O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

Comunie

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sábado, 26 de março de 2011

PRELEÇÕES SOBRE A IGREJA

REV. Glauco Barreira Magalhães Filho(Membro do Presbitério Anabatista da Igreja em Fortaleza)
 

1a PRELEÇÃO : A IGREJA VERDADEIRA

“O tempo de silêncio se foi e o tempo de falar chegou” ( Martinho Lutero)

INTRODUÇÃO

Cremos que existe apenas uma igreja orgânica de Jesus Cristo(Mateus 16:18), que pode ser chamada de Corpo de Cristo (I Cor. 12:13). Esta igreja é composta por todos os verdadeiros crentes de todas as congregações locais. Essa é a igreja EM CRISTO.

As comunidades locais (em cidades) também são chamadas de “igrejas”, daí se falar em IGREJAS em uma determinada região, onde existia UMA em cada cidade(Gálatas 1:2). A igreja orgânica, que é una e invisível, tem seus membros entre as igrejas locais e visíveis. A igreja local é a igreja EM UM LUGAR.

Cremos que entre as igrejas locais há aquelas que, apesar de terem pessoas salvas, não seguem o modelo bíblico na doutrina e na prática. A nossa convicção ainda é a de que em cada época existem igrejas que seguem o modelo bíblico, de modo que nunca existirá um período sem o testemunho integral da verdade de Deus através de igreja visível verdadeira.(Mateus 24: 35). Admitir o contrário é proclamar o fracasso de Deus, ou a sua impossibilidade de sustentar aquilo que ele começou.

“...exortando-vos a batalhar pela FÉ que DE UMA VEZ PARA SEMPRE foi entregue aos santos”(Judas 3)

JOÃO 19: 23 e 24

A Bíblia diz que os soldados não quebraram os ossos de Jesus (João 20: 33-36). Isso indicava que o corpo místico de Cristo ( a igreja orgânica e invisível) não pode ser dividida. As divisões denominacionais da cristandade, apesar de lamentáveis, não atingem a igreja invisível.

Nós sabemos que o nosso corpo fica invisível em virtude da roupa que vestimos. Nós podemos conhecer mais ou menos o corpo de alguém pela sua apresentação mediante a roupa. As vestes de Jesus, portanto, representavam a igreja visível. A divisão das vestes de Cristo entre os soldados egoístas representava a triste divisão denominacional que ocorreria em virtude dos homens quererem se apropriar da igreja para si, estabelecendo suas próprias doutrinas. A túnica de Jesus, ao contrário das vestes, não foi dividida, pois não tinha costura e o rasgo lhe retiraria o valor. Aquela túnica era uma túnica de RABI (Mestre) e, portanto, representava a sã doutrina ou o ensino de Cristo. Isso revela que nem o egoísmo humano é capaz de fazer desaparecer a sã doutrina em qualquer período da história humana.

Uma “igreja” que tem uma doutrina parcialmente verdadeira e parcialmente falsa não tem uma parte da sã doutrina, antes, não a tem de forma alguma, pois a sã doutrina não se divide. Esse princípio da unidade já existia na lei (Tiago 2:10). É interessante observar que, no Novo Testamento, quando se fala em ensino errado, menciona-se “doutrinas”(plural), enquanto ao se falar no ensino de Cristo, faz-se referência a “doutrina”(singular).

“...nos últimos tempos ALGUNS apostatarão da FÉ”( I Tim. 4:1).

O versículo acima trata da apostasia. A palavra significa desvio do caminho. Ora, se alguns se desviarão do caminho, isso quer dizer que outros permanecerão nele, ou seja, sempre haverá pessoas no caminho.

GÊNESIS 28: 17 –l9

Notemos aqui que Jacó levantou uma coluna, indicando a presença constante de uma igreja que se mostra coluna e sustentáculo da verdade (I Tim. 3:l5). Jacó derramou azeite sobre ela para indicar que ela não somente é pura na doutrina, mas também avivada pelo Espírito.

Para ficar claro que essa coluna era um símbolo da igreja, Jacó deu ao lugar o nome de BETEL (CASA DE DEUS), mas a Escritura diz que, antes disso, o local chamava-se de LUZ. É da luz da verdade que a igreja surge como coluna e esteio da verdade.

As igrejas devem ter cuidado na escolha de seus pastores, pois eles são elemento imprescindível na manutenção da igreja verdadeira:

“Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido”(I Tim. 4:6).

2a PRELEÇÃO : A MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA BATISTA RENOVADA MORIÁ

“Estaria você pronto a abandonar tudo aquilo que não subsistir ao exame da palavra de Deus – e permanecer nesta posição...e não aceitar nada menos do que isso, mesmo que possa ficar sozinho numa tal posição?” (C. H. MACKINTOSH).

