O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

sábado, 9 de abril de 2011

O CRISTÃO E A APARÊNCIA EXTERIOR

Carlos Alberto Figueiredo Júnior


“Eu vos envio como ovelhas ao meio de lobos. Portanto sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” Mat 10:16

O presente estudo se propõe a resgatar a antiga doutrina da modéstia cristã, que hoje tem sofrido tantos ataques de pastores liberais. Para isto serão usados textos do Velho e do Novo Testamento.

Podemos observar em nossos dias que as igrejas evangélicas têm sido invadidas por uma onda de liberalização, no que diz respeito ao uso de adornos, roupas e cortes de cabelo. Os crentes, que antes se diferenciavam dos descrentes pela simplicidade e decência do vestuário, bem como ausência de atavios, hoje já começam a relaxar no cuidado, alegando que “ Deus só quer o coração”. Sabemos que a entrega do coração é de suma importância, sendo indispensável à conversão, mas o Senhor quer muito mais do que isto. Ele quer dominar por completo todas as áreas de nossa vida, inclusive a nossa maneira de vestir. Este ensino se encontra corporificado em Rom 12:1, onde Paulo roga aos fiéis que apresentem seus corpos a Deus, bem como em I Tess 5:23 ao desejar que Deus santifique o espirito, alma e o corpo dos crentes de Tessalônica.

Ao contrario do que muitos têm dito, Deus requer do homem uma completa conversão, que começa com uma transformação interior, de longe a mais importante, mas que acaba por refletir-se também no exterior, o que inclui sua maneira de vestir, adequando-se aos padrões bíblicos. Jacó foi exemplo de servo de Deus que entendeu corretamente que a conversão extrapola os limites internos da alma, atingindo também a aparência exterior. Vemos isto ilustrado na passagem de Gen 35:1-4, onde Jacó ordena à sua família e aos demais que os acompanhavam que se purificassem e mudassem suas vestes, ao que o povo atendeu, livrando-se também dos brincos que traziam nas orelhas.

Existem dois princípios básicos que norteiam o procedimento dos servos de Deus no tocante a aparência exterior: o princípio da simplicidade e o princípio da diferenciação.Tomemos primeiramente o princípio da simplicidade, expresso no versículo já citado do evangelho de Mateus e também presente na primeira epístola de Paulo a Timóteo: “ Quero que, do mesmo modo, as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos dispendiosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.” I Tim 2:9,10. Notamos neste versículo que Paulo exorta as mulheres cristãs a usarem trajes simples, dispensando qualquer ostentação através do uso de adornos exteriores. Aqui também são condenados os trajes indecentes (que equivalem hoje aos transparentes e decotados, os quais expõem o corpo da mulher à cobiça dos homens), pois Paulo fala da necessidade de decoro(decência) nas vestimentas.

O uso de atavios é condenado não somente no Novo, mas também no Velho Testamento, senão vejamos: “ Pois o Senhor tinha dito a Moisés: dize aos filhos de Israel: És um povo de dura cerviz. Se por um momento eu subir no meio de ti, te consumirei. Tira, pois, de ti os atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer. Então os filhos de Israel se despojaram dos seus atavios, ao pé do monte Horebe.” Ex 33:5,6. A única exceção se dava na cerimônia de casamento, quando era costume a noiva usar jóias.( Is 61:10).

Os enfeites eram tidos na época do Velho Testamento como símbolos de luxúria e prostituição, sendo um costume herdado pelo povo de Israel na época em que habitou no Egito. “ Também te despirão os teus vestidos, e te tomarão as tuas jóias de adorno. Assim farei cessar em ti a tua luxúria e a tua prostituição, iniciadas na terra do Egito. Não levantarás os teus olhos para eles, nem te lembrarás mais do Egito.” Ez 23:26,27. ( Ver ainda Pv 7:10 e Apoc 17: 1-5.). Nos dias de hoje este costume ainda é verificado, pois as prostitutas modernas continuam apreciando bastante os enfeites, ao ponto de não podermos imaginar uma prostituta sem atavios.

O uso de pinturas também é associado à prostituição na Bíblia Sagrada. Jezabel, a famosa perseguidora dos profetas de Deus, é o símbolo típico de mulher que usava pintura.II Reis 9:30 e Apoc 2:20 ( Ver ainda Ez 23:40-49).

