O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O conceito de batismo na visão anabatista

Entre os anabatistas do século XVI concebia-se um olhar radical, mas essencialmente bíblico acerca do batismo. De acordo com John Driver (1994:30) o conceito anabatista de batismo possuía três raízes principais, entre essas citamos duas:

A) Sua leitura do Novo Testamento, onde encontravam que, na Grande Comissão, o mandato de batizar vem logo após o de fazer “discípulos”.

B) E seu conceito da vida cristã como discipulado

Podemos observar que este conceito trata o batismo cristão com o significado que a Bíblia o dá, logo possui uma importância primacial. Essa importância, por sua vez, não ocorre somente por se derivar do mandado de Cristo, mas, sobretudo por seu significado.
Historicamente uma das primeiras declarações públicas de fé redigita por anabatistas e uma das mais citadas e apreciadas pelos estudiosos do movimento anabatista na Suíça é a Confissão de Schleitheim (1927). Paul Lederach faz uso de um artigo desta confissão para elucidar a definição anabatista salientando o seu conceito sobre o batismo. O trecho que se vale o citado autor diz:

“O batismo será aplicado a todos aqueles que tiverem sido ensinados o arrependimento e a mudança de vida, e [que] creem verdadeiramente que os seus pecados foram removidos por meio de Cristo, e a todos quantos desejam andar na ressurreição de Jesus Cristo e queiram ser sepultados com Ele na morte, a fim de também ressuscitarem com Ele; a todos aqueles que, com tal entendimento, desejem-no e peçam-no de nós [A igreja]”

A partir do artigo de fé citado acima podemos observar o batismo como um ato que exige responsabilidade pessoal, e profissão de fé consciente, pois o ato de batizar ou batizar-se evidencia que o novo cristão agora pertence a outra espécie de criação, uma nova, só que espiritual. Convém diferenciar o batismo como ato e não como obra. O ato é uma ação de obediência ao mandado divino de Cristo, já a obra pode ser considerada como uma ‘ação’, mas que pode ser maculada por interesses vãos e egoístas do homem caído e essencialmente religioso quando vê o sacramento como apenas um mandamento religioso.
Ao se falar de responsabilidade pessoal e profissão de fé consciente conclui-se que o batismo só deve ser aplicado àqueles cujas vidas tenham sofrido uma mudança paradigmática, denominada de novo nascimento, e a consciência de que o crente fazendo profissão de fé está anunciando através do batismo o selo de submissão voluntária a Cristo e ao seu corpo, a Igreja.
Lederach diz que “em sua essência, o batismo é o meio através do qual o crente regenerado dedica-se a uma vida de obediência, na comunhão com outros crentes, arrolado dentro da comunidade visível dos salvos (a saber, a Igreja) ”. Outra colocação oportuna faz o autor quando diz: “A natureza da Igreja, a natureza da salvação e a natureza da vida cristã estão envolvidas na compreensão do batismo do ponto de vista anabatista...”
Outro aspecto que os anabatistas consideravam importantes era que o novo nascimento era o critério essencial e indispensável para o batismo cristão. Assim como a conversão exige arrependimento e fé, o batismo exige o mesmo.
O batismo infantil, defendido pelos reformadores da época da Reforma, não é coerente com a perspectiva anabatista nem com o preceito bíblico.  Os infantes não precisam do novo nascimento até que sejam capazes de fazer preferência pelo bem ou mal. Em suma, os radicais que se distinguiam dos reformadores em alguns aspectos veem que “o conceito da vida cristã como uma peregrinação empresta importância ao batismo”. É esta causa a partir da qual o batismo só deve ser aplicado aqueles cujas vidas de alguma maneira evidenciaram uma escolha voluntária por Cristo através do arrependimento e fé e foi demonstrada pelo novo andar de vida.

Esse pequeno passeio no olhar anabatista acerca do batismo pretendeu mostrar dois aspectos importantes para esse importante movimento da História da Igreja. Esperamos que a história de nossa fé, muitas vezes evidenciada através do sangue de seus personagens nos inspire a olhar para o passado com um olhar mais apreciativo e também encoraje nossa cosmovisão bíblica hoje para cumprirmos aquilo que nossos irmãos na fé obedeceram. 

Heberth Batista Ventura

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O reino que alvoroçou o mundo

O tema principal da mensagem de Jesus foi, sobretudo, o reino de Deus. Este livro leva o leitor aos ensinamentos de Jesus sobre o reino, ensinamentos que,por diversas vezes, têm sido esquecidos. Bercot descreve as novas e radicais leis do reino e seus valores “invertidos”. Não há lugar no reino de Cristo para o cristianismo superficial, pois este é um reino que historicamente causou um alvoroço, uma reviravolta no mundo. 
Formato: 14 x 21cm, 254 págs
Autor: David Bercot

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templo da Igreja Batista Renovada Moriá.


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Conferências de missões 2017

As conferências de missões anuais da Igreja Batista Renovada Moriá tem como objetivo principal encorajar a Igreja a ir para o campo missionário. Durante a noite desta quinta (19/10), data na qual foi iniciada a programação, os hinos, as falas anteriores à pregação, os testemunhos e a pregação em si focaram quesitos como a inquietação pela salvação de almas, a necessidade de orar para que pecadores se convertam, o desprendimento do cristão para desbravar os “campos brancos prontos para a ceifa” e o apoio da Igreja, sustentando as empreitadas respaldadas no Ide de Jesus.
Foi uma noite de muito fervor espiritual, principalmente na pregação do evangelista André Elias que com excelente desenvoltura pronunciou os oráculos do Senhor nessa noite de abertura. Verificou-se que a Igreja ficou tão impactada com as santas palavras que saíram da boca do arauto de Cristo que houve um grande clamor e orações. O clima instaurado perpetuou-se até o fim do culto, apesar de haver ainda muita “lenha para queimar”. As crianças foram contempladas com uma programação exclusiva para elas, levando-as a compreender o valor das missões.
A programação continua na noite de hoje, tarde e noite de amanhã e será encerrada no domingo pela manhã, momento no qual haverá um aprofundamento do tema missões na Escola Dominical. Estarão pregando: pastor Edimilson Lopes, evangelista Cláudio Coelho, evangelista Jean Carlos e alunos o Instituto Pietista de Cultura (cartaz abaixo).


