, o Senhor conclamava seu povo ao arrependimento, esperando que eles se convertessem de fato. Agora, vejamos o absurdo. Para os rebeldes era mais fácil crê em falsos deuses (deuses que não falavam, que não se manifestavam, que ninguém via ou ouvia dos seus feitos) a crê no Deus que realizava proezas entre eles. O agir de Deus entre eles concretizava o apelo de retorno ao padrão estabelecido pelo Senhor, mas duríssimo foi seu coração. A consequência dos pecados de Israel se vê até hoje. A dispersão de séculos e os conflitos pela terra prometida são fatos consideráveis para demonstrar como os pecados do passado ainda ecoam.
Se a Igreja de Cristo percebesse como é danoso o desvio, preocupar-se-ia mais com o Reino de Deus. A Igreja cristã evangélica caminha à semelhança de Israel pelos caminhos da inconstância e falta de firmeza na regra de fé e prática. Qual será o resultado disso? A apostasia. Proveniente de quem? Dos muitos líderes religiosos que dão nova cara e formato ao Cristianismo. Esse cristianismo híbrido está desviado e não conta com a atenção divina, antes com sua repulsa.
Desta forma, cuida Igreja para que não seja surpreendida pelo tão glorioso dia e te vejas despida e impedida de entrar nas Bodas do Cordeiro!

quarta-feira, 7 de março de 2018

Mídia hipócrita e contraditória: manifestação da confusão mundana

A mídia assumiu um papel de porta voz de alguma “coisa”. Muitas vezes, “coisa” essa sem moral e sem pudor, mas com um discurso relativista de moral. O mais interessante de se vê é a contradição que se apresenta nas entrelinhas de suas ações e falas cuja promoção da coisa soa também como desabono. Vejamos alguns exemplos:
A mídia censura Donald Trump, presidente dos EUA, pelo caso que teve com uma atriz pornô, tentando exaltar os costumes de decência, mas não faz cerimônias para transmitir em suas novelas casos de adultérios e prostituição, promovendo a prática e alienando seus expectadores;
A mídia censura os pedófilos, mas durante os finais de tarde promove uma renovação na mentalidade de uma juventude volátil para se expor em suas intimidades, abdicando de valores tradicionais e estimulando a nudez como suposto exercício da arte, atraindo os olhares cobiçosos dos abutres que estão à espreita de alguma vítima;
A mídia defende as crianças, dizendo que elas precisam amadurecer ao longo de um processo de experiências infantis, mas exerce uma coerção de moda para que crianças se tornem adultas antes do tempo.
A mídia censura a corrupção praticada por meia dúzia de agentes públicos, enquanto preserva outros da vergonha perante a sociedade. Outros que lhe servem de apoio para promover ideologias das mais variadas e de lhes favorecer o posto de meio de comunicação.
