O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Prosperando através da aprovação de Deus

Escrever sobre o assunto prosperidade, no presente tempo, tem se tornado difícil. Principalmente porque, vivendo em uma época materialista, muitos cristãos estão se envolvendo com aquilo que a Bíblia diz ser contrário à vontade de Deus.

Tendo em vista o esclarecimento de algumas verdades bíblicas, quanto ao tema acima citado, iremos analisar alguns pontos procurando esclarecê-los à luz da Palavra de Deus.

Boa parte dos que professam a fé evangélica tratam seus bens como algo primordial, sem dar, lamentavelmente, seu devido valor espiritual, o que é prejudicial a nossa comunhão com Deus. Os meios que utilizaram para adquirir seus bens e o pão de cada dia foram, horrendamente, distintos daqueles que preceitua a Palavra de Deus. Formularam conceitos para justificarem suas ações e com isso denegriram os ensinamentos bíblicos. A importância dada ao trabalho honesto como uma possibilidade de ter prosperidade foi desconsiderada. Estes evangélicos preferem meios menos fatigantes para conquistarem seus ideais e, ainda ousam dizer que contam com beneplácito divino quando utilizam-se de certos artifícios perniciosos, tais como: premiações lotéricas, agiotagem, ganhos fraudulentos, etc.

A Bíblia condena acentuadamente o trabalho desonesto: Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte (Pv 21:6), da mesma forma que censura o apego demasiado ao ganho financeiro: Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. (I Tm 6:10b). Ora, alguém que foi levado por tal vento de iniquidade certamente esqueceu-se da bondade de Deus, não creu que pelos meios corretos Deus o abençoaria dando-lhe pelo menos o sustento para sua vida. Agindo desta maneira manifestou mais uma forma de desonrar ao Senhor. As Escrituras, porém, ensinam àqueles que querem viver agradando a Cristo de modo diferente: Quando, pois, tiveres comido, e fores farto, louvarás ao SENHOR teu Deus pela boa terra que te deu. Guarda-te que não te esqueças do SENHOR teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno (Dt 8:10-11).

Questionando um pouco mais sobre a prosperidade perguntamos: Seria permitido ao crente ter abundância material? Qual o objetivo em tê-la? E de que maneira adquiri-la? Antes de respondermos as perguntas, lembremo-nos que as riquezas nos expõem a várias tentações (I Tm 6:9) e o cuidado com elas é indispensável. Vejamos: durante muito tempo, principalmente na Idade Média, conceituou-se como simplicidade de vida por alguns grupos da sociedade, a abstinência plena das riquezas e dos bens materiais, contestando assim radicalmente a tese bíblica: E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía (Jó 42:10). Vemos aqui que Deus fez prosperar seu servo Jó. Não contestamos a isso! Deus manifestou algum propósito naquela situação. Mas, por outro lado, muitos influenciados pelo pensamento anterior, talvez, professam indelicadamente e sem discernimento, que nenhum rico poderá entrar no Reino de Deus. Todavia, a Bíblia instrui-nos da maneira correta acerca deste assunto. Dela retemos o aprendizado que coopera com a prudência e que nos faz responder esta afirmativa da seguinte maneira: Deus concede a determinados cristãos enriquecimento, para que estes disponibilizem seu capital e invistam na seara do Mestre.

Sermos prósperos é sinal, inicialmente, de muito labor: Quem muito semeia muito ceifará. A dedicação ao ofício que dignifica o homem possibilita ou não o aumento de seus haveres. É algo também que enriquece a auto estima, e nos ajuda saber que somos capazes de servir a Deus com a mesma força na sua seara (Jz 6:11-14). Lendo o livro de Eclesiastes vemos que Salomão faz alusão similar ao nosso pensamento: Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer que sua alma goze do bem do seu trabalho... (Ec 2:24a). O Pregador faz também menção ao fato de ser Deus aquele que derrama sua benção sobre o trabalhador: ...Também vi que isto vem da mão do Senhor. (Ec 2:24b). Isto é um dom de Deus (Ec 3:13). Aquele que muito trabalha conscientemente e aplicando bem seus recursos, calculando seus gastos, terá oportunidades de progredir. É claro que a mão do Senhor determinará o seu benefício. Cotton Mather, não apelando para o mérito humano, e com o mesmo parecer do movimento puritano, certa vez afirmou: Em nossas ocupações estendemos nossas redes; mas é Deus quem coloca tudo o que vem nelas.

Por um outro lado, o trabalho imprudente, dará sobras de cansaço e um fardo elevado. Aliás, exortando-nos sobre este aspecto Salomão ainda nos orienta quando diz: Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito (Ec 4:6). Sendo bem realista o escritor suscita-nos a enxergar a provisão segura ao invés da opressão do trabalho. Por isso, irmãos, deixem de lado preocupações que servem somente para cauterizarem a fé, pois elas só turbam os corações que por vezes já estão enfadados. Tal desejo imoderado nada mais é do que pura vaidade.