Não perca essa oportunidade de avivar seu coração no altar de Deus. Corra e participe ainda hoje!













Programação do Simpósio sobre Design Inteligente


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A Fé Pela Qual Vale Morrer

Há quatro séculos, na Europa, se alguém cresse em Deus e obedecesse a ele, era bem provável que morreria pelas mãos dos católicos ou protestantes. A fé dos crentes dessa época era mais do que uma profissão religiosa. Eles viviam e morriam pela fé. Embora o caminho dos fiéis fosse perigoso, muitos creram em Deus, e a igreja de Jesus floresceu em meio da perseguição. Neste livro, o autor examina o lado prático duma fé verdadeira, baseado em histórias dos mártires, tomadas do livro Martyr’s Mirror (O espelho dos mártires). A fé pela qual valia a pena morrer é a fé pela qual vale a pena viver em nossos dias.
13 capítulos com perguntas de estudo, excelente para estudo pessoal ou em grupo.
Formato: 14 x 21 cm, 104 páginas

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O batismo católico, o rebatismo e os anabatistas

O batismo é símbolo da regeneração. É a manifestação da experiência consciente e espiritual alcançado pela fé do confesso novo cristão. Foi na Idade Média muito reverenciada pelos anabatistas, tanto que, em muitos casos, perderam suas vidas pela prática bíblica do rito ordenado por Cristo. Não é sem razão que o nome anabatista provém deste misto de obediência a Deus e perseguição, porquanto revelou o apego genuíno à verdade bíblica, renegada pelo tenebroso catolicismo medieval e não discernida pelo Protestantismo. Assim, o batismo tem importância essencial para todas as discussões cuja pauta traz a Reforma Radical (nomenclatura atribuídas aos anabatistas que pretendiam restaurar os padrões neotestamentários, retornando às raízes do verdadeiro cristianismo).
Dentre os líderes mais emblemáticos do movimento, encontramos Michael Sattler,ex-prior do mosteiro beneditino de São Pedro da Floresta Negra. Ele foi possivelmente responsável pela confissão de Schleitheim, primeiro documento dos anabatistas suíços que reivindicava o cumprimento expresso das Escrituras. O diferencial de Sattler foi à forma de adesão ao movimento. Apesar de não sabermos detalhes sobre sua conversão, sabe-se que sua decisão foi muito bem pensada. Na confissão, versou sobre a primeira ordenança de Cristo nesses termos:
O batismo será dado a todos aqueles que aprenderam o arrependimento, a regeneração de vida e que acreditam verdadeiramente que seus pecados foram expiados por Cristo, e a todos quantos andarem na ressurreição de Jesus Cristo e desejem ser sepultados com ele na sua morte, para que possam ser ressuscitados com ele, e a todos aqueles que, com esse significado, requeiram-no (batismo) de nós e o requeiram por si mesmos. Isto exclui completamente o batismo infantil, a maior e principal abominação do Papa. Em tudo isso tem-se fundamento e testemunho dos apóstolos (Mt 28; Mc 16; At 2, 8, 16 e 19). Desejamos sustentar isso humildemente, porém firmemente e com convicção.
O texto acima é o primeiro ponto da Confissão. Encabeçando o documento, leva-nos a considera-lo não o mais importante, mas aquele que precisava de uma urgente resposta em vistas do contexto como se aplicava o batismo na época. Sabemos que o catolicismo batizava por aspersão, administrando seu dogma para infantes. O Protestantismo seguiu a mesma conduta. Porém, essa situação era muito embaraçosa, pois não há referências bíblicas para o ato batismal de crianças, no entanto, cumpria com determinados interesses políticos. Além disso, a forma como era conduzido o ritual abre precedentes para enormes críticas, porquanto difere em muito com o preceituado nas Escrituras. Vejamos como era o ritual católico em Portugal no século XVI de acordo com Francisco Pires de Almeida:
1) A primeira etapa ocorria do lado de fora da porta principal da igreja, onde o sacerdote perguntava aos padrinhos qual o nome a dar à criança. Depois de nomeada, dava-se então começo aos vários exorcismos. Em primeiro lugar, realizavam-se na face do bebé as três insuflações, que assumiam a forma de uma cruz, com o propósito de afastar o diabo14. Após os sopros, seguiam-se os sinais da cruz estendidos às várias partes do corpo: nos olhos para que visse Deus; nos ouvidos para o ouvir; nas narinas para que usufruísse o seu odor; no peito, ou melhor, no coração, para que nele acreditasse; e na boca para o demonstrar através das suas palavras15. Depois, o sacerdote colocava a mão direita sobre a cabeça do pequeno para destruir os laços que o prendiam a Satanás. Passava-se então à administração do sal, depois de o exorcizar16. Segundo Nicolas Lopez Martinez, as liturgias apelavam aos méritos divinos para purificar os elementos sacramentais e os afastar do domínio do demónio17. Por isso, os manuais de Braga e de Coimbra exigiam o exorcismo do sal, pedindo ao Criador que o transformasse num medicamento perfeito (perfecta medicina) para afugentar o inimigo. Daí que fosse colocado na boca do recém-nascido18. Entre as orações que se seguiam, intercaladas com mais dois sinais da cruz na testa, finalizava-se a primeira ronda dos exorcismos com abjurações para amaldiçoar o diabo. Para ultimar a primeira fase do ritual, o sacerdote orava com os padrinhos o Credo in Deum, o Pater Noster e o Ave Maria.
2) Ao deixarem o adro da igreja, dava-se lugar à fase liminar, que já ocorria dentro desta. O manual de Braga exortava a que o sacerdote abrisse com a sua saliva os sentidos, isto é, as narinas e os ouvidos do recém-nascido com duas intenções: expulsar o diabo e tornar a criança capaz de ouvir e sentir o odor de Deus19. Depois, seguido pelos padrinhos, levava a criança nos braços para junto da pia batismal, enquanto entoava a ladainha de Todos os Santos e o Kyrie eleison20. Aí, benzia e exorcizava a fonte. Ambos os manuais impunham que o sacerdote revolvesse duas vezes sob a forma de cruz a água batismal, lançando-a de seguida para fora do bacio. Aconselhavam também a que o ministro alterasse o seu tom de voz, assim como quando soprasse sobre a água em forma de cruz e lhe inserisse um círio aceso. E, por fim, recomendavam que nela derramasse o óleo do crisma e o óleo santo de per se e só depois os dois conjuntamente. Desta forma, a água batismal adquiria o poder de santificar: lavaria os vícios (pecado original) e regeneraria para se exercer o bem21. Dirigindo novamente a atenção para o bebé, o ministro retirava-lhe a roupa e passava às renunciações a Satanás e às suas obras e pompas, às quais os padrinhos respondiam Abrenuncio. Colocava, sob a forma de cruz, o óleo dos catecúmenos entre as espáduas e o peito do menino para que adquirisse vida eterna e, voltava a interrogar os padrinhos sobre os artigos da fé, questionando-os por três vezes se era intenção da criança ser batizada. Os padrinhos respondiam afirmativamente enquanto a tocavam. Deste modo, ficava pronta para ser banhada por três vezes na fonte batismal com a fórmula Ego te baptizo in nomine patris et filii et spiritus sancti22.
3) Assim que emergia da água batismal, dava-se a fase de agregação. O padre fazia-lhe na cabeça o sinal da cruz com o óleo do crisma, salientando que tinha sido regenerada pela graça do Espírito Santo. Colocava-lhe o capelo branco para que um dia fosse levada ao tribunal do Senhor e entregava-lhe a vela acesa na mão direita para que Cristo a encontrasse na sala da justiça celestial. Despedia-se dos padrinhos e advertia-os para que ensinassem a fé ao afilhado23. Dava-se assim por concluído o ritual do batismo.
Ora, com tantas inserções de elementos estranhos àquela referenciada pelos Evangelhos e Atos dos Apóstolos, não podemos menosprezar a repulsa anabatista pelo dogmatismo uma vez que estava em causa a pureza do Cristianismo. A cerimônia batismal havia sido completamente alterada e a reação anabatista ao esquisito ato batismal foi a sua rejeição e o rebatismo como negação da crendice ao ato praticado na infância. Isso significou a renúncia pelas orientações papais e clericais. Era um ultraje ao poder dominador católico, por mais que os anabatistas suíços o fizessem em termos de pacifismo, mas o que poderiam ter feito se tinham no coração a chama pela obediência? A vinculação do ato de batismo para o controle estatal gerou também discordância. Todos os batizados, de certa forma, vinculavam-se ao controle das autoridades políticas e religiosas.
Desta maneira, o anabatismo reivindicou simplesmente o cumprimento das práticas cristãs em consonância com os ensinos do Cristo e dos Apóstolos. Essa é a base da fé cristã. Quem interfere no legado apostólico, acrescentando ou retirando, demonstra ter maior autoridade do que aqueles constituídos diretamente pelo Cristo.  Um erro gravíssimo!  