A mídia fala de família, do valor devido aos entes da célula mater, demonstrando uma certa preocupação com essa unidade, mas seus próprios agentes aparecem ridicularizando essa instituição, divorciando-se e amasiando-se, desestruturando um conjunto de pessoas que se prestaram a viver unidas. Esse modismo é absorvido pela sociedade que passa a menosprezar e a denegrir a instituição, reinventando novas maneiras sem a preservação dos elementos fundamentais à semelhança de seus programas;
A mídia fala de vida, que se deve aproveitá-la, enquanto abre margens para o aborto, privando quem ainda não nasceu de poder respirar o ar que respiramos e criando uma propagando favorável ao extermínio e ao assassinato de vidas indefesas;
A mídia promove a ideologia de gênero não porque os ame, mas para criar novas mercadorias e aumentar o consumo sobre elas, já que a propaganda de alguma coisa faz parte de sua estratégia de sobrevivência.
A mídia faz apologia sobre o empoderamento feminino, mas todos os dias mulheres são “jogadas” em suas telas como objetos e mercadorias, prontas para serem “consumidas”. E o pior, essas mulheres acham que estão transmitindo algo de bom e sendo beneficiadas por essa conduta de desprestígio;
A mídia diz defender o pobre trabalhador, mas proclama as severas ações que lhe tiram direitos como se isso estivesse prejudicando o desenvolvimento do país;
A mídia diz respeitar todas as crenças e convicções, mas quando alguma ideologia lhe favorece e busca ser aceita com seus defeitos e práticas pecaminosas, ela tenta incutir “goela abaixo” que os credos cristãos, por exemplo, devem se sujeitar aos anseios de certas minorias. Lembro que o homem deve submissão ao que está escrito nas Escrituras Sagradas e nunca o contrário, pois essa é mensagem precisa do Evangelho!
A mídia cria e depois destrói; promove e depois se omite; eleva e depois joga no chão; constrói e depois corrompe.
Um dos grandes problemas é a dominação do público que essa mídia criou para seu próprio deleite, não permitindo uma reação em oposição aos seus ditames quase absolutos. Para Bourdieu: “há uma proporção muito importante de pessoas que não lêem nenhum jornal, que estão devotadas de corpo e alma à televisão como fonte única de informações” (BORDIEU, 1983), facilitando esse processo de dominação. De acordo com Bourdieu (1997), “as palavras fazem coisas, criam fantasias, medos, fobias ou simplesmente, representações falsas”, alimentando um povo pobre sem a essência crítica.
Todos os casos apresentados são dignos de censura de fato, mas a mídia não tem reputação para fazê-lo. Apenas quem tem vida ilibada, demonstrada através do comportamento ético tradicional e da preservação dos valores morais, tem o poder de denunciar o erro e apresentar o remédio para essas doenças sociais.

