O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

Comunie

Comunie

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Tempos que não voltam

Tudo quanto fizermos devemos fazer para a glória de Cristo. Assim procedendo nossa obra terá consistência e significação. A ideia central da obra em Cristo através de nós é justamente a potencialidade de ela perdurar, redundando para recordações e memórias das mais aprazíveis.
Quando fazemos algo sem considerarmos seus efeitos, pesa-nos a irresponsabilidade, impondo ao pensamento o incômodo de algo mal feito que possivelmente seja uma mancha em nossa história. Pelo ato irrefletido, Pedro negou o Cristo após ter confirmado sua vinculação plena a Ele.

Pedro lamentou muito o infortúnio, de modo que vivenciou uma amargura de alma no interim entre a morte e a ressurreição de Jesus. Não fosse a graça e o perdão de Cristo ele não teria sido restaurado. Como apelou a suprema graça, recebendo o que lhe era necessário, foi consolado pelo favor divino. Porém, sua história foi narrada nas Escrituras e jamais será esquecida com uma finalidade: termos cuidado no agir já que isto significa nosso trato com o bom Senhor. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Adventismo é evangélico?

Para quem não sabia, a gênese adventista foi cheia de problemas interpretativos. Guilherme Miller, seu pretenso profeta das últimas coisas, marcou por três vezes a volta de Cristo, acreditando que o evento se daria conforme seus cálculos, baseado no texto de Daniel 8:14. Obviamente, Jesus não deu o ar de sua graça e “frustrou” muitos expectantes na época. O problema é que essa não foi à única tentativa de vê o movimento ganhar respaldo. Com os erros de Miller, surge Hiram Edson tentando amenizar o dano, informando que Jesus, na verdade, não viria a terra, mas havia entrado num santuário celestial para purifica-lo.
Com tanto descrédito adquirido com essas argumentações, surgiu Helen Harmon (aquela que ficaria conhecida como a Sra. White) numa tentativa de resgatar os discípulos frustrados através de profecias de “redescobrimento e reinterpretação” de algumas das doutrinas bíblicas, como o sábado. O sábado passou a ser o discurso mais utilizado entre os adventistas para desqualificar os evangélicos, pois em sua máxima diziam que aqueles que guardam o domingo, estes, têm o sinal da besta. Dentre outras distorções escriturísticas, encontramos: o sábado deve ser guardado; a lei também é instrumento de salvação, portanto deve ser guardada; Jesus não conquistou pleno perdão para o pecador devido sua obra inacabada; a morte física dos pecados não resulta numa imediata ida ao céu ou ao inferno, entre outras.
O que causa muita estranheza na consideração acima é vê crentes admirando o referido movimento como se fosse de mesmo pensamento. Assistindo suas programações televisivas e internalizando muito das doutrinas errôneas do movimento, muitos cristãos sinceros têm se deixado levar pelo vento da heresia. Enquanto religião que é deve ser respeitada já que todos tem liberdade de expressarem fé de alguma maneira, mas quando percebemos certas artimanhas pelas quais o movimento tenta dissuadir evangélicos néscios, precisamos alertá-los quanto à sua estratégia muito bem contextualizada. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Evangelizando Russas (CE)

Mais uma cruzada foi realizada pelos Evangelistas e comissão de missões da Igreja Batista Renovada Moriá neste último final de semana. Desta vez, o púlpito foi fincado em Russas (CE) onde pregadores ousados e desbravadores deram apoio àquela congregação cujo trabalho se iniciou há quase duas décadas.  
Desde algum tempo, a obra missionária tem recebido muitos irmãos da congregação do Mucuripe (bairro de Fortaleza) para integrarem as viagens às cidades do interior do Ceará onde funcionam ações da Moriá. São irmãos de fato envolvidos com o Ide do Mestre, não levando em consideração obstáculos ou empecilhos. Querem de todo o coração pregar o Evangelho e ajudar irmãos em início da carreira cristã a firmarem seus passos. O irmão Ferreira, responsável pela congregação de Russas, recebeu com muita satisfação todos os irmãos que chegaram à sua cidade já na madrugada de sexta-feira. Ele viu irmãos despertarem na alvorada para dar início aos trabalhos de evangelismos sem perda de tempo.
Evangelismo ocorreu durante o dia de sábado, preparando as pessoas para o evento à noite, mas também na praça central( momentos antes da cruzada), local onde há uma concentração de pessoas favorável para o trabalho de distribuição de folhetos e conversas sobre a salvação. As ações de evangelização procuram abranger o máximo de pessoas possível, desde crianças até idosos. Não há limitação de idades, antes um querer intenso para vê o maior número de pessoas sendo encaminhadas a Cristo.
O evangelista André Elias foi o pregador da noite. Com sua voz firme e bem direcionada apregoou as verdades do Evangelho sem embaraços, acertando o alvo dos corações carentes da graça inefável.