Notas de Almeida

14 As três insuflações provêm do costume romano cuja prática já se incluía na liturgia hispânica. BRAGANÇA, Joaquim O. – Le symbolisme des rites baptismaux au Moyen Age: les rites d'admission au catéchuménat. Didaskalia. Lisboa. ISSN 0253-1674. 3:1 (1973), p. 44.
15Neste breue manual se [con]ten cousas muito necessarias e p[ro]ueitosas a todo sacerdote q[ue] ha de administrar e dar os sacrame[n]tosE assi som muitas missas deuotissimas e p[ro]ueitosas p[e]ra ha saude dalma e do corpo. as quaes nu[n]ca foro[m] postas em nenhu[m] missal ne[m] manual de Braga (doravante Manual de Braga). Impressus in antiquissima bracharensis civitate: [s.n.], 1517, fl. 2-2v.; Manuale secundu[m] consuetudinem alme Colymbrieñ [sic] Ecclesie (doravante Manual de Coimbra). Lixboneñ ciuitate: Nicolaum Gazini, 1518, fl. 2.
16 A colocação do sal já vinha do tempo de Santo Agostinho e foi aceite por todas as tradições das igrejas locais. Apenas divergia a oração do exorcismo. O ritual romano optava por Benedicto salis enquanto que outros rituais, como o galicano, davam preferência ao Exorcismus salis. BRAGANÇA, Joaquim O. – Le symbolisme, cit., p. 53.
17 LOPEZ MARTINEZ, Nicolas – Notas sobre la lucha contra el diablo mediante los sacramentos. in IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE TEOLOGÍA DE LA UNIVERSIDAD DE NAVARRA, Pamplona, 1983 – Sacramentalidad de la Iglesia y Sacramentos: actas. Pamplona: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Navarra, 1983, p. 807.
18Manual de Braga, fl. 2v.; Manual de Coimbra, fl. 2v.
19 O manual de Coimbra não exclui a abertura dos sentidos, apenas altera a ordem, impondo a administração da saliva após o exorcismo da fonte batismal e antes das renunciações (Cf. Manual de Coimbra, fl. 6v.); Manual de Braga, fl. 4v.
20 A ordem de invocação dos santos e arcanjos variou.
21 Manual de Braga, fl. 6-7; Manual de Coimbra, fl. 4v.-6v.
22 Apenas ficam dúvidas se Braga optou por uma imersão, uma vez que não alude à sub trina mersione. Manual de Braga, fl. 7; Manual de Coimbra, fl. 7.
23 Manual de Braga, fl. 7; Manual de Coimbra, fl. 7.