Se por um equívoco alguém disser que seu trabalho não lhe proporciona condições de ter abundância material, não julgue tal situação como se Deus estivesse colocando-o como cobaia para usá-lo sem propósito. Glorifique a Deus pelo pouco que Ele concedeu: Em todo trabalho há proveito... (Pv 14:23a). Quem sabe se a tua condição espiritual não te permite ter muitos benefícios materiais. Não afirmo, todavia, que para qualquer crente ser próspero tem que estar pleno espiritualmente, nem estou afirmando que todo aquele que está no cume da espiritualidade pairará sobre ele a promessa de prosperidade. Se você possuísse muitos bens será que a relapsia e a insensibilidade a Deus não falariam mais altas em tua vida? As riquezas segundo o propósito de Deus são boas, mas envolvem uma espiritualidade sem igual. Requer do homem vigilância e prudência para não ser por elas enganado.

Vejamos o exemplo de Jacó e como Deus abriu-lhe as portas com tantas bênçãos. Na casa de Labão, seu tio, Deus era com ele. Não existia um sentimento descomedido naquele homem. Ele sabia por que estava ali, fazia sua parte com afinco e dedicação. Agora, os propósitos divinos caíram sobre o patriarca. Pela providência de Deus, Jacó seu servo, prosperou e alicerçou a nação que posteriormente ficaria conhecida como Israel.

No entanto, não confundamos a benção de Jacó no Antigo Testamento, pois havia uma promessa específica voltada para a nação israelita com fins de bênçãos materiais: Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia. (Dt 8:18). Houve necessidade de prosperidade, tendo em vista a edificação do povo como nação.

Há porém, quem julgue tal promessa como sendo de direito também dos bem-aventurados do Novo Testamento. Contudo, não nos deixemos levar pelo pensamento daqueles que afirmam ser obrigatório ao crente ser próspero. Se não for, os predicantes desta doutrina sugerem a presença de problemas com pecados e envolvem as pessoas em uma situação tenaz. Com esta imposição amedrontam seus adeptos e, certamente não terão os efeitos que julgam ter. Pessoas perdem a oportunidade de estar em paz de espírito devido a ansiedade de quererem possuir bens em abundância.

Lembro-me de Paulo quando escreveu aos crentes em Filipos e deixou-nos claro o cuidado que aquela igreja tinha com ele. Por que? O apóstolo encontrava-se em duras privações materiais: Muito me regozijo no Senhor pois finalmente renovastes o vosso cuidado a meu favor... (I Tm 4:10a). O santo ministro de Deus foi um mestre, com fé inabalável foi arrebatado até o céu onde teve visões celestes, mas mesmo assim passou necessidade. A Igreja dos filipenses o acolheu sendo seu auxílio naquele momento. Mas Paulo foi ainda mais objetivo: passou frio, cansaço, fome, perseguição... Mas como um eleito de Deus pôde dizer: Posso todas as coisas naquele que me fortalece. (Fl 4:13). E o que diriam os doutrinadores da prosperidade diante da vida de Paulo? Será que Paulo estava mal espiritualmente? Ou estava encobrindo algum pecado? É algo que gostaria de ouvir dos que defendem estes princípios.

A razão da nossa vinculação da prosperidade à vontade de Deus é encontrada no Salmo 127:1-2, que diz: Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil nos será levantar de madrugada e repousar tarde, comer o pão de dores. O Senhor é que dá aos seus amados o sono tranqüilo. A fonte é Deus. Sem ele não se produz de maneira adequada. Não tentemos, pois, realizar as coisas forçosamente, sem a iluminação do alto.

Na louca investida, muitos ainda, querendo possuir muitos proventos, acabam enveredando por outros caminhos. Um deles é apostar na sorte, ou noutras palavras, jogam com bilhetes de apostas em loterias, sorteios, etc. Existe um grande número de crentes que defendem tal idéia, porém, sinto em dizer: estão à deriva. Dizem que se ganharem algum prêmio beneficiarão a Igreja. Mas será isto bom? Relacionar ganhos típicos do mundo ímpio com a Igreja que deve ser pura e imaculada? Acredito que nossos candidatos a milionários, julgando-se futuros agraciados, mal percebem que são profundamente desinteressados pela Palavra de Deus e expõem-se a um testemunho de falta de fé. Quem é aquele que diz confiar em Deus e logo apela para meios gananciosos, mundanos e egoístas, senão aquele que não crê no Fiel Galardoador? Mas os cuidados deste mundo e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entretanto, sufocam a Palavra e ela fica infrutífera. (Mc 4:19).

