O Jornal Tocha da Verdade é uma publicação independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

A confissão e as tecnologias




Ensina-nos as Escrituras Sagradas o ato de confessar nossos pecados uns aos outros (Tiago 5:16). Muito embora o catolicismo romano entenda o texto como uma confissão ao sacerdote para a conferência de perdão para a salvação através de determinada penitência, na linguagem bíblica, refere-se à prática de sinceridade e honestidade de uns para com os outros, estreitando laços e aumentando a comunhão, pois somente Cristo tem autoridade para o perdão mediante arrependimento (Lucas 5:24). Desta forma, a essência do ensino tende a promover a proximidade entre irmãos com a qual se fortalece a relação pessoal, favorecendo no contexto cristão o poder de olhar uns nos olhos dos outros em atenção e em preocupação, quando couber, visando o aperfeiçoamento na carreira, tanto em nível individual como congregacional. Em contrapartida, em meio a tantas inovações tecnológicas, interfaces têm surgido quebrando as possibilidades de se verificar isso na prática. Sobre isso, faremos breves comentários.
Já recebi cartas convencionais anônimas, mensagens em redes sociais anônimas, e-mails anônimos e mensagens de WhatsApp sem saber de quem vinham. Para os remetentes que pensaram ser esta uma boa maneira de trazer à tona problemas, na verdade, revelaram outros, quem sabe, ainda maiores. Podemos elencar diante deste quadro alguns: a) a impossibilidade de se realizar o aconselhamento, b) a desconfiança contra o destinatário, c) a covardia do remetente, d) a percepção de não se querer resolver problemas, apenas suscitá-los, e) a ocultação do indivíduo carente de cuidados, f) a infelicidade de quem pode fazer algo, mas se vê impossibilitado... Enfim, estas servem para demonstrar como a privação de alguém ou de fatos podem causar transtornos na Igreja. 
A confissão, em termos gerais, não se refere apenas à revelação de culpa ou ato reprovável, mas também de uma ideia, desabafo etc. Um diálogo com um ministro, por exemplo, pode alcançar muitos caminhos se pensado dentro da visão cristã, justamente, porque o crente está integrado à sua Igreja local para o desenvolvimento de sua vocação enquanto cristão. É inevitável praticar as virtudes que dele se espera; do contrário, não teriam valor as premissas bíblicas que versam sobre a boa convivência no corpo de Cristo. Em Pedro 1:10, está escrito: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isso, nunca jamais tropeçareis”. Gosto da expressão “nunca jamais” do texto. No mundo, costuma-se ouvir “nunca diga jamais” ou “nunca diga nunca”, mas por que não? Talvez porque os projetos mundanos têm sempre um conteúdo maleável. O Evangelho não sofre este tipo de influência, nem mesmo as epístolas apostólicas. Nunca é nunca e jamais é jamais mesmo. Vejam, o “nunca” e o “jamais” antecedem um dos piores dramas da carreira cristã, a queda. Se quiseres “nunca jamais” cair, faça valer sua vocação com honestidade, sinceridade, pureza de espírito, humildade, submissão, piedade, honra e tantos outros atributos descritos para os genuinamente cristãos.  
Conhecido por assim pensar, Jesus estabeleceu um princípio de relação pessoal para evitar qualquer sobreposição do mal, ao ensinar: “portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali adiante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te lancem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo (Mateus 5:23-26). Notemos que há uma incitação à quebra do paradigma da indiferença, muito comum hoje em dia, porque ninguém quer se preocupar com o outro. Será na superação deste empecilho que a solução virá “após o ter ido até ele”, ou seja, criando uma relação direta e objetiva. Numa relação impessoal, a tendência para que mágoas permaneçam e enegreçam o coração é a própria consequência. Sem estar discorrendo sobre o assunto, mas asseverando a necessidade de amizade e afetividade, Zygmunt Bauman afirmou: “Amigos são pessoas capazes e desejosas de estabelecer uma relação amigável mútua sem preocupação com as diferenças entre eles, e prontas a ajudar umas às outras por conta dessas diferenças; capazes e dispostas a agir com gentileza e generosidade sem abandonar sua distinção – ao mesmo tempo cuidando para que essa distinção não crie uma distância entre eles ou os coloque uns contra os outros” (Bauman , Zygmunt. A cultura no mundo líquido moderno. Zahar: Rio de Janeiro, 2011, pg. 80-81).
Assim, um evento intermediado pelas tecnologias não conseguiu e nem conseguirá atender a Igreja em suas relações pessoais e diretas. As tecnologias, na verdade, evidenciam o distanciamento, a frieza e a desagregação que é a falta de pertencimento a algo, motivo, certamente, mais relevante de se tratar neste caso. Quando não se sente pertencente a algo não há encorajamento para a exposição porque não se luta por aquilo que se diz acreditar. Possivelmente, toda motivação foi gerada ou por uma inquietação interior não discernida ou por uma insuflação de terceiros. Ambas, passíveis de atenção e detecção do bispo ou de outros membros espirituais para que retornando ao formato primeiro que é sempre tratarmos frente a frente o que quer que seja possam cumprir seus deveres cristãos. Outrossim, as relações impessoais por meio de aplicativos e redes sociais deveriam ser desconsideradas para assuntos de maior relevância, podendo ser utilizados como meros comunicadores para diminuir tempos de espera. Essa semana, enviei pelo WhatsApp três ofícios para irmãos que precisavam dos mesmo com urgência. Simples e rápido. Sem burocracia e sem stress. Portanto, valorizemos a comunhão pessoal. O apertar das mãos dos irmãos. O Sentir o calor de sua compaixão e cuidado. Ouçamos a voz do ambiente que enseja a harmonia, a paz e a integração de tantos e muitos irmãos de diferentes classes sociais, culturais e idades. Saibamos, com espiritualidade, vencer os obstáculos para seguir em frente, hoje e sempre!