Muito embora a proposta da viagem seja a evangelização, algo fenomenal acontece pelas muitas ações vivenciadas entre os viajantes, o estreitamento dos laços fraternos entre os irmãos. A comunhão vivenciada entre os irmãos do grupo de missionários é mais um elemento promotor para o êxito das campanhas. Também é importante destacar a forma como o evangelista Maurício abraça as cruzadas mensais e promove o sentimento do ágape com seu jeito carismático e alegre de ser. Seu acolhimento tem sido fundamental no engajamento de novos irmãos para o serviço cristão, para a comunhão e para a integração entre as obras missionárias e a Igreja de Fortaleza. Uma bênção!






























Acerca do Jejum

Uma santa disposição é evocada para cumprir o rito particular, abnegado e devocional do cristão. Exalta-se a Cristo sem alarde, sem o próximo saber. Tudo por que o segredo da prática é o que alegra o coração de Deus. O cristão se entrega exclusivo ao Pai das luzes, o Deus triunfante, abstendo-se do palpável e agradável ao paladar. Abandona o prazer do alimento, pois sua fome natural não o incomoda, porquanto sua fome maior está em ser sustentado pelo pão da vida e pela água da vida.
Mas, não se ouve tanto acerca do jejum ultimamente. Pregações não abordam tanto o tema; somente em poucas linhas de uma fala expositiva o ato é lembrado com pouca ênfase. Por qual razão? Falta de devoção, falta de interesse ou será apatia para cumprir a instrução bíblica? Podemos até supor duas razões: o desleixo espiritual e o entendimento equivocado. Há uma displicência evidente para com os princípios instituídos há muito pelo Cristo. Sinal do fim dos tempos! A insensibilidade espiritual e o desvio dos padrões comportamentais são ações que não correspondem aos interesses do movimento cristão. Desta forma, os princípios verdadeiros não são mais honrados devido ao modo como o Cristianismo é enxergado. Muitos cristãos nominais olham para os preceitos, classificando-os como obsoletos, para depois incrementarem seus entendimentos fajutos e sem espiritualidade, provocando um empobrecimento conceitual dos valores que alimentam o espírito. Pensam o jejum como se isto fosse dever de monastério ou de penitente, desfigurando a proferição do Senhor que ordenava aos seus discípulos jejuarem em sua ausência.
Jejum é fidelidade ao princípio da dependência divina. É prática que desenvolve a comunhão com o Todo-Poderoso, fazendo o cristão desfrutar das delícias celestes antes mesmo de contemplá-las. É sentir a falta do Salvador para por Ele ser consolado; é anelo pela sua presença; é invocação para que seu Espírito flua no coração dorido, mas não é somente prática passiva. É também reativa. Sua reação é de promoção do dom da vida impetrado no coração fiel pela sua intensa busca e invocação. O poder divino encontra lugar para aumentar sua operação e ação, cumprindo a promessa do Cristo sobre os obedientes. Restando, então, que fujam os inimigos diante do jejuante, pois o brilho da aurora irradia mais e mais em seu devotado coração.

Noiva de Cristo busque o calor da comunhão através do jejum!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PRINCÍPIOS PARA UM NAMORO CRISTÃO