Referência
Almeida, Francisca Pires. O ritual do batismo em Portugal na Baixa Idade Média e nos inícios do século XVI. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-740X2014000200006#14. Acesso em 19 Out 2017.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A História dos anabatistas

Quem foram essas pessoas? Qual era a relação delas com a Reforma? Quais eram suas crenças em relação a Deus, ao homem, à igreja, ao batismo e à vida cristã? Que tipo de pessoas eles eram? Essas e outras perguntas encontram suas respostas nas páginas seguintes, as quais tentam contar a história dos anabatistas.
Esse estudo sobre os anabatistas do século XVI será uma bênção para aqueles que, nestes tempos modernos, buscam seguir a Cristo por meio de um discipulado obediente.
Visualizar no link para ler as primeiras páginas de A história dos anabatistas

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Os pobres de Cristo

Uma das correntes históricas sobre os valdenses nos informa sobre Pierre Vaudès (Pedro Valdo), um rico comerciante cuja conversão o fez vender tudo o que tinha, em obediência ao texto bíblico do jovem rico, para dar aos pobres. Para quem pensa que ele o fez irracionalmente, sabe-se que sua esposa e filhas foram contempladas nessa distribuição a fim de que pudessem ter como sobreviver, enquanto ele se entregaria à vida simples ensinada pelo Cristo. Houve quem dissesse que Vaudès seria o fundador dos valdenses, um dos movimentos mais emblemáticos da História da Igreja, mas hoje, através de consenso entre os estudiosos, essa teoria não é mais aceita.
Enquanto dispunha de recursos, Valdès providenciou a contratação de dois cléricos para traduzirem partes das Escrituras e alguns escritos dos Pais da Igreja. Munido desses escritos, começou a arte da pregação valdense cuja confrontação com o clero católico era inevitável: “O que Valdès estava ensinando deu ao povo a chance de contrastar seus sacerdotes e bispos tipicamente indiferentes e às vezes indolentes com esses pregadores pobres, mas fervorosos que citavam a Bíblia em sua própria língua, pregadores que poderiam se relacionar com suas próprias lutas pessoais. Não é difícil ver como Valdès e seus seguidores ganharam sua fidelidade e atraíram muitos seguidores” (Malan: 2012).
Por que sua pregação era confrontadora? Primeiro, porque se utilizada da língua popular na qual o povo se sentia prestigiado, e não o latim que era sinônimo de obscuridade para os mais simples; segundo, trazia um equilíbrio social de modo que não somente podiam usufruir do conteúdo Escriturístico os sábios e doutos cléricos, mas também os iletrados que eram a maioria; e terceiro, alinhavam-se ao povo, visto que demonstravam ser como qualquer outro ser humano, sem as exigências ritualísticas e indumentárias pomposas do clero católico. Desta maneira, a pregação aos moldes dos pobres de Lyon reavivaram o fervor e inteligibilidade da Igreja Primitiva, fazendo valer o sentido prático da fala de Jesus na qual os mistérios do Reino de Deus foram revelados pela exposição de seus ensinos.

Referências


Malan, Ronald F. Waldensian History: A Brief Sketch. Piedmont Families Organization: 2012.

Os anabatistas eram revolucionários ou pacifistas?

“O anabatismo primitivo era um movimento religioso e de revolução social” (Wohlfeil, Goertz 1980, p. 43) que não se opunha a fazer uso da espada em favor de sua causa (Stayer 1972). Contudo após os Artigos de Schleitheim (1527), eles recusaram-se a portar armas”.
(Lindberg, p. 243)

Uma das premissas mais corriqueiras na Academia é aquela que enfatiza o conhecimento como provisório. Chegou-se a essa conclusão, não simplesmente por achismos ou conclusões insustentáveis, mas sim, pelo amparo e fundamento em fatos concretos que conseguem desafazer uma argumentação teórica inicial. Baseados nesse pensamento, propomos uma análise da informação acima sobre o anabatismo, já que o trata como uma vertente similar ao catolicismo e ao protestantismo da época, cuja ação militarizada era pauta constante naqueles tempos pré-nacionalistas. Então, será que na gênese anabatista verificou-se a conduta de luta armada e revolucionária?
Para responder esse questionamento, importa trazermos à tona a concepção cristã do anabatismo. Conrad Grebel, Felix Manz e George Blaurock foram os expoentes iniciais do movimento, de modo que suas convicções estavam em fase de desenvolvimento. Primeiramente, aderiram às reformas promovidas por Ulrich Zwinglio, conceituado professor e pastor do Cantão de Zurique. Mas, como Zwinglio não realizou reformas nos moldes das Escrituras, sujeitando-se mais ao Conselho dos Duzentos do que a Deus, eles resolveram deixa-lo e buscar o cerne da realidade cristã. Para tanto, retornaram exatamente ao início da carreira cristã, ou seja, ao batismo. Foi em janeiro de 1525, através do rebatismo, que Grebel estabeleceu a primeira comunidade anabatista restauradora dos padrões neotestamentários. Esse grupo acreditava piamente nas instruções bíblicas, seguindo-as de forma padrão e fiel.
Nesse momento, suas convicções demonstravam aversão à missa, ao batismo infantil, à idolatria, à união da Igreja ao Estado, aos juros, às indulgências, entre outras, e, no que diz respeito à questão posta, eram pacifistas. Prova concreta disso, foram os martírios de Manz e de Blaurock que não resistiram agressivamente aos seus perseguidores, antes, como “cordeiros foram levados ao matadouro”. George Blaurock, apesar de não ter nos deixado muitos escritos, fala-nos através de dois hinos compostos que demonstram sua completa devoção a Deus e espiritualidade pacífica de dependência ao sumo pastor, de modo que quem se expressa nestes termos demonstra uma vida pura e desprendida de ódio e revolução:

Senhor Deus, como eu te exalto
Daqui e sempre,
Que a fé real me deu
Pelo qual eu posso saber.
Não me esqueça, ó Pai,
Esteja perto de mim sempre mais;
Seu Espírito protege e me ensine,
Que em grandes aflições
Seu conforto eu possa provar,
E valentemente possa obter
A vitória nesta luta.   

