O Jornal Tocha da Verdade é um periódico trimestral independente que tem como objetivo resgatar os princípios cristãos em toda sua plenitude. Com artigos escritos por pastores, professores de algumas áreas do saber e por estudiosos da teologia buscamos despertar a comunidade cristã-evangélica para a pureza das Escrituras. Incentivamos a prática e a ética cristã em vistas do aperfeiçoamento da Igreja de Cristo como noiva imaculada. Prezamos pela simplicidade do Evangelho e pelo não conformismo com a mundanização e a secularização do Cristianismo pós-moderno em fase de decadência espiritual.

Comunie

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sábado, 9 de abril de 2011

A vida vencedora de A. B. Earle

O que o fez vitorioso na vida cristã? Se você tem sede de um ministério frutífero, se quer ajuntar tesouros espirituais, que jamais serão consumidos eternidade afora, eis a resposta!


Quando lemos que um homem de Deus teve 150.000 decisões nas suas conferências; que ele pregou 19.870 vezes numa época bem mais difícil do que a nossa, há um desejo ardente de conhecer mais de perto a vida deste atalaia e como ele conseguiu as bênçãos divinas sobre seu ministério. Não há espaço aqui para relatar tudo que este pregador batista conta da luta que atravessou em busca de uma vida de poder no serviço do Mestre. Daremos alguns trechos escritos por ele mesmo:

"Há dez anos atrás, comecei a sentir um indizível anseio pela plenitude do amor de Cristo. Experimentava muitas vezes quadras de grande alegria, de imensa paz em Cristo e no Seu serviço glorioso. Amava o trabalho do ministério, mas sentia uma insatisfação íntima, um vazio na alma. Às fases de alegria sucediam-se as de tristeza e dúvida.

Muitos cristãos ansiosos vinham a mim, queixando-se da mesma maneira. Como poderia ajudá-los neste ponto, quando eu não sabia como proceder em meu próprio benefício? Induzia-os a ler o capítulo sete de Romanos e a exclamar como o apóstolo: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" Estava naquela encruzilhada e supunha que devia viver e morrer ali.

Nesse estado de coisas, fiquei exposto a duras provações e ataques do inimigo. Tomei fortes e repetidas resoluções, porém não pude mantê-las. Então procurava e encontrava novamente o perdão, e era feliz, e dizia: "Oh, pudesse eu gozar essa paz ininterruptamente!" Entretanto, uma palavra, uma atitude, um pensamento incoerente bastava para afugentá-la.

Assim vivi por muitos anos ora feliz na minha experiência cristã, ora repousando serenamente. O Senhor me concedeu a ventura de conquistar almas e me concedeu o privilégio de muitas horas de doce comunhão com o meu Salvador. Entretanto, estava insatisfeito, desejava um descanso permanente.

Muitas vezes lia as preciosas palavras do Mestre: "Se vós estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo que quiserdes e vos será feito". Gostaria de estar nessa gloriosa situação, mas não sabia como. Oh, se alguém pudesse ensinar-me o caminho do descanso em Jesus!

Por fim, compreendi que a questão no meu caso era a seguinte: Poderia um cristão imperfeito descansar plena e constantemente num Salvador perfeito, sem condenação?

Retive esta inquirição na mente por um longo tempo. Lia, tanto quanto possível, sobre as experiências daqueles que viviam mais perto de Cristo.

Quando cheguei à conclusão de que Cristo pode outorgar a plenitude do Seu amor a todos os Seus servos continuamente, disse: É desta ventura que careço; anseio por ela; não posso, verdadeiramente representar a religião sem essa plenitude, e Cristo não poderá ser glorificado por mim se eu não a obtiver.

Assim, pois, deliberadamente resolvi, com o auxílio do meu Redentor, conseguí-la por qualquer sacrifício, compreendendo quão longe da semelhança de Cristo eu estava, e desejando saber quanto me era exigido para atingir essa estatura.

Tomei um caderno ao qual chamei LIVRO DE CONSAGRAÇÃO e, calma e solenemente, de joelhos, nele escrevi a seguinte declaração!

Andover, 10 de fevereiro de 1859.

Neste dia faço uma reconsagração de todo o meu ser a Cristo.