Por Janderson Jair da Silva Costa
O QUE SIGNIFICA O NAMORO?
A palavra namoro provém da expressão espanhola “estar em amor”, que acabou formando o verbo enamorar, originando a palavra namoro. O namoro é uma união entre duas pessoas do sexo oposto, no qual o casal será conduzido ao belo mar do noivado até que chegue a terra firme, chamado casamento. Não encontramos citações nas Sagradas Escrituras sobre o namoro, nem algo que o impeça, porém é necessário tratá-lo com decência e honra. 
COMO O CRISTÃO DEVE ENCHERGAR O NAMORO?
O namoro cristão deve ser visto como uma união parcial entre dois corações, um enlace para se conhecerem, tendo de Deus a permissão para que no futuro tornem-se um só coração: o casamento deve ser o final desta união.
QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS PARA UM NAMORO CRISTÃO?
Encontramos alguns princípios para um namoro cristão na vida do Patriarca Isaque. Deus afirmou para Abraão que lhe daria um filho, Isaque, e por meio dele lhe concederia uma descendência inumerável como as estrelas dos céus (Gn 15:4-5). Isaque foi filho concebido na velhice de Sara, mulher de Abraão (Gn 21:1-7), foi um filho amado por Abraão (Gn 22;2) e foi de sua descendência que veio o Salvador Jesus Cristo (Mt 1:1-2). Vejamos agora, na vida de Isaque, alguns princípios para um namoro cristão:
1. A ESPIRITUALIDADE:
Isaque cultivava uma vida de comunhão com Deus através da oração: “E Isaque saíra a orar no campo, à tarde, quando levantou os olhos e viu os camelos que se aproximavam” (Gn 24.63). Por ser um homem cheio de espiritualidade, pôde se tornar um grande apoio para o momento de angústia que assolou sua esposa por ser estéreo. Entretanto, foi por meio da oração que obteve êxito: “E Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril e o Senhor ouviu as suas orações e Rebeca sua mulher concebeu” (Gn 25.21). O cristão deve possuir uma genuína e firme  espiritualidade para que assim possa conduzir seu relacionamento para mais próximo de Cristo. Um relacionamento próximo a Cristo glorificará o nome de nosso Soberano Deus. Uma genuína e firme espiritualidade é evidenciada pela comunhão com Deus por meio da leitura bíblica, da oração e da comunhão com os santos (os salvos). Um leitor diário e devoto da Bíblia se tornará um grande aconselhador no que diz respeito às orientações divinas.
Vejamos o exemplo de Catharine booth, esposa do fundador do Exército de Salvação, William Booth. Ela foi um exemplo de espiritualidade e exemplo a ser seguido. Vejamos uma bela narração sobre Catharine:
Foi na Bíblia que começou o seu aprendizado e, antes mesmo de completar doze anos, já havia lido oito vezes, de capa a capa, assentado assim o alicerce do profundo conhecimento que possuía dos ensinos da Palavra, que se tornou uma arma poderosa para Deus em sua batalha posterior. (EXÉRCITO DE SALVAÇÃO: ORIGEM E DESENVOLVIMENTO, Ed. Exército de Salvação, São Paulo, 2002, pg. 17)
Catharine, por ter um profundo conhecimento nas Escrituras Sagradas, pôde se tonar uma valiosa ajudadora idônea para seu esposo. Assim como Isaque, um homem espiritual, serviu como um grande apoiador para sua esposa, assim também fez Catharine.
Fazendo uma alegoria, podemos comparar o namoro cristão a um barco e a espiritualidade às velas que concedem a direção para ele. Os ventos das Sagradas Escrituras vão soprar sobre as velas (a espiritualidade) e conduzir o barco (o namoro) sobre o mar do perigo (o mundo) rumo à transformação de glória em glória na mesma imagem de nosso Salvador Jesus Cristo. Sem as velas (a espiritualidade) no barco (o namoro), esta embarcação poderá enfrentar grandes tempestades, vindo em seguida a naufragar. Uma união parcial de dois corações sem abundar neles a espiritualidade pode ser comparada a uma miragem no deserto, é apenas uma ilusão.
2. MATURIDADE EMOCIONAL 
O que é a maturidade emocional?
A palavra maturidade é proveniente da palavra latina maturinas, que vem da palavra maturus que por sua vez significa: “que vem cedo”, “em pleno desenvolvimento” e “em momento favorável”. A maturidade emocional é o estado desenvolvido no qual o ser humano se torna mais competente para lidar com as dificuldades apresentadas no decorrer da vida.
Isaque adquiriu a maturidade emocional no decorrer de sua vida. Essa maturidade foi de muita importância para que ele se tornasse um valente guerreiro a fim de enfrentar os desafios que se apresentavam. Não com imaturidade, mas sim com a pequena pedra da maturidade emocional que “derrubou” muitos gigantes pelo caminho. Se um cristão ou uma cristã que ainda não consegue suportar com paciência no Senhor, sabendo que ele a qualquer momento trará bonança a tempestade, como poderá enfrentar as adversidades em um namoro? Se não é maduro o suficiente para si mesmo, como poderá ser maduro o suficientemente para está junto à outra pessoa? Ou como poderá resistir ao inimigo que está pronto para levar relacionamentos para longe do Senhor e destruí-los?
Suas emoções semelhantes às de uma criança  são fortes por fora, mas por dentro são incapazes de encararem e ficarem de pé diante das adversidades.