Pedro, em sua primeira epístola universal , ensina que o enfeite da mulher fiel a Deus não é o exterior, mas sim o interior: “ A beleza das esposas não seja o enfeite exterior, como o frisado de cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas a beleza interior, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que é precioso diante de Deus. Pois assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus...” I Pe 3:3-5. Aqui Pedro não está se referindo a uma simples questão cultural, como alguns dizem, afirmando que este conselho se aplicava apenas àquela época, não sendo mais válido em nossos dias. Ao afirmar que o enfeite deve ser o interior e não o exterior, Pedro alcança todas as épocas e culturas, por mais remotas que sejam, pois aqui ele não trata de uma questão cultural especifica, mas sim de uma ética comportamental universal. Também o argumento que diz que a regra só se aplica à época da Igreja Primitiva é fraco, pois o mesmo apóstolo afirma que desde há muito a simplicidade é característica das mulheres santas: “Pois assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus...”. Vê-se assim que este principio bíblico se estende e é aplicado a distintas culturas e épocas, inclusive aquela em que vivemos.

Aqueles que defendem o uso de atavios freqüentemente lançam mão de versículos do Antigo Testamento referentes ao uso de anéis, colares e outros adereços. Poderíamos citar aqui o caso do anel e do colar dados a José (Gen 41:42). No entanto, José não optou por usá-los como enfeites em momento algum, mas tão somente aceitou a oferta de faraó. Além do que estes itens tinham como função não embelezar José, mas antes diferenciá-lo na função em que o soberano máximo do Egito acabara de estabelecê-lo. Seria o equivalente hoje à faixa presidencial ou ao uso de roupas brancas pelos profissionais da área de saúde. Outras passagens com referência a objetos de adorno também são citadas, como Pv 1:9, mas que tão somente ilustram simbolicamente a preciosidade destes objetos, usados metaforicamente para ilustrar a preciosidade de coisas subjetivas, tais como a instrução dos pais, como é o caso do versículo referido anteriormente.

O segundo princípio que orienta o cristão no trato com a aparência exterior é o da diferenciação, o qual é inato ao ser humano e jaz no seu subconsciente desde a mais tenra idade, pois foi nele incutido pelo próprio Deus: “CITAR AQUI GEN 1:27”. A sociedade corrompida tem tentado de muitas maneiras desconsiderar esta característica da criação divina. Particularmente os grupos de homossexuais e feministas têm tentado ao longo dos anos abafar as diferenças entre os sexos, e muitos têm aderido ao seu desvio.

O referido princípio se encontra exposto claramente no livro de Deuteronômio: “ A mulher não usará roupa de homem, nem o homem roupa de mulher, pois quem faz tal coisa é abominável ao Senhor teu Deus.” Dt 22:5. Aqui Deus considera abominação o uso de traje peculiar ao outro sexo. Vemos assim que o Senhor quer diferenciação no vestir, de forma que seja possível distinguir se uma pessoa é homem ou mulher pelo traje que veste. O mesmo princípio se aplica ao tamanho do cabelo. Paulo chega a afirmar que a própria natureza ensina que o cabelo da mulher deve ser maior que o do homem. ( I Cor 11:14,15)

É importante notar que a Bíblia exige do fiel à Deus a simplicidade na aparência, mas permite e até estimula o cuidado com uma boa aparência, o que não implica no uso de atavios. O caso de Ester é ilustrativo disto. No segundo capitulo do livro de Ester menciona-se o uso de cosméticos, bem como de óleos e especiarias na preparação de jovens virgens para cerimônias especiais. O próprio Jesus foi ungido com um bálsamo precioso (Mt 26:6-13).

A sociedade em que vivemos perdeu os referenciais de diferenciação. As mulheres atualmente vestem calça comprida e tosquiam o cabelo como homem, ficando completamente descaracterizadas. No entanto, frente aos apelos tentadores do presente século, as mulheres santas devem zelar pela diferenciação de trajes, conservando a decência e a simplicidade cristãs. A simplicidade, característica de Jesus e de seus seguidores através dos tempos deve permear a mente e o coração de todo fiel a Deus. Satanás foi o primeiro a se envaidecer devido à sua beleza (Ez 28:17), e uma vez corrompido em sua vaidade, quis usurpar o trono do Todo-Poderoso, pelo que foi precipitado na terra e agora tenta o coração dos homens para que cometam o mesmo pecado. No entanto, Jesus afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra a verdadeira Igreja, a qual sempre guardou e sempre guardará na íntegra a Palavra de Deus.

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