Pr. Heládio Santos


A segunda bênção



Não nos limitemos a pensar que salvação encerra as dádivas divinas para nós. Juntamente com todos os benefícios da salvação (perdão, reconciliação, nova vida, justificação) há outros que precisam ser explorados uma vez que vigoram até hoje. A Bíblia nos ensina que no momento em que aceitamos a Cristo o Espírito Santo passa a habitar em nós, como está escrito: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8:15-16). Por conseguinte, o Espírito é quem opera em nós o anseio para obediência e piedade. Por Ele, somos direcionados a cumprir os princípios cristãos estabelecidos com graça e fervor, ajudando-nos a vencer os obstáculos que se apresentam em nossa caminhada para vivermos em santidade.
Entretanto, além de ser o crente um beneficiário do favor divino, ele também deve ser um proclamador das verdades bíblicas e de sua experiência particular de salvação. Ainda que não tenha versatilidade para falar em público, o Senhor nos concede uma grande bênção: o batismo no Espírito Santo (segunda bênção). Este batismo aconteceu pela primeira vez em Atos dos apóstolos, enquanto os discípulos estavam em oração, num cenáculo em Jerusalém (Atos 2:1-21). O objetivo foi capacita-los espiritualmente com poder sobrenatural (influência do Espírito Santo) para poderem pregar e sua pregação influenciasse os ouvintes. Aqueles discípulos que viram o Cristo ressurreto esperando que lhes desse alguma nova orientação receberam a seguinte promessa: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1:8).
A promessa do Espírito ou revestimento de poder serviu para dar ousadia e encorajamento para pregação das verdades cristãs. Inclusive, a razão dos discípulos estarem no cenáculo orando era porque temiam a perseguição dos judeus que não aceitaram a mensagem de Cristo, não tendo coragem para proclama-la. Quando o vento impetuoso encheu aquele lugar, os discípulos foram cheios do Espírito e começaram a falar em outras línguas, evidência do batismo. Pedro foi o primeiro a sair do lugar e proclamar para os transeuntes a mensagem de salvação que após ouvirem suas palavras, compungidos em seu coração, perguntaram como alcançar a salvação, levando-nos a acreditar nos efeitos de convencimento do Espírito a partir da pregação de um cristão que foi revestido de poder. Ao evento, convencionou-se chamar de Pentecostes em razão do acontecimento ter sido verificado em plena Festa do Pentecostes (festa judaica de comemoração pela colheita). Por isso, todos os que aceitam a prática do batismo no Espírito Santo são chamados pentecostais.
Essa promessa do Espírito não se limitou ao tempo apostólico, pois o próprio Pedro justificou ao dizer: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39). Para se receber este batismo, faz-se necessário uma busca convicta do dom e insistência. Jesus disse “pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:13), já que “... eu vos digo a vós: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á” (Lucas 11:9-10).
O batismo no Espírito Santo representa a perpetuidade da manifestação espiritual de Deus porquanto é uma promessa para o crente. O revestimento de poder o capacita para testemunhar sobre Cristo e sobre as verdades inerentes ao Salvador de modo que passa a participar efetivamente da obra de Deus. Para tanto, faz necessária uma busca ininterrupta até recebê-lo com evidência no falar outras línguas (línguas espirituais ininteligíveis) através da fé e da mesma ousadia que tiveram os cristãos da Igreja Primitiva.