Sorte no Antigo Testamento

O argumento que tenta justificar as apostas nestas jogatinas mundanas é quase sempre o mesmo. Busca-se no Antigo Testamento “motivos” para tal prática. Todavia, com argumentos que não têm ligação com o sentido em que são aplicadas. Um dos raciocínios mais utilizados é o da divisão territorial de Israel descrita em Números 26:55-56. O versículo diz: Todavia a terra se repartirá por sortes; segundo os nomes das tribos de seus pais a herdarão. Segundo sair a sorte, se repartirá a herança deles entre as tribos de muitos e as de poucos. “Ora”, dizem eles, “Se Deus separou por sortes a bênção de cada tribo, nós também poderemos receber a nossa semelhantemente”. Vamos apreciar paulatinamente o assunto até chegarmos a uma conclusão. Primeiramente, argumentaríamos o fato de haver uma situação justa. Todas as tribos seriam beneficiadas: a cada uma caberia a sua herança, segundo os que foram deles contados (Nm 26:54). Ao contrário do que acontece nos jogos de azar, quando uma ou poucas pessoas são premiadas.

Para entendermos uma segunda contra-argumentação, verifiquemos a intenção do Senhor Deus. Ele já havia determinado que as doze tribos seriam beneficiadas na divisão, ou seja, todas elas receberiam a herança pela promessa. Ora, se assim foi não seria inconsistente dizermos que a sorte serviu apenas para apontar o lugar, segundo a vontade de Deus, onde os grupos israelitas deveriam estabelecer-se. Era uma porção de terra que já havia sido demarcada pelas vitórias e conquistas dos judeus.

Uma terceira resposta seria dizer que, o texto citado acima, não se refere aos jogos e, não faz alusão a este tão encantado meio de “ganhar” dinheiro. Onde está então, o fundamento para sabermos que devemos apostar? Levemos em conta que a necessidade do sorteio foi para possibilitar ao sacerdote imparcialidade. Se ele dissesse que os da tribo de Levi, por exemplo, ficassem com as melhores porções de terra isto não nos faria imaginar que tal escolha ocasionaria muita confusão e o homem de Deus seria acusado de beneficiar determinadas tribos? A mesma coisa acontece em Levítico 16:5-10: E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para holocausto ...E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo SENHOR, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo SENHOR, e o oferecerá para expiação do pecado. Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o SENHOR, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário. Para evitar queixas e reclamações, Deus ordenou que assim se fizesse para estabelecer sua vontade ou do contrário o povo reclamaria de sua oferta. Uns, certamente, diriam que prefeririam que sua oferta tivesse sido considerada de uma maneira e não da que foi sugerida pelo sacerdote. Geraria contendas e facções. Consideremos, também, algo de suma importância: o povo não tinha o Espírito Santo, permanentemente, para que escolhesse e aceitasse tal oferta por inspiração do alto. Eis aqui mais um motivo para a ação de Deus. Mas não pensemos que se Deus permitiu naquele tempo permitirá hoje esta prática. Noutra ocasião, no tempo do profeta Miquéias, nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, o povo achou que toda e qualquer determinação de Deus seria conhecida através do lançamento de sortes. Errado! Deus reprovou e mostrou que não aceitava aquilo quando inspirou Miquéias a falar, e este lhes disse: Portanto, não terás tu na congregação do SENHOR quem lance o cordel pela sorte (Mq 2:5).

Sorte no Novo Testamento

Um outro caso que suscita questionamento é o da escolha de Matias como apóstolo. Aquele homem, que afirmo ter sido um servo exemplar (At 1:21-23), foi escolhido por sortes (Atos 1:26). Porém, procuremos discernir bem aquele fato. O que encontramos claramente na Bíblia é que Matias não foi considerado apóstolo por Deus, antes o próprio Senhor Jesus apareceu a Paulo (Saulo de Tarso) incumbindo-o do ministério. Deus não aceitou Matias como ministro por que a sorte, aos moldes do Velho Testamento, não determina mais a vontade de Deus no Novo Testamento: A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação (Pv 16:33). Antes, o lançar sortes tem uma conotação insinuantemente maligna e mundana nesta era da graça. Quando Jesus estava na cruz, o que fizeram com sua vestimenta? E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes (Mt 27:35). Seria difícil de entender que houve um desrespeito tremendo na atitude dos guardas romanos? Colocaram algo de tão valioso, a túnica de mestre do Filho de Deus, como um objeto vulgar, tornando sem valor, fazendo o que? Lançando sorte! Isto, meu caro leitor, não é prática da Igreja pura, mas de um povo mundano. Mas, não é só na Bíblia que encontramos objeções a sorte. Até bem pouco tempo as leis brasileiras condenavam os jogos como vemos no art. 50 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941) e o art. 58 do Decreto-Lei nº 6.259, de 10 de fevereiro de 1944 — ambos os dispositivos apenavam os que praticavam os jogos de azar em geral e do jogo de bicho em particular.