Já Conrad Grebel, fala-nos um pouco mais sobre a vida pacífica daqueles cristãos medievais desejosos não de uma revolução, mas de uma restauração. Na carta 64 de 5 de setembro de 1524, direcionada a Thomas Munster, ele exorta o ex-sacerdote luterano à prática da não resistência e o não envolvimento com a guerra, censurando-o em razão de sua crítica aos príncipes. Grebel escreveu: “O irmão de Hujuff escreve que você pregou contra os príncipes, enfatizando que eles deveriam ser combatidos de próprio punho. Se isso for verdade, ou se você pretende defender a guerra... eu devo admoestar você pela salvação comum a todos nós...”.
Portanto, nossa questão a questão proposta é: como poderia alguém com tanta devoção aos ensinos daquele que falou que os inimigos deveriam ser amados, expressou um espírito brando e humilde através de cânticos, mas não só por eles, contestou o uso de força contra as autoridades poderia ser chamada de revolucionário e ativista? Confundir os munsteritas chamando-os de anabatistas seria uma das possíveis respostas.

Referências

Lindberg, Carter. As reformas na Europa. Editora Sinodal: São Leopoldo, 2001.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Felix Manz

Conrad Grebel, George Blaurock e Felix Manz são nomes frequentemente encontrados na história do movimento anabatista na Suíça. Eles foram frequentemente chamados a prestar contas de si mesmos e de suas atividades na presença de autoridades civis.
É de se impressionar a coragem, a firmeza e a profundidade de convicção de Manz, como um jovem de 20 anos. Ele sofreu o martírio antes dos 30 anos de idade. Ele foi o primeiro anabatista suíço a ser martirizado nas mãos dos seguidores protestantes de Zwingli.
Manz era filho de um sacerdote católico “ilegítimo” em Zurique, na Suíça. Ele foi bem educado e se tornou um evangelista entusiasmado que foi fundamental para levar centenas, senão milhares, de pessoas a fé em Jesus Cristo.
Durante sua vida, sofreu muita perseguição e numerosas prisões. Em 1526, ele havia sido condenado à prisão onde devia comer pão e beber água até que ele “morrer e apodrecer”.
Às 3h da tarde, em 5 de janeiro de 1527, foi levado de sua última prisão para ser afogado nas águas frias do rio Limmat, que atravessa o coração da cidade de Zurique. Os esforços de última hora por parte do clero para que ele recuasse foram inúteis. Ele podia ouvir as vozes favoráveis ​​e encorajadoras de sua mãe e seu irmão que ficaram perto da costa. Suas últimas palavras foram: “Em suas mãos, ó Deus, eu recomendo meu espírito”.

Fonte: http://www.anabaptists.org/history/manz.html

MIchael Sattler

Após a morte de Conrad Grebel (1526) e Felix Manz (1527), Michael Sattler foi o líder mais notável dos irmãos suíços. Seu martírio ocorreu apenas alguns meses depois do de Manz.
“Michael Sattler nasceu por volta de 1495 em Staufen, perto de Freiburg, em Baden”. Educado na Universidade de Freiburg, Sattler entrou no claustro de São Pedro perto de Freiburg como um monge, avançando para a posição de prior do claustro. Através de seus estudos das escrituras e, sem dúvida, influenciados pela nova teologia da reforma em circulação, Sattler deixou o mosteiro em 1523 e casou-se com Margareta.
Sattler juntou-se aos irmãos suíços em Zurique, do qual ele foi banido em 18 de novembro de 1525. Trabalhou pela fé em Horb e Rottenburg, em Württemberg, depois indo para Strasburg, na Alsácia. Voltando para Horb e Rottenburg, “em 24 de fevereiro de 1527, Sattler presidiu uma conferência de irmãos suíços realizada em Schleitheim, no Cantão de Schaffhausen. Ele apresentou nesta conferência uma confissão de fé que foi aprovada e adotada sem uma voz dissidente e foi mais tarde impresso sob o título “Bruderliche Vereinigung etlicher Kinder Gottes” (Acordo fraterno de alguns filhos de Deus), como a confissão de fé dos irmãos suíços. A confissão foi considerada importante o suficiente para ser refutada tanto por Zwinglio quanto por Calvino em obras separadas.
Michael Sattler foi capturado pelas autoridades católicas romanas em Horb, tentado em 17 de maio de 1527 em Rottenburg e foi martirizado em 21 de maio de 1527. “Na manhã daquele dia, este nobre homem de Deus, à vista de horrível tortura, orou pelos seus juízes e perseguidores e admoestou o povo ao arrependimento. Ele suportou a tortura desumana estipulada na sentença. Então seu corpo mutilado foi amarrado a uma escada. Ele orou novamente por seus perseguidores enquanto a escada era colocada sobre a estaca. Ele prometeu a seus amigos que lhes daria um sinal da estaca ardente, para mostrar que ele permaneceu firme até o fim, suportando tudo de bom grado por Cristo. O fogo cortou as cordas com as quais ele estava preso, ele levantou a mão dando o sinal para eles. Logo se notou que seu espírito tinha fugido para estar com aquele a quem ele confessou firmemente sob a tortura mais excruciante, um verdadeiro herói da fé”.