Pr. Heládio Santos

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O Messias e a Salvação


Percebeu-se ao longo dos anos que o gênero humano corrompeu-se no pecado sobremaneira, levando em consideração os fatos desde a queda. Tão nefasta situação foi classificada como perdição em virtude de o homem ter se desviado e recusado todas as iniciativas divinas para reconduzi-lo ao caminho de esperança acerca do Messias (Redentor prometido por Deus para redimir todos os que n’Ele confiassem). Apesar da ascensão do pecado e da diminuição da devoção a Deus, muitas ações de redirecionamento foram promovidas pelo Senhor através de homens e mulheres, culminando com o aparecimento de Jesus, na Judeia, mais precisamente em Belém, cidade da profecia do Messias (Miquéias 5:2). Sobre o Messias que também é chamado de Ungido repousava o favor de Deus para a reconciliação da humanidade. Havia, a partir da queda, uma profecia que o apresentava como aquele que eliminaria os efeitos da morte espiritual provocada pela tentação da serpente (figura representativa do inimigo das nossas almas): “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15).
Isaías, chamado de profeta messiânico, foi quem o apresentou de uma forma bem detalhada, conforme a inspiração divina: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). Em Isaías 53, o profeta dá uma descrição acerca de sua fisionomia, da receptividade entre os homens, dos efeitos de sua morte (cura de enfermidades e perdão de todos os pecados), de seu drama e de seu sofrimento vicário. Em Isaías 61, foi-nos apresentado o modo pelo qual foi capacitado para realização de sua obra redentora, demonstrando também sua notável ação de graça para com os homens. Não foi sem sentido que ao iniciar seu ministério messiânico pronunciou exatamente esse último texto, finalizando-o ao dizer: “... Hoje se cumpriu essa escritura aos vossos ouvidos” (Lucas 4:21), já que tinha plena certeza de sua missão.
De acordo com as Escrituras, Jesus cumpriu sua missão perfeitamente, entretanto não tem efeitos diretos em todos os homens, não por sua própria vontade, mas pela liberdade de escolha que tem o homem. Há uma instrução bíblica cuja informação nos faz entender que os benefícios de sua morte e ressurreição somente podem agraciar aos que o reconheceram como Messias e Salvador. O apóstolo João em seu Evangelho nos fala sobre isso: “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:10-12). Portanto, para o homem receber salvação há uma obrigatoriedade de ele fazer profissão de fé que a decisão de se reconhecer pecador, enquanto o Cristo, pela fé, é considerado seu Salvador.
Desta forma, dentre os méritos da obra de Cristo expostos nos escritos paulinos, somos informados que Jesus veio trazendo reconciliação da parte de Deus: “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação” (II Coríntios 5:18).