Em Isaque encontramos um homem que transbordava espiritualidade, evidenciando uma pessoa de ilustre maturidade emocional. A menos que você possua estes princípios citados, não terá os requisitos necessários para um cristão ter um bom relacionamento. Aqueles que não possuem tais princípios, assemelhá-lo-ei a um soldado camicase cujo avião voa para o suicídio e aconselho a refletirem sobre sua situação. Certamente, você deverá se dedicar à seara do Senhor e ganhar multidões de almas para Cristo até o Senhor providenciar o seu Isaque ou a sua Catherine.

A queda do crente

Muito embora sobre o cristão repouse a graça divina, ele não está imune à queda. É claro que sua luta é contra a tão desagradável situação, tendo ele que procurar sempre comunhão com o Cristo. Porém, em vistas de tantas situações que nos rodeia e, ainda, tendo a natureza decaída em nós que reclama suas paixões, às vezes somos sorrateiramente derrubados. E o que fazer nesta hora?
Para quem não entende que a queda poderá servir para algum propósito divino, os que estão nessa situação são induzidos a uma vida de derrotas, razão pela qual a reparação do dano não parece possível. As crises decorrentes invadem indiscriminadamente seu coração que não parece guardar muita esperança para reagir contra aquele mal. O negror do desânimo assola a alma com tanta obscuridade que se perde os valores vivenciados em Cristo ao longo da caminhada, enquanto se gozava de boa saúde espiritual diante de Deus. O está “enfermo”, entretanto, não significa perder por completo o rumo. Cabe ao caído olhar para cima. É de lá que vem a luz radiante e envolvente que nos faz entender que em Cristo somos mais que vencedores por meio dele que nos amou. Seu amor foi consciente de nossas imperfeições e incapacidades. Levou em consideração a ineficiência de muitas situações para que pudesse nos reposicionar na caminhada em busca do alvo.
Lembremos que não é vontade de Deus a queda, mas sim nos assistir com suas ricas misericórdias para restauração. Situações de queda devem ser temporárias, nunca permanentes. São experiências para amadurecimento. O cristão é capaz de vencer todo mal que lhe chega pela graça de Deus. Quando não a usa está fadado ou ao orgulho ou à queda. Porém, sempre de Deus podemos esperar o bem da restauração. Confiemos no Todo-Poderoso. Afinal, ele é o refúgio e fortaleza, socorro bem presente em tempos de aflição. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O dízimo

Sem dúvida, o presente momento é de extremo consumo. Muitos indivíduos dedicam-se a comprar e a vender itens dos mais variados, alimentando o comércio em suas relações individuais e coletivas muito embora determinadas mercadorias não sejam essenciais, resultando em consumo por pura alienação. Por força dessa imposição social, associou-se o dízimo ao consumo como se o dever cristão objeta-se estritamente a prosperidade física e material. Ou seja, dá-se o dízimo para se receber algo em troca, como se o mesmo fosse instrumento de barganha e benefícios. Entretanto, essa visão não corresponde ao ensino bíblico, nem à prática na Igreja durante sua história. Essa invencionice de o dízimo, obrigatoriamente, render aumento de capital ao doador é falácia moderna de igrejas neopentecostais.
Em Gênesis, verificamos o primeiro momento no qual a prática é digna e correta (Gênesis 14:20). Abraão deu o dízimo de tudo! A expressão é interessante, pois não há nenhuma reivindicação de bênção posterior pelo rito cumprido. Nem há informações bíblicas para confirmarmos que foi exigência divina o ato de Abraão. Desta maneira, Abraão tomou a atitude de forma espontânea e voluntária. Apesar de Malaquias usar outros termos dos quais sabemos que Deus abençoa os fiéis, a crítica é na realidade para a mensagem demasiada sobre o assunto. Os pregadores da prosperidade extrapolam em seus discursos como se quisessem barganhar com Deus.
Hoje, o cristão deve dar o dízimo por obediência, voluntariedade e espontaneidade. O que leva alguns a discordarem da prática do dízimo deveu-se ao fato de alguns intérpretes equivocados e líderes do movimento neopentecostal refinar um discurso de prosperidade, desentoando do sentido primeiro, mas criando fortes expectativas materialistas (algo que encanta muitos indivíduos leigos). Antagonicamente, existem cristãos que apesar de saber o que está prescrito têm restrições à doação devido à sua avareza. Tentam com argumentações nada convencedoras desabonar a prática e dão uma conotação veterotestamentária. Entretanto, quem é dizimista sabe aplicar valor e espiritualidade ao ato. A entrega representa o ato de obediência ao instituído biblicamente, um desapego aos bens materiais, uma valorização do trabalho secular, amor à obra de Deus etc.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ellen e o Adventismo