Fonte: tradução livre de http://www.anabaptists.org/history/michael-sattler.html

A Essência da Reforma

Para muitos, a Reforma Protestante foi um movimento grandioso que atingiu países europeus na Idade Moderna. Levam em consideração a amplitude e os diversos efeitos que culminaram com o declínio do domínio católico e estabeleceram um novo momento histórico para a Europa. Mas, qual a essência da Reforma?
Acredito que a grande máxima de Lutero responde, sem dúvida, esse questionamento. A busca de alento para o sofrimento da alma pecadora em Lutero é apontado como marco. Através das angústias vivenciadas no claustro, inspiradas pelo anelo de certeza de salvação e pela plena liberdade dos grilhões do pecado, Lutero transmiti-nos as origens e os fundamentos do movimento. Afinal, sua intenção era modificar o quadro interior em trevas e somente pela orientação precisa das Escrituras abandonaria definitivamente aquela circunstância. Sentiu a pura e a celestial orientação quando teve a oportunidade de meditar nas Escrituras e assim poder livrar-se de tão horrendo fardo. O resultado? A descoberta da simplicidade no ensino de Cristo incentivando Lutero a afirmar e a experimentar o texto paulino de que “o justo viverá pela fé!”. Sua reflexão o fez perceber a necessidade de retorno ao sentido primeiro para a salvação que é desprovida de obras e cerimônias, demonstrando, assim, a importância da Bíblia que nos assiste na necessidade fundamental de redenção.
Após o esclarecimento de que “o justo viverá pela fé”, Lutero passou pelo processo de regeneração. A regeneração produz salvação, mas é desenvolvida na efetivação diária da nova vida em Cristo, ocasionando uma visão mais apurada e verdadeira da realidade. Lutero depois de superar seus conflitos passou a ver com maior atenção as sugestões católicas de exploração do povo, afinando a pena para escrever criticamente contra aquelas ações contrassenso e contra Deus. Num primeiro momento não quis romper com a igreja apóstata, quis restaurá-la aos padrões neotestamentários. Por isso, com bom coração tentou ensinar o clero romano sobre a natureza da penitência, uma forma de atenuar sua crítica à venda de indulgências. Fixou na porta de Wittenberg suas 95 teses com a seguinte introdução:

Debate para o esclarecimento do valor das indulgências pelo Dr. Martin Luther, 1517
Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Ademais, no singelo ato do reformador alemão percebe-se explicitamente a mudança de atitude que ele via como necessária, primeiramente para o Lutero indivíduo, pois a reforma do eu vem em primeiro lugar. A segunda reforma era para o coletivo, testemunhando sobre a necessidade de todos buscarem o que o próprio Martinho buscou para uma posterior realização do intento divino na vida interior geral. Não queremos dizer que Lutero acertou em todos os pontos doutrinários, mas sua ação foi um avanço em questão de fé e livre exame das Escrituras.

Infância

Doce tempo inigualável de beleza infinda,
Próprio para um puro coração infantil encantar-se
E sentir sua essência na mais profunda inocência;
Enquanto anelante pelos descobrimentos sem mácula,
Revestido do sentimento de querer viver e ser o que era,
A simplicidade foi-lhe pilar, amparo seguro,
Radiante diante dos caprichos,
Revelando inata e verdadeira sua sinceridade,
Na mesma medida que seu espírito brando e sereno refletiu o brilho da autêntica luz da vida.

Seu olhar curioso perscrutava as brechas da tão ilustre felicidade
A fim de regozijar-se na mais perfeita alegria,
De modo que a quietude do sorriso transmitisse o tesouro anelado encontrado.
Mas, como a ousada imperfeição não se sustém contrariada pela plena satisfação do infante,
Viu-se obrigada a impor seu malfadado desígnio.
Porém, nem agruras nem maldades puderam afetá-lo nem desviá-lo do sumo bem,
Muito embora as dores e os dessabores lhe tenham assolado o peito,
Foram como densas nuvens intempestivas
Sendo dissipadas diante do grandioso poder de ser somente criança. 

F.H.C.S

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Em defesa de Cristo

Estreia hoje em Fortaleza o filme “Em defesa de Cristo”. As salas de exibição previstas para recepcionar os interessados em assisti-lo são:

Cinépolis no North Shopping Joquei, no RioMar Kennedy e no RioMar Fortaleza.

Sinopse
Lee Strobel, um jornalista conservador e linha dura, vivendo os melhores dias de sua carreira: uma premiada reportagem acaba de lhe render uma promoção para editor jurídico no jornal Chicago Tribune. Mas, seu casamento não ia muito bem. Sua esposa, Leslie, se converte à fé cristã indo contra tudo que Lee pensa, como um ateu convicto, a respeito da religião. Utilizando sua vasta experiência com as leis e em jornalismo, Lee começa uma jornada para rebater os argumentos do Cristianismo para poder salvar seu casamento. Investigando a maior história de sua carreira, Lee se vê cara a cara com fatos inesperados que podem mudar tudo que ele acredita ser verdade.
Elenco
Mike Vogel, Erika Christensen, Faye Dunaway, Robert Forster, Frankie Faison, L. Scott Caldwell, Mike Pniewski, Kevin Sizemore, Brett Rice 
Roteiro
Brian Bird 
Produção
Elizabeth Hatcher-Travis, Karl Horstmann, Brittany Lefebvre, Michael Scott, David A.R. White, Alysoun Wolfe 