Pr. Heládio Santos

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Tristezas de cristão


A tristeza do cristão tem sido interpretada como virtude ao longo de qualquer boa meditação, principalmente, das epístolas paulinas. De fato, ao refletirmos sobre a razão deste sentimento alcançaremos o entendimento de que seu propósito revela em grande medida um alto grau de piedade. Podemos, assim, elencar a tristeza segundo Deus que gera arrependimento (II Co 7:13), a tristeza pela dureza de coração de outros para que eles se arrependam (Rm 9:2) e a tristeza em sofrimento pelo bem dos outros (Fl 2:28). De forma que todas convergem para um fim espiritual no qual se encontra salvação, compaixão e altruísmo.
A tristeza de Paulo, referenciada, pelos judeus e pela Igreja é algo bastante recorrente em suas comunicações públicas que chegaram até nós por providência de Deus. Revelam a inquietação e a paciência para que a Igreja assumisse um padrão de maior maturidade mesmo tendo ele que sofrer e pagar o preço desta conquista.
            Voluntariamente o apóstolo demonstrou como estava intencionado em ver a Igreja aperfeiçoada na doutrina e no bom senso. Não só pelas admoestações rigorosas, antes, revestido do nobre sentimento de respeito e honra pelos irmãos, tentava persuadi-los à compreensão do sentido primeiro de saber como ser Igreja: a unidade perfeita do corpo de Cristo. Assim fez ao ilustrar a Igreja de Roma como corpo místico de Cristo (Rm 12) para expor quão integrada a Igreja deve ser através de seus membros. Que Cristo reine em nossos corações para vislumbrarmos tão glorioso feito!

Pr. Heládio Santos

Culto de Natal 2019

Anualmente, a Igreja Batista Renovada Moriá promove o Culto de Natal. A pretensão não é celebrar o Natal nas formas pelas quais é propagado pela mídia ou por determinada religião, antes, faz valer as prescrições bíblicas sobre o assunto e sobre a razão do nascimento de Cristo. Participe!



Assista à pregação do culto de Natal do ano de 2016.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

CRENTE NATALINO, ESSA NÃO!

Saturnalia (Império Romano): celebração Dies natalis (aniversário do sol inconquistável)