Heládio Santos
Bacharel em Ciências Sociais

Referências
Bourdieu, Pierre. Sobre a televisão - seguido de a influência do jornalismo e os jogos olímpicos. Tradução Lúcia Machado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
______. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O apóstolo Matias

Todos os atentos leitores de Atos dos Apóstolos verificam um fato inegável no momento que ingressam no exame do texto: a escolha de Matias em substituição de Judas Iscariotes para o apostolato. Pedro, o cabeça da articulação, suscitou a necessidade e estabeleceu alguns critérios que julgou pertinentes para elegerem um indivíduo com caráter irrepreensível e compatível com as exigências do ministério. Após nenhuma objeção, Matias é eleito pelo colegiado apostólico, formado inicialmente pelo Cristo.
Encontramos referências a Matias na eleição de Atos 1:15-16 e, de forma sucinta, em Atos 6:2 e Atos 9:27, quando ficou frente a frente com Paulo. Percebe-se, então, que houve nas Escrituras certa preferência nos relatos do início e da expansão do Cristianismo sobre as histórias vivenciadas por esses arautos do Evangelho da Igreja Primitiva. Não só Matias, mas também outros apóstolos não tiveram suas histórias relatadas nos Atos dos Apóstolos. Praticamente, Atos dos apóstolos elege Paulo, o apóstolo concebido “fora de tempo”, compondo a grande parte do texto, Pedro e João, no início, a fim de transmitir o ideal apostólico. Apesar de a maioria dos apóstolos não terem sido contemplados em suas atividades eclesiásticas na História da Igreja, esse critério não poderia ser utilizado para referendar a veracidade do ministério individual.
Apesar disso, o que causa certa estranheza diante da eleição de Matias é o fato de os outros ministros apóstolos terem sido eleitos diretamente por Jesus (Mateus 10:1-4), em razão de não ser essa uma atribuição dos apóstolos em si, ou seja, de eleger outro igual. Desta forma, levando em consideração a instituição desse ministério, podemos questionar se a escolha de Matias pelo colegiado apostólico teria sido legitimada por Cristo ou não. Realmente, nas Escrituras nada há, explicitamente, de objeção. Razão que leva muitos a acreditarem na autenticidade da escolha e sua validade. Mas, é muito importante lembrar que não existia uma regra prévia instituída por Jesus para a eleição do ministro apostólico, já que foi ele quem primeiro escolheu os apóstolos, porém não os primeiros, mas os únicos (é bom chamarmos atenção a esse fato). Jesus escolheu homens que figurariam como alicerce doutrinário e a base fundamental para regras de fé e prática. Isto se refere à limitação quantitativa e escolha única dos homens vocacionados para a função. Jesus, inicialmente, escolheu doze homens, mas sabendo de antemão que um não estaria vinculado com os propósitos apostólicos devido ao comportamento que se verificou em seu trajeto entre os demais, demonstrando sua incapacidade e pecaminosidade. Antecipadamente, pelo atributo da Onisciência, Jesus sabia quem fecharia o número dos doze. Seria este Matias ou Paulo?
Sem dúvida, a forma como a conversão de Paulo se deu, através de seu ingresso imediato na obra e de sua abnegação incondicional para o serviço cristão, colocaram em dúvidas a escolha de Matias, pois, além disso, a vinculação do termo apóstolo nas cartas paulinas tornou um problema à escolha de Matias, visto que Paulo assume categoricamente a lacuna deixada por Judas Iscariotes. Como justificativa plausível a esta construção, quando Jesus ordenou Ananias visitar Paulo em Damasco asseverou que Paulo era para Ele “um vaso escolhido”. Levando em consideração a forma de escolha em Mateus 10, o número doze, enfim, encontrou seu lugar junto ao grupo de pilares apostólicos da fé cristã. O número doze foi definido para o colegiado apostólico desde Mateus até Apocalipse.
Por outro lado, qual a implicação negativa para a aceitação do ministério apostólico de Matias? A possibilidade das autoridades eclesiásticas poderem tomar decisões como se o Senhor Jesus o fossem, estabelecendo novos conceitos e paradigmas. Na verdade, muitos Pais da Igreja incorreram neste problema e promoveram uma série de inovações dogmáticas no seio da Igreja. Esse problema tornou a Igreja vulnerável às invencionices de homens, algo que em muitos momentos da literatura apostólica foi censurado. A inobservância aos princípios fez com que hoje algumas lideranças religiosas reivindicassem o título de apóstolo para si, como se fossem algum expoente maior (redundância) do movimento cristão pós-moderno. Um equívoco proveniente daqueles primeiros ares e uma terrível falta de espiritualidade.
A ânsia pelo poder, a ganância e a apostasia repousaram seguras nestes centros que não prezam pelas santas palavras das Escrituras. Rejeitaram as orientações precisas para se deixarem levar pelos caprichos particulares. Demonstraram não saberem interpretar as Escrituras nem possuírem o Santo Espírito que nos leva a toda verdade. Quem não se sente compungido diante de uma situação como esta, na verdade, deixou-se endurecer pelo erro e pelo desvio. Queira Deus libertar muitos que estão enganados pelas falácias dos falsos mestres.
A Deus seja a Glória!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Mito ou verdade sobre Sodoma e Gomorra?