Ora, se a sorte lançada ao acaso não for falta de fé em Deus, então, o que será? A Bíblia ensina-nos que somos reino e sacerdotes de Deus (Ap 1:8). O coração do crente está apto a ouvir a voz de Deus e dele receber instrução por graça e luz para resolução de problemas financeiros e quaisquer outros. O crente deve ter sua vida centralizada em Cristo, confiando n’Ele, nas suas promessas, reconhecendo a provisão divina: Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós (II Co 1:20). Levando em consideração a instrução de Salomão, rei israelita, que diz: A riqueza de precedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará. (Pv 13:11). Para que, então, perder tempo esperando o improvável se podemos lançar mão no arado e comermos com o nosso próprio suor, o que é virtuoso e louvável? Ainda, se a Igreja não foi achada jogando em cassinos, fazendo apostas ou marcando bingos em nenhuma ocasião, quando da sua formação, como então achar cabível tal posicionamento hoje?

O trabalho, sabemos, é algo agradável aos olhos de Deus. O próprio Senhor Jesus disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também (Jo 5:17). O nosso labor, dependendo de nossa situação espiritual, nos condicionará a termos abundância. Lembro que não é obrigação divina dar recursos em abundância por você está bem espiritualmente. Tal situação virá segundo o querer de Deus.

Sobre a Usura

Há também quem queira progredir às custas do trabalho dos outros. Não me refiro àqueles que tem empregados, antes, refiro-me àqueles que emprestam dinheiro com usura, isto é, os agiotas. Os tais especulam sobre os fundos concedidos com fins de obterem lucros exorbitantes. Não culpo somente o onzenário pela torpeza, mas também àqueles que vão até eles, confinando às vezes até a alma. A Bíblia admoesta-nos sobre esta prática, e diz: E, quando teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás, como estrangeiro e peregrino viverá contigo. Não tomarás dele juros, nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por interesse (Lv 25:35-37). Não está correto negociar com o dinheiro desta maneira. Podemos perceber qual deve ser a prática do genuíno cristão pelas palavras de Jesus: ...emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo... (Lc 6:35). Devemos ajudar àqueles que de fato precisam. Não incentivo ninguém a ajudar àqueles que não querem trabalhar, ficando por aí dependendo sempre de um e de outro. Jesus apregoou a termos cuidados e socorrer os sinceros carentes. Observando melhor os fatos, vemos o quanto há de opressão neste jogo de empréstimos a juros. As pessoas ficam angustiadas por verem seus débitos dia após dia crescerem, enquanto que os usurários deleitam-se e folgam-se pela multiplicidade do seu dinheiro. Estamos de comum acordo com o Livro dos livros quando aprendemos que nossos bens ou dinheiro podem ser usados sem tamanho desamor: Não dando o seu dinheiro à usura, e não recebendo demais, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem (Ez 18:8). Uma exortação ao povo de Deus é jamais usar deste método para viver: Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporeis usura (Ex 22:25). Prova o nosso temor a Deus e nosso amor para com o próximo. Quem tem isto como meio de trabalho deverá colocar em dias suas contas com Deus, pois você é mais devedor d’Ele, por conta disto, do que a soma daqueles que estão em débito contigo.

Conclusão

Àqueles que tornaram-se ricos neste mundo a custa de muito labor e dedicação, sem enveredar pela injustiça, a Bíblia tem uma exortação: Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos (I Tm 6:17). E, ainda: Aquele que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem (Pv 11:28).

Deus determinará prósperos aqueles que Ele quiser. Não será uma fatalidade, e sim conseqüência de muito trabalho, e assim valorizaremos e faremos melhor uso daquilo que Deus nos concede. E sendo bem sucedido, o crente pode ter um estilo de vida simples (I Tm 6:7-10, Mt 8:20). A única coisa que mudará será a condição de disponibilizar seu patrimônio em prol do reino eterno ou ao auxílio comum, o que concorda com um pensamento que diz: O dinheiro não pode subir aos céus, mas pode realizar coisas celestiais na terra. Não necessitamos, obrigatoriamente, dar, vender ou desfazer-nos de nossos bens para podermos servir a Deus convincentemente. Servir a Deus, com os bens, consiste em entregar tudo nas mãos d’Ele, afinal de contas Ele é o dono de tudo (Êx 19:5-6, Sl 24:1 e Ag 2:8), e deles sermos apenas um mordomo bom e fiel.

Pastor Heládio Santos
Membro do Presbitério Anabatista da Igreja em Fortaleza

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