           O natal tem sua origem no paganismo, sendo incorporado ao cristianismo no século IV quando foi institucionalizado como religião oficial de Roma. Nessa época, muitos costumes pagãos foram cristianizados.  Na verdade, a festividade se referia ao dia de celebração ao “Sol Invicto”. O Sol tem sua representação no deus greco-romano Apolo e seus equivalentes, entre outros povos pagãos, são diversos: Ra, o deus egípcio; Nimrode na antiga Babilônia; Surya da Índia e também Baal e Mitra. Desse modo, o natal é anterior ao cristianismo, pois fazia parte da cultura de diversos povos pagãos, como atestam estudiosos: A partir do ano 354 alguns latinos puderam mudar de 6 de janeiro para 25 de dezembro a festa que até então era chamada de Mitraica, o aniversário do invencível sol... os sírios e os armênios idólatras e adoradores do sol, apegando-se à data de 6 de janeiro, acusavam os romanos, sustentando que a festa de 25 de dezembro havia sido inventada pelos discípulos de Cerinto. (The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge).
            Constantino ao dar liberdade de culto aos cristãos através do Édito de Milão (313 d.C) permitiu a fusão de elementos pagãos com cristãos. Uma dessas fusões consistiu em afirmar que o deus sol tão venerado durante a Saturnália (mês de Saturno de 17 a 24 de dezembro), nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano, era uma equivalência de Jesus Cristo. O que hoje se comemora como nascimento de Jesus é na verdade uma celebração pagã ao deus sol, apenas com outro nome.  
Segundo indícios fornecidos pela Escritura Sagrada, provavelmente, Jesus tenha nascido entre março ou setembro, pois, nos diz o evangelho de Lucas 2:28 que “... havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho”. Era impossível que os pastores estivessem com o rebanho no campo na madrugada no mês de dezembro, pois, esse período na região da Judeia é muito frio e com rigoroso inverno. Era costume recolher o gado no mês de Outubro. Entre março e setembro era a época ideal para o rebanho pastar, conforme o texto bíblico. É importante ressaltar que se Deus quisesse que o dia do nascimento do seu Filho fosse conhecido com certeza teria nos revelado na sua palavra.
Durante a festividade do nascimento do deus sol havia uma tremenda festa recheada de muita bebedeira e orgia. Era comum também a troca de presentes entre as pessoas, inclusive, a troca de presentes secretos em um tipo de ritual parecido com o que é praticado hoje conhecido como amigo secreto. Com o passar do tempo, a festividade do natal incorporou a figura do Papai Noel por relaciona-lo com o dar presentes às pessoas. A Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas 648-649, diz: “São Nicolau, o bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro... conta-se uma lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre... deu origem ao costume de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro), data que depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau...”
A associação da imagem de “São Nicolau” ao Natal aconteceu na Alemanha e logo se espalhou pelo mundo. Nos Estados Unidos ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal. Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o “bom velhinho”. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto.  
Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo. Ficou, então, relacionado natal e lucro para o comércio com grande apelo consumista capitalista tendo o evento como pano de fundo.
Portanto, o natal está mergulhado no paganismo, na lenda, e passou a fazer parte do consumismo capitalista sendo uma das épocas mais festejadas pelo comércio; aliás, nesta época, as propagandas publicitárias dão mais ênfase aos presentes que podem ser trocados entre as pessoas do que a quaisquer outras coisas e o Papai Noel brilha mais do que Jesus de quem dizem comemorar o nascimento.
Os cristãos dos primeiros séculos do cristianismo não festejavam o dia natalício, pois, consideravam costume pagão. Orígenes, um dos pais da Igreja disse: “... não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo”. Partindo desse pressuposto, os cristãos dos primeiros séculos do cristianismo não comemoravam natal. Não há nenhuma prova na Bíblia e nem na história de que eles comemorassem o dia do nascimento de Jesus; pelo contrário, a mensagem deles girava em torno da morte e ressurreição do Cristo (I Coríntios 2:2 / Atos 17: 18). Quando o natal foi introduzido no contexto acima explicado os cristãos que permaneceram fiéis ao ensino dos apóstolos se recusaram a aceitá-lo como prática. Vale ressaltar que os Anabatistas do Período medieval, bem como da época da Reforma Protestante, não comemoravam o natal, rejeitavam-no em todos os seus aspectos.
De um modo geral as igrejas ditas evangélicas não aceitam o dia 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus e se recusam adotar a figura do Papai Noel. Entretanto, estão praticando outros elementos do paganismo, como presentes no natal, enfeitar a casa com luminárias natalinas, enviar presentes e, alguns, chegam a realizar a celebração do amigo secreto estipulando até o valor a ser gasto na compra dos presentes. São os crentes natalinos.
Um cristão não deve aceitar o natal em nenhum dos seus aspectos, pois, ele é em tudo uma cerimônia pagã. Este costume de usar luminárias e enviar presentes remonta o sistema pagão babilônico criado pelo rebelde Nimrode. Ele era tão pervertido que, segundo escritos, casou-se com sua própria mãe cujo nome era Semiramis. Depois de prematuramente morto, sua mãe-esposa propagou a falsa doutrina da reencarnação de Nimrode em seu filho Tamuz. Ela declarou que, em cada aniversário de seu natal (nascimento), Nimrode desejaria presentes em uma árvore. A data de seu nascimento era 25 de dezembro. Aqui está a verdadeira origem da árvore de Natal. Outros povos da antiguidade copiaram o aspecto babilônico do natal, incorporando-o em suas culturas pagãs.  
Se você crente, participa de amigo secreto, enfeita as paredes com luminárias de natal, gasta o décimo terceiro comprando presente de natal para parentes e amigos, e fica ansioso para saber que presente vai receber de natal, estás praticando o paganismo e incorrendo em erro. E se você se diz anabatista, estamos diante de um agravante, pois, um anabatista real repudia em tudo o paganismo de natal. 
Vale a pena ressaltar novamente que os cristãos primitivos e os anabatistas não realizavam culto de natal.  Recusavam-se a associar mesmo que indiretamente o nascimento de Jesus a este dia. O objetivo deste artigo não é criar polêmica, mas, alertar quanto ao perigo de praticarmos costumes pagãos ou a eles nos associarmos mesmo que inconscientemente. Portanto, se és um crente natalino, abandona esta prática pagã e o consumismo capitalista de natal.