Para os adventistas, Ellen G. White foi uma pessoa muito especial e usada por Deus. Por que razão? Era tida como oráculo de Deus cujas revelações atraíram a atenção de muitos seguidores. O grande problema é que em meio as suas revelações e visões, tidos por inspirados, percebe-se uma dissonância com o texto da Escritura, revelada e escrito pelos apóstolos.
Um dos pontos em questão diz respeito à volta de Cristo. Segundo a profetisa adventista, Deus lhe revelou o dia e a hora do evento tão aguardado pela Igreja. Segundo ela própria:

Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nos anunciou o dia e a hora da vinda de Jesus. Os santos vivos, em número de 144.000, reconheceram e entenderam a voz, ao passo que os ímpios julgaram fosse um trovão ou terremoto. Ao declarar Deus a hora, verteu sobre nós o Espírito Santo, e nosso rosto brilhou com esplendor da glória de Deus, como aconteceu com Moisés, na descida do monte Sinai. (EG White, Primeiros Escritos, Editora Casa Publicadora, Tatuí – SP; 1995- pág. 15).

É imprescindível observarmos no ponto visto que a vinda de Jesus é tópico bíblico ricamente amparado nas Escrituras. A percepção do momento similar aos tempos de Noé, os eventos antecedentes de apatia espiritual e o prenúncio de catástrofes são algumas das situações referenciadas na Bíblia por ocasião do prenúncio do rapto da Igreja. Para os salvos, existem também tremendos esclarecimentos, tais como: a rapidez do evento, a transformação gloriosa, o momento do encontro nos ares, entre outros. Contudo, nada confere veracidade ao proposto pela profetisa do adventismo quando disse ter sabido o dia e a hora deste evento se o próprio Filho de Deus asseverou a indisponibilidade da informação (Mateus 24:36 e Marcos 13:32). Ora, se nem o Filho de Deus em sua humanidade soube o dia do seu retorno, tendo sido inculpável e obediente até a morte, quanto mais uma jovem que a semelhança de toda raça humana carregava a insígnia de ser pecadora.
Na verdade, há uma possibilidade para Ellen White ter agido desta forma. Conta-se (o próprio adventismo) que nos tempos de juventude de Ellen o movimento adventista passava por uma crise de redução da membresia e desânimo. Talvez, a jovem tentando ajudar a agregar mais membros se aventurou na prática de revelações que tinham alguma ligação bíblica, mas que causaram muitas discrepâncias entre seus escritos e o texto sagrado, gerando mais membros para sua religião e também uma terrível heresia.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Igreja e sua História

Há quase 2.000 anos Cristo instituiu sua Igreja, tendo reunido diversos indivíduos, tornando-os seus discípulos. Não foi um início pacífico, mas cheios de questionamentos, intransigência, relutância e negação, tanto religiosos como políticos foram seus opositores, visto que se apresentava o Rei dos Judeus. Apesar de toda objeção ao movimento do Nazareno sua obra se perpetuou ao longo dos séculos, mesmo debaixo de perseguição, maus-tratos, martírios etc.
Não obstante terem existido ramificações pseudocristãs, o cerne da Igreja verdadeira não pôde ser atingindo uma vez que repousava sobre ela a promessa do fiel Salvador de preservá-la, mesmo em tempos de aflição. Assim, perseveraram durante séculos aguardando o retorno do Cristo amado. Sua história está marcada por eventos significativos e terríveis nos quais a pena era a espada e a tinta o sangue das fiéis testemunhas de Cristo.