INTRODUÇÃO

“...e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este Reino?”( Ester 4: 14)

Lendo a história de Israel, nós vemos sucessivas apostasias. No entanto, Deus sempre tinha um remanescente fiel, até mesmo nos momentos mais escuros ( I Reis 19:14 e 18). Assim como o reino de Israel foi dividido, mas nunca faltou uma lâmpada de Davi (descendente de Davi para o trono de Judá), assim também na cristandade, por mais que tenham surgido as denominações com suas doutrinas próprias, nunca faltará comunidades guardiãs da sã doutrina.

No século II, o remanescente fiel chamava-se “igreja montanista”. No século IV, a Igreja Donatista era o remanescente. Depois vieram os paulicianos e os valdenses. No século XVI, os defensores da Santa FÉ foram os anabatistas, e no século XVIII, os batistas.

Cremos que a IGREJA BATISTA RENOVADA MORIÁ representa uma manifestação do remanescente em sua época e lugar, ou seja, é a continuidade da igreja apostólica. Isso não significa que sejamos denominacionalistas ou exclusivistas, como alguns caluniosamente alegam. Refutamos a primeira acusação, dizendo que não nos importamos com nomes ou placas, mas sim com a Sã Doutrina, isto é, entendemos que uma igreja em outra cidade (limite bíblico de uma igreja local) que não faça parte da nossa comunidade pode também ser chamada de igreja apostólica, se guardar a doutrina bíblica, bem como estamos dispostos a nos unir com qualquer grupo em nossa cidade que também guarde, na inteireza, a Palavra de Deus, e aqui se revela que não somos exclusivistas.

II CRÔNICAS 34:14-21

“...O Sacerdote achou o livro da lei do Senhor...”(II Crônicas 34:14)

Muitas igrejas, como as da Reforma, nasceram com compromissos políticos que as impediram de examinar as Escrituras com ausência de preconceitos. Outras têm nascido com compromissos denominacionais, levando os “intérpretes” a terem uma interpretação definida antes de interpretarem.

Poderíamos falar de igrejas cujas doutrinas são subordinadas aos caprichos e conveniências de um “pastor-ditador” ou “super-espiritual”, ou ainda, de um “profeta” que tem êxtases.

A Igreja Batista Renovada Moriá não surgiu com compromissos políticos, nem muito menos denominacionais. Não nascemos com “ditadores”, pois adotamos o sistema congregacional de governo eclesiástico; permitimos que qualquer membro tenha iniciativas, inclusive para fundar congregações; as diversas comunidades que compõe a nossa igreja na cidade gozam de autonomia em suas programações e administram suas arrecadações; cremos na celebração congregacional da Ceia do Senhor, pela qual todos partem o pão; temos reuniões em grupos familiares; adotamos um governo plural, ou seja, por um presbitério (vários pastores eleitos pela igreja); enfim não somos um império religioso. Nossa doutrina não é apresentada dogmaticamente, como se tivessem que ser aceitas só porque fulano falou, mas são expostas, de forma persuasiva, com argumentos sólidos nas Sagradas Escrituras. Por termos segurança da irressistibilidade de nossa fundamentação bíblica – Atos 6:10 – não impedimos os nossos membros de visitarem outras igrejas, nem controlamos suas leituras, bem como estamos sempre dispostos ao debate público sobre qualquer tema religioso.

Quanto as manifestações proféticas, nós as julgamos pelas Escrituras, e não as Escrituras por elas. Não fazemos da experiência regra de fé (Col. 2: 18), mas nos submetemos à autoridade das Sagradas Letras ( I Cor. 4:6).

A Igreja Batista Renovada Moriá não nasceu para ser mais uma “igreja”, mas sim, para ser um sinal de luz da verdade. Essa visão ( Moriá quer dizer VISÃO) está em nós desde o princípio.

Eu comecei o meu ministério como um evangelista e pregador itinerante: fundava comunidades e partia para fundar outras, deixando-as aos cuidados de denominações já existentes. Senti, todavia, que era hora de erguer uma igreja que pudesse projetar a inteireza da verdade de Deus e voltar à simplicidade do cristianismo primitivo.

O nosso ensino nasceu da pesquisa exaustiva e despreconceituosa da Palavra de Deus, sendo fruto de noites de leitura e oração intensa. Pela providência de Deus, em nossos estudos de História da Igreja, percebemos que em cada época havia um grupo cristão que guardava doutrina semelhante de outro anterior e a de outro posterior. Descobrimos, então, que havia uma teoria, defendida por estes mesmos grupos, segundo a qual a igreja apostólica tinha se perpetuado desde os dias antigos até hoje. Comparamos as confissões de fé desses grupos com a nossa, e concluímos que ERAM AS MESMAS! ALELUIA!.