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus (I Coríntios 10: 31).

E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as (Efésios 5:11).

NO AMOR DE DEUS,
HENRIQUE VENTURA

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Conferências Anabatistas - Última noite

Finda-se mais uma conferência anual da Igreja Batista Renovada Moriá. Celebramos mais um ano de vida. Aliás, são 31 anos. Durante este tempo perseveramos, guardamos a sã doutrina e procuramos ser sal e luz, como preceituou Jesus. Nada mais, nada menos, simplesmente ser discípulo segundo as Escrituras, pois nos são regra de fé e prática.
Certamente, a leveza e a paz sentidas em cada momento deste domingo à noite serviram para sabermos como estava intensa a comunhão com Deus, porquanto vidas foram renovadas, restauradas e provocadas a viverem um cristianismo intenso. Basta falarmos que a pregação durou cerca de 1h40(uma hora e quarenta minutos), mas parece que ninguém sentiu o tempo passar. Seria tão somente pela eloquência do pastor Glauco? Ou pelo fervor da Igreja que contagiava um ao outro? Ou pelo grupo de louvor que elevou a Igreja aos átrios do rei? Obviamente, tudo isso foi consequência do fervor do Espírito inflamando cada coração. “brasas” unidas geram fogo, usando uma linguagem simbólica para ilustrar o entusiasmo e as convicções rememoradas em cada expressão do culto. Glória a Deus! Santos desejos ainda invadem nossos corações ao lembrarmos das experiências destes últimos quatro dias. Maravilhoso! Triunfante!
Fomos banhados pelo azeite espiritual. Revelou-se mais um despertar divino. Permaneça em nós santo desejo e ardor do Espírito para rumarmos pelos campos verdejantes dos olhos que veêm além do mesmo. Busquemos as almas perdidas cheios do Espírito para que nossa voz ecoe provocando arrependimento e contrição. Fogo e vida abundante para a Igreja do Senhor. Deus nos abençoe!   
  
















Epifânio de Salamina e os Montanistas - Conferências Anabatistas 2019



Como as Conferências Anabatistas abordam a História da Igreja através dos séculos em programação específica, a Escola Dominical da Igreja Batista Renovada Moriá, neste último domingo (01/12), teve caráter especial. Não somente pelo prisma da novidade, mas principalmente pela exposição do tema inédito: “A oposição epifaniana aos Montanistas na obra Panarion”.
Epifânio de Salamina foi bispo na ilha de Chipre no final do século IV. Após sua fase monástica, consentiu em ser bispo da igreja, ficando conhecido pela ortodoxia. Compôs o tratado “Panarion” ou o tratado contra todas as heresias no qual afirmava que sua obra era o remédio para curar do veneno das heresias pré-cristãs e pós-cristãs. Por assim dizer, elencou os Montanistas como vertente herética discorrendo sobre eles, dando ênfase aos aspectos pelos quais o movimento ficou conhecido. Na verdade, uma denunciação bem afrontadora a Montano, Maximilla e Priscila.
Contudo, na exposição, algumas coisas ficaram evidentes na questão dos por quês de sua indignação. Percorrendo o caminho da análise comparativa, da hermenêutica e de fundamentos históricos a exposição conseguiu demonstrar a pureza montanista tanto em seu comportamento como nos seus carismas. Segundo um participante anônimo que enviou uma mensagem: “a aula de hoje foi muito boa. Obrigado”, transmitindo a mesma impressão dos que se manifestaram publicamente.
Graças a Deus por mais uma programação maravilhosa!