Jesus, agora e para sempre, entrego-me a Ti: minha alma, para ser lavada no Teu sangue e salva no Além: meu corpo inteiro, a fim de ser usado para a Tua glória: minha boca, para bendizer-te: meus olhos, para verem a sorte dos perdidos ou serem usados noutros fins para a Tua honra; meus pés, para levarem aonde quiseres; meu coração, para encher-se de amor pelas almas e ser usado por Ti em qualquer parte; meu intelecto, para ser empregado em todos os instantes na tua causa, para a glorificação do teu nome. Entrego-te minha esposa, meus filhos, minha propriedade, tudo que tenho e que vier a ter. Obedecer-te-ei em todos os meus deveres.

Pedi-lhe graça para tornar-me capacitado a cumprir este voto. Supus então que, após essa reconsagração, recebesse tudo quanto meu coração ansioso pudesse conter, porém tal não sucedeu.

Cheguei mais perto de Cristo. Quanto mais clara a luz brilhava no meu coração, tanto mais podia eu enxergar a luz a minha vileza. Sentia-me como um doente que, embora nas mãos de um competente médico, geme e se estorce sob o severo tratamento que lhe salvará a vida. Minha oração constante era: "Toma-me inteiramente, Jesus, toma-me inteiramente!" E muitos dias se passaram, sentindo o coração desencorajado e aflito. Tornava-me, a meus próprios olhos, fraco, pequeno e inútil.

Às vezes minha alegria e paz eram quase infinitas. Outras vezes sentia que me apossava do prêmio tão ardentemente procurado, porém notava que um pecado oculto no coração me humilhava e afligia. Quão plenamente compreendi então as palavras de J. B. Taylor, quando buscava esta mesma benção: "Não obstante a minha profissão de fé que crucificaria o mundo, a carne e a concupiscência, sentia mais aguda a tristeza pelo pecado oculto do que antes de converter-me.

Oh, que aflição eu sentia por causa do orgulho, da inveja, do amor ao mundo e de outras vis paixões que se agigantavam dentro de mim e destruíam a minha paz, separando a minha alma de Deus! Quantos já o haviam compreendido nas suas lutas em busca do repouso em Cristo!...

Tudo, eu via claramente, deveria ser banido, se eu quisesse tornar-me um cristão perfeito e útil. Não podendo resolver o problema por mim mesmo, recorri a Jesus. Ele me daria a graça para a vitória. Considerei, porém, nada haver entregue a Jesus, senão uma fé cheia de falhas, deficiente e frágil. Crer plenamente nas Suas promessas, não era fácil. Eu acreditava na teoria da religião, mas ter o coração preso à realidade, sem hesitação, era difícil.

Entretanto, notei que a minha fé começava a crescer, até que, afinal, cri em tudo o quanto o Senhor afirmava na Sua Palavra. Comecei a sentir no coração algo que não possuíra outrora. Antes de me encher da plenitude de Cristo, precisava esvaziar-me do egoísmo. Achei mais fácil, então, resistir às tentações.

Nesse misto de fé, desejo e expectação, iniciei uma série de conferências em Cape Cod. Depois de consagrar-me a Deus, juntamente com outros companheiros, fiquei sozinho em meu quarto, rogando a plenitude do amor de Cristo, quando de repente, uma doce paz celestial encheu todo o vácuo da minha alma, removendo toda a ansiedade, toda a solitude, toda a falta de satisfação íntima. Senti que estava plenamente integrado em Jesus. Uma confiança infantil, calma e simples, tomava posse de todo o meu ser.

Então, pela primeira vez na vida, senti aquele descanso maior do que a paz. Antes provara a paz, porém temia não poder conservá-la; agora eu tinha a paz sem temor, que realmente se tornava um descanso.

Esta mudança operou-se cerca das 17 horas do dia 2 de novembro de 1863, e embora nunca me sentisse tão fraco e pequeno, Jesus tornou-se desde então TUDO para mim. Nunca mais houve um momento de dúvida ou de solicitude. Paz celestial e descanso perfeito encheram-me a alma. Dia e noite o Senhor estava perto de mim. Meu sucesso em ganhar almas para Jesus foi muito maior do que antes. As tentações poderiam vir, mas já não tinham poder sobre mim.

Eu possuía um Salvador presente para cada tempo de necessidade, de modo que nos anos que se seguiram fui sempre confiante em Jesus, o meu sustentáculo".

(do livro Labaredas de Fogo, de 1962, de Rosalee Appleby)

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