Na leitura do relato bíblico sobre as duas cidades, verificamos, principalmente, a quebra de paradigmas morais em ambas, visto que seus habitantes se entregaram às paixões carnais sem qualquer pudor. Por isso, as Escrituras enfatizaram a perversa realidade do lugar: “ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor” (Gênesis 13:13). “Grandes pecadores contra o Senhor” é um título nada louvável, porquanto aludiu sua condição irreverente através de caprichos e de pecados grotescos que “atingiram” diretamente o caráter santo de Deus. E onde entra a cidade de Gomorra? Ambas eram cidades vizinhas, portanto, influenciavam-se mutuamente. Eram cúmplices em atos de guerra, por exemplo, e também em pecados.
Em outro momento, fazendo referências às duas cidades, foi escrito que seus pecados se agravaram ainda mais (Gênesis 18:20), motivando o Senhor a uma ação sem precedentes que culminou com sua dupla destruição com fogo e enxofre (Gênesis 19:24). Quando se pretende negar o fato bíblico, tem-se em mente a necessidade de apagar a condenação pelas práticas pecaminosas, criando uma ilustração do relato, transformando-o em mito. Essa posição também obriga a uma negação da divindade de modo que afasta do homem a possível pretensão de aderir aos preceitos provenientes de Deus. Sem Deus e sem moral o homem poderá se comportar ao seu “bel prazer”, fazendo valer uma das máximas nietzschianas nas quais afirma a morte de Deus e a tendência de o homem ir para além do bem e do mal. Porém, essa conduta trará sérias complicações para o destino humano.
Mas qual a resultante de uma vida imoral e sem Deus a semelhança do que está se propondo agora? Uma transformação na visão social acerca do indivíduo, passando suas ações a violarem completamente os valores absolutos instaurados por Deus, rumando para não serem mais consideradas ações erradas, reinventando, assim, a sociedade que se identificará avessa aos ditames da Bíblia. Isto fará emergir uma fermentação social pelo erro cuja assimilação se dará aos poucos, numa medida que não vai criando grandes obstáculos. O resultado dessas ações culminará num processo de massificação muito bem utilizado pela mídia manipuladora, redesenhando a vida individual e coletiva.

Portanto, a vida imoral do homem é um processo que começou há bastante tempo e vem manifestando um aumento da impiedade assustador, pelo menos para quem tem discernimento para verificar a situação. Durante esse período, encontramos relatos das consequências terríveis que recaíram sobre os pecadores que infringiram e atentaram contra a moral de Deus. Desta maneira, a ousadia de transformar a História em mito converte-se numa negação da ocorrência, dando um aparente alívio para quem despreza os feitos divinos. Entretanto, a objeção é contabilizada para o julgamento final do qual ninguém escapará, de modo que este breve comentário não pretende ser um escrito apologético de uma determinada verdade bíblica, mas um alerta para aqueles que figuram como protagonistas da negação supracitada. Oramos ao Senhor para que reflitam sobre o mal que estão promovendo para si e cuidem de voltar para Cristo enquanto há tempo.