Direção
Jon Gunn 

Ausbund

O Ausbund é o mais antigo hinário conhecido entre aqueles que professam a fé anabatista, ainda usado como manual de cânticos nas comunidades Amishs dos Estados Unidos. Como documento histórico, consegue transmitir a percepção espiritual dos cristãos da época da Reforma Radical (inserida no contexto da Reforma Protestante) quanto à forma honrosa de proferir um engrandecimento à majestade divina cheia de inspiradas palavras de paixão e piedade. Seu conteúdo traz cinquenta composições de anabatistas conhecidos e reconhecidos pelo zelo às Sagradas Escrituras, como foram Michael Schneider, Felix Manz, Michael Sattler, Hans Hut, Leonhard Schiemer, Hans Schlaffer, George Blaurock e Hans Leupold. A maioria dos hinos foi composta no calabouço do castelo de Passau, lugar preparado para abrigar em prisão anabatistas entre os anos de 1535 e 1540 que se negavam a aceitar o batismo infantil e porque tinham convicções restritas à Bíblia.
A primeira impressão do hinário ocorreu em 1564. Uma dessas preciosidades encontra-se exposta na Biblioteca Histórica Menonita de Goshen College cujo título em alemão é “Etliche schöne christliche Gesäng wie dieselbigen zu Passau von Schweizer Brüdern in der Gefenknus im Schloss durch göttliche Gnade gedicht und gesungen” (Muitas belas canções cristãs que foram escritas e cantadas através da graça de Deus pelos irmãos suíços na prisão do castelo de Passau).
Os hinos mais antigos versam sobre o sofrimento daquele grupo de cristãos, conhecidos como Igreja Peregrina, por viverem em um contexto de aflições e imposições religiosas que contrariavam sua fé simples. Algo digno de ser relatado é que muito embora transmitam suas angústias e tristezas diante da iminente morte eles não abdicavam de guardarem a fé, bem como traduziam nesses escritos sua compreensão sobre a comunhão com o Senhor através do cantar. Apesar do árduo sofrimento, uma das premissas bíblica incorporadas pela aquela gente simples era poder agradecer a Deus por tudo e não terem ressentimentos com esta vida, pois a vida do porvir se apresentava incomparavelmente superior, por isso cantavam: “Ó Deus, Pai, nós te louvamos e tua bondade, nós louvamos...” (canção 131).

Um dos elementos mais empolgantes das letras da hinodia anabatista é a orientação primaz que traz pelos ensinos bíblicos. Logo na primeira música, de autoria de Sebastian Franck, cristãos são elevados a dedicarem-se em espírito e em verdade ao Criador, apegando-se também a oração e a louvar submissos aos ditames dos Salmos. Dentre os assuntos propostos nas demais letras dos hinos estão: a visão anabatista sobre o batismo para crentes confessos, a santa ceia do Senhor, santidade de vida, vida em comunidade e a escatologia bíblica, incluindo neste o último o hino No. 46, “Ain new christelich Lied von der gegenwardig schröcklichen letzten Dagen, em welchen, vil verschieden secten, auffrührerisch und falsche Propheten erschainen, auch blutdirstige tyrannen” (Uma nova música cristã dos opressivos e terríveis últimos dias em que muitas seitas diferentes, profetas rebeldes e falsos e tiranos sanguinários aparecem).

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Banco Santander criticado por promover exposição tida por "promíscua"

O Banco Santander foi alvo de críticas nesses últimos dias em razão de ter promovido a exposição “queermuseu”, tendo como base uma política de defesa dos direitos lgbts. A exposição de pinturas e de imagens com diversos personagens, sendo adultos, crianças, animais e elementos religiosos suas temáticas, foi censurada em redes sociais porque parece que hoje ninguém sabe discernir entre a arte e a indecência. O debate ficou acirrado em razão de alguns quadros fazerem indiscriminadamente apologia à pedofilia, à zoofilia e, mais uma vez, ao ultraje à fé cristã.
O apreciador da arte que se depara com algumas dessas imagens fica surpreso e extasiado procurando onde está a arte (os mais liberais não sentem esse impacto). Algumas imagens são da mais baixa qualidade artística, expressam termos de baixo escalão, não tem expressão de talento ou de uma veia natural para o que pretende ser a arte. Para além dessa crítica, a pretensão da exposição parece ter sido mais uma propaganda lgbt na qual pretende chocar as pessoas que querem viver dentro de sua modéstia e bom senso. Para isso, o banco Santander recebeu quase R$ 1.000.000,00 (Hum milhão de reais), justificado e proveniente das instituições da cultura do governo, fundamentados pela Lei Rouanet, para promover o evento de acordo com sites.
Como esse tipo de manifestação inquietou muitos internautas, a reação foi imediata nas redes sociais nas quais uma série de recomendações foram divulgadas para que clientes do banco repudiassem a iniciativa da instituição e deixassem de ser seus clientes em protesto à exposição. As divulgações da rede foram tão impactantes que o banco Santander se viu obrigado a tirar de imediato a exposição do seu espaço cultural um mês antes do previsto. Para quem acha que isso foi coisa de internauta, até o prefeito Nelson Marchezan, de Porto Alegre, sinalizou contra o que ele chamou de “imagens de zoofilia e pedofilia”.
Alguns meios de comunicação ainda divulgaram que essa reação dos internautas não passa de intolerância religiosa, ocasionando mais uma vez discriminação e homofobia. Entretanto, se eles pensam sob esse viés jamais saberão o que é viver entre os diferentes, pois pelo que vimos nos diversos relatos dos movimentos cristãos não há uma agressão às pessoas que optaram pelo comportamento diferente de sua natureza. Há uma crítica na promoção de conceitos que não são bem recepcionados pelo povo, que de forma geral, confessa a fé cristã e seus valores. O leitor da Bíblia sabe que as práticas promovidas na exposição, tais como sexo grupal, relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, promoção da promiscuidade infantil e o desvio do ser da natureza criada por Deus, são censuradas pela Bíblia, de modo que os cristãos querem e pretendem guardar esse padrão de comportamento. Por que não podem? A guarda do instituto obriga a manifestação de oposição a este tipo de promoção contrariante, visto que há uma política moderna que trabalha insistentemente para incutir um estilo de vida oposto à sua regra de vida.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O ecumenismo nas mãos de Anibal Pereira Reis