Apesar de as objeções terem existido, tentando fazer sucumbir a singela fé do profeta de Nazaré, esta se demonstrou forte e eficiente não permitindo que a chama da salvação fosse apagado. Antes, quanto maior fosse sua perseguição maior seria o crescimento do povo peregrino cujas ambições anelaram o céu. A Igreja jamais sucumbiu ou sucumbirá, enquanto aguardar dos céus a trombeta da chamada para ingressar no Reino de seu Cristo. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O perigo do orgulho na Igreja

Uma das lições mais significativas do Cristianismo é a humildade. O próprio Deus se humilhou para demonstrar a necessidade do sentimento. Já o orgulho, sentimento inflamador de maus desígnios, faz do seu sujeito praticante um receptáculo de maldades. Lamentavelmente, existem na igreja cristãos elevando os próprios corações às alturas, contaminando outros e fermentando o desagradável, infringindo, inclusive, contra a comunhão dos santos.
O orgulho é egoísta. Deduz a partir de sua própria vaidade, não levando em conta sentimentos alheios. É sentimento invasivo e astuto, muitas vezes imperceptíveis quando o agente alega questões fora desse contexto. A resistência em receber exortações e se submeter às orientações bíblicas demonstram o malfadado caráter. Foi pela soberba que Saul perdeu o trono, que Davi viu sua casa entrar em desordem, que Nabucodonosor comeu capim como um jumento montês (Daniel 4:10-17).

Fujamos do vil sentimento que denigre e corrompe o homem espiritual. Cativemos no peito o que agradável e honroso para conservar a doutrina e a paz na Igreja. Buscando uma tratativa para solucionar o problema da insensibilidade decaída, o sábio Salomão propõe com a anuência do Senhor o seguinte: “O temor do Senhor é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio” (Provérbios 8:13).

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O dom de profecia

Há uma crítica de igrejas tradicionais sobre a manifestação do dom de profecia entre igrejas pentecostais atualmente. Deram-se ao trabalho de manifestar posição contrária a utilização do dom devido ao fato de acreditarem não ser mais necessário para a igreja, formulando um conceito de que sua atuação seria oportuna apenas para os primeiros séculos da igreja cristã. Outro quesito no qual se contrapõem é pelo fato de dizerem que o dom de profecia promove a ideia de acréscimos doutrinários, proferidos por oráculos que perdem o domínio de si comprometendo o sentido da instrução apostólica (I Coríntios 14:32).
Quando analisamos o texto de Coríntios sobre a Profecia somos levados a crê que ela figura com ordem e decência (I Coríntios 14:40), podendo mais de uma pessoa exercer naquele momento a função profética (I Coríntios 14:31). Entretanto, não há restrições bíblicas ou limitações temporais para seu uso na Igreja, antes o apóstolo admoesta: “Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (I Coríntios 14:1).
O porquê da orientação do santo apóstolo se deu devido ao sentido de existência do dom: “edificar, exortar e consolar” (I Coríntios 14:3). Não há na instrução epistolar indicativo de ser o dom uma proferição para fins doutrinários, visto que os textos dos apóstolos gozam de exclusividade inspirativa e dos fundamentos da fé cristã. A profecia é circunstancial e individual, mas também para um coletivo limitado, não abrangendo toda a Igreja mística de Cristo (universal). A profecia assegura-nos do cuidado de Deus em meio a situações que precisam de algum alento pessoal, serve de consolo e de certeza particular.
Se algum indivíduo no calor da sua empolgação profere algo cujo conteúdo opõe-se ou acrescenta a alguma doutrina bíblica seja ela desconsiderada, pois é de falso conteúdo. Temos liberdade segundo as Escrituras para examinar e discernir o que vem de Deus e o que vem do homem (I Tessalonicenses 5:21). Se por outro lado, favorece determinado cristão atendendo sua necessidade circunstancial deverá ser reputada como verdadeira. Afinal, foi para cumprir esse propósito que a Igreja o recebeu.  

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Amar os inimigos

Para testemunharmos a fiel experiência com Deus, uma das possibilidades mais contundentes é poder amar aqueles que nos são opostos. A oposição se manifesta de várias maneiras, desde os que se opõe de forma moderada até os que são extremamente agressivos. Jesus preferiu se utilizar do termo aludindo o segundo caso, porquanto na história dos hebreus, registrada no Antigo Testamento, é recheada de eventos cuja ação do inimigo resulta em algum agravo físico, dominador ou até mortal. Dentro deste contexto, parte-se do pressuposto de que se o cristão for capaz de perdoar as ofensas deste agressor de última instância também será capaz de perdoar o agravo mínimo.
Por que o cristão tem inimigos? Na verdade, não foram constituídos por ele, mas homens que não acreditam nem nos valores do Cristo nem nele, tentando sobrepor-se à verdade e não tendo a condição de disputar com Deus, procuram os que reivindicam o testemunho de Deus na terra para consumarem seus terríveis ideais. Isso reflete a maldade do sujeito caído, desprovido da graça divina.
Contudo, não é a medida do agravo que irá nortear a posição do perdoar, sendo ela maior ou menor, mas é a nossa devoção a Deus. Independentemente de como a ação afrontosa chega até o cristão, sua reação deverá ser sempre igual àquela ensinada pelo Mestre: “Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam” (Lucas 6:27). 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