O diaconato na Bíblia

Os primeiros oficiais da Igreja eleitos foram os diáconos. Devida a uma situação de necessidades materiais e assistência dos menos favorecidos, os apóstolos sabiamente separaram junto com a Igreja emergente, em Atos 6, alguns homens valorosos para desempenhar o ofício. Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau foram os sete eleitos pela Igreja nesse momento. Mas, quais eram as qualificações e qual a finalidade específica do cargo?
Existia uma distribuição alimentícia chamada “ministério cotidiano”, criada circunstancialmente para atendimento das necessidades dos discípulos menos favorecidos e daqueles que estavam temporariamente em Jerusalém debaixo do acolhimento da Igreja. Como houve um acréscimo elevado de seguidores, alguns estavam sendo esquecidos, porquanto a prioridade era dada aos autóctones cristãos em detrimento dos que vieram de outras regiões, principalmente as viúvas. Em meio a reclamações dos cristãos gregos aos líderes, houve uma reunião na qual os apóstolos resolveram instituir um grupo de apoio para atendimento das necessidades materiais, enquanto eles dedicariam tempo e oportunidades às questões espirituais. Para tanto, não poderiam eleger quaisquer seguidores, deveriam ser exemplares: boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria (nas epístolas paulinas, posteriormente, há acréscimos aos pré-requisitos dos diáconos). Portanto, aqueles homens foram eleitos para servirem às mesas. Era o grupo assistencial da Igreja cujo trabalho deveria ser dedicado ao atendimento dos necessitados, das viúvas, dos órfãos e de quem estivesse em similar situação. Essa é a instrução bíblica da qual deveremos situar nossa observância, porém, atualmente, questiono-me se esse paradigma tem sido observado fielmente nas muitas igrejas evangélicas espalhadas. Por qual razão não está sendo observado? Pelo fato de não verificar esse entendimento nem no seu povo nem na sua liderança.
Constatamos nas igrejas evangélicas de forma geral que a função de diácono é, na realidade, um status hierárquico, uma oportunidade de liderança de congregação, um servidor de distribuição da ceia e um coletor das ofertas e dízimos, ou seja, uma função nada condizente com o instituído no princípio que norteia o ofício.
O status hierárquico é um patamar no trajeto sucessório a fim de se alcançar um dia o mais cobiçado dos ofícios, atualmente, o ministério pastoral, dando a entender que o pastorado não é somente vocacional. Entrar no circuito é uma das possibilidades de encabeçar e chegar ao ápice da liderança evangélica, adquirindo com o tempo a atenção do povo numa função que está sendo mal desempenhada. Quem é um diácono que executa bem sua função será reconhecido e reputado pelos seus serviços sem, entretanto, existir uma obrigatoriedade de um sequenciamento e elevação de categoria. Afinal, o diaconato não é vocacional, não podendo nenhum crente achar que a função é um chamado específico de Deus, antes é de mandato eletivo submisso às decisões da Igreja.
Ao ver diáconos sendo utilizados apenas para servir o pão e o cálice da ceia para uma multidão, indo de banco em banco, e também recolhendo os dízimos e as ofertas em salvas, verificamos como estão sendo subutilizados ou, ainda, não utilizados. Primeiro, a Bíblica nos ensina que somos nós que nos servimos na ceia, pois todos deverão partir o pão (I Coríntios 10:16) e na contribuição, deveremos levar o bem ao gazofilácio; e segundo, a atenção diaconal deveria prestigiar sabiamente as situações de necessidade, pois a falta de exercício da prática empobrece a função. Se por outro lado, devido aos discursos inflamados de prosperidade dos pastores neopentecostais, os necessitados estão sendo “expulsos” e oprimidos de suas igrejas, quão terrível é o contexto que se apresenta para elas.
Portanto, a preocupação diaconal deverá ser a de amparo e ajuda. O autêntico Cristianismo preza pelos outros, segundo as suas necessidades, delegando a esses oficiais um trabalho louvável, de paixão, de envolvimento e de cumprimento do querer divino no que diz respeito ao segundo grande mandamento. Se igrejas estão assumindo outro modelo e não o da Escritura, deverão se preocupar em retornar ao padrão estabelecido pelos santos apóstolos.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PRINCÍPIOS PARA UM NAMORO CRISTÃO