Nesses dias de apostasias, ecumenismo, rock “evangélico”, politicagem, comercialização das coisas sagradas, “estrelas” de púlpito e falsos profetas, enfim, nesses dias em que o santo LIVRO estava ENTERRADO, nós o encontramos pela graça de Deus e para a Sua glória, e como o sacerdote em II Crônicas estamos gritando: ACHAMOS O LIVRO!.

A nossa missão é sermos igreja bíblica e apostólica para nossa geração, esforçando-nos para sermos luz para o restante da Cristandade na doutrina e na santidade, mostrando-nos fervorosos na oração e destemidos evangelistas! Que Deus nos ajude!

3a PRELEÇÃO : A IGREJA INDESTRUTÍVEL

Alguns anos antes da Reforma Protestante, surgiu um movimento intelectual denominado Renascentismo, o qual pregava uma volta aos escritos dos antigos filósofos e intelectuais da Antigüidade Clássica, cuja leitura havia sido limitada pelo catolicismo medieval, implantador da “Era das Trevas”. O Renascentismo, além de incutir no povo a idéia de retorno, trouxe também o espírito crítico. Sem dúvida, esse movimento foi, de certa forma, uma permissão da providência divina para dar suporte a Reforma Protestante com a sua pregação de retorno ao padrão bíblico da igreja primitiva, bem como para encorajar a crítica contra a hipocrisia da Igreja de Roma.

Acontecida a Reforma, houve uma surpresa. Grupos evangélicos que sobreviveram à perseguição medieval do catolicismo, e que estavam escondidos, apareceram em cena. Esses grupos que foram chamados de “anabatistas”, mas que em cada época tinham um nome peculiar em função de seu principal líder, não eram uma tentativa de retorno à Igreja Primitiva, mas a PRÓPRIA Igreja Primitiva.

Quando Constantino, imperador romano, uniu a Igreja Cristã ao Estado, formando a apóstata Igreja Católica Romana no século IV, os cristãos fiéis ficaram fora dessa união adúltera, sendo conhecidos, então, por cátaros (puros) ou donatistas, e, posteriormente, por anabatistas. Esses cristãos, em minoria, conseguiram sobreviver durante toda a Idade Média sob diversos nomes, apesar de toda a perseguição de Roma. Na época da Reforma, pensava-se que eles já não existiam, quando eles repentinamente apareceram.

Os anabatistas ou radicais, durante a Reforma, foram perseguidos não só por católicos, mas também pelos próprios protestantes de quem eles esperavam apoio. Os protestantes não levaram a Reforma até o fim, porque queriam obter o apoio dos príncipes, enquanto os anabatistas ensinavam que os crentes não deveriam se envolver em política e em juramentos de lealdade à impérios terrenos, bem como não deveriam guerrear.

Importa lembrar que, durante a Reforma, surgiram muitos grupos fanáticos que alguns associam com os anabatistas, mas que nada tinham a ver com eles.

Da época da Reforma(século XVI) até o século XIX, houve entre os crentes muita pesquisa bíblica para descobrir qual era a igreja que correspondia ao Novo Testamento. Muitos livros foram escritos sobre esse assunto, principalmente, pelos batistas. Muitos acharam a igreja bíblica. Infelizmente, hoje, há uma negligência geral quanto a busca da igreja bíblica. Muitos não estão dispostos a comparar suas doutrinas com a Palavra de Deus, sendo prisioneiros de sua tradição religiosa, enquanto outros cinicamente alegam: “toda igreja tem erros”. Ora, isso é verdade no sentido de que toda igreja tem homens que podem errar no seu proceder, mas não é correto no sentido de que toda igreja deva ter heresias, doutrinas espúrias e apostasias, pois a Bíblia condena essas coisas.

Ainda existem aqueles que, em vez de voltar à Bíblia, dizem que esta está ultrapassada e que Deus tem novas revelações ao seu povo para hoje acerca de doutrina e prática. Deus tenha misericórdia!

Meu querido leitor, estude a Bíblia e confirme as suas conclusões sinceras, examinando a história da igreja, pois serão as mesmas dos anabatistas, e depois siga a IGREJA DO NOVO TESTAMENTO, pois será essa a ordem do Espírito Santo:

“E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti: Este é o caminho, andai nele...”(Isaias 30:21)

Aos batistas, também falo: não se considerem a igreja do Novo Testamento simplesmente por serem descendentes dos anabatistas, pois estes não se envolviam em política, nem em guerras, nem em juramentos. As suas mulheres não se adornavam e, ainda, eles criam no batismo no Espírito Santo e nos dons espirituais, coisas que a maioria dos batistas já abandonou.

“E não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por pai a Abraão, porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”(Mateus 3:9)

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