1°Palestra em Erfurt (Pr. Glauco) - Viagem 500 anos da Reforma

A tentação

Após a Queda o homem se sujeitou a vaidade da vida: ao efêmero e à facilidade de cair em tentação para consumação de pecados. Muito embora a Bíblia narre numerosos eventos de fracassos como consequência da tentação, o homem insiste em não compreender o seu significado.
A tentação não é invencionice divina, mas uma provocação do gênio do mal (diabo). Passou a ser também consequência de uma decisão irrefletida do homem, gerada pela indisposição do homem em colocar em prática a prédica do Senhor de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Antes da Queda, o homem sentia a tentação diferente do que sente hoje devido ao seu estado de inocência. Com a natureza caída, os efeitos da tentação são mais severos já que a inquietação da alma produz uma expectativa de prazer carnal. Entretanto, enquanto cristãos que somos a tentação não vem para nos superar, mas para exaltar a graça de Deus em nós. É através dela que superamos o malfadado para continuarmos a receber as benesses da vida de Deus em nós.
Quando se está fraco e sedento é necessário recorrer para a fonte de todo bem cujo poder revigora forças para sermos triunfantes. Lembrando-nos sempre a instrução paulina: “não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (I Coríntios 10:13).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A INTEGRIDADE DO CRISTÃO - PR. Glauco Filho

Breve descrição do ocorrido na Dieta de Worms (Pr. Glauco - Viagem 500 a...

Perseverança dos Santos

Ao propor a parábola da videira Jesus nos falou sobre a permanência na fé do cristão. “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8), é uma das expressões sobre a temática. Por mais simples que pareça seu conteúdo é de muita profundidade. Há uma condição explícita no texto no qual o Cristo enfatizou que para ser seu discípulo era necessária a produção de frutos permanentes e duradouros. Portanto, para ser seu discípulo o cristão deverá, continuamente, praticar obras que expressem sua fé, pois do contrário a fé sem obras é morta, ou seja, demonstra a ausência da dádiva divina e consequentemente da salvação (Tiago 2:17-24).
A perseverança dos santos é a doutrina bíblica cujo ensino apresenta justamente a permanência e a continuidade do crente na carreira cristã, seguindo os ensinamentos do Mestre em fidelidade e separado do mundanismo até o final de sua vida terrena. Ao contrário do que muitos acreditam o cristão não usufrui de uma dádiva em favor do seu pecado, mas contra ele. Há quem diga que pelo fato de o crente ser alguém eleito segundo o propósito divino poderá pecar e cumprir com os anseios carnais sem se preocupar, pois já está salvo. Ora, é muito estranho você admitir que uma pessoa foi salva, regenerado do seu pecado, e mesmo assim dizer que Deus não leva em conta os pecados voluntários cometidos por ela, enquanto cristão que diz ser, quando a Bíblia assevera proceder santificado. Porém alguém objeta: “e o crente não peca?”. Se dissermos que não peca, seguimos também contra o preceito (I João 1:8). O que propomos aqui é o seguinte: todo o cristão deveria ter a convicção de que ele foi conquistado para Cristo para viver a novidade de vida, porquanto foi por ele conquistado (II Coríntios 5:17).
A novidade de vida é uma alteração das condutas pecaminosas da vida secular para o comportamento cristão, norteado exclusivamente pelos pilares delineados nas Escrituras. Tendo entendido estes valores, nunca poderemos desistir da caminhada, pois existem elementos primordiais que nos ajudam e amparam em nossa lida (o Espírito de Deus em nós, a intercessão do Filho por nós, a graça fluente, a apropriação da realidade espiritual). Portanto, revestir-se de todas as dádivas provenientes dos céus trará a certeza de que estamos no caminho certo, guardando a fé até nos encontrarmos com Ele.