Por Janderson Jair da Silva Costa
O QUE SIGNIFICA O NAMORO?
A palavra namoro provém da expressão espanhola “estar em amor”, que acabou formando o verbo enamorar, originando a palavra namoro. O namoro é uma união entre duas pessoas do sexo oposto, no qual o casal será conduzido ao belo mar do noivado até que chegue a terra firme, chamado casamento. Não encontramos citações nas Sagradas Escrituras sobre o namoro, nem algo que o impeça, porém é necessário tratá-lo com decência e honra. 
COMO O CRISTÃO DEVE ENCHERGAR O NAMORO?
O namoro cristão deve ser visto como uma união parcial entre dois corações, um enlace para se conhecerem, tendo de Deus a permissão para que no futuro tornem-se um só coração: o casamento deve ser o final desta união.
QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS PARA UM NAMORO CRISTÃO?
Encontramos alguns princípios para um namoro cristão na vida do Patriarca Isaque. Deus afirmou para Abraão que lhe daria um filho, Isaque, e por meio dele lhe concederia uma descendência inumerável como as estrelas dos céus (Gn 15:4-5). Isaque foi filho concebido na velhice de Sara, mulher de Abraão (Gn 21:1-7), foi um filho amado por Abraão (Gn 22;2) e foi de sua descendência que veio o Salvador Jesus Cristo (Mt 1:1-2). Vejamos agora, na vida de Isaque, alguns princípios para um namoro cristão:
1. A ESPIRITUALIDADE:
Isaque cultivava uma vida de comunhão com Deus através da oração: “E Isaque saíra a orar no campo, à tarde, quando levantou os olhos e viu os camelos que se aproximavam” (Gn 24.63). Por ser um homem cheio de espiritualidade, pôde se tornar um grande apoio para o momento de angústia que assolou sua esposa por ser estéreo. Entretanto, foi por meio da oração que obteve êxito: “E Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril e o Senhor ouviu as suas orações e Rebeca sua mulher concebeu” (Gn 25.21). O cristão deve possuir uma genuína e firme  espiritualidade para que assim possa conduzir seu relacionamento para mais próximo de Cristo. Um relacionamento próximo a Cristo glorificará o nome de nosso Soberano Deus. Uma genuína e firme espiritualidade é evidenciada pela comunhão com Deus por meio da leitura bíblica, da oração e da comunhão com os santos (os salvos). Um leitor diário e devoto da Bíblia se tornará um grande aconselhador no que diz respeito às orientações divinas.
Vejamos o exemplo de Catharine booth, esposa do fundador do Exército de Salvação, William Booth. Ela foi um exemplo de espiritualidade e exemplo a ser seguido. Vejamos uma bela narração sobre Catharine:
Foi na Bíblia que começou o seu aprendizado e, antes mesmo de completar doze anos, já havia lido oito vezes, de capa a capa, assentado assim o alicerce do profundo conhecimento que possuía dos ensinos da Palavra, que se tornou uma arma poderosa para Deus em sua batalha posterior. (EXÉRCITO DE SALVAÇÃO: ORIGEM E DESENVOLVIMENTO, Ed. Exército de Salvação, São Paulo, 2002, pg. 17)
Catharine, por ter um profundo conhecimento nas Escrituras Sagradas, pôde se tonar uma valiosa ajudadora idônea para seu esposo. Assim como Isaque, um homem espiritual, serviu como um grande apoiador para sua esposa, assim também fez Catharine.
Fazendo uma alegoria, podemos comparar o namoro cristão a um barco e a espiritualidade às velas que concedem a direção para ele. Os ventos das Sagradas Escrituras vão soprar sobre as velas (a espiritualidade) e conduzir o barco (o namoro) sobre o mar do perigo (o mundo) rumo à transformação de glória em glória na mesma imagem de nosso Salvador Jesus Cristo. Sem as velas (a espiritualidade) no barco (o namoro), esta embarcação poderá enfrentar grandes tempestades, vindo em seguida a naufragar. Uma união parcial de dois corações sem abundar neles a espiritualidade pode ser comparada a uma miragem no deserto, é apenas uma ilusão.
2. MATURIDADE EMOCIONAL 
O que é a maturidade emocional?
A palavra maturidade é proveniente da palavra latina maturinas, que vem da palavra maturus que por sua vez significa: “que vem cedo”, “em pleno desenvolvimento” e “em momento favorável”. A maturidade emocional é o estado desenvolvido no qual o ser humano se torna mais competente para lidar com as dificuldades apresentadas no decorrer da vida.
Isaque adquiriu a maturidade emocional no decorrer de sua vida. Essa maturidade foi de muita importância para que ele se tornasse um valente guerreiro a fim de enfrentar os desafios que se apresentavam. Não com imaturidade, mas sim com a pequena pedra da maturidade emocional que “derrubou” muitos gigantes pelo caminho. Se um cristão ou uma cristã que ainda não consegue suportar com paciência no Senhor, sabendo que ele a qualquer momento trará bonança a tempestade, como poderá enfrentar as adversidades em um namoro? Se não é maduro o suficiente para si mesmo, como poderá ser maduro o suficientemente para está junto à outra pessoa? Ou como poderá resistir ao inimigo que está pronto para levar relacionamentos para longe do Senhor e destruí-los?
Suas emoções semelhantes às de uma criança  são fortes por fora, mas por dentro são incapazes de encararem e ficarem de pé diante das adversidades.