Você sabia que a renovação carismática católica foi criada para atrair evangélicos pentecostais para o seio do catolicismo romano?
Você sabia que na década de 60 o clero católico enviou espiões para cultos evangélicos pentecostais a fim de entenderem suas práticas e assim criar um movimento similar dentro do catolicismo?
A grande investida católica estava sendo a busca pelo ecumenismo, através do qual propunha a quebra das barreiras doutrinárias evangélicas para um diálogo de integração para em seguida lhes colocarem submissas e “amigas”. Até hoje, o catolicismo tem tentado muitas igrejas ao enlace ecumênico. Infelizmente, tem alcançado êxito entre algumas. Num passado recente, ouvi de pastores que beijavam a mão do papa em sinal de submissão. Igrejas históricas como as dos valdenses e dos metodistas na Itália abraçaram a ideia e caíram no leito da prostituta das nações.
Por essas razões, aprecio as intenções e o trabalho do ex-padre Aníbal Pereira dos Reis que bravamente abdicou da batina, convertendo-se ao autêntico cristianismo numa igreja Batista e escreveu contra seus dogmas. Seu trabalho foi de desmascarar as más intenções católicas com seus laços e engodos, de modo que suas obras versaram também sobre o assunto ecumenismo. Segue abaixo parte de um desses para demonstrar a percepção e as informações que tinha o referido autor:

João Paulo II, repito pela milésima vez, é o sumo pontífice que o romanismo atual precisava. Veio na hora exata. Sua exuberante atuação e firmada no programa consciente de capitalizar o máximo em todos os espaços (políticos, sociais, financeiros e religiosos). Usufrutuário de prestígio multissecular do cargo de soberano pontífice da mais rica e poderosa religião do mundo, em benefício dela própria, João Paulo II se empenha ao extremo. Sua próxima viagem à Inglaterra, prevista para Agosto deste ano de 1982, visa a respaldar as últimas decisões dos encontros ecumênicos do clero das duas seitas: a vaticana e a anglicana. Com certeza o seu pontificado se assinalara na história do romanismo pela consumação do regresso dos anglicanos e parte dos luteranos ao seio da “santa madre”. Dado o seu desenvolvimento no meio das massas populares o pentecostalismo chamou a atenção da hierarquia vaticanista. Se a manobra do “dialogo” ecumenistizante vem dando certo com os anglicanos, luteranos e ortodoxos, pelo menos de início era inviável e improdutiva com os pentecostalistas. Distinguem-se estes pelo exercício dos “dons espirituais” ou “carismáticos” incentivados na exaltação das emoções. Destarte a hierarquia resolveu penetrar nas áreas pentecostalistas valendo-se de suas próprias práticas. Práticas estas, outrossim, próprias da atuação do clero romanista no decurso de sua existência.
A perspicácia clerical verificou com acerco ser a nação norte americana o lugar mais conveniente para o início de sua atual investida carismática... Começa por aí: para cada empreendimento específico tem o indivíduo específico preparado. Nesta empresa o indivíduo talhado foi o sacerdote jesuíta Edward O’Connor, da Universidade Católica de Notre Dame. Mentor espiritual de Steve Clark e Ralph Martin Keiter, considerando-os adequados instrumentos na sua investida, resolveu usá-los na explosão carismática vaticana tendente a ecumenistizar os pentecostalistas. Colocou-lhes nas mãos, em princípios de 1966, os dois livros: A CRUZ E O PUNHAL, de David Wilkerson, e ELES FALARAM EM OUTRAS LÍNGUAS, de John Sherril. Lendo-os, segundo as previsões de O’Connor, assimilaram sua orientação e passaram a freqüentar “reuniões de poder” dos pentecostalistas. Clark e Keifer, dois leigos católicos engajados nos Cursilhos de Cristandade, o movimento desencadeado pelo clero após o Concilio Vaticano II com o propósito de dinamizar as práticas religiosas entre os fiéis católicos em função do ecumenismo. Comprovaram ambos a sua acertada escolha pelo jesuíta O’Connor pois sentiam as mesmas experiências pentecostalistas influenciados que eram por aquelas “reuniões de poder”. O seu preparo excedeu as mais otimistas expectativas de seu mentor espiritual. Devidamente preparados, portanto, compareceram Keifere Clark, no Outono de 1966, à Convenção Nacional dos Cursilhos de Cristandade, celebrada em dependências da Universidade Católica Duquesne do Espírito Santo, na cidade de Pittsburg, Pennsylvania. Se os relatórios das atividades ecumenistas revelavam progresso em certos meios protestantes, em geral, também demonstravam o fracasso delas nos círculos pentecostalistas. Steve Clark e Ralph Keifer tiveram então a oportunidade de dar seu testemunho de atuação positiva nesses ambientes até então refratários ao “diálogo” ecumenista. Falaram sobre aqueles dois livros pentecostalistas e espalharam exemplares deles a muitos companheiros cursilhistas. À terminada Convenção dos Cursilhos sucedeu um espontâneo (?) encontro de pessoas despertadas pela palavra de Clark e Keifer e interessadas nas novas experiências. O ambiente daquela colina batida por constante brisa forte do Outono facilitou o cenário do pentecostal “vento impetuoso”. As reuniões, por seu turno, criaram o clima psicológico favorável à ocorrência do chamado batismo no Espírito Santo dos moldes pentecostalistas. Com efeito, as manifestações carismáticas não se fizeram retardar. E no ambiente de extrema excitação nervosa predominaram as línguas “estranhas”. Deu-se o início do novo surto pentecostalista nos horizontes romanistas. (1)

Que Deus nos guarde daquela que desviou o Cristianismo do seu sentido primeiro!

(1)  Reis, Anibal Pereira dos. Católicos carismáticos e pentecostais católicos. São Paulo: Edições Caminho de Damasco, 1992, 2ª. Edição.