Futuro pastor


Virtudes como a humildade, a temperança e a simplicidade provém de almas piedosas. São reflexos do cultivo de uma vida interior devotada a Deus que anela seguir fidedignamente os passos do Mestre amado. Outrossim, pretendendo-se incorporar as mesmas porque com elas se demonstra a satisfação decorrente do recebimento da graça inefável de Deus que é capaz de contagiar plenamente tanto o indivíduo como o outro. Sendo a obra a revelação do interior, entende-se que a prática desses valores cristãos através dos comportamentos e ações fazem também com que, em alguns casos, transmita-se mais do que a mensagem cristã. Revela-se, assim, igualmente a vocação de Deus. Cristãos que conseguem exceder as práticas convencionais, não de forma forçosa, mas de forma inspirativa, despertam a atenção de quem está ao seu redor, provocando-nos a discernir o chamado de Deus para aquela vida. Obviamente, esse despertamento é fruto da perspicácia e discernimento espiritual da Igreja, cabendo a essa reconhecê-los como tais, honrando-os com a confirmação e com a aceitação de sua vocação.
Para abrilhantar ainda mais as celebrações das Conferências Anabatistas de 2019, a Igreja Batista Renovada Moriá e seu presbitério deliberaram sobre a ordenação ao ministério pastoral do irmão Ferreira, homem valoroso que há muitos anos está à frente da congregação de Russas-CE. Todos chegaram à conclusão de seu chamado porque o mesmo tem conduzido sua comunidade com todos os elementos (e muitos outros) elencados acima. Sua vida tem sido exemplo não só para os de Russas-CE, mas também para a Igreja de Fortaleza e para a CEM-Comissão de Missões da IBRM.
Neste momento, o irmão Ferreira será preparado para cumprir perante a Igreja todo o trâmite estabelecido nas Escrituras até chegar na consagração propriamente dita.
Que Deus abençoe o irmão Ferreira e a congregação de Russas-CE.   

domingo, 1 de dezembro de 2019

Moriá: 31 anos - terceira noite


Acredito que esta terceira noite de Conferência Anabatista 2019 da Igreja Batista Renovada Moriá ficará na memória como um dos mais tremendos cultos dos últimos anos. A reunião da Igreja, os louvores espirituais (antiquados para a presente geração) e uma mensagem avivada de resgate da identidade de Moriá serviram para confirmar nossa colocação.
Foi nesta noite que a Igreja de Fortaleza e a de Caucaia se reencontraram, unindo-se neste dia de celebração com grande entusiasmo pela história que as une para exaltarem nosso grandioso Salvador, Cristo Jesus. Sob a liderança do Pastor Jander Lira, dezenas de irmãos de Caucaia e do Garrote (representada pelo diácono Edilardo que está sendo preparado para o ministério pastoral) desembarcaram dos coletivos alugados, trazendo no coração a expectativa de verem grandes coisas. Não se arrependeram! Quanta alegria no encontro! Quanta comunhão! Quão bom ver tantos irmãos e irmãs congregados na Igreja formada pela Moriá de Fortaleza e pela de Caucaia buscando reviverem as experiências do passado, do início da obra. Glória a Deus!
Criando uma atmosfera ainda mais propícia para uma avalanche de bênçãos o grupo de louvor da congregação do Serviluz, encabeçada pelo irmão Diego, elevou a Igreja com uma seleção de hinos inspirados e primorosos. Quão belos e tocantes foram os hinos antigos entoados, bem como a interpretação dos jovens cantores que nos inspirou para elevarmos nosso coração ao altar do Altíssimo.
Complementando a noite, deixando-a quase perfeita, o mestre Henrique Ventura pregou sem arrodeio a mensagem anabatista. Foi uma exposição mais do que didática, porquanto vemos como a vocação de nosso ministro em abordar e ensinar doutrinas cristãs torna fácil a compreensão e a assimilação das doutrinas cristãs pelo som de seus lábios. É um talento nato vindo dos céus. Sua argumentação lúcida foi capaz de esclarecer pontos da Bíblia tidos como de difícil interpretação e não restou outra coisa senão a Igreja asseverar tão sublime pregação aos sons de glórias e aleluias. Certamente, todos os participantes deste culto saíram contagiados pela inspiração do Espírito de Deus. Glória a Deus!