Em Isaque encontramos um homem que transbordava espiritualidade, evidenciando uma pessoa de ilustre maturidade emocional. A menos que você possua estes princípios citados, não terá os requisitos necessários para um cristão ter um bom relacionamento. Aqueles que não possuem tais princípios, assemelhá-lo-ei a um soldado camicase cujo avião voa para o suicídio e aconselho a refletirem sobre sua situação. Certamente, você deverá se dedicar à seara do Senhor e ganhar multidões de almas para Cristo até o Senhor providenciar o seu Isaque ou a sua Catherine.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Perseverança dos Santos

Ao propor a parábola da videira Jesus nos falou sobre a permanência na fé do cristão. “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8), é uma das expressões sobre a temática. Por mais simples que pareça seu conteúdo é de muita profundidade. Há uma condição explícita no texto no qual o Cristo enfatizou que para ser seu discípulo era necessária a produção de frutos permanentes e duradouros. Portanto, para ser seu discípulo o cristão deverá, continuamente, praticar obras que expressem sua fé, pois do contrário a fé sem obras é morta, ou seja, demonstra a ausência da dádiva divina e consequentemente da salvação (Tiago 2:17-24).
A perseverança dos santos é a doutrina bíblica cujo ensino apresenta justamente a permanência e a continuidade do crente na carreira cristã, seguindo os ensinamentos do Mestre em fidelidade e separado do mundanismo até o final de sua vida terrena. Ao contrário do que muitos acreditam o cristão não usufrui de uma dádiva em favor do seu pecado, mas contra ele. Há quem diga que pelo fato de o crente ser alguém eleito segundo o propósito divino poderá pecar e cumprir com os anseios carnais sem se preocupar, pois já está salvo. Ora, é muito estranho você admitir que uma pessoa foi salva, regenerado do seu pecado, e mesmo assim dizer que Deus não leva em conta os pecados voluntários cometidos por ela, enquanto cristão que diz ser, quando a Bíblia assevera proceder santificado. Porém alguém objeta: “e o crente não peca?”. Se dissermos que não peca, seguimos também contra o preceito (I João 1:8). O que propomos aqui é o seguinte: todo o cristão deveria ter a convicção de que ele foi conquistado para Cristo para viver a novidade de vida, porquanto foi por ele conquistado (II Coríntios 5:17).
A novidade de vida é uma alteração das condutas pecaminosas da vida secular para o comportamento cristão, norteado exclusivamente pelos pilares delineados nas Escrituras. Tendo entendido estes valores, nunca poderemos desistir da caminhada, pois existem elementos primordiais que nos ajudam e amparam em nossa lida (o Espírito de Deus em nós, a intercessão do Filho por nós, a graça fluente, a apropriação da realidade espiritual). Portanto, revestir-se de todas as dádivas provenientes dos céus trará a certeza de que estamos no caminho certo, guardando a fé até nos encontrarmos com Ele.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Abdicando da autêntica fé – problemas de nosso tempo

Quem pensa ser a fé apenas um elemento imaterial utilizado para alcançar a graça salvadora está profundamente equivocado. A fé para a salvação garante a vida eterna, mas não está limitada a experiência de conversão, pretende ser agente ulterior, alcançando mente, coração e atos. Quem não entende esse preceito escrito, precisa retornar ao exame das Escrituras.
O cristão deverá ser fiel ao texto sagrado. Precisa está fundamentado por ele. Essas são máximas bíblicas inconfundíveis. Porém, um dos maiores embates de hoje se apresenta entre cultura versus Cristianismo. A cultura, segundo alguns, tem evoluído, enquanto a Escritura tornou-se obsoleta, necessitando de alguns reparos e ajustes para se adequar a pretensa vida de cristão moderno. Uma primeira questão já se apresenta um tanto quando desfavorável aos defensores dos modismos, pois perguntamos: é o Cristianismo o influenciador ou o influenciado? Pode o homem sobrepor-se ao preceito de Deus e rearranjá-lo segundo suas conveniências? Fazemos tal questionamento em razão de existir diversos conceitos cristãos transmitidos com muita força por uma multiplicidade de igrejas evangélicas, criando uma multidão de “cristãos” repensando o Cristianismo e reorientando-o a padrões divergentes ou a um (des)padrão do princípio. Cada igreja tem uma maneira própria de pensar seu cristianismo. Há quem diga que a fé é suficiente para salvação; outros dizem que são necessárias as obras. Tem quem diga que não há problemas em ser um indivíduo dúbio, ou seja, na igreja ser um cristão normal, enquanto que na vida secular ser um sujeito com valores mundanos. Esse ser indefinido é resultado das muitas influências seculares cujo bombardeio de falsas virtudes lhes são transmitidas diariamente, sem oportunidades de resistência visto que sua fé é tão insignificante que não consegue contrapor-se ao que, inclusive, é contrário aos preceitos de Cristo.
Para sermos bem didáticos, façamos uma comparação a fim de constarmos que os cristãos de hoje criaram um sério problema para si. Elejamos uma igreja tradicional “A”, fundada há bastante tempo, cuja história nos é narrada em crônicas, testemunhos, livros, fotos e vídeos. Verifiquemos sua primeira compreensão do Cristianismo, quais eram seus comportamentos e quais expectativas alimentavam. Visitemo-la no seu início, tentando compreender suas convicções. Depois disso, voltemos ao presente e olhemos com olhar crítico para vermos como essa igreja é. Se não houve mudança, desconsidere tudo o que foi dito para trás; mas se você consegue vê outra igreja “A”, muito embora esteja no mesmo lugar e leve o mesmo nome do princípio, atente para a infiltração de ervas daninhas no campo em que foi semeada, no início, a Palavra. Infelizmente, tornou-se comum esse fenômeno belial e o conformismo evangélico, cumprindo exatamente os ideais das virgens néscias e imprudentes, alertado pelo Cristo. Mesmo havendo uma exortação para precaução nesse sentido, muitos movimentos que nos recusamos chamar cristão perderam o norte. Poderíamos até relacionar uma série de condutas agressoras ao preceito cristão que são corriqueiros nesses arraiais evangélicos, mas que são reputados como coisas vantajosas. Para enumerar algumas, há crentes alcoólatras, fumantes, roqueiros, carnavalescos, e para agravar ainda mais esse problema, há crentes que acreditam na possibilidade de um cristão se suicidar.
A nosso ver, essa mentalidade demonstra uma crise de espiritualidade, podendo ser na realidade espiritualidade alguma. Tantos crentes racionais, estimulados pela cultura hodierna, só podem compreender a vida e definir seus rumos a partir de uma visão mundana. Lembremos, porém, que o reino deste mundo é provisório e passageiro, a cada dia que passa vai sucumbindo na sua própria corrupção. Daí, estarmos presenciando tantos problemas no mundo. Na verdade, no geral, são dois os problemas: a maldade do mundo e frieza espiritual da Igreja. Ambos se completam, impossibilitando a ação de Deus. A experiência da fé, entretanto, deverá nos despertar para uma intervenção divina. Somente com uma Igreja uníssona, tocando a trombeta em Sião, nós poderemos vê um grande despertar de Deus.
Que Deus tenha grande misericórdia!

Heládio Santos

Professor(IPC